Institutos Nacionais da Saúde
| Institutos Nacionais da Saúde | |
|---|---|
| National Institutes of Health | |
Logotipo dos Institutos Nacionais da Saúde | |
Vista aérea do Centro de Pesquisa Clínica Mark O. Hatfield, em Bethesda, Maryland | |
| Resumo da agência | |
| Formação | agosto de 1887 |
| Predecessores |
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| Jurisdição | Governo dos Estados Unidos |
| Sede | Bethesda, Maryland, Estados Unidos |
| Empregados | 18.478 em 2021[1] |
| Orçamento anual | US$ 45 bilhões em 2022 |
| Executivos |
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| Agência mãe | Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos |
| Agências filhas |
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| Sítio oficial | www |
Os Institutos Nacionais da Saúde (em inglês, National Institutes of Health, sigla NIH) são a principal agência do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa em biomedicina e saúde pública. A instituição foi fundada em 1887 e integra o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS). Muitas de suas instalações ficam em Bethesda e em outros subúrbios próximos da região metropolitana de Washington. Outros centros ficam no Research Triangle Park, na Carolina do Norte, e há unidades menores espalhadas pelos Estados Unidos.
A pesquisa científica própria é realizada pelo Programa de Pesquisa Intramural (IRP), enquanto o Programa de Pesquisa Extramural financia trabalhos biomédicos em instituições de fora do NIH. Em 2013, o IRP tinha 1.200 pesquisadores principais e mais de 4.000 bolsistas de pós-doutorado em pesquisa básica, translacional e clínica. Era a maior instituição de pesquisa biomédica do mundo.[2] Em 2003, a área extramural fornecia 28% do valor gasto anualmente em pesquisa biomédica nos Estados Unidos, cerca de US$ 26,4 bilhões.[3] A pesquisa básica financiada pelo NIH esteve presente no desenvolvimento de todos os medicamentos aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos entre 2010 e 2016.[4] No início de 2025, a administração Trump paralisou atividades do NIH. Em janeiro de 2026, cerca de 2.600 bolsas, no total de US$ 1,4 bilhão, permaneciam suspensas, embora parte delas tivesse sido restabelecida por decisões judiciais.[5][6]
Entre os resultados científicos obtidos pelo NIH estão a descoberta do uso de fluoreto para prevenir a cárie, o emprego de lítio no controle do transtorno bipolar e a criação de vacinas contra hepatite, Haemophilus influenzae tipo b e vírus do papiloma humano. Em 2012, a instituição reunia 27 institutos e centros dedicados a campos biomédicos distintos.[7]
Em 2019, o NIH ocupou o segundo lugar mundial em ciências biomédicas no Nature Index, atrás da Universidade Harvard. A classificação mediu os maiores responsáveis por artigos publicados entre 2015 e 2018 em um grupo selecionado de periódicos científicos.[8][9]
História
[editar | editar código]Origens
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Em 1887, o Marine Hospital Service criou o Laboratório de Higiene para estudar bactérias. O serviço ampliava suas atividades, antes concentradas no sistema de hospitais marítimos, para abranger quarentena e pesquisa. O laboratório funcionou primeiro no Hospital Marítimo de Nova Iorque, depois chamado Bayley Seton Hospital, em Staten Island.[11][12][13] Em 1891, mudou-se para o último andar do Butler Building, em Washington, D.C. Em 1904, foi transferido para um novo campus no Antigo Observatório Naval, que chegou a ter cinco edifícios de grande porte.[14]
Em 1901, o serviço criou a Divisão de Pesquisa Científica, que incorporou o Laboratório de Higiene e outros escritórios de pesquisa.[15] Em 1912, o Marine Hospital Service passou a se chamar Serviço de Saúde Pública (PHS).[13] Dez anos depois, o PHS abriu na Escola de Medicina Harvard um laboratório de Investigações Especiais do Câncer. A partir daí, começou a trabalhar em parceria com universidades.[13]
Em 1930, a Lei Ransdell transformou o Laboratório de Higiene no Instituto Nacional da Saúde e destinou US$ 750 mil à construção de dois edifícios no campus do Antigo Observatório Naval.[13] Em 1937, o instituto absorveu o restante da Divisão de Pesquisa Científica, da qual antes fazia parte.[15][16]
O NIH mudou-se em 1938 para o campus que ocupa em Bethesda.[13] Nas décadas seguintes, o Congresso ampliou seu financiamento e criou institutos e centros voltados a programas de pesquisa específicos.[13] A Lei do Serviço de Saúde Pública, aprovada em 1944, incorporou o Instituto Nacional do Câncer ao NIH. Em 1948, o nome em inglês passou do singular National Institute of Health para o plural National Institutes of Health.
