Galiza
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Galiza
Galiza • Galicia | |
|---|---|
| Hino | Os Pinos |
| Lema | Hoc hic misterium fidei firmiter profitemur [nota 1]. |
| Gentílico | galaico, galego, galiciano, galiziano[2] |
| Capital | Santiago de Compostela |
| Governo | |
| • Presidente | Alfonso Rueda (PPdG) |
| Área | |
| • Total | 29 574 km² |
| População | |
| • Total (2017) | 2 708 339 hab. |
| Densidade | 91,6 hab./km² |
| Províncias | Corunha, Lugo, Ourense, Ponte Vedra |
| Idioma oficial | galego e castelhano |
| Estatuto de autonomia | 28 de junho de 1936 28 de Abril de 1981 |
| ISO 3166-2 | ES-GA |
| Congresso Senado | 25 assentos 19 assentos |
| Sítio | Junta da Galiza |
A Galiza (ou Galícia)[3] [nota 2] é uma comunidade autónoma da Espanha, considerada pelo respetivo estatuto de autonomia e pela constituição espanhola como nacionalidade histórica.[4] Situada no noroeste da Península Ibérica, ocupa uma parte do território histórico da antiga Galécia e do Reino da Galiza (409–1833).
É formada pelas províncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra. Geograficamente, limita a norte com o mar Cantábrico, ao sul com Portugal (Minho e Trás-os-Montes), a oeste com o oceano Atlântico e a leste com o Principado das Astúrias e Castela e Leão (províncias de Samora e de Leão). À Galiza pertencem o arquipélago das ilhas Cies, o arquipélago de Ons e o arquipélago de Sálvora, assim como as ilhas de Cortegada, Arouça, as Sisargas ou as Malveiras. A Galiza caracteriza-se, ao contrário de outras regiões espanholas, pela ausência de uma metrópole que domina o território. Com efeito, a rede urbana é constituída por sete cidades principais (as quatro capitais de província Corunha, Ponte Vedra, Ourense e Lugo, a capital política Santiago de Compostela e as cidades industriais Vigo e Ferrol) e outras pequenas cidades. A Galiza possuía, em 2015, cerca de 2 726 291 de habitantes, com uma densidade demográfica elevada nas faixas entre a Corunha e Ferrol, a noroeste, e Ponte Vedra e Vigo a sudoeste. Santiago de Compostela é a capital política, com um estatuto especial, dentro da província da Corunha. É na sua capital que se situa um dos mais importantes santuários católicos do Ocidente, a Catedral de Santiago de Compostela.
O hino da Galiza, Os Pinos, elaborado por Eduardo Pondal, refere-se à Galiza como a nação de Breogão, herói da mitologia céltica.[5]
Topónimo
[editar | editar código]Origem e evolução
[editar | editar código]O nome para o território atual da Galiza deriva da palavra latina Gallaecia (ou Callaecia), que significa literalmente «terra dos galaicos». Callaecia, «a terra dos Callaeci», poderia derivar de kallā- 'madeira',[6] juntamente com o sufixo complexo local -āik. O topónimo transformou-se mais tarde em Gallicia, e daí para as formas atuais. Os galaicos[nota 3] foram o povo mais numeroso do noroeste da Península Ibérica antes da sua integração no Império Romano no século I a.C., apesar de alguns autores[quais?] considerarem que, originalmente, o termo «galaico» era empregue para denominar uma pequena tribo ao norte do Douro. Seja como for, o nome acabou por abarcar todo um grupo étnico de língua celta e culturalmente homogéneo, situado entre o Mar Cantábrico e o Rio Douro.

A primeira referência histórica dos galaicos remonta-se ao ano 136 a.C., quando o general romano Décimo Júnio Bruto Galaico regressa a Roma — depois da sua vitoriosa campanha bélica contra dois povos previamente desconhecidos: os lusitanos e galaicos — recebendo do próprio Senado romano o título de Gallaecus ou "galaico" em honra pela dura expedição militar contra estes.[8] Após estes primeiros contactos, o mundo grecolatino passa a denominar o seu país como Gallaecia, tal como o fizeram Estrabão, Plínio e Apiano, entre outros. Será este nome, Gallaecia, que irá evoluindo durante mais de treze séculos, e que acabará por adotar as formas «Galiza» e «Galicia».
Mais controverso é, porém, o significado original do termo Gallaicus (galaico) e consequentemente de Gallaecia. O primeiro autor que teorizou sobre isto foi Isidoro de Sevilha, que no século VII explicava que o nome "galaico" aludia à pele branca como o leite que tinham os seus habitantes, de jeito semelhante aos habitantes da Gália.[9] Serão muitos autores posteriores os que tentem procurar o significado deste nome, tais como Afonso X o Sábio, Ramón Barros Sivelo ou Murguía, mas hoje tende a ser relacionado com étimos das línguas celtas, e indo-europeias em geral, de maneira que o significado exato da palavra é, hoje em dia, desconhecido.
Formas atuais
[editar | editar código]O nome oficial da comunidade é Galicia, forma considerada maioritária e preferente pela Real Academia Galega e também usada em castelhano.[10] No entanto, a Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega admitiram tanto Galiza como Galicia na sua normativa de concórdia do verão de 2003. Sobre este assunto, concretamente, as normas ortográficas e morfológicas do idioma galego referem o seguinte:
«Teñen terminación -cia, entre outros, acacia, […] etc. Entre estas palabras está Galicia, voz lexítima galega, denominación oficial do país e maioritaria na expresión oral e escrita moderna. Galiza é tamén unha forma lexitimamente galega, amplamente documentada na época medieval, que foi recuperada no galego contemporáneo.»
Por sua parte, a Associação Galega da Língua, inserida na corrente reintegracionista, admite apenas a forma Galiza. O mesmo acontece no Brasil e em Portugal, onde as obras de maior renome, como os dicionários Aurélio, Houaiss, Michaelis, Caldas Aulete, e os Dicionários Porto Editora, apenas aceitam a forma Galiza para o nome da região em português, reservando o termo Galícia para a região da Polónia. Existem porém minidicionários, entre os quais o Minidicionário António Olinto, Soares Amora, Sacconi, ou Minidicionário Silveira Bueno, além de enciclopédias traduzidas, como a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, a Enciclopédia Geográfica Universal, que dão os termos como sinónimos.
