Do pai que dá as respostas ao pai que ajuda a encontrá-las

Quando meu filho está preocupado ou passando por dificuldades no trabalho,
eu acabo querendo dar todo tipo de conselho.

“É melhor fazer assim.”
“Você deveria fazer desse jeito.”

Baseado na minha experiência e naquilo que acredito ser certo como pai,
quando percebo, já estou falando demais, de forma unilateral.

E, em algum lugar dentro de mim,
também existe uma parte que fica um pouco orgulhosa
por ele ter recorrido a mim.

Mas, ao mesmo tempo, penso:

Cada pessoa vive a sua própria vida
e, através das próprias experiências,
vai encontrando as suas próprias respostas.

Não podemos mudar os outros,
e nem precisamos mudá-los.

Isso é algo que, racionalmente, eu entendo muito bem.

Mesmo assim,
quando vejo alguém diante de mim passando por dificuldades,

acabo me metendo.

Ultimamente, comecei a perceber um pouco melhor o motivo disso.

Talvez seja porque, dentro do meu desejo de “ajudar”,
também exista uma pequena dose de

“ansiedade”

e

“vontade de controlar”.

Na verdade,
a vida da outra pessoa pertence a ela.

Quais escolhas ela vai fazer,
e quais experiências vai viver,

são coisas que ela mesma precisa decidir.

Por isso,
“dar a resposta” nem sempre é a coisa certa a fazer.

Talvez seja mais natural
ajudar a pessoa a encontrar a resposta que já existe dentro dela.

Em vez de dar conselhos,

perguntar:

“E você, o que quer fazer?”

“Se você fizer isso, como vai se sentir?”

Quando faço perguntas assim,
é curioso como a outra pessoa começa a pensar por si mesma.

E, pouco a pouco,
vai se aproximando da sua própria resposta.

Talvez o papel de um pai
não seja ensinar qual é a resposta certa,

mas confiar na capacidade do filho de pensar
e ajudá-lo a encontrar essa resposta dentro de si.

Dito isso,

provavelmente ainda vou me intrometer algumas vezes.

Também haverá dias em que
vou falar mais do que deveria.

Mas tudo bem, inclusive isso.

“Ah, agora eu meio que tentei impor a minha vontade.”

Só perceber isso
já faz com que, pouco a pouco,
a maneira como nos relacionamos comece a mudar.

Do pai que dá as respostas
ao pai que ajuda o filho a encontrar as próprias respostas.

Acredito que essa pequena mudança de consciência
vai tornando o relacionamento
cada vez mais leve e acolhedor.

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