Melastomatáceas
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| Melastomataceae | |||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||
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Melastomataceae é uma das dez maiores família dentro de Angiospermas[1] sendo atribuída por Jussieu 1789.[2] É uma família botânica pertencente à ordem Myrtales, e inclui aproximadamente 177 gêneros e cerca de 5.750 espécies.[3] No Brasil, ocorrem aproximadamente 69 gêneros e 1.436 espécies,[3] com destaque da sua distribuição em campos (rupestres e de altitude) e florestas úmidas, como o gênero Tibouchina, por exemplo, que é muito utilizada na ornamentação.[4] Incluem alguns gêneros maiores como Miconia, Medinilla, Leandra.[4]
Etimologia
[editar | editar código]A palavra Melastomataceae deriva do grego – Melastoma que em tradução livre significa preto (mela) e boca (stoma), ou boca preta, nome atribuído, provavelmente, pela característica do fruto de algumas espécies, como os das Pixiricas.[5]
Características
[editar | editar código]Predominantemente composta por subarbustos, porém incluem-se também, ervas, lianas e árvores; anuais ou perenes que podem ser epífitas, rupícolas ou terrícolas. O caule é, por vezes, quadrangular. Ocasionalmente, são mimercófilas. Suas folhas são simples, opostas cruzadas e podem ser inteiras ou serreadas, apresentam nervação característica curvinérvea, com 3-8 nervuras que divergem da base e convergem no ápice e nervuras secundárias que as unem. Muitas vezes apresentam tricomas e as estípulas são ausentes. Flores geralmente bissexuadas, predominantemente actinomorfas, porém, podem ser também zigomorfas através do afastamento dos estames para um dos lados da flor; epígenas ou períginas e diclamídeas. As sépalas 3-5(-8) conatas na base. Pétalas 3-5, livres ou, em alguns casos, contorcidas. Suas flores são vistosas com estames geralmente com número em dobro ao de pétalas, os filetes podem se dobrar sobre a antera no botão. As anteras se caracterizam pela forma de foice. O ovário é ínfero e 3-5(6)-carpelar, com número de lóculos igual ao de carpelos. Vários óvulos em cada lóculo. Geralmente, não há presença de nectários. Frutos com sementes reduzidas e numerosas; baga ou cápsula.[6][7][8]
Distribuição geográfica
[editar | editar código]Melastomataceae se distribui por toda a região tropical e subtropical, com maior índice na América do Sul, onde encontramos os centros de diversidade dessa família nos Andes, Guianas e florestas úmidas litorâneas[8]. No Brasil, se distribuem no Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) Centro-oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Sudeste (Espírito santos, Minas gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e no Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Em relação às regiões, o Sudeste é a que apresenta maior concentração, seguido pela região Norte. Ocorrem nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.
Reprodução
[editar | editar código]Há estudos que apontam o mutualismo entre espécies de Melastomataceae e animais. Dentre estes, pássaros da Família Pipridae são importantes dispersores das sementes de Melastomataceae.[9] Outras aves também funcionam como excelentes dispersores das sementes, assim como pequenos mamíferos, no entanto, a dispersão das espécies que produzem cápsula com semente, é principalmente pelo vento e chuva. Além disso, muitas abelhas desempenham papel de polinizadoras,[2] através da coleta do pólen, bem como vespas, beija-flores e morcegos quando há produção de néctar.
Importância ecológica
[editar | editar código]Melastomataceae é uma das famílias mais significativas, especialmente na Mata Atlântica. Destacam-se por representarem um grande grupo de angiospermas e alguns gêneros da Família como Miconia, por exemplo, são utilizadas na restauração ambiental, tendo papel importante por serem plantas pioneiras auxiliando no processo de regeneração da vegetação.[2] Muitas espécies podem também ser utilizadas em áreas urbanas. Outro ponto importante é a interação positiva entre algumas espécies de Melastomataceae com a fauna.