Todavia, obras como o Dicionário de Questões Vernáculas, de Napoleão Mendes de Almeida ou «A imprensa e o caos na ortografia», de Marcos de Castro, afirmam, com veemência, a condição de barbarismo que representaria o uso do termo Galícia em detrimento do português Galiza. Outras obras, como o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, nem mesmo registram o referido termo, cujo uso, segundo alguns autores, teria sido disseminado no Brasil como adaptação do topónimo mais comum na Galiza, Galicia, por uma possível influência dos numerosos imigrantes galegos que chegaram ao país, ou, ainda, por influência do inglês ou do castelhano.[11]
História
[editar | editar código]Pré-história
[editar | editar código]Paleolítico
[editar | editar código]As primeiras provas líticas da presença humana na Galiza datam de há cerca de 300 mil anos, no Paleolítico Inferior, durante o Pleistoceno Médio. Deste período, que nesta zona perdura até cerca de 5000 a.C., existem diversos restos dos seus povoadores por todo o litoral, desde Ribadeu até à Guarda, que consistem em instrumentos líticos que demonstram uma indústria acheuliana à base de bifaces, fendedores e triedros feitos sobre uma base de quartzo ou quarcita. São também de destaque as descobertas na parte portuguesa do Minho — de Caminha a Melgaço — e o da caverna Eirós, em Triacastela, no qual foram preservados restos de animais e líticos dos neandertais até ao Paleolítico Médio, graças ao seu ambiente básico. Também existem outras reservas deste período no Baixo Minho e na depressão de Ourense. Conhecem-se duas culturas, o Paleolítico Inferior Arcaico (ou "cultura dos cantos talhados", com uma técnica mais simples) e o Paleolítico Inferior Clássico. As indústrias são simples e o número de tipos reduzido.
Cultura megalítica
[editar | editar código]A primeira grande cultura claramente identificada se caracterizava por sua capacidade construtora e arquitetónica, juntamente com o seu sentido religioso, fundamentado no culto aos mortos como mediadores entre o homem e os deuses.
A sociedade estaria organizada num tipo de estrutura de clãs. Da época do megalítico depõe milhares de túmulos[12] estendidos por todo o território, escondendo no seu interior uma câmara funerária de dimensões maiores ou menores, edificada com brames de pedra, conhecidas como dólmen.
Idade do Bronze
[editar | editar código]É nesta época que se atinge o desenvolvimento metalúrgico, impulsionado pela riqueza mineira. Devido às mudanças climáticas, vários povos da meseta migraram para o território da Galiza, aumentando a população e os conflitos entre povos. É a época de produção de diversos utensílios e joias de ouro ou de bronze, que foram até levadas além-Pirenéus.
Cultura céltica castreja
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Corresponde ao período de tempo desde a chegada dos celtas e seu assentamento até à fortificação nos seus castros. Floresceu na segunda metade da Idade do Ferro, resultado da fusão com a cultura da Idade do Bronze e outros contributos posteriores, coexistindo em parte com a época romana. Os celtas trouxeram novas variedades de gado, o cavalo domesticado e provavelmente o centeio.
O primeiro povo celta que invade Galiza é o dos Sefes, no século XI a.C.. Submeterá os Estrímnios, mas este influirá no primeiro sobretudo no terreno da religião, da organização política e das relações marítimas com a Bretanha e a Inglaterra.[carece de fontes] Segundo Estrabão, a topografia predominantemente montanhosa da Galiza fez com que os galaicos fossem o povo mais difícil de vencer da Península Ibérica e tivessem derrotado grande parte dos povos da Lusitânia.[13] É preciso dizer que a província romana dos galaicos, a Galécia (em latim: Gallaecia ou Callaecia), ainda não estava constituída política e administrativamente.
Os castros são recintos fortificados de forma circular, providos de um ou vários muros concêntricos, precedidos geralmente do seu correspondente fosso e situados, os mais deles, na cimeira de colina e montanhas. Entre os castros de tipo costeiro, destacam-se os de Fazouro, Santa Trega, Baronha e Neixão. No interior, podem mencionar-se os de Castromau e Viladonga. Comum a todos eles são o facto de que o homem se adapta ao terreno e não ao contrário.
Quanto aos templos, a única construção encontrada é a de Elvinha. O de Meirãs conserva uma necrópole. Noutros castros existiam pequenas construções em forma de caixa onde eram guardadas as cinzas (cultura sorotápica, dos campos de enterro de furnas — urnenfelder em alemão). Existem também outras parcialmente enterradas, com um depósito para a água, nas quais os vestígios de fogo indicam que deveria ter como propósito a incineração de cadáveres.
A partir dos finais do Megalítico, aparecem inscrições sobre rochas graníticas a céu aberto das quais atualmente se desconhece a sua origem e significado, sendo de nota as do Campo Lameiro.
Gallaecia Romana
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As legiões romanas entraram na região pela primeira vez sob o comando de Decimus Junius Brutus em 137–136 a.C., mas o território só foi incorporado ao Império Romano na época de Augusto (29 a.C. – 19 a.C.). Os romanos se interessavam pela Galiza principalmente por seus recursos minerais, sobretudo o ouro. Sob o domínio romano, a maioria dos castros galegos começou a ser abandonada — às vezes à força —, e os Gallaeci serviram com frequência no exército romano como tropas auxiliares. Os romanos trouxeram novas tecnologias, novas rotas de viagem, novas formas de organização da propriedade e uma nova língua: o latim. O Império Romano estabeleceu seu controle sobre a Galiza por meio de acampamentos (castra), como Aquis Querquennis, o acampamento de Ciadella ou Lucus Augusti (Lugo), de estradas (viae) e de monumentos como o farol conhecido como Torre de Hércules, em Corunha. Porém, a distância e o menor interesse pela região a partir do século II d.C., quando as minas de ouro deixaram de ser produtivas, levaram a um grau menor de romanização. No século III, a região foi transformada em província, sob o nome de Gallaecia (Galécia), que incluía também o norte de Portugal, as Astúrias e uma grande parte do que hoje é conhecido como Castela e Leão.
