Like a Virgin
| Like a Virgin | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de | ||||
| Lançamento | 12 de novembro de 1984 | |||
| Gravação | 1984 | |||
| Gênero | Dance-pop · new wave | |||
| Duração | 43:10 | |||
| Gravadora | Sire · Warner Bros. | |||
| Produção | Madonna · Nile Rodgers · Stephen Bray | |||
| Cronologia de Madonna | ||||
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| Singles de Like a Virgin | ||||
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Like a Virgin é o segundo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Madonna. Seu lançamento ocorreu em 12 de novembro de 1984, através das gravadoras Sire Records e Warner Bros. Records. Após o lançamento de seu álbum de estreia homônimo no ano anterior, a cantora queria se solidificar na indústria musical, devido ao sucesso de seu primeiro disco. Ela decidiu tornar-se uma das produtoras musicais de seu segundo trabalho, porém a Warner Bros. não estava pronta para lhe conceder a liberdade artística que queria. Nile Rodgers foi selecionado como o produtor principal do projeto pela própria intérprete, devido ao seu trabalho no disco Let's Dance (1983), de David Bowie.
Like a Virgin foi gravado no estúdio Power Station Studio em um ritmo rápido. Rodgers contou com a ajuda de seus antigos companheiros da banda Chic, nomeadamente Bernard Edwards, que tocava baixo, e Tony Thompson, que tocava bateria; eles apareceram em diversas faixas do álbum. O produtor decidiu ser o guitarrista do trabalho, porém Edwards lhe pediu para desempenhar esse cargo, em troca de sua ajuda. Jason Corsaro, engenheiro de áudio do projeto, convenceu Rodgers a usar a gravação digital, uma técnica introduzida na época. A capa e as imagens do encarte de Like a Virgin foram fotografadas por Steven Meisel. Madonna queria que o título e a capa do álbum fizessem uma ligação provocante entre o nome religioso Madonna — título dado para Maria, mãe de Jesus — e o conceito cristão do nascimento virgem. O trabalho foi relançado mundialmente em 1985, com a inclusão de "Into the Groove" como faixa bônus. Em 2001, foi distribuída uma versão remasterizada do material, apresentando dois remixes como faixas bônus.
Like a Virgin não é considerado um afastamento musical de Madonna, porém a cantora sentiu que o material era mais forte. Juntamente a Rodgers, Madonna também colaborou com seu então namorado Stephen Bray, com quem co-compôs diversas faixas do álbum. Suas canções são derivadas do dance-pop com influências do new wave, e tratam de assuntos variados, como o amor e o materialismo. Like a Virgin recebeu análises geralmente positivas da mídia especializada; embora tenham prezado sua produção e sua composição, resenhadores criticaram suas letras. Comercialmente, foi o primeiro disco de Madonna a obter sucesso internacional e liderou tabelas musicais de diversos países ao redor do mundo, como Alemanha, Espanha, Nova Zelândia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, foi o primeiro álbum da cantora a culminar na Billboard 200 e recebeu uma certificação de diamante (10x platina) pela Recording Industry Association of America (RIAA), devido às vendas de dez milhões de cópias no país. Mundialmente, comercializou cerca de 21 milhões de unidades, tornando-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos.
Cinco singles foram lançados do disco, com a faixa homônima, "Material Girl" e "Into the Groove" tornando-se sucessos internacionais, sendo que a primeira citada foi o primeiro número um de Madonna na Billboard Hot 100. Para promover o álbum, a cantora apresentou-se em premiações e programas televisivos, lançou a coletânea de vídeos Madonna e embarcou em sua primeira turnê, The Virgin Tour, que visitou o Canadá e os Estados Unidos ao longo do ano de 1985. Like a Virgin alcançou significância como um artefato cultural dos anos 80. A artista provou que não era uma cantora de apenas um sucesso e foi capaz de estabelecer uma grande permanência no mundo musical. Suas canções, nomeadamente "Like a Virgin" e "Material Girl", tornaram-se destaque de críticas de conservadores e de imitações das mulheres mais jovens.