História posterior
[editar | editar código]Na década de 1960, o virologista e pesquisador do câncer Chester M. Southam injetou células cancerosas HeLa em pacientes do Hospital Judaico de Doenças Crônicas, que depois recebeu o nome de Kingsbrook Jewish Medical Center.[17] Três médicos se demitiram depois de se recusarem a aplicar as células sem o consentimento dos pacientes, e o experimento recebeu ampla atenção da imprensa.[18] O NIH era uma das principais fontes de recursos para a pesquisa de Southam e passou a exigir o consentimento dos participantes antes de qualquer experimento com seres humanos.[19] Ao examinar as instituições que recebiam suas bolsas, o NIH constatou que a maioria não protegia os direitos dos participantes. Desde então, todas as instituições beneficiárias precisam submeter propostas de experimentação humana a comitês de revisão institucional.[20]
Em 1967, foi criada a Divisão de Programas Médicos Regionais, encarregada de bolsas para estudos de doenças cardíacas, câncer e acidente vascular cerebral. No mesmo ano, o diretor do NIH pediu ao Gabinete Executivo do presidente que aumentasse os recursos federais para acelerar as pesquisas e levar seus benefícios à população. Um comitê consultivo passou a acompanhar a expansão da agência e de seus programas. Em 1971, Richard Nixon sancionou a Lei Nacional do Câncer, que criou um programa nacional, um painel presidencial, um conselho consultivo e quinze centros de pesquisa, treinamento e demonstração.[21]
O financiamento do NIH foi muitas vezes disputado no Congresso dos Estados Unidos, acompanhando as correntes políticas de cada época. Em 1992, a instituição respondia por quase 1% do orçamento operacional federal. Administrava mais de 50% dos recursos destinados à pesquisa em saúde e 85% do financiamento de estudos de saúde nas universidades.[22] Desde a década de 1970, os recursos públicos para outras áreas de pesquisa cresceram em ritmo próximo ao da inflação. O financiamento do NIH quase triplicou na década de 1990 e no início dos anos 2000, mas depois permaneceu relativamente estável.[23]
Na década de 1990, os comitês do NIH voltaram sua atenção para o estudo do DNA e deram início ao Projeto Genoma Humano.[24]
Em 22 de janeiro de 2025, a administração Trump suspendeu imediatamente reuniões, entre elas os painéis de avaliação de bolsas, além de viagens, comunicações e contratações no NIH. As medidas atingiram atividades no valor de US$ 47,4 bilhões.[5] Ao fim do primeiro ano do segundo mandato de Trump, mais de 5.800 bolsas haviam sido canceladas ou suspensas em algum momento. Algumas voltaram a vigorar por ordem judicial, mas cerca de 2.600, no valor de US$ 1,4 bilhão, ainda estavam suspensas em janeiro de 2026.[6]
Direção
[editar | editar código]O Gabinete do Diretor define as políticas do NIH e planeja, administra e coordena os programas de todos os seus componentes. O diretor orienta as atividades da agência e identifica necessidades e oportunidades que envolvam mais de um instituto ou centro.[25] O gabinete abriga a Divisão de Coordenação, Planejamento e Iniciativas Estratégicas de Programas, formada por doze divisões, entre elas:
- Escritório de Pesquisa sobre Aids
- Escritório de Pesquisa sobre a Saúde da Mulher
- Escritório de Prevenção de Doenças
- Escritório de Pesquisa sobre Minorias Sexuais e de Gênero
- Escritório de Pesquisa em Saúde Tribal
- Escritório de Avaliação de Programas e Desempenho
O encarregado de integridade da pesquisa intramural supervisiona a apuração de acusações de má conduta em trabalhos internos e promove a integridade científica no Escritório de Pesquisa Intramural.[26] A Divisão de Atividades Extramurais tem um diretor próprio.[27] O mesmo ocorre com o Escritório de Ética[28] e o Escritório de Pesquisa Global.[29]
Instalações e campi
[editar | editar código]A maior parte da pesquisa intramural é feita no campus principal, em Bethesda, em Rockville e nas comunidades próximas.




O campus de Bayview, em Baltimore, Maryland, abriga programas do Instituto Nacional do Envelhecimento, do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas e do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano. Quase mil cientistas e funcionários de apoio trabalham ali.[30] O Laboratório Nacional Frederick, em Frederick, e o vizinho Riverside Research Park abrigam unidades do Instituto Nacional do Câncer. Entre elas estão o Centro de Pesquisa do Câncer, o Escritório de Operações Científicas, o Setor de Apoio às Operações Administrativas e as divisões de Epidemiologia e Genética do Câncer e de Tratamento e Diagnóstico do Câncer.[31]
O Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental fica na região do Triângulo de Pesquisa, na Carolina do Norte.