Galícia Medieval
[editar | editar código]Invasões Germânicas e a transição medieval

No início do século V, a profunda crise enfrentada pelo Império Romano permitiu que diferentes tribos da Europa Central (suevos, vândalos e alanos) cruzassem o Reno e penetrassem no território em 31 de dezembro de 406. Seu avanço em direção à Península Ibérica obrigou as autoridades romanas a firmar um tratado (foedus) pelo qual os suevos se estabeleceriam pacificamente e governariam a Galiza como aliados imperiais, denominados de foederati. Assim, a partir de 409, a Galiza foi tomada pelos suevos, formando o Reino Suevo, o primeiro reino medieval criado na Europa, em 411, ainda antes da queda do Império Romano, sendo também o primeiro reino germânico a cunhar moedas em terras romanas. Durante esse período, uma colônia britânica e um bispado (ver Mailoc) foram estabelecidos no norte da Galiza (Britônia), provavelmente como foederati e aliados dos suevos.[14] Em 585, o rei visigodo Leovigildo invadiu o reino suevo da Galiza e o derrotou, trazendo-o sob o controle visigótico.
Mais tarde, os muçulmanos invadiram a Espanha (711), mas árabes e mouros nunca conseguiram ter controle real sobre a maior parte da Galiza, que mais tarde foi incorporada pelo rei Afonso I ao crescente Reino Cristão das Astúrias, geralmente conhecida como Gallaecia ou Galiza (Yillīqiya e Galīsiya) pelos cronistas muçulmanos, bem como por muitos contemporâneos europeus.[15][16] Essa era consolidou a Galiza como uma sociedade cristã que falava uma língua românica. Durante o século seguinte, nobres galegos tomaram o norte de Portugal, conquistando o Porto em 868 e Coimbra em 871, libertando assim o que era considerado a cidade mais ao sul da antiga Galiza.
Alta e Baixa Idade Média

No século IX, a ascensão do culto ao Apóstolo Tiago em Santiago de Compostela conferiu à Galiza uma importância simbólica particular entre os cristãos, importância que se manteria ao longo de toda a Reconquista. Com o avançar da Idade Média, Santiago tornou-se um grande destino de peregrinação, e o Caminho de Santiago (Camiño de Santiago) uma importante rota de peregrinos, servindo como via de propagação da arte românica e das palavras e músicas dos trovadores. Durante os séculos X e XI, período em que a nobreza galega passou a se relacionar com a família real, a Galiza foi por vezes governada por reis próprios, enquanto os vikings (localmente conhecidos como leodemanes ou lordomanes) realizavam, ocasionalmente, incursões pela costa. As Torres de Catoira (Pontevedra)[17] foram construídas como um sistema de fortificações para prevenir e conter os ataques vikings a Santiago de Compostela.

Em 1063, Fernando I de Castela dividiu seu reino entre seus filhos, e o Reino da Galiza foi concedido a Garcia II da Galiza. Em 1072, foi anexado à força por seu irmão Afonso VI de Leão; a partir de então, a Galiza permaneceu unida ao Reino de Leão sob os mesmos monarcas. No século XIII, Afonso X de Castela padronizou a língua castelhana (ou seja, o espanhol) e a tornou a língua da corte e do governo. Apesar disso, em seu Reino da Galiza, a língua galega era a única falada, e a mais utilizada no governo, nos usos jurídicos e na literatura.
Durante os séculos XIV e XV, o progressivo distanciamento dos reis dos assuntos galegos deixou o reino nas mãos de cavaleiros, condes e bispos locais, que frequentemente lutavam entre si para ampliar seus feudos, ou simplesmente para saquear as terras alheias. Ao mesmo tempo, deixou-se de convocar os deputados do Reino nas Cortes. O Reino da Galiza, escapando do controle do rei, respondeu com um século de insubordinação fiscal.

Por outro lado, a ausência de um sistema de justiça real eficaz no Reino levou ao conflito social conhecido como as Guerras Irmandinhas, quando ligas de camponeses e burgueses, com o apoio de diversos cavaleiros e nobres, e sob a proteção legal oferecida pelo rei distante, derrubaram muitos dos castelos do Reino e chegaram a expulsar brevemente os nobres para Portugal e Castela. Pouco depois, no final do século XV, no conflito dinástico entre Isabel I de Castela e Joana, a Beltraneja, parte da aristocracia galega apoiou Joana. Após a vitória de Isabel, esta iniciou uma reforma administrativa e política que o cronista Jerônimo Zurita definiu como "doma del Reino de Galicia" ("a doma do Reino da Galiza"): "Foi então que começou a doma da Galiza, porque não apenas os senhores e cavaleiros locais, mas todo o povo daquela nação eram, uns contra os outros, muito audazes e guerreiros". Essas reformas, ao mesmo tempo em que estabeleceram um governo e um tribunal locais (a Real Audiencia del Reino de Galicia) e submeteram a nobreza, também trouxeram a maioria dos mosteiros e instituições galegas sob o controle castelhano, no que tem sido criticado como um processo de centralização. Paralelamente, os reis passaram a convocar a Xunta ou Cortes do Reino da Galiza, uma assembleia de deputados ou representantes das cidades do Reino, para solicitar contribuições monetárias e militares. Essa assembleia logo se converteu na voz e na representação legal do Reino, e na depositária de sua vontade e de suas leis.
Idade Moderna
[editar | editar código]A época moderna do Reino da Galiza começou com a derrota de alguns dos senhores galegos mais poderosos, como Pedro Álvarez de Sotomayor, chamado Pedro Madruga, e Rodrigo Henriquez Osorio, às mãos dos exércitos castelhanos enviados à Galiza entre os anos de 1480 e 1486. Isabel I de Castela, considerada uma usurpadora por muitos nobres galegos, derrotou toda a resistência armada e estabeleceu definitivamente o poder real da monarquia castelhana. Temendo uma revolta geral, os monarcas ordenaram o banimento dos demais grandes senhores, como Pedro de Bolaño, Diego de Andrade e Lope Sánchez de Moscoso, entre outros.