Conservação
[editar | editar código]Dentre as espécies de Melastomataceae ameaçadas de extinção encontram-se Eriocnema acaulis (Triana), Combessedesia hermogenesii (A.B. Martins), Eriocnema fulva (Naudin),Lavoisiera itambana (DC), Marcetia oxycoccoides (Wurdack e A.B. Martins), Merianthera burlemarxii (Wurdack), Ossaea warmingiana (Cong.), Tibouchina bergiana (Cong.) e Tibouchina quartzofila (Brade), de acordo com a Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção.[10] Além disso, existem outras espécies das quais existem deficiências de dados.[11]
Importância econômica
[editar | editar código]As plantas da família Melastomataceae são de extrema importância na restauração ambiental, já que muitas são plantas pioneiras, além disso, o cultivo ornamental e paisagístico é muito apreciado.
Potencial ornamental
[editar | editar código]O gênero Tibouchina é amplamente utilizado para ornamentação, a espécie Tibouchina heteromalla (D. Don) Cogn., é bastante apreciada. A Quaresmeira, Tibouchina granulosa (Cong.), é outra com bastante potencial ornamental, sua beleza é notável, com floração vistosa e mesmo sem a presença de flor, é bastante estimada no paisagismo e bem utilizada em áreas urbanas do Brasil. A Tibouchina mutabilis (Vell.) Cong., Manacá-da serra, possui florescimento bastante atrativo, pois apresentam flores de coloração branca assim que o botão floral abre, e em seguida tendem a ficar roxas, assim como a Tibouchina pulchra Cogn., e amplamente utilizado em área urbana. Muitas outras espécies são apreciadas pelas flores e alguns pelas folhas atraentes.[12]
Gêneros
[editar | editar código]Acanthella, Aciotis, Acisanthera, Adelobotrys, Allomaieta, Allomorpheia, Allomorphia, Amphiblemma, Amphorocalyx, Anaectocalyx, Anerincleistus, Antherotoma, Appendicularia, Arthrostemma, Ascistanthera, Astrocalyx, Astronia, Astronidium, Axinaea, Barthea, Beccarianthus, Behuria, Bellucia, Benevidesia, Bertolonia, Bisglaziovia, Blakea, Blastus, Boerlagea, Boyania, Brachyotum, Bredia, Brittenia, Bucquetia, Cailliella, Calvoa, Calycogonium, Cambessedesia, Campimia, Carionia, Castratella, Catanthera, Catocoryne, Centradenia, Centradeniastrum, Centronia, Chaetolepis, Chaetostoma, Chalybea, Charianthus, Cincinnobotrys, Clidemia, Comolia, Comoliopsis, Conostegia, Creochiton, Cyanandrium, Cyphostyla, Cyphotheca, Dalenia, Desmoscelis, Dicellandra, Dichaetanthera, Dinophora, Dionycha, Dionychastrum, Diplarpea, Diplectria, Dissochaeta, Dissotis, Dolichoura, Driessenia, Enaulophyton, Eriocnema, Ernestia, Feliciadamia, Fordiophyton, Fritzschia, Graffenrieda, Gravesia, Guyonia, Henriettea, Henriettella, Heterocentron, Heterotis, Heterotrichum, Huberia, Huilaea, Hypenanthe, Kendrickia, Kerriothyrsus, Killipia, Kirkbridea, Lavoisiera, Leandra, Lithobium, Llewelynia, Loreya, Loricalepis, Macairea, Macrocentrum, Macrolenes, Maguireanthus, Maieta, Mallophyton, Marcetia, Mecranium, Medinilla, Melastoma, Melastomastrum, Meriania, Merianthera, Miconia, Microlepis, Microlicia, Mommsenia, Monochaetum, Monolena, Myriaspora, Myrmidone, Neblinanthera, Necramium, Neodriessenia, Nepsera, Nerophila, Ochthephilus, Ochthocharis, Omphalopus, Opisthocentra, Oritrephes, Osbeckia, Ossaea, Otanthera, Oxyspora, Pachyanthus, Pachycentria, Pachyloma, Phaiantha, Phyllagathis, Pilocosta, Plagiopetalum, Pleiochiton, Plethiandra, Pogonanthera, Poikilogyne, Poilannammia, Poteranthera, Preussiella, Pseudodissochaeta, Pseudosbeckia, Pterogastra, Pterolepis, Rhexia, Rhyncanthera, Rousseauxia, Salpinga, Sandemania, Sarcopyramis, Schwackaea, Scorpiothyrsus, Schizocentron, Siphanthera, Sonerila, Sporoxeia, Stenodon, Stussenia, Svitramia, Tateanthus, Tayloriophyton, Tessmannianthus, Tetrazygia, Tibouchina, Tibouchinopsis, Tigridiopalma, Tococa, Topobea, Trembleya, Triolema, Tristemma, Tryssophyton, Tylanthera, Vietsenia.[13]