Antecedentes e desenvolvimento
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Ex-dançarina e figura presente nas boates nova-iorquina, Madonna Louise Ciccone tornou-se conhecida mundialmente simplesmente como Madonna com o lançamento de seu álbum de estreia homônimo em 1983. Apoiado por canções de sucesso como "Holiday", "Borderline" e "Lucky Star", o disco foi um dos mais vendidos naquele ano e ajudou a musicista a se tornar uma das artistas revelações mais interessantes dos anos 1980.[2] Quando começou a trabalhar em seu segundo álbum, Madonna sentiu que seu trabalho anterior havia obtido sucesso em introduzi-la na personalidade de "rainha da dança de rua", e queria se solidificar na indústria musical baseando-se nesse conceito.[1] Ela disse: "Meu trabalho, minha dedicação — a obsessão em lançar Madonna — valeu a pena. Estava na hora [certa] de solidificar meu futuro [musical]".[1] Em Like a Virgin, Madonna queria se tornar uma das principais produtoras musicais, sentindo que precisava controlar os diversos aspectos de sua música. Ela acreditou que depender de um produtor particular em seu álbum não era algo que lhe convinha.[3] A artista disse: "Eu aprendi minha lição enquanto criava meu álbum de estreia, e o jeito como [Reggie] Lucas me deixou sozinha com o projeto, [faz com que] você não possa acreditar nos homens", referindo-se ao incidente que ocorreu durante a produção de Madonna, quando certas diferenças de opinião entre ela o produtor Reggie Lucas fez com que ele abandonasse o projeto.[1] Entretanto, a Warner Bros. não estava pronta para lhe dar a liberdade artística que queria. Em sua biografia escrita pelo autor J. Randy Taraborrelli, Madonna disse:
| “ | A Warner é uma hierarquia de homens velhos e é um ambiente chauvinista de se trabalhar, porque eles me tratam como uma "garotinha sensual". Eu tive que provar que eles estavam errados, o que significava não apenas convencer a mim mesma e aos meus fãs, mas também convencer minha gravadora. Isso é algo que acontece quando você é uma garota. Isso não aconteceria com Prince ou Michael Jackson. Eu tive que fazer tudo do meu jeito, e foi difícil tentar convencer às pessoas de que eu valia um contrato discográfico. Depois disso, eu tive os mesmos problemas tentando convencer a gravadora de que eu tinha mais a oferecer do que ser apenas uma cantora de um só sucesso. Eu tinha que vencer essa batalha.[3] | ” |
Mais tarde, Nile Rodgers foi selecionado por Madonna como o produtor do álbum, com a aprovação dos executivos da gravadora. Ela escolheu Rdogers principalmente devido ao seu trabalho como integrante do Chic, uma banda dos anos 1970, além de sua então recente produção com David Bowie em seu disco Let's Dance (1983).[1] Sobre a escolha, a cantora comentou o seguinte: "Quando eu estava fazendo o disco, eu fiquei muito assustada e feliz [ao mesmo tempo] em trabalhar com Nile Rodgers. Eu adorava Nile por causa de todas as coisas [que ele fez] com o Chic. Eu não pudia acreditar que a gravadora me deu o dinheiro [necessário], então eu pude trabalhar com ele".[2] Rodgers respondeu que ele viu Madonna pela primeira vez em uma boate pequena em Nova Iorque, no ano de 1983. Em uma entrevista para a Time, ele explicou: "Eu fui à boate para assistir outra mulher cantar, mas quando eu estava lá, Madonna estava no palco. Eu amei sua presença de palco e então nós nos encontramos depois [daquela performance]. Eu continuei pensando: 'Puxa, ela é uma estrela', mas ainda não era na época. Eu sempre quis trabalhar com ela e Like a Virgin parecia a oportunidade perfeita".[4]
Gravação
[editar | editar código]Madonna é muito sorrateira quando se trata de conseguir o que quer. Até certo ponto, ameacei abandonar o projeto porque ela supostamente tratou um assistente de estúdio com grosseria, algo que não aprovo. Na verdade, eu estava no elevador quando ela entrou, sorriu para mim e disse: 'Nile, quero saber uma coisa: isso significa que você não me ama mais?' e então nós dois começamos a rir. Então percebemos o quão ridículos éramos. Isso foi tudo. Não tivemos uma briga séria depois disso.
