De Olho no Mercado #18: seu resumo essencial sobre o mercado global de logística
Giro Econômico
Selic deve subir em 2024
O Boletim Focus desta segunda-feira trouxe mudanças importantes nas expectativas para a taxa Selic em 2024. Economistas agora preveem uma alta da taxa de juros, que deve encerrar o ano em 11,25%, frente à projeção anterior de 10,50%. O aumento reflete as preocupações contínuas com a inflação, que também teve suas expectativas revisadas para cima. O IPCA de 2024 foi ajustado para 4,30%, marcando a oitava semana consecutiva de revisão ascendente.
Essa elevação nas taxas de juros impacta diretamente o custo de crédito no país, pressionando ainda mais o consumo e os investimentos. Para 2025, a expectativa é que a Selic chegue a 10,25%, enquanto as projeções para 2026 e 2027 permanecem em 9,50% e 9%, respectivamente.
PIB brasileiro revisto para cima
O crescimento econômico do Brasil para 2024 também teve uma revisão positiva no Boletim Focus. A estimativa do PIB passou de 2,46% para 2,68%, uma elevação significativa que reflete uma resiliência maior da economia do que o esperado. Esse movimento sugere que, apesar dos desafios globais e internos, o Brasil pode continuar com um ritmo de crescimento moderado.
Para 2025, a previsão de crescimento do PIB subiu ligeiramente de 1,85% para 1,90%, enquanto para 2026 e 2027, o crescimento deve se manter estável na casa dos 2%. Esses números reforçam um cenário de recuperação gradual, embora ainda moderado em comparação com os principais mercados emergentes.
Dólar encerra 2024 em alta
O mercado de câmbio também viu ajustes nas expectativas para o dólar. A moeda americana deve fechar 2024 cotada a R$ 5,35, um leve aumento em relação à previsão anterior de R$ 5,33. A alta no dólar reflete as incertezas no cenário internacional, com o impacto de crises geopolíticas e os movimentos das políticas monetárias globais.
Para os próximos anos, as previsões continuam estáveis. Em 2025, o dólar deve permanecer em R$ 5,30, e a projeção para 2026 e 2027 foi ajustada para R$ 5,30. Essa estabilidade no longo prazo sugere uma expectativa de maior controle sobre as flutuações cambiais, embora o cenário externo continue a influenciar essas projeções.
Mercado internacional de olho nos dados dos EUA
Nos Estados Unidos, os investidores estão atentos aos dados de emprego e às expectativas de inflação. Estes indicadores são cruciais para as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve, que podem impactar diretamente as taxas de juros americanas e o fluxo de capital internacional. Com a economia dos EUA mostrando sinais mistos, a incerteza persiste sobre os próximos movimentos do banco central.
Lançamento do iPhone 16 movimenta a logística global
O lançamento do iPhone 16 pela Apple está gerando uma movimentação intensa no transporte global. A empresa compra grandes volumes de espaço em aeronaves para garantir que seus produtos sejam entregues em mercados estratégicos a tempo do lançamento. Este movimento gera um aumento no tráfego de carga nas rotas provenientes da China e Índia, que são os principais centros de produção dos dispositivos.
Essa logística complexa se intensifica especialmente no segundo semestre do ano, quando o lançamento de novos produtos da Apple coincide com o aumento da demanda de fim de ano. A capacidade de garantir espaço para transporte aéreo com prioridade permite à empresa atender às expectativas do mercado, mas também impõe desafios para outros setores que competem por espaço nas mesmas rotas de frete.
Mundo
Crise no Mar Vermelho força varejistas a anteciparem estoques de Natal e desvia embarcações para rotas alternativas
A crise no Mar Vermelho, causada por ataques contínuos, está impactando duramente o transporte marítimo global, forçando operadores a desviar embarcações para longe do Canal de Suez e pressionando varejistas a antecipar seus estoques antes do Natal. Com a rota leste-oeste severamente afetada, empresas que dependem dessa via estão acelerando a movimentação de mercadorias para evitar interrupções no período de maior demanda.
Alguns operadores logísticos optaram por desviar suas embarcações para rotas mais longas, contornando o Cabo da Boa Esperança, o que aumenta o tempo de trânsito e os custos de frete. Esse redirecionamento também causou congestionamento em portos alternativos, pressionando ainda mais as tarifas de transporte, que já acumulam altas desde o início da crise no Oriente Médio.
A antecipação dos estoques, que normalmente ocorre após setembro, foi adiantada para julho, sobrecarregando tanto os fornecedores quanto os varejistas. As empresas enfrentam desafios logísticos adicionais, incluindo a necessidade de encontrar soluções temporárias de armazenamento, dada a falta de capacidade em muitos centros de distribuição.
Com o agravamento da situação, a perspectiva de normalização nas rotas marítimas permanece incerta, e os analistas indicam que os impactos poderão se estender até o primeiro trimestre de 2025. Enquanto isso, as empresas seguem ajustando suas cadeias de suprimentos para mitigar os efeitos da crise e garantir a disponibilidade de produtos durante o pico de consumo.