Referências
- ↑ ROMERO, ROSANA; MARTINS, ANGELA B. (março de 2002). «Melastomataceae do Parque Nacional da Serra da Canastra, Minas Gerais, Brasil». Revista Brasileira de Botânica (1): 19–24. ISSN 0100-8404. doi:10.1590/s0100-84042002000100004. Consultado em 30 de junho de 2021
- 1 2 3 Araújo, Cínthia Menezes Lima Ramos (31 de janeiro de 2013). «A tribo melastomeae (melastomataceae juss.) na Mata Atlântica no nordeste oriental». repositorio.ufpe.br. Consultado em 30 de junho de 2021
- 1 2 Michelangeli, Fabian; Almeda, Frank; Goldenberg, Renato; Penneys, Darin (9 de outubro de 2020). «A Guide to Curating New World Melastomataceae Collections with a Linear Generic Sequence to World-Wide Melastomataceae». doi:10.20944/preprints202010.0203.v1. Consultado em 30 de junho de 2021
- 1 2 Goldenberg, Renato; Baumgratz, José Fernando A.; Souza, Maria Leonor D'El Rei (março de 2012). «Taxonomia de Melastomataceae no Brasil: retrospectiva, perspectivas e chave de identificação para os gêneros». Rodriguésia (1): 145–161. ISSN 2175-7860. doi:10.1590/s2175-78602012000100011. Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ «Melastomatáceas o que é isso?». Ciência no Ar - Programa de Extensão - UFMG. Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ Flora fanerogâmica do Estado São Paulo. Volume 6. Maria das Graças Lapa Wanderley, Ana Maria Giulietti, Therezinha Sant'Anna Melhem, George John Shepherd. São Paulo: Editora Hucitec. 2009. OCLC 957083743
- ↑ Renner, Susanne S. (dezembro de 1993). «Phylogeny and classification of the Melastomataceae and Memecylaceae». Nordic Journal of Botany (5): 519–540. ISSN 0107-055X. doi:10.1111/j.1756-1051.1993.tb00096.x. Consultado em 30 de junho de 2021
- 1 2 Silva, Marina Aparecida de Oliveira e (13 de março de 2007). «A família Melastomataceae nas serras do município de Delfinópolis, Minas Gerais, Brasil: tratamento sistemático, distribuição nas fitofisionomias e comparação florística». Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ «Dançarinos e as Plantas da Família Melastomataceae - Ecologia do Brasil.». ecologia.info. Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ «Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção - Portal Brasileiro de Dados Abertos». dados.gov.br. Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ Lima, Laíce Fernanda Gomes de; Santos, João Ubiratan Moreira dos; Rosário, Alessandro Silva do; Baumgratz, José Fernando Andrade (2014). «Melastomataceae em formações costeiras de restingas no Pará, Brasil». Acta Amazonica (1): 45–57. ISSN 0044-5967. doi:10.1590/s0044-59672014000100005. Consultado em 30 de junho de 2021
- ↑ Harri, Lorenzi,. Árvores brasileiras manual de identificaçao e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. [S.l.: s.n.] OCLC 1240421733
- ↑ http://biodiversity.uno.edu/delta/angio/www/melastom.htm Arquivado em 6 de março de 2005, no Wayback Machine. Delta 05 abril de 2005