—Rodgers falando sobre trabalhar com Madonna.[2]
Like a Virgin foi gravado no estúdio Power Station Studio em Nova Iorque, em um ritmo rápido. Rodgers contou com a ajuda de seus ex-companheiros de Chic, nomeadamente Bernard Edwards, que era o baixista, e Tony Thompson, que era o baterista; eles apareceram em diversas faixas do álbum. O produtor decidiu ser o guitarrista, porém Edwards lhe pediu para desempenhar este papel, em troca de sua ajuda.[2] As sessões de gravação não iniciavam-se até a tarde, já que Rodgers, que frequentava festas noturnas, não estava acostumado a trabalhar de manhã.[2] Esses atrasos causaram dificuldade para Madonna, que respondeu que costumava "ir para o clube de natação no Upper West Side e nadar, e caminhar de lá para o estúdio de gravação. Para mim, foi impossível chegar lá de manhã". Rodgers disse que a cantora era muito trabalhadora e incrivelmente tenaz. Ele comentou: "Eu sempre me impressiono pelo incrível julgamento de Madonna quando se trata de fazer discos pop. Eu nunca vi ninguém fazer [álbuns pop] melhor [do que ela], e essa é a verdade. Quando fizemos esse álbum, foi a união perfeita, e eu sabia disso desde o primeiro dia [em que estava] no estúdio. Sabe, aquilo entre nós foi sexual, apaixonante, criativo [...] foi pop".[3]
Jason Corsaro, engenheiro de áudio de Like a Virgin, convenceu Rodgers a usar a gravação digital, uma técnica introduzida na época que fez Corsaro acreditar que seria o futuro da gravação.[5] Para ter certeza de que tal daria certo, ele usou o gravador de fita digital de 24 faixas Sony 3324 e o gravador de duas faixas Sony F1 durante a mixagem das canções. A artista gravou as partes principais das músicas em uma pequena sala de madeira e com piano, situada no último andar e na parte de trás do Studio C, também conhecida como a "sala R&B" do Power Station.[5] Jason então colocou um painel para isolar o som ao redor dela enquanto usava a parte superior de um microfone estéreo AKG C24, com um pré-amplificador de microfone Schoeps e um equalizador Pultec. Uma vez que as faixas foram aprovadas por todos, Robert Sabino adicionou os teclados, tocando principalmente um Sequential Circuits Prophet-5, bem como partes do piano Rhodes e do piano acústico, enquanto Rodgers também tocou um synclavier. Embora não tenha sido obrigada, Madonna esteve presente nas sessões de gravação e no processo de mixagem. Corsaro comentou: "Nile estava lá na maior parte do tempo, mas ela [Madonna] sempre estava lá. Ela nunca saía".[5]
Capa e título
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A capa de Like a Virgin e as fotos que ilustram seu encarte foram tiradas por Steven Meisel, que viria a se tornar um frequente colaborador de Madonna, em uma suíte no St. Regis Hotel.[6][7] A intérprete queria que o título do álbum fizesse uma ligação provocativa entre seu próprio nome religioso — Madonna é o título que os católicos usavam para se referir à Maria, mãe de Jesus — e a crença cristã da Imaculada Conceição. Com a faixa-título aludindo-se a este conceito, ela queria que a capa também demonstrasse essas mensagens contraditórias.[6] O autor Graham Thompson descreveu a capa da seguinte forma: "Reclinada sobre um lençol de cetim, com um buquê em seu colo e usando um vestido de noiva, uma inspeção mais detalhada revela que a imagem de Madonna é altamente fetichista e sexual". Ele acrescentou que a maquiagem pesada, os lábios em forma de selinho e o cabelo despojado, juntamente com o busto justo e as luvas compridas, faziam de Madonna uma figura não de ingenuidade, mas de malícia. Este ponto, segundo Thompson, é ainda mais enfatizado pelo cinto usado, o qual apresenta as palavras "Boy Toy". Thompson concluiu: "A imagem era ambígua e se baseava no fato de que o apelo de Madonna naquele momento de sua carreira não era apresentar-se como um objeto de desejo, mas como uma mulher desejável".[6]