O estabelecimento da Santa Hermandad em 1480 e da Real Audiencia del Reino de Galicia em 1500 — um tribunal e órgão executivo dirigido pelo Governador-Capitão Geral como representante direto do rei — implicou, inicialmente, a submissão do Reino à Coroa, após um século de agitação e insubordinação fiscal. Como resultado, entre 1480 e 1520, o Reino da Galiza contribuiu com mais de 10% dos rendimentos totais da Coroa de Castela, incluindo as Américas, muito acima de sua relevância econômica. Como o restante da Espanha, o século XVI foi marcado por crescimento populacional até 1580, quando as guerras simultâneas com os Países Baixos, a França e a Inglaterra prejudicaram o comércio atlântico da Galiza, que consistia principalmente na exportação de sardinhas, madeira e algum gado e vinho.

Nos últimos anos do século XV, a forma escrita da língua galega começou um lento declínio, à medida que era progressivamente substituída pelo espanhol, o que culminaria nos Séculos Escuros da língua, aproximadamente do século XVI até meados do século XVIII, quando o galego escrito praticamente desapareceu, exceto em usos privados ou ocasionais, embora a língua falada continuasse sendo a língua comum do povo nas aldeias e até mesmo nas cidades.
A partir desse momento, a Galiza, que participou em menor escala da expansão americana do Império Espanhol, viu-se no centro das guerras atlânticas travadas pela Espanha contra os franceses e as potências protestantes da Inglaterra e dos Países Baixos, cujos corsários atacavam as áreas costeiras, embora grandes ataques não fossem comuns, já que o litoral era difícil e os portos facilmente defensáveis. Os ataques mais famosos foram contra a cidade de Vigo, por Sir Francis Drake, em 1585 e 1589, e o cerco da Coruña em 1589 pela Armada Inglesa. A Galiza também sofreu ataques esporádicos de piratas berberes em busca de escravos, embora não com a mesma frequência que as áreas costeiras do Mediterrâneo. O ataque berbere mais famoso foi o sangrento saque da vila de Cangas em 1617. Nessa época, os pedidos do rei por dinheiro e tropas tornaram-se mais frequentes, devido ao esgotamento humano e econômico de Castela; a Junta do Reino da Galiza (as Cortes locais ou assembleia representativa) foi inicialmente receptiva a esses pedidos, arrecadando grandes somas, aceitando o recrutamento dos homens do reino e até mesmo encomendando uma nova esquadra naval, sustentada com as rendas do Reino.

Após a ruptura das guerras com Portugal e a Catalunha, a Junta mudou sua atitude, desta vez devido ao esgotamento da Galiza, agora envolvida não apenas em operações navais ou ultramarinas, mas também em uma exaustiva guerra com os portugueses, guerra que produziu milhares de baixas e refugiados e perturbou fortemente a economia e o comércio locais. Assim, na segunda metade do século XVII, a Junta frequentemente negava ou reduzia consideravelmente os pedidos iniciais do monarca, e, embora a tensão não tenha chegado aos níveis vividos em Portugal ou na Catalunha, houve frequentes motins urbanos, e algumas vozes chegaram a pedir a secessão do Reino da Galiza.
Século XIX ao XXI
[editar | editar código]Durante a Guerra Peninsular, o levante bem-sucedido da população local contra as novas autoridades francesas, somado ao apoio do exército britânico, limitou a ocupação a seis meses, entre 1808 e 1809. No período anterior à guerra, o Conselho Supremo do Reino da Galiza (Junta Suprema del Reino de Galicia), autoproclamado soberano interino em 1808, foi o único governo do país e mobilizou cerca de 40 mil homens contra os invasores.
A divisão territorial da Espanha de 1833 pôs fim formal ao Reino da Galiza, unificando a Espanha em uma única monarquia centralizada. Em vez de sete províncias e uma administração regional, a Galiza foi reorganizada nas atuais quatro províncias: Corunha, Pontevedra, Lugo e Oursene. Embora reconhecida como "região histórica", esse status era estritamente honorífico. Em reação, surgiram movimentos nacionalistas e federalistas.
O general liberal Miguel Solís Cuetos liderou uma tentativa de golpe separatista em 1846 contra o regime autoritário de Ramón María Narváez. Solís e suas forças foram derrotados na Batalha de Cacheiras, em 23 de abril de 1846, e os sobreviventes, incluindo o próprio Solís, foram fuzilados. Eles ocuparam seu lugar na memória galega como os Mártires de Carral, ou simplesmente os Mártires da Liberdade.
Derrotados no fronte militar, os galegos voltaram-se para a cultura. O Rexurdimento concentrou-se na recuperação da língua galega como veículo de expressão social e cultural. Entre os escritores associados a esse movimento estão Rosalía de Castro, Manuel Murguía, Manuel Leiras Pulpeiro e Eduardo Pondal.
No início do século XX, houve uma nova guinada em direção à política nacionalista com a Solidaridad Gallega (1907–1912), inspirada na Solidaritat Catalana da Catalunha. A Solidaridad Gallega fracassou, mas em 1916 as Irmandades da Fala se desenvolveram primeiro como associação cultural, mas logo se tornaram um movimento nacionalista pleno. Vicente Risco e Ramón Otero Pedrayo foram figuras culturais de destaque desse movimento, e a revista Nós, fundada em 1920, sua instituição cultural mais notável, tendo Lois Peña Novo como figura política de destaque.

A Segunda República Espanhola foi proclamada em 1931. Durante a república, o Partido Galeguista (PG) foi o mais importante de um conjunto variável de partidos nacionalistas galegos. Após um referendo sobre um Estatuto de Autonomia para a Galiza, esta obteve o status de região autônoma.