Outros institutos e centros mantêm unidades fora do campus principal. O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas administra os Laboratórios das Montanhas Rochosas, em Hamilton, Montana.[32] O trabalho ali se concentra em laboratórios de níveis de biossegurança 3 e 4. O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais mantém em Phoenix, Arizona, seu Setor de Epidemiologia e Pesquisa Clínica.
Pesquisa
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Até 2017, 153 cientistas que receberam apoio financeiro do NIH haviam ganhado um Prêmio Nobel, e 195 haviam recebido um Prêmio Lasker.[33]
Pesquisa intramural e extramural
[editar | editar código]Em 2019, o NIH destinou 10% de seus recursos à pesquisa nas próprias instalações e mais de 80% a bolsas para pesquisadores externos.[34] Uma parcela dos recursos extramurais, 2,8% em 2014, deve ser concedida a pequenas empresas por meio do programa SBIR/STTR.[35] Em 2011, o financiamento extramural abrangia cerca de 50 mil bolsas para mais de 325 mil pesquisadores em mais de 3 mil instituições.[36] Em 2018, o volume continuava próximo desse nível, com 47 mil bolsas para 2.700 organizações.[34] No ano fiscal de 2010, o NIH gastou US$ 10,7 bilhões em pesquisa clínica, sem contar os recursos temporários da Lei Americana de Recuperação e Reinvestimento de 2009. Também destinou US$ 7,4 bilhões a estudos de genética, US$ 6 bilhões à prevenção, US$ 5,8 bilhões ao câncer e US$ 5,7 bilhões à biotecnologia.[37]
Política de acesso público
[editar | editar código]Em 2008, o Congresso determinou que pesquisadores financiados pelo NIH depositassem uma versão eletrônica de seus manuscritos finais no PubMed Central, repositório de pesquisa da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. O depósito deve ocorrer até doze meses depois da data oficial de publicação.[38] A política de acesso público do NIH foi o primeiro mandato desse tipo adotado por uma agência pública de financiamento dos Estados Unidos.[39]
Retorno econômico
[editar | editar código]Em 2000, o Comitê Econômico Conjunto do Congresso examinou a pesquisa do NIH, cujo orçamento anual era de US$ 16 bilhões. O relatório do comitê citou estimativas econométricas de retorno anual entre 25% e 40% por meio da redução dos custos econômicos das doenças nos Estados Unidos. Entre os 21 medicamentos introduzidos de 1965 a 1992 com maior efeito terapêêutico sobre a população, o financiamento público foi essencial para quinze.[40] Até 2011, pesquisas apoiadas pelo NIH haviam participado da descoberta de 153 medicamentos, vacinas e novas indicações terapêuticas aprovados pela FDA nos quarenta anos anteriores.[41] O financiamento do NIH auxiliou, direta ou indiretamente, o desenvolvimento dos medicamentos ou dos alvos terapêuticos de todos os 210 fármacos aprovados pela FDA entre 2010 e 2016.[42] Em 2015, Pierre Azoulay e coautores estimaram que cada US$ 10 milhões investidos em pesquisa geravam de duas a três novas patentes.[43]
Descobertas e desenvolvimentos
[editar | editar código]Desde sua criação, o programa de pesquisa intramural do NIH produziu descobertas científicas e médicas. Entre elas estão:
- 1908: George W. McCoy descobriu que roedores eram reservatórios da peste bubônica.
- 1911: George W. McCoy, Charles W. Chapin, William B. Wherry e B. H. Lamb descreveram a tularemia, até então desconhecida.
- 1924: Roscoe R. Spencer e Ralph R. Parker desenvolveram uma vacina contra a febre maculosa.
- 1930: Sanford M. Rosenthal desenvolveu um tratamento contra a intoxicação por mercúrio, usado amplamente antes do dimercaptoetanol.
- 1943: Wilton R. Earle abriu caminho para o processo de cultura celular e publicou um artigo sobre a produção de malignidade in vitro. Katherine K. Sanford criou o primeiro clone derivado de uma célula cancerosa isolada. Virginia J. Evans formulou um meio que permitia o crescimento de células in vitro.
- Décadas de 1940 e 1950: Bernard Horecker e seus colegas descreveram a via das pentoses-fosfato.
- Década de 1950: Julius Axelrod descobriu uma nova classe de enzimas, as mono-oxigenases do citocromo P450, fundamentais para o metabolismo de medicamentos.