Stephen Thomas Erlewine, do portal Allmusic, comentou que a "capa fotografada por Steven Meisel [...] foi como uma chave para a reinvenção dela, [assim] como a música do álbum em si".[8] William McKeen, autor de Rock and roll is here to stay: an anthology, sentiu que a imagem era outro mecanismo e testamento ao fato de que Madonna era a última palavra em termos de moda para mulheres e jovens garotas daquela era — considerada por ele o "epítome do legal".[9] A figurinista Arianne Phillips falou sobre o estilo adotado pela cantora para Like a Virgin: "Esse foi um dos momentos mais chocantes, libertadores e influentes na história da cultura pop/da moda. [...] A moda nunca mais foi a mesma".[10] Madonna declarou: "Eu sempre gostei de interpretar o gato e o rato com os estereótipos convencionais. A capa do meu álbum Like a Virgin é um exemplo clássico. As pessoas estavam pensando em quem eu estava tentando ser — a virgem Maria ou uma vadia? Essas eram as duas extremas imagens de mulheres que eu conheci vividamente e me lembro desde a infância, e eu queria brincar com elas. Eu queria ver se poderia misturar a virgem Maria e a vadia como um todo. A foto era um testamento de independência, 'Se você quiser ser uma virgem, seja bem vida. Mas se você quiser ser uma vadia, é seu direito ser uma".[11]
Estrutura musical
[editar | editar código]Like a Virgin é um álbum muito mais forte e agressivo do que o primeiro. As canções daquele [disco] eram muito fracas. Nesse, eu escolhi todas as músicas e queria que todas fossem sucessos — sem [músicas para] preencher [o disco]. Por isso, eu fiz músicas vindas de outros [compositores], bem como seis de minha própria autoria. (...) Eu queria que cada faixa fosse forte.
—Madonna comentando sobre as canções de Like a Virgin.[12]
De acordo com Taraborrelli, "a energia colaborativa entre Madonna e Rodgers — ela querendo ficar famosa com um segundo álbum que fosse bem sucedido e ele querendo ser o produtor que desse tal para ela — dirigiram a produção de Like a Virgin com grande precisão".[13] Madonna também colaborou com seu ex-namorado Stephen Bray, com quem compôs muitas das canções. Refletindo sobre a composição musical do produto, Bray notou: "Eu meio que já deixava a caixa torácica e o esqueleto das canções prontos — ela chegava para cuidar das últimas coisas, como as sobrancelhas e o corte de cabelo".[14] A faixa de abertura "Material Girl" foi escrita por Peter Brown e Robert Rans. A cantora explicou que o conceito da música era semelhante à situação de sua vida na época. De acordo com ela, a obra era provocante, o que a fez atrair-se por ela.[15][16] Musicalmente, incorpora elementos dos estilos dance-pop e new wave e consiste em arranjos de sintetizadores, com uma voz robótica repetindo o gancho; "Vivemos num mundo materialista".[n 1] Suas letras são um hino ao materialismo em que Madonna declara que prefere ter uma vida cheia de luxos em vez de relacionamentos amorosos, já que as joias duram mais que os homens.[17][18] Composta pela cantora e Bray, "Angel" é o tema seguinte. Foi um dos primeiros a serem desenvolvidos para o projeto e, segundo a intérprete, foi inspirado por uma uma mulher que se apaixona pelo anjo que a salvou em determinada situação.[19] É constituída por um gancho ascendente de três acordes, que serve como as estrofes e o refrão e possui harmonias vocais sob o refrão principal; seu conteúdo lírico reitera a imagem angelical do salvador de Madonna.[20]