A Galiza foi poupada do pior dos combates naquela guerra: foi uma das áreas onde a tentativa inicial de golpe no início do conflito teve sucesso, e permaneceu sob controle nacionalista (o exército do general galego, Francisco Franco) durante toda a guerra. Embora não tenha havido batalhas campais, houve repressão e morte: todos os partidos políticos foram abolidos, assim como todos os sindicatos e organizações nacionalistas galegas, como o Seminario de Estudos Galegos. O estatuto de autonomia da Galiza foi anulado (assim como os da Catalunha e das províncias bascas, uma vez conquistadas). Neste processo, muitos dos dissidentes políticos galegos foram forçados a exilar-se (exílio galego), ou foram vítimas de outras represálias e afastados de seus empregos e cargos. O general Francisco Franco — ele próprio galego, de Ferrol — governou como caudilho-ditador, desde a guerra civil até sua morte, em 1975. O regime centralizador de Franco suprimiu qualquer uso oficial da língua galega, incluindo o uso de nomes galegos para recém-nascidos, embora seu uso oral cotidiano não tenha sido proibido. Entre as tentativas de resistência estavam pequenos grupos de guerrilha de esquerda, como os liderados por José Castro Veiga ("O Piloto") e Benigno Andrade ("Foucellas"), ambos eventualmente capturados e executados. Na década de 1960, ministros como Manuel Fraga Iribarne introduziram algumas reformas que permitiram que tecnocratas ligados ao Opus Dei modernizassem a administração, de modo a facilitar o desenvolvimento econômico capitalista. No entanto, por décadas a Galiza permaneceu confinada, em grande parte, ao papel de fornecedora de matérias-primas e energia para o restante da Espanha, e levando a uma onda de migração para a América, com destaque especial ao Brasil, Argentina e Venezuela (veja: imigração galega no Brasil), além de migrações para diversas partes da Europa, como a Suíça.
A economia galega finalmente começou a se modernizar com uma fábrica da Citroën francesa em Vigo, a modernização da indústria conserveira e da frota pesqueira e, eventualmente, uma modernização das pequenas práticas agrícolas camponesas, especialmente na produção de leite bovino. Na província de Ourense, o empresário e político Eulogio Gómez Franqueira deu impulso à criação de gado e aves ao fundar a Cooperativa Orensana S.A. (Coren).
Na última década do governo de Franco, houve uma renovação do sentimento nacionalista na Galiza. O início da década de 1970 foi um período de agitação entre estudantes universitários, trabalhadores e agricultores. Em 1972, greves gerais em Vigo e Ferrol custaram a vida de Amador Rey e Daniel Niebla. Mais tarde, o bispo de Mondoñedo-Ferrol, Miguel Anxo Araúxo Iglesias, escreveu uma carta pastoral que não foi bem recebida pelo regime franquista, sobre uma manifestação em Bazán (Ferrol) na qual dois trabalhadores morreram.[18]
Como parte da transição para a democracia após a morte de Franco em 1975, a Galiza recuperou seu status de região autônoma dentro da Espanha com o Estatuto de Autonomia de 1981, que começa assim: "A Galiza, nacionalidade histórica, constitui-se em Comunidade Autônoma para acessar seu autogoverno, de acordo com a Constituição Espanhola e com o presente Estatuto (…)". Atualmente, não existe movimento separatista relevante na Galiza, com menos de 15% da população apoiando a separação.[19]
Política e governo
[editar | editar código]Administração autonómica
[editar | editar código]O Estatuto de Autonomia da Galiza, comparável à constituição dum Land alemão, estabelece que os poderes da comunidade são executados por via do Parlamento, da Junta e da Presidência.[20]
- O Parlamento da Galiza é o representante máximo da comunidade, e sobre o qual recai o poder legislativo. É composto por 75 deputados eleitos por sufrágio universal através de representação proporcional por um período de quatro anos, na qual está também garantido o voto da diáspora galega;
- A Junta da Galiza (Xunta de Galicia), órgão encarregue do poder executivo e administrativo do governo. Composta pelo presidente, vice-presidente e dez conselheiros. Coordena também as atividades das deputações provinciais;
- O Presidente da Junta da Galiza dirige e coordena as suas ações e representa a comunidade autónoma. É membro do Parlamento e eleito pelos seus deputados.
| Eleições ao Parlamento da Galiza
2016–2020 | |||||
| Partido | Candidato | Votos | Percentagem | Nº de deputados | Composição parlamentar |
| Alberto Núñez Feijóo | 627 762 | 47,986 | 42 | ||
| BNG | Ana Pontón | 311 340 | 23,79 | 19 | |
| Gonzalo Caballero | 253 750 | 19,39 | 14 | ||
| Fonte: Xunta de Galicia[21][22] | |||||
Nacionalidade galega
[editar | editar código]O primeiro reconhecimento internacional da Galiza como nação terá ocorrido em 1933 no IX Congresso das Nacionalidades Europeias da Sociedade das Nações.[23] O dia feriado de festejo da comunidade foi oficializado em 1979 logo nos primórdios da autonomia como "Dia Nacional da Galiza".[24] O Estatuto de Autonomia de Galiza de 1981 define a Galiza como "nacionalidade histórica" em razão de ter aprovado em referendum um estatuto de autonomia em 1936, semanas antes do golpe militar da Guerra da Espanha.
Ainda um documento intitulado "Defesa da Nacionalidade" foi assinado em público (Pacto de Governo), após o acordo de coligação BNG-PSdG em 2005 no governo bipartido (2005–2009).
Geografia
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O território galego confina-se entre 43º 48' N (Estaca de Bares) e 41º 49' N (Portela do Homem, na fronteira com Portugal) em latitude. Em longitude, entre 6º 44' O (limite entre Ourense e Samora) e 9º 18' O (cabo Tourinhão).
A cidade mais populosa é A Corunha com 213 418 habitantes,[25] o concelho mais populoso é o de Vigo em Ponte Vedra com 292 817 habitantes, e o menos povoado o de Negueira de Moniz com 215 habitantes em 2016. O concelho mais extenso é o da Fonsagrada, com uma superfície de 438,4 km², e o menor o de Mondariz-Balneário com 2,3 km². A Corunha é o concelho com maior densidade de população, com 6 449,32 hab./km² e Vilarinho de Conso é o que tem menor densidade de população com 2,92 hab./km² em 2016.