Escassez de porta-contêineres desacelera mercado de frete internacional, apesar da estabilidade nas tarifas
O mercado de frete internacional de porta-contêineres continua em ritmo lento, ainda refletindo a tradicional baixa atividade do verão no hemisfério norte. A falta de embarcações de grande porte disponíveis de imediato tem limitado o volume de novos contratos, segundo o relatório da Alphaliner. Além disso, a queda nas tarifas de frete, com o Índice de Carga Contêinerizada de Xangai (SCFI) registrando sua segunda baixa significativa em duas semanas, está tornando os operadores mais cautelosos na contratação de navios.
Apesar desse cenário, as tarifas de frete para contêineres se mantêm estáveis. Para embarcações acima de 4.000 TEUs, as tarifas seguem firmes e, em alguns casos, houve até uma leve alta nos navios de menor capacidade, especialmente entre 1.500 e 2.800 TEUs. Além disso, o retorno de contratos de maior duração indica uma recuperação gradual, gerando otimismo moderado entre os armadores.
O futuro das tarifas de frete internacional dependerá da evolução das tarifas de transporte. Se a queda atual continuar, as tarifas de frete podem começar a enfraquecer. Esse cenário está sendo previsto pela Alphaliner, considerando o término antecipado da alta temporada, a proximidade da Semana Dourada na China e a entrada de novos navios no mercado, que adicionaram 256.000 TEUs em agosto, com mais 1 milhão de TEUs previstos até o final do ano.
Entretanto, desvio de rotas pelo Cabo da Boa Esperança, o comércio global contínuo e a escassez de capacidade disponível podem ajudar a mitigar os efeitos negativos e sustentar o mercado de frete a curto prazo.
Brasil
Indústria e portos adotam medidas emergenciais para enfrentar seca histórica no Amazonas
A indústria e os portos que dependem do transporte fluvial no Amazonas estão se preparando para a seca mais intensa dos últimos anos. Com a queda acentuada no nível dos rios, dois píeres flutuantes foram instalados para garantir a chegada e saída de contêineres em Manaus. A solução temporária, adotada pelas principais estações portuárias, visa mitigar o impacto da estiagem que, apenas em 2024, já gerou um sobrecusto de R$ 500 milhões para a indústria local. A seca, no entanto, escancara a falta de investimentos em infraestrutura permanente na região.
Além da instalação dos píeres, medidas como a utilização de transporte rodoviário e aéreo estão sendo implementadas para evitar desabastecimento na capital e nas cidades vizinhas. A navegação no rio Amazonas enfrenta sérios desafios devido ao acúmulo de sedimentos nos trechos mais críticos, o que impossibilita a passagem de grandes embarcações. Especialistas destacam que soluções definitivas, como a construção de canais ou obras de engenharia mais robustas, poderiam reduzir os impactos a longo prazo.
A seca também afeta a exportação de produtos da Zona Franca de Manaus e o abastecimento de insumos essenciais como alimentos e materiais de construção. O uso dos píeres flutuantes, uma solução inédita, reflete a urgência da situação, mas não resolve o problema de infraestrutura deficiente. A falta de uma abordagem mais perene para enfrentar a crise hídrica tem gerado altos custos logísticos, aumentando o preço final de produtos para consumidores locais.
Enquanto o setor busca soluções de curto prazo, a pesca na região sofre com a escassez de espécies devido à baixa dos rios. O impacto econômico é significativo, e sem ações imediatas, o cenário de perdas deve se agravar até o final do ano. O setor industrial e logístico reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura para evitar que a seca continue a penalizar a economia da Amazônia nos próximos anos.
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Receita Federal lança operação para garantir fluidez no comércio exterior durante a seca na Amazônia
Em uma iniciativa inédita, a Receita Federal está implementando a "Operação Aduana Flutuante" para mitigar os impactos da estiagem severa que afeta o Rio Amazonas. A operação, proposta pelos operadores de portos privados, busca garantir a continuidade das operações logísticas na região, por meio da instalação de píeres flutuantes provisórios na área de Itacoatiara, ao longo do Rio Amazonas.
A medida é uma resposta direta às restrições de navegação impostas pela baixa do rio, que historicamente causa grandes prejuízos à logística na região. As estruturas flutuantes, com 240 metros de extensão, serão operacionais entre setembro e dezembro de 2024, período mais crítico da seca.
Além de promover a fluidez do comércio exterior, a Receita Federal flexibilizou os procedimentos para garantir que a operação mantenha altos padrões de segurança. Câmeras de vigilância e sistemas de rastreamento via GPS foram instalados para monitorar as balsas que transportarão mercadorias, assegurando a conformidade e evitando a entrada de produtos ilegais no país.
Impactos da seca e respostas logísticas
Em 2023, a seca na Amazônia resultou em uma queda de 25,7% nas importações e de 19,8% nas exportações em setembro. Em outubro, esses números pioraram, com as importações caindo 62,7% e as exportações 37,5%. Os píeres flutuantes devem evitar a repetição dessas perdas, garantindo a continuidade das operações comerciais na região.