A faixa-título foi escrita por Billy Steinberg e Tom Kelly e, segundo o primeiro, foi inspirada por suas experiências pessoais com o amor.[21] A canção foi selecionada para Madonna após uma demo cantada por Kelly ser ouvida por Michael Ostin, da Warner Bros. Records. Entretanto, Rodgers inicialmente sentiu que a obra não tinha um gancho bom o suficiente e que não seria adequada para a cantora, mas mudou de ideia depois que o gancho grudou em sua mente. Ele creditou a intérprete por reconhecer o potencial da canção: "Eu pedi desculpas a ela [...] e disse: 'Sabe, se é tão cativante ao ponto deu ficar com isso na minha cabeça por quatro dias, então algo [de especial] deve ter. Então vamos lá".[2][21] "Like a Virgin" é uma canção dance-pop composta por dois ganchos. A voz de Madonna é ouvida em um registro alto enquanto um arranjo contínuo de bateria é ouvido ao longo da linha do baixo.[20] Em seu livro The Complete Guide to the Music of Madonna, o autor Rikky Rooksby apontou que as letras da canção são ambíguas e contêm duplos significados. Em termos sexuais, podem ser interpretadas de maneiras diferentes por pessoas diferentes.[20] Porém, pode-se dizer que, é uma ode a um amante que a faz sentir-se 'renovada' após um encontro sexual.[17] Em "Over and Over", Madonna canta sobre a persistência e a resiliência necessárias para ter sucesso. Ela mostra que é bem-sucedida e destemida por nunca desistir, e resistir às críticas. Admite que não perde tempo com coisas que não são importantes, pois só pensa em chegar ao objetivo final.[22] O número é instrumentalmente formado por baterias e sintetizadores, apresentando uma progressão harmônica de três acordes.[23]
Um momento emocionante ocorreu no estúdio quando a cantora regravou "Love Don't Live Here Anymore" (1978), de Rose Royce.[2] Rodgers lembrou: "Madonna nunca havia se apresentado com uma orquestra ao vivo antes. Eu já estava bastante acostumado em fazer tudo ao vivo, então apenas disse, 'Madonna, vá até lá, cante e nós vamos segui-la'. Ela ficou inicialmente hesitante, mas a gravação ao vivo acabou rendendo momentos memoráveis. Ela cantou, ficou cheia de emoções e começou a chorar, mas eu a mantive na gravação".[2] A canção apresenta os vocais da artista acompanhados por violões e cordas sintetizadas, com Thompson tocando a bateria na segunda estrofe. Perto do final, ela entoa uma voz similar à de uma cantora soul.[24] Em seu lirismo é transmitida a ideia de vazio no seu estado de espírito, daí o título ser "Love Don't Live Here Anymore", ou seja, o amor já não "vive" aqui – na relação em questão.[22] "Into the Groove" é a sexta faixa, contida apenas no relançamento de 1985 do trabalho. Madonna se inspirou nas pistas de dança para a concepção da obra, elaborando-a enquanto observava um homem porto-riquenho bonito em sua janela.[24] Tendo originalmente composto-a para seu amigo Mark Kamins, ela decidiu utilizá-la na trilha sonora de seu filme Desperately Seeking Susan (1985).[25] Ao contrário das outras músicas do disco, esta foi gravada nos Sigma Sound Studios e produzida por Madonna e Bray. A amiga da cantora, Erika Belle, esteve presente na gravação e acompanhou todo o processo.[26] Para a biografia da intérprete feita por Andrew Morton, Belle notou que Bray enfrentou dificuldades com a ponte da canção em um momento da gravação, já que a melodia desenvolvida por ele não estava se encaixando com o resto da composição.[26] Sem se deixar abater pelas dificuldades, Madonna pegou o microfone e cantou as palavras; "Viva a sua fantasia aqui comigo".[n 2] O problema foi resolvido; Belle comentou que a canção "parecia ter vindo de dentro dela" e ficou "impressionada".[26] A instrumentação do número é formada por bateria, percussão, congas e assobios, com a voz de Madonna sendo duplicada no refrão.[24] As letras são simples e escritas como um convite para dançar com a cantora, com significados sexuais e duplos.[27]
"A pista de dança foi um lugar meio mágico para mim. No começo eu queria ser dançarina, o que tinha muito a ver com a música. A liberdade que sempre senti quando danço, aquela sensação de habitar o seu corpo, se deixar levar e se expressar com a música. Sempre pensei nele como um lugar alucinógeno, mesmo sem tomar ecstasy. Essa foi minha principal inspiração para 'Into the Groove'."