Divisão administrativa
[editar | editar código]Durante a Idade Moderna e até à divisão territorial de Espanha em 1833, a Galiza esteve dividida em sete províncias: Corunha, Betanços, Lugo, Mondonhedo, Ourense, Santiago e Tui. Atualmente, a comunidade estrutura-se em quatro províncias, as da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra. Estas, por sua vez, dividem-se em comarcas (53), concelhos (313), seguindo-se as paróquias (3 792) e, por último, as aldeias e lugares. A sua capital política é a cidade de Santiago de Compostela, na província da Corunha.
Economia
[editar | editar código]Os têxteis, a pesca, a pecuária, a silvicultura, a venda a retalho e a indústria automóvel são os setores mais dinâmicos da economia galega.
A cidade de A Corunha e a sua região metropolitana geram 70% da riqueza de Galiza, sendo o principal agente económico da região.[26] Arteijo, um município industrial da área metropolitana da Corunha, é a sede da Inditex, o maior retalhista de moda do mundo. Das suas oito marcas, Zara é a mais conhecida; de facto, é a marca espanhola mais conhecida de qualquer tipo numa base internacional.[27] Para 2007, a Inditex teve 9 435 milhões de euros em vendas para um lucro líquido de 1 250 milhões de euros.[28]
Demografia
[editar | editar código]Com uma população estimada (2016) de 2 718 525 habitantes, a Galiza é a quinta comunidade autónoma de Espanha em população.[29] A sua densidade de população, de 92,94 hab./km², é ligeiramente superior à média espanhola e semelhante à europeia.
A população concentra-se na sua maioria nas zonas costeiras, sendo as áreas das Rias Baixas e o Golfo Ártabro (áreas metropolitanas da Corunha e Ferrol) as de maior densidade de população. A Galiza conta com sete localidades consideradas cidades: as quatro capitais: Corunha, Ponte Vedra, Ourense e Lugo além de outras três cidades: Santiago de Compostela (capital administrativa) e as cidades industriais de Vigo e Ferrol.
Assim, o país conta com outros cinco concelhos com mais de 30 mil habitantes, dez concelhos de entre 20 mil e 30 mil habitantes, e trinta e cinco de entre 10 mil e 20 mil.
A cidade mais populosa é Corunha com 213 418 habitantes e o concelho mais povoado é o de Vigo em Ponte Vedra, com 292 817 habitantes, enquanto no extremo oposto se encontra o de Negueira de Moniz, com 216 habitantes. O mais extenso é o da Fonsagrada, que conta com uma superfície de 438,4 km², e o menor o de Mondariz-Balneário com 2,3 km². A Corunha é o concelho com maior densidade populacional (6 449,32 hab./km²) e Vilarinho de Conso é o que conta com a menor densidade populacional da Galiza (2,92 hab./km²).
Segundo o censo de 2014, o nível de fertilidade das galegas era de 1,07 filhos por mulher contra os 1,32 estatal e menor que a cifra de 2,1 filhos por mulher necessários para que se produza a substituição geracional da população.[30] Entre as galegas, as ourensãs e as luguesas são as que menos filhos têm, com 0,99 e 1,04, sendo as primeiras das que menos filhos têm em Espanha só acima das asturianas.[31] Em 2013 registaram-se na Galiza um total de 19 727 nascimentos, o que supõe 1 362 a menos que em 2012, segundo o IGE.[32] Efetivamente, nos últimos anos a Galiza vive uma diminuição paulatina do número absoluto de nascimentos desde o ano 2008, no qual houve 23 175 nascimentos,[32] após um breve período de recuperação entre os anos 2002 e 2008.
| Pirâmide etária galega em 2014 | |
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O crescimento natural, ou seja, a diferença entre o número de pessoas nascidas e as falecidas, é negativo na Galiza desde finais dos anos oitenta.[33] Em 2013 houve um total de 30 433 falecimentos pelo que a diferença entre falecimentos e nascimentos é de 10 706 pessoas.[34]
Quanto à esperança de vida, os galegos tinham em 2013 uma esperança de vida ao nascer de 82,59 anos (79,48 anos para os homens e 85,59 anos para as mulheres).[35] Desde 1981, ano em que a esperança de vida dos galegos era de 75,4 anos, esta cresceu em 7 anos, graças à melhoria da qualidade de vida.[36] O envelhecimento da população também se manifesta no incremento de idosos de idade avançada que regista gradualmente a comunidade em cada período. A Galiza contava em 1996 com 226 pessoas com mais de cem anos. Dezoito anos depois, o número cresceu para 1 281 galegos em 2014.[37]
Em 2014 residiam na Galiza 98 245 estrangeiros, o que supõe 3,57% do total da população. As nacionalidades predominantes são a portuguesa (19,03% do total de estrangeiros), a romena (9,36%) e a brasileira (8,34%).[38]
- Densidade de população por províncias.
- Concelhos com maior densidade populacional da Galiza.
- Densidade de população por freguesias.
- Concelhos que ganharam ou mantiveram a sua população em 2009.
- Mapa populacional dos concelhos galegos em 2010.
Concelhos mais populosos
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Listagem | Município | Pop. | Listagem | Município | Pop. |
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| 1 | Vigo | 292 374 | 13 | Carvalho | 31 432 | |||||
| 2 | Corunha | 244 700 | 14 | Culheredo | 30 790 | |||||
| 3 | Ourense | 103 756 | 15 | Redondela | 29 055 | |||||
| 4 | Santiago de Compostela | 98 179 | 16 | Ribeira | 26 897 | |||||
| 5 | Lugo | 97 211 | 17 | Cangas | 26 832 | |||||
| 6 | Ponte Vedra | 82 828 | 18 | Cambre | 24 505 | |||||
| 7 | Ferrol | 64 158 | 19 | Marim | 24 034 | |||||
| 8 | Narom | 38 938 | 20 | Ponte Areias | 23 049 | |||||
| 9 | Vila Garcia de Arouça | 37 677 | 21 | Porrinho | 20 408 | |||||
| 10 | Oleiros | 37 271 | 22 | Lalim | 20 201 | |||||
| 11 | Arteijo | 33 076 | 23 | Estrada | 20 106 | |||||
| 12 | Ames | 32 095 | 24 | Moanha | 19 474 | |||||
| Fonte: Padrão municipal do ano 2022[39] | ||||||||||
Cultura
[editar | editar código]Língua
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A língua galega é a língua própria da Galiza, e assim foi reconhecida legalmente no seu Estatuto de Autonomia, tornando-se uma das suas línguas oficiais. É usada maioritariamente pelo povo galego, o 90% afirma usá-lo sempre ou frequentemente. A outra língua oficial é o castelhano, também muito utilizada, que mais do 96% afirma conhecer. Além disso, em várias comarcas de Leão e Astúrias, que limitam com o oriente da Galiza, comarcas, separadas da Galiza administrativa no século XVIII, fala-se também galego. Estas comarcas são reivindicadas por uma parte do nacionalismo galego como pertencente à nação galega.