A Aduana Flutuante é parte de um esforço coordenado que envolve, além da Receita Federal, a Marinha do Brasil, a Suframa e a Antaq, entre outros órgãos. O objetivo é assegurar que o fluxo de mercadorias permaneça estável, mesmo com as adversidades ambientais.
Sustentabilidade
Regras ambientais mais rígidas devem se expandir no comércio exterior
A adoção de normas ambientais e de responsabilidade social no comércio internacional está em pleno crescimento e promete se tornar uma exigência permanente para empresas de todos os portes. Duas novas legislações da União Europeia, com impacto direto sobre as exportações brasileiras, especialmente no setor de commodities, são exemplos claros dessa tendência.
A primeira delas é a Diretiva sobre Due Diligence em Sustentabilidade Corporativa, que entrou em vigor em 2024. Essa lei exige que grandes empresas que operam na União Europeia garantam que suas cadeias de fornecimento estejam livres de violações ambientais e de direitos humanos. As empresas devem realizar auditorias regulares para identificar e mitigar possíveis riscos de danos socioambientais, incluindo o desmatamento e a exploração de trabalhadores.
A segunda, o Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), começará a ser aplicada a partir de 30 de dezembro de 2024. Esse regulamento proíbe a importação de commodities associadas ao desmatamento, como soja, carne bovina, madeira e outros produtos. As empresas exportadoras terão que fornecer provas de que seus produtos não contribuem para o desmatamento, seguindo critérios rigorosos de rastreabilidade.
Desafios para pequenas e médias empresas
Enquanto grandes corporações possuem recursos financeiros e estruturais para implementar rapidamente essas normas, as pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam desafios significativos. Empresas de menor porte, com recursos limitados, podem achar mais difícil fazer auditorias extensivas e garantir a conformidade em toda a cadeia de fornecimento.
Além disso, a falta de harmonização global das normas pode criar ainda mais obstáculos. As diferenças entre as exigências de diferentes países e blocos econômicos podem elevar custos e aumentar a complexidade para as PMEs que buscam internacionalizar seus negócios. Muitas dessas empresas não possuem equipes dedicadas a monitorar e implementar essas mudanças legislativas.
Como adaptar-se às novas exigências é essencial para manter a competitividade no mercado internacional, veja algumas sugestões para iniciar o processo na sua empresa:
Como se manter conectado com as novas regras ambientais
1. Forme parcerias estratégicas
As PMEs podem encontrar suporte por meio de parcerias com associações setoriais, consultorias especializadas e órgãos de comércio que oferecem assistência no processo de adaptação. Entidades como a Federação das Indústrias e as Câmaras de Comércio podem ajudar a disseminar boas práticas e a fornecer recursos para implementar políticas ESG de maneira acessível.
2. Adote sistemas de rastreabilidade acessíveis
Embora grandes empresas tenham recursos para investir em tecnologias avançadas, como blockchain, as PMEs podem buscar soluções mais acessíveis para garantir a rastreabilidade de suas cadeias produtivas. Certificações ambientais, como a FSC (Forest Stewardship Council) para produtos florestais ou a Rainforest Alliance para commodities agrícolas, são alternativas viáveis para garantir a conformidade e atender aos requisitos da União Europeia.
3. Monitore a cadeia de suprimentos
Mesmo empresas que não exportam diretamente precisarão se adequar se fizerem parte da cadeia de fornecimento de empresas exportadoras. Estabeleça controles internos para garantir que os fornecedores atendam às exigências ambientais e sociais. Pequenas mudanças nos processos internos de controle podem ter um grande impacto na conformidade a longo prazo.
4. Foque na governança corporativa
As PMEs devem integrar práticas ESG em suas políticas de governança, começando com pequenas ações que promovam responsabilidade ambiental. Treine a equipe e crie mecanismos de controle, como relatórios de sustentabilidade anuais, para documentar seus esforços. A implementação gradual de práticas sustentáveis pode evitar impactos financeiros abruptos e facilitar a adaptação às exigências futuras.
5. Busque certificações reconhecidas
Investir em certificações que atestem práticas de sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo no mercado internacional. Mesmo que o processo inicial de certificação possa parecer oneroso, ele simplifica o cumprimento das normas ESG, aumenta a confiança dos compradores e abre portas para novos mercados.
6. Acompanhe as mudanças na legislação
As exigências de sustentabilidade no comércio internacional estão em constante evolução. Criar um processo de monitoramento contínuo da legislação internacional é fundamental. Para as PMEs, isso pode ser feito com a ajuda de associações comerciais ou consultores jurídicos especializados que possam manter a empresa informada sobre futuras mudanças.
Embora as novas regras ambientais e sociais possam parecer um desafio, especialmente para pequenas e médias empresas, a adoção dessas práticas pode resultar em uma vantagem competitiva. Empresas que se adequarem rapidamente estarão melhor posicionadas para expandir suas operações internacionais e fortalecer sua reputação no mercado global. A adaptação às normas não é apenas uma questão de cumprimento legal, mas uma oportunidade de crescimento e inovação sustentável.