—Madonna falando sobre as principais inspirações por trás de "Into the Groove".[28][29]
"Dress You Up" foi a última faixa a ser adicionada ao álbum, por ter sido tardiamente enviada pelos compositores Andrea LaRusso e Peggy Stanziale.[30] Embora Rodgers tenha a rejeitado por não ter tempo para compor uma melodia e gravá-la para o disco, Madonna insistiu que ela fosse incluída em Like a Virgin, já que particularmente gostou de suas letras.[31] É uma faixa dance-pop guiada por batidas de bateria, e inclui instrumentação de guitarras e vocais de um coral.[31] Em oposição à anterior, possuí como tema o desejo sexual, mas de uma forma metafórica, relacionando o ato de vestir com os atos íntimos.[22] "Shoo-Bee-Doo" contém homenagem à música da Motown. Iniciando-se com uma lenta introdução, é uma obra do gênero doo-wop similar aos trabalhos de grupos dos anos 1960 como The Shirelles e The Crystals. O solo de saxofone é tocado por Lenny Pickett.[31] Liricamente, a cantora incentiva o ouvinte a dançar com ela e sentir a liberdade e a magia que envolve a pista de dança.[17] "Prentender" começa com o refrão e logo muda-se para as estrofes, e conta a história de um homem que brinca com os sentimentos das mulheres. Com isto, Madonna ganha confiança e passa a brincar com os dele.[22] "Stay", a última música do projeto, usa ritmos triplos e vocais duplos. Inclui um ruído similar à alguém mexendo em um microfone, e uma sequência falada que desaparece gradualmente ao final.[31] Ao oposto da anterior, aborda um amor intenso que está sempre no pensamento da artista. No entanto, passaram por discussões, então surge a súplica para que continuem juntos, pois a dor da separação seria insuportável. Espera conseguir trazer o amor de volta para a relação.[22]
Crítica profissional
[editar | editar código]Like a Virgin recebeu análises geralmente positivas da mídia especializada; embora tenham prezado sua produção e sua composição, resenhadores criticaram suas letras. De acordo com a revista Q, o álbum foi o que "impulsionou [Madonna] para o estrelato — e com razão. As músicas são inteligentes, engraçadas, sexys e irresistíveis".[32] Taraborrelli o considerou o trabalho que a refletiu "como uma artista mais versátil e artística e seus vocais neste disco são reflexivamente mais nítidos em contraste com seus primeiros trabalhos na indústria da música".[1] Dando cinco estrelas e meia de cinco atribuíveis, Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados Allmusic, avaliou: "No geral, o álbum entrega menos do que a soma de todas as suas partes — parcialmente devido ao fato de que os singles são muito bons, mas também porque no primeiro disco a artista nos surpreendeu com estilo e uma certa alegria. Aqui, os cálculos são aparentes e, embora isso seja parte da essência de Madonna — até mesmo algo que a torna divertida —, desequilibra um pouco demais o seu restante para que seja consistente, mesmo que isso justificadamente tenha feito dela uma estrela".[8] Debby Miller, da Rolling Stone, expressou preferência pelo trabalho de estreia da artista à Like a Virgin.[33] A recepção de Robert Christgau, do The Village Voice, também foi morna em relação ao projeto, escrevendo "[Madonna] está tão segura de si que está pedindo a homens e mulheres que fiquem excitados com a imagem de vadia que ela vende mesmo enquanto acena para a linha da sinceridade, onde superestrelas antigas exercem seu apelo. E para tornar a música menos mecânica, ela contratou Nile Rodgers, a quem não culpo por torná-la menos cativante".[34]
| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| AllMusic | |
| Blender | |
| Christgau's Record Guide | B[36] |
| Entertainment Weekly | A[37] |
| Q | |
| Rolling Stone | |
| The Rolling Stone Album Guide | |
| Slant | |
| Spin Alternative Record Guide | 9/10[40] |
Resenhando para a Entertainment Weekly, Jim Farber atribuiu ao álbum uma nota A, avaliando que "além de aumentar a imagem promíscua de Madonna com músicas como a faixa-título, Like a Virgin foi o berço de uma série de sucessos dos anos 1980 ("Dress You Up") escritos para transcender a era Dinastia".[37] Alfred Soto, em uma crítica para a revista Stylus, emitiu ao conjunto quatro estrelas e meia de cinco e relembrou a primeira vez que ouviu as canções contidas nele, dizendo: "Muitos críticos acham que algo semelhante aconteceu quando Madonna sucedeu sua estréia auto-intitulada com Like a Virgin, dirigida por Nile Rodgers, com todos os arranjos altamente calculados em comparação com a 'paixão sincera' de sua estreia. Isto não tem sentido; ignora a maneira como a artista fundiu as noções de espontaneidade e cálculo".[41] Leo Tassoni, autor da biografia de Madonna, afirmou que com o álbum a artista demonstrou sua facilidade e maestria com todos os tipos de sons e materiais, e seu amplo leque de possibilidades no mundo da música".[42] Sob a mesma ótica, Cleber Facchi, do site brasileiro Música Instantânea, o definiu como "musicalmente amplo em relação ao trabalho lançado um ano antes", reiterando que "mostra a versatilidade da artista quanto compositora, discutindo sexualidade, consumo, medos e relacionamentos fracassados a cada nova curva do disco".[43]
Com uma voz forte que é tímida e também sem-vergonha, o canto de Madonna nos leva de volta à tradição dos grupos femininos de rock and roll que precederam os Beatles. Mas enquanto esses grupos, de The Shirelles a The Ronettes, elogiavam fielmente os carros, penteados e poses rebeldes de seus namorados, a perspectiva de Madonna é decididamente mais egocêntrica. Em questões de amor, ela é um comprador de comparação e tem um senso muito ousado de seu próprio valor no mercado. As palavras "brilhante e novo" descrevem não apenas a forma como a cantora de amor e ódio se sente na faixa-título, mas também o som de todo o álbum.
