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Leonardo Murialdo

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Leonardo Murialdo
Foto em data desconhecida
Nascimento28 de outubro de 1828
Turim, Reino Lombardo-Vêneto
Morte30 de março de 1900 (71 anos)
Turim, Reino da Itália
Veneração porIgreja Católica
Beatificação3 de novembro de 1963
Cidade do Vaticano
por Papa Paulo VI
Canonização3 de maio de 1970
Cidade do Vaticano
por Papa Paulo VI
Principal temploSanta Barbara, Turim, Itália
Festa litúrgica30 de março e 18 de maio (salesianos)
AtribuiçõesVestes sacerdotais, livro
PadroeiroJosefinos de Murialdo, aprendizes
Portal dos Santos

Leonardo Murialdo (Turim, 26 de outubro de 1828 – Turim, 30 de março de 1900) foi um sacerdote e santo católico italiano, fundador da Congregação de São José, um ativo educador e um trabalhador nos interesses dos jovens pobres e dos operários.

Vida e obras

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Filho de Leonardo Franchino Murialdo e Teresa Rho, membros de famílias abastadas, perdeu o pai muito cedo e, com oito anos, foi enviado para um colégio em Savona. Passando por uma crise moral na adolescência, não perdeu a fé, mas passou a sentir-se acabrunhado e vazio, e acabou rejeitando Deus. Voltando a viver com sua família, sentiu-se convertido pela graça divina. Esta experiência, como declarou em seu Testamento Espiritual, escrito pouco antes de morrer, marcaria todo o restante de sua existência. Então decidiu dedicar-se ao serviço beneficente e religioso. Ingressou na Universidade de Turim para cursar Teologia, laureando-se em 1850, e foi ordenado padre em 1851, iniciando seu ministério.[1]

Seus primeiros anos de atividade foram passados vinculados a dois oratórios em subúrbios da cidade, o do Anjo da Guarda e o de São Luís, onde colaborou com São João Bosco, instituições que atendiam meninos de rua. Entre 1865 e 1866, retirou-se para o Seminário de São Sulpício em Paris para aprofundar seus estudos e aperfeiçoar um modo de vida ascético, entrando em contato com o trabalho pastoral e educativo de católicos franceses. Voltando a Turim, foi designado diretor do Colégio Artigianelli, que recebia jovens pobres e lhes dava um preparo humanístico, cristão e profissional. Ali permaneceria até sua morte.[2]

Neste meio tempo, participou das primeiras atividades da União Operária Católica, criada para aliviar as dificuldades da classe trabalhadora de Turim e preservar seus valores espirituais.[3][2] Nesta associação, ocuparia diversas vezes posições na direção e serviria como assistente eclesiástico. Em 1873, contando com a colaboração de dom Eugenio Reffo, fundou a Congregação de São José, com o objetivo primário de educar os jovens, especialmente os pobres e abandonados. Dom Giulio Costantino foi um dos primeiros membros da congregação, seria um dos principais colaboradores de Murialdo em sua administração e o sucederia na liderança quando faleceu.[2]

Nos anos seguintes fez várias viagens para outros países europeus e pela Itália, que lhe ampliaram os horizontes sobre a questão da educação e do trabalho assistencialista, e expandiu a rede de instituições gerenciadas pelo Colégio Artigianelli, fundando uma colônia agrícola em Bruere e a Casa Família para Jovens Operários, a primeira em seu gênero na Itália. Fundou um oratório e colônia agrícola em Rivoli, vários patronatos para jovens no Vêneto, que davam assistência educativa e religiosa, e uma escola em Modena, e através deles, a Congregação de São José começou a difundir suas atividades. Permaneceu sempre em estreito contato com o movimento operário, foi membro do Comitê Geral da Obra dos Congressos, em cujo seio fundou em 1883 a Associação São Carlos, a fim de promover a publicação de jornais e textos de espírito cristão, e no mesmo ano participou de um congresso em Nápoles que almejava a criação de uma coordenação centralizada para a imprensa católica.[2][1]

Foi um dos pioneiros na criação de colônias agrícolas para corrigir a vida de jovens delinquentes,[4] e é considerado um dos principais expoentes do movimento católico italiano de sua geração.[5] Seu legado espiritual deve uma forte inspiração na obra dos santos Francisco de Sales e Afonso de Ligório e dos jesuítas franceses, e está centrado na dialética do pecado e do perdão e no caráter misericordioso do amor de Deus.[6][1] Essas características também tingem sua importante obra educativa. Sempre preocupado com a boa formação cívica, moral, profissional e religiosa dos alunos, pretendia inseri-los na sociedade de maneira digna e produtiva. Seu método de ensino era brando e compreensivo, colocava-se para as classes ao mesmo tempo como um professor, pai, irmão e amigo, e procurou formar nas escolas um ambiente familiar envolvendo todos os mestres e alunos.[1]

Foi beatificado em 3 de novembro de 1963 e, em 3 de maio de 1970, o papa Paulo VI o declarou santo. É comemorado pela Igreja em 18 de maio.[1] Sobre ele foram escritas várias biografias, mas nenhuma de caráter científico.[2]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 Dotta, Giovenale. "Leonardo Murialdo, santo". In: Dizionario Biografico degli Italiani, Volume 64. Istituto dell'Enciclopedia italiana, 2005
  2. 1 2 3 4 5 Dotta, Giovenale. Chiesa e mondo del lavoro in età liberale: L'Unione Operaia Cattolica di Torino (1871-1923). Effata, 2008, pp. 15-16
  3. Damberg, Wilhelm; Hiepel, Claudia; Canavero, Alfredo. "Belgium, Germany, Italy and The Netherlands 1840s-1920s". In: Voss, Lex Heerma van; Pasture, Patrick; Maeyer, Jan de (eds.). Between Cross and Class: Comparative Histories of Christian Labour in Europe 1840-2000. Lang, 2005, p. 59
  4. Welch, Rhiannon Noel. Vital Subjects: Race and Biopolitics in Italy. Oxford University Press, 2016, p. 71
  5. Aubert, Roger et al. History of the Church: The Church in the age of liberalism. Burns & Oates, 1981, p. 257
  6. Zovatto, Pietro. "La spiritualità dal Settecento ai nostri giorni". In: Zovatto, Pietro (ed.). Storia della spiritualità italiana. Città Nuova, 2002, pp. 573-574