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Galeria do Samba - As escolas de samba do Rio de Janeiro
      Grêmio Recreativo Escola de Samba
      G.R.E.S.

Portela

Portela

CARNAVAL DE 1994

enredo
Quando o samba era samba
autor do enredo
José Félix
carnavalesco
José Félix
desfile
8ª escola a desfilar | 14/02/94 | Passarela do Samba
resultado
7ª colocada no Grupo Especial (LIESA) com 290 pontos

FICHA TÉCNICA

presidente
Paulo Miranda
direção de bateria
Antônio Luiz da Conceição (Timbó)
ritmistas
320
rainha de bateria
Luíza Brunet
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira
Neide e Jerônimo
responsável pela comissão de frente
Jerônimo da Portela
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SAMBA DE ENREDO

compositores
Wilson Cruz, Cláudio Russo e Zé Luiz
intérprete
Edson Fagundes (Dedé da Portela)
África encanto e magia
Berço da sabedoria
Razão do meu cantar
Nasceu a liberdade a ferro e fogo
A Mãe Negra abriu o jogo
Fez o povo delirar
Deixa falar, ô, ô, ô
Deixa falar, ô, iaiá
Esse batuque gostoso não pode parar
Entra na roda ioiô
Entra na roda iaiá
Lá vem Portela é melhor se segurar

Axé vem de Luanda
Sacode negritude da cidade
Trazendo a bandeira do samba
N'apoteose na felicidade


Samba é nó na madeira
É moleque mestiço
Foi preciso bancar
Resistência que a força não calou
Arte de improvisar

Capoeira
O samba vai levantar poeira
Tem zoeira
Em Oswaldo Cruz e Madureira

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SINOPSE DO ENREDO

O maior contingente de escravos do Brasil veio de Angola e do Congo. Durante séculos, estiveram nas mãos desses negros as culturas da cana-de-açúcar, do tabaco, do algodão e do café. Eles legaram aos seus descendentes formas de batuque, que apesar de misturadas com outras danças, populares ou não, ainda são reconhecíveis; formas que, primitivamente rurais, de execução nos terreiros das fazendas, sempre estiveram em diferentes estágios de urbanização.

O lundu segue a mesma linha do batuque ou samba:

"No centro de uma roda de espectadores, um par solista desenvolve a dança, que consta de sapateados, meneios acentuados dos quadris e umbigada".
(Oneyda Alvarenga)

Semba era o nome com que os angolenses designavam a umbigada. O essencial na maioria das danças nativas de Angla era o entrechoque dos ventres.

"Samba viria de semba, a vênia com que os dançadores de batuque, na África, passavam a vez de dançar - a umbigada brasileira".
(Edison Carneiro - Folguedos Tradicionais)

Trazido pelos africanos, desenvolveu-se gradativamente até chegar aos quilombos. Ritmo gostoso, cadenciado por natureza, teve que passar pelo dissabor de ver seus integrantes protegendo, aprendendo com os cantores de samba a magia contagiante de sambar, "dizer no pé" e cantar, improvisar nos versos a beleza musical angolense e a conguês. E o samba era coisa de capeta moleque. Avançou, com o negro fugindo do cativeiro para dentro das matas. No quilombo, o negro estava à vontade, com tempo de sobra para sambar.

O samba tinha uma grande aliada, a majestosa capoeira. Capoeirista cantava samba e dançava como ninguém. Os donos de engenho passam a usar os capoeiristas como guarda-costas e leões-de-chácara nas suas agremiações.

Filhos de homens de negócios, "a nobreza", se apaixonam pela capoeira tornando-a mais enriquecida de valores. As rodas de samba eram formadas em Salvador e no Rio de Janeiro com o apoio dos meninos ricos e o pau comia solto.

Com a abolição da escravatura, o negro se avoluma na dança e na música populares.

No Rio de Janeiro, no início do século atual, era grande o número de residentes negros, africanos, crioulos e mestiços, vindos de todo território brasileiro.

Realizavam-se, então, obras de remodelação, embelezamento e saneamento da capital. Com a demolição, seus habitantes tiveram de mudar-se para regiões distantes de seus locais de trabalho, indo procurar moradia na periferia ou subindo os morros que circundavam o centro.

"Assim, antes de construir a Avenida Central, era preciso tirar pobres e pretos do caminho. Iniciava-se, então, apocalíptico "bota-abaixo", com centenas de casas e cortiços sendo arrasados, numa verdadeira operação de guerra".
(Nei Lopes - O negro no Rio de Janeiro)

É no morro da Conceição que se concentram os migrantes negros, chegados principalmente da Bahia, estendendo-se depois até a Cidade Nova e formando:

"A Pequena África no Rio de Janeiro".
(Roberto Moura - Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro)

O sambista inaugura uma nova era: a "batucada" ou "capoeira", que se formava em círculos com instrumentos, atabaques ou tambores. Tocando, iam tirando versos e outros respondendo. Ficava tudo bonito e violento, pois a polícia chegava furando o que hoje chamamos de "surdo", e dando pancadas nos sambistas e o inferno era visto. O samba de morro ou urbano, próprio para ser dançado e cantado em cortejo.

O partido alto, para ser cantado e dançado em roda.

O samba deixa de ser sagrado para ser profano. A capoeira, o samba de morro e o partido alto trazem o samba para a rua de vez.

Com argumento real de ser discriminado nos salões de festa da cidade, cria a primeira Escola de Samba, a "Deixa Falar", no Estácio, formando um movimento de resistência.

A repressão continua. Nada muda?

Mergulhando no mar de nossa história, sabemos que samba, capoeira, batuque e partido alto estão de mãos dadas, não podem caminhar separados.

"O primitivo samba era o raiado, com aquele som e sotaque sertanejos. Depois, veio o samba corrido, já melhorado e mais harmonioso e com a pronúncia de gente da capital baiana. Apareceu então o samba chulado que é este samba hoje em voga; é o samba rimado, o samba civilizado, o samba desenvolvido, cheio de melodia, exprimindo uma mágoa, um queixume, uma prece, uma invocação, um expressão de ternura, um verdadeira canção de amor, uma sátira, uma perfídia, um desafio, um desabafo, ou mesmo um hino!"
(Francisco Guimarães - "Vagalume" - Na Roda do Samba - Funarte)

Em consequência dos deslocamentos do samba da Cidade Nova, especificamente da Praça Onze, para os bairros mais afastados, surge, em Oswaldo Cruz, um grupo de sambistas formando um triunvirato para dirigi-la, compondo essa emoção ardente da beleza do vôo ao sol da Águia do Samba, personificado por Paulo Benjamin de Oliveira - Paulo da Portela.

"Cada povo tem a sua alma, produto das suas origens étnicas, do seu meio, das suas histórias, das suas paisagens, dos seus climas, das suas paixões".
(Orestes Barbosa - Samba - Funarte)

A PORTELA, berço de emoções, criou a sua alma e, com ela, o seu ritmo musical - O GRANDE E VIGOROSO SAMBA PORTELENSE.

Apoteótica, Águia do Samba vai alçar o seu vôo contagiante de energia, transferindo a sua grande força de magnetismo, de amor, de cores, de alegria para toda essa massa-carnavalesca-africana.

A ÁFRICA NEGRA RESSURGE.
O samba é carioca.
O samba é de Oswaldo Cruz.
O SAMBA É DA "PORTELA".

José Félix

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