- — Stephen Holden, em sua crítica para o The New York Times.[44]
Matt Damsker, do Los Angeles Times, notou em sua resenha que "o vibrato pulsante de Madonna às vezes a faz soar tão robótica no álbum".[45] Lou Papineau, enquanto escrevia para o The Providence Journal, analisou que em Like a Virgin a cantora "prova que ela é superficial, mas corajosa".[46] Óscar García Blesa, da revista espanhola Efe Eme, sustentou que "Madonna e Rodgers reúnem um conjunto de canções imbatíveis [...] um disco redondo concebido sem qualquer humildade para a conquista do planeta e certificam definitivamente que o seu primeiro disco não foi um produto do acaso".[47] Também escrevendo para a Slant, Sal Cinquemani fez uma avaliação positiva dizendo que, "embora não seja tão inovador quanto sua estreia, Like a Virgin continua sendo um dos artefatos pop mais definitivos da indulgente era [Ronald] Reagan. A balada de tempo médio "Shoo-Bee-Doo" e a comovente regravação de "Love Don't Live Here Anymore", originalmente de Rose Royce, provaram que Madonna poderia produzir mais do que apenas os sucessos do momento, enquanto que a doce 'Angel' e a irresistível 'Dress You Up' contribuíram para a lista de recordes da cantora. [...] A infusão retrô de 'Stay' e a percussão de 'Over and Over' são as pérolas escondidas do álbum".[39] Ed Stevenson, da revista Pepole, comentou que "o que Madonna faz tem um senso de humor, embora [aqui] ela esteja enterrada sob tantas camadas de autoparódia que às vezes é difícil de identificar [...] Ela é apoiada pelo toque rítmico confiável do veterano Nile Rodgers, cujas contribuições ajudaram a criar uma obra com preenchimentos toleráveis".[48] Hugo Mistry, do jornal The Chicago Tribune, considerou "Like a Virgin a grande descoberta da artista, onde ela "brinca com sua excentricidade autoconsciente com uma série de faixas dançantes provocativas, letras cativantes e vídeos picantes".[49] Em uma crítica menos positiva, Graham Gremore da revista Queerty avaliou-o como "uma extensão de seu trabalho anterior, só que sem tantas músicas boas".[50] Por fim, a equipe editorial da revista inglesa Gay Times argumentou que, embora fosse um "clássico", faltava a inovação e a direção de seus trabalhos posteriores.[51]
Promoção
[editar | editar código]Singles
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Para a promoção de Like a Virgin, foram retiradas de seu alinhamento cinco faixas para tornarem-se singles oficiais e promocionais . O primeiro deles, a canção homônima foi lançada como música de trabalho em 6 de novembro de 1984, seis dias antes do lançamento do álbum.[52] Recebeu críticas positivas de críticos contemporâneos e de sua época de lançamento, que a consideraram uma das músicas mais marcantes de Madonna.[8][37] Foi seu primeiro lançamento a alcançar a liderança na Billboard Hot 100 e obteve a mesma posição nas paradas da Austrália e Canadá, além de alcançar o top cinco na Alemanha e Reino Unido.[53][17] Além disso, recebeu uma certificação de ouro emitida pela Recording Industry Association of America (RIAA) em 10 de janeiro de 1985 detonando um milhão de cópias comercializadas nos Estados Unidos.[54] Seu videoclipe retrata a cantora navegando por