Disputa linguística
[editar | editar código]A postura oficial na Galiza afirma a total distinção entre ambas línguas, não havendo nenhuma menção da sua semelhança no Estatuto Autonómico, ainda que se alude ao português, de facto, nas primeiras Normas ortográficas e morfolóxicas do galego[40] (1982) quando se estabelece que:
"As escollas normativas deben ser harmónicas coas das outras linguas, especialmente coas romances en xeral e coa portuguesa en particular, evitando que o galego adopte solucións insolidarias e unilaterais naqueles aspectos comúns a todas elas. Para o arrequecemento do léxico culto, nomeadamente no referido aos ámbitos científico e técnico, o portugués será considerado recurso fundamental"
O Estatuto de Autonomia[41] atribui apenas à Real Academia Galega competência para determinar a normativa da "língua própria" da Galiza.
Apesar da aparente apatia do governo local até 2014, quando aprovou a "Lei 1/2014 para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia",[42] existe, na Galiza, um movimento reintegracionista que defende a tese de que a língua portuguesa e o galego nunca se separaram realmente, sendo variantes ou dialetos da mesma língua, tal como o português de Portugal e o português brasileiro. A variante da Galiza tem várias denominações além de "galego", como galego-português, portugalego ou português da Galiza.[carece de fontes] Em 2008 foi constituída a Academia Galega da Língua Portuguesa.[43]
Símbolos
[editar | editar código]Bandeira
[editar | editar código]A atual bandeira galega foi criada em finais do século XIX pelos galeguistas históricos do Ressurgimento como insígnia nacional, e hasteia desde, pelo menos, 1891.[44] Possui fundo branco e uma faixa azul entre os cantos superior esquerdo e inferior direito. A antiga bandeira possuía com fundo azul e cruzes douradas, com um cálice no centro. Durante a ditadura franquista, criou-se uma nova bandeira sem o cálice mas com uma estrela vermelha.
Escudo
[editar | editar código]O cálice é a figura heráldica que representa a Galiza. Foi documentado pela primeira vez no escudo dos reis da Galiza do Armorial Segar da Inglaterra em 1282. Sofreu várias alterações ao longo da história. O atual escudo está descrito no artigo 3.º da Lei de Símbolos da Galiza:
O Escudo de Galicia trae, en campo de azur, un cáliz de ouro sumado dunha hostia de prata, e acompañado de sete cruces recortadas do mesmo metal, tres a cada lado e unha no centro do xefe. O timbre coroa real, cerrada, que é un círculo de ouro, engastado de pedras preciosas, composto de oito floróns de follas de acanto, visibles cinco, interpoladas de pérolas e das súas follas saen cadansúas diademas sumadas de pérolas, que converxen nun mundo de azur, co semimeridiano e o ecuador de ouro, sumado de cruz de ouro. A coroa, forrada de gules, ou vermello.
Hino
[editar | editar código]O hino galego, Os Pinos, é o símbolo acústico mais solene da Galiza. O texto consiste nas duas primeiras estrofes do poema Queixumes dos pinos de Eduardo Pondal, e a música foi composta por Pascual Veiga. A letra refere-se à Galiza como a nação de Breogão, um herói mítico celta. Foi interpretado pela primeira vez em Havana, Cuba, a 20 de dezembro de 1907.[45]
Internet
[editar | editar código]O domínio de internet proposto para a língua e cultura galegas é o ".gal". A proposta foi aprovada em Junho de 2013 pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números. O novo domínio é utilizado para websites com conteúdo majoritário em idioma galego, tal como está determinado nas normas da "Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números".[46]
Clubes de futebol
[editar | editar código]Salientam-se as equipas que jogaram na Primeira Divisão, especialmente o Real Club Celta de Vigo, única equipa galega na Primeira Divisão.
Outras equipas são: Real Club Deportivo de La Coruña, hoje na Segunda Divisão, única equipa galega que possui títulos oficiais de importância: foi campeã do Campeonato Espanhol de Futebol (ano 2000) e campeã da Taça do Rei de Espanha por duas vezes, em 1995 e 2002, além de ganhar 3 títulos de Supertaça de Espanha nas únicas três vezes que a disputou; o Club Deportivo Lugo, a Sociedad Deportiva Compostela, o Pontevedra Club de Fútbol e o Racing Club de Ferrol.
Notas
- ↑ traduzido do latim, significa: "Eis aqui o mistério da fé que com firmeza professamos". Era o lema do antigo Reino da Galiza e é o lema do brasão atual da cidade de Lugo[1]
- ↑ Em galego:
Galicia, pronunciado [ɡaˈliθja] (ⓘ), [ħaˈliθja] ou [ħaˈlisja]
Galiza, pronunciado [ɡaˈliθa] (ⓘ), [ħaˈliθa] ou [ħaˈlisa]Em castelhano: Galicia, pronunciado [ɡaˈliθja]
- ↑ em latim Gallaeci, em grego Καλλαϊκοί[7]
Fontes
[editar | editar código]- LÓPEZ CARREIRA, Anselmo. Historia de Galicia. Vigo: Edicións Xerais, 2016. 336 p.
- VILLARES PAZ, Ramón. Historia de Galicia. Vigo: Editorial Galaxia, 2016. 524 p.
Referências
- ↑ Paul. Hoc hic misterium…. Disponível em http://www.visitgalicia.co.uk/?p=1383. Acesso a 9 de agosto de 2012.
- ↑ «Dicionário de Gentílicos e Topónimos». portaldalinguaportuguesa.org. Consultado em 10 de julho de 2021. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2026
- ↑ «galego». Dicionário Caldas Aulete da Língua Portuguesa. www.aulete.com.br. Lexikon Editora Digital
- ↑ «Título Preliminar». Ley Orgánica 1/1981, de 6 de abril, modificada por la Ley 18/2002. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2026.
Galicia, nacionalidade histórica, constitúese en Comunidade Autónoma para acceder ó seu autogoberno, de conformidade coa Constitución Española e co presente Estatuto, que é a súa norma institucional básica.
- ↑ «A lenda de Breogão». Torre de Hércules A Coruña. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2023
- ↑ cf. Matasovic (2009) s.v. *kallī-.
- ↑ Moralejo, Juan J. (2008). Callaica nomina : estudios de onomástica gallega. Corunha: Fundación Pedro Barrié de la Maza. pp. 113–148
- ↑ Blásquez, José María (1989). Nuevos estudios sobre la Romanización (em espanhol). Madrid: Ediciones ISTMO. p. 150. 84-790-208-3
- ↑ (Zamorensis), Joannes Aegidius (1955). De preconiis Hispanie (em espanhol). [S.l.]: Universidad de Madrid, Facultad de Filosofía y Letras
- ↑ Fraga, Xesús (7 de junho de 2008). «La Academia contesta a la Xunta que el único topónimo oficial es Galicia». La Voz de Galicia. Cópia arquivada em 2 de julho de 2008
- ↑ Chacon, Vamireh (2005). A grande Ibéria: convergências e divergências de uma tendência. [S.l.]: UNESP. ISBN 9788571396005. Cópia arquivada em 14 de abril de 2015
- ↑ «www.ctv.es. As origens do assentamento humano, pág. 23.» (PDF). Consultado em 23 de julho de 2009. Arquivado do original (PDF) em 24 de maio de 2013
- ↑ Estrabão, Geografia, Livro III, Capítulo 3, 2 [fr] [en] [en]
- ↑ Young, Simon (2002). Britonia: camiños novos. [S.l.]: Toxosoutos. ISBN 978-84-95622-58-7
- ↑ Cf. Carballeira Debasa, Ana María (2007). Galicia y los gallegos en las fuentes árabes medievales. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas. ISBN 978-84-00-08576-6.
- ↑ Alfonso II of Asturias was addressed as: "DCCXCVIII. Venit etiam et legatus Hadefonsi regis Galleciae et Asturiae, nomine Froia, papilionem mirae pulchritudinis praesentans. (…) Hadefonsus rex Galleciae et Asturiae praedata Olisipona ultima Hispaniae civitate insignia victoriae suae loricas, mulos captivosque Mauros domno regi per legatos suos Froiam et Basiliscum hiemis tempore misit". (ANNALES REGNI FRANCORUM); "Hadefuns rex Gallaeciae Carolo prius munera pretiosa itemque manubias suas pro munere misit". (CODEX AUGIENSIS); "Galleciarum princeps" (VITA LUDOVICI) Cf. López Carreira, Anselmo (2005): O Reino medieval de Galicia. A Nosa Terra, Vigo. ISBN 978-84-8341-293-0 pp. 211–248.
- ↑ Eduardo Loureiro. «Viking Festival webpage». Catoira.net. Consultado em 26 abril 2010. Cópia arquivada em 6 agosto 2020
- ↑ «Muere en Ourense a los 87 años el obispo emérito de Mondoñedo Miguel Anxo Araújo». La Región (em espanhol). 23 julho 2007. Consultado em 3 novembro 2008. Cópia arquivada em 29 outubro 2013
- ↑ «Galicia: Spain's forgotten stateless nation». openDemocracy (em inglês). 20 de dezembro de 2019. Consultado em 30 de junho de 2026
- ↑ «Título Preliminar». Xunta de Galicia (em galego). Xunta de Galicia. 10 de janeiro de 2009. Consultado em 6 de março de 2017. Cópia arquivada em 20 de fevereiro de 2026
- ↑ «Galicia Escrutado 100%». Xunta de Galicia (em galego). Cópia arquivada em 27 de maio de 2026
- ↑ «Diario Oficial de Galicia» (PDF). Xunta de Galicia (em galego). Cópia arquivada (PDF) em 9 de janeiro de 2026
- ↑ «Galiza na sociedade das nações». Consultado em 6 de maio de 2019. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2025
- ↑ Decreto da Junta da Galiza de 1 de janeiro de 1979 publicado no Diário Oficial da Galiza
- ↑ «A Coruña es la localidad con más habitantes de Galicia, por encima de Vigo». El Español (em espanhol). 9 de junho de 2020. Cópia arquivada em 27 de outubro de 2023
- ↑ «La pandemia rompió la mayor racha de crecimiento de Galicia en una década». La Voz de Galicia (em espanhol). 14 de abril de 2021
- ↑ «Zara, la marca española más conocida en el exterior». Cópia arquivada em 28 de abril de 2026
- ↑ Inditex gana un 25% más y aumentará un 15% la superficie disponible hasta 2010, wwww. cincodias.com, 31 de Março de 2008.
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- 1 2 «IGE - Nacementos». www.ige.eu (em galego). Consultado em 25 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2022
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- ↑ «Lei do DOG nº 68 do 2014/4/8 - Xunta de Galicia». www.xunta.gal (em galego). Consultado em 18 de abril de 2021. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2025
- ↑ «Início». www.academiagalega.org. Consultado em 18 de abril de 2021. Cópia arquivada em 27 de junho de 2026
- ↑ Bandera de Galicia: la enseña naval Arquivado em 27 de junho de 2012, no Wayback Machine.. Revistaprotocolo.es. Consultado el 19 de octubre de 2012.
- ↑ El himno gallego vuelve a sonar en Cuba en su centenario. ABC. Consultado el 19 de octubre de 2012.
- ↑ http://www.puntogal.org/
Ligações externas
[editar | editar código]- «Junta da Galiza»
- «Parlamento Autónomo da Galiza»
- «Site oficial sobre o turismo da Galiza»
- «Delegação do Governo na Galiza»
- «Imprensa em Galiza»