- 1950: Earl Stadtman descobriu a fosfotransacetilase e esclareceu a função da acetilcoenzima A no metabolismo dos ácidos graxos.
- Década de 1960: pesquisadores descobriram a primeira doença humana causada por vírus lento, o kuru, uma infecção degenerativa e fatal do sistema nervoso central. O mecanismo mudou a maneira como a microbiologia e a neurologia compreendiam as doenças infecciosas.
- Década de 1960: foram definidos os mecanismos que regulam a noradrenalina, um dos principais neurotransmissores do cérebro.
- Década de 1960: foram desenvolvidos a primeira vacina licenciada contra a rubéola e o primeiro teste de anticorpos para exames em larga escala.
- Década de 1960: foi desenvolvido um regime eficaz de medicamentos combinados contra o linfoma de Hodgkin.
- Década de 1960: pesquisadores descobriram que a cárie é causada por bactérias.
- Década de 1970: foi desenvolvido o ensaio de gonadotrofina coriônica humana que deu origem aos testes domésticos de gravidez.
- Década de 1970: foi descrito o ciclo hormonal da menstruação.
- Década de 1980: foi determinada a estrutura completa do receptor de IgE envolvido em reações alérgicas.
- Década de 1990: Hari Reddi identificou e purificou proteínas morfogenéticas ósseas.[44]
- Década de 1990: foi realizado o primeiro ensaio de terapia genética em seres humanos.
NIH Toolbox
[editar | editar código]Em setembro de 2006, o NIH Blueprint for Neuroscience Research contratou o desenvolvimento do NIH Toolbox for the Assessment of Neurological and Behavioral Function, um conjunto de instrumentos de medição para melhorar a coleta de dados em grandes estudos de coorte. Mais de 250 cientistas de quase cem instituições acadêmicas participaram do projeto.[45] A ferramenta foi apresentada à comunidade de pesquisa em setembro de 2012. Suas avaliações usam a teoria de resposta ao item sempre que possível e foram adaptadas para aplicação por computador.[45][46]
Banco de Dados de Genótipos e Fenótipos
[editar | editar código]O NIH patrocina o Banco de Dados de Genótipos e Fenótipos, conhecido pela sigla dbGaP, um repositório de informações produzidas por estudos sobre a interação entre genótipo e fenótipo. O acervo reúne fenótipos, dados de ensaios moleculares, análises e documentos. Dados resumidos estão disponíveis ao público, enquanto os registros individuais podem ser consultados por pesquisadores.[47] James Lee escreveu na revista City Journal que o NIH nega acesso a atributos como inteligência, escolaridade e saúde por considerar que o estudo de suas bases genéticas poderia estigmatizar pessoas.[48]
Vacina contra o coronavírus
[editar | editar código]Durante a pandemia de COVID-19, em 2020, o NIH trabalhou com a Moderna no desenvolvimento de uma vacina. A fase final de testes começou em 27 de julho, com até 30 mil voluntários divididos em dois grupos. Um recebeu a vacina mRNA-1273, e o outro, injeções de solução salina. O estudo prosseguiu até que fossem registrados cerca de cem casos de COVID-19 entre os participantes.[49][50] Em 2021, o NIH destinou US$ 4.395.399 ao programa Accelerating COVID-19 Therapeutic Interventions and Vaccines (ACTIV).[51]
Bolsa à EcoHealth Alliance e ao Instituto de Virologia de Wuhan para estudar coronavírus de morcegos
[editar | editar código]Depois do início da pandemia de COVID-19, a EcoHealth Alliance, financiada pelo NIH, recebeu maior escrutínio por seus vínculos com o Instituto de Virologia de Wuhan (WIV). Desde o começo de 2020, o laboratório esteve no centro da especulação de que o SARS-CoV-2 poderia ter escapado em um incidente de laboratório.[52][53][54]
Entre 2014 e 2019, o NIH concedeu cerca de US$ 3,75 milhões à EcoHealth para o projeto Understanding the Risk of Bat Coronavirus Emergence. Aproximadamente US$ 600 mil foram repassados ao WIV.[55] O projeto estudava coronavírus de morcegos e o risco de infecção em seres humanos.[56] Os experimentos do WIV usaram o coronavírus quimérico SHC014WIV1, geneticamente modificado. Camundongos infectados com ele adoeceram mais do que os animais do grupo de controle, infectados com a cepa natural WIV1.[57] O NIH foi informado desses resultados em agosto de 2021. A agência afirmou que o trabalho não se enquadrava na definição de pesquisa com patógenos de potencial pandêmico intensificado, pois os vírus estudados não haviam demonstrado capacidade de infectar seres humanos.[57] O NIH também sustentou que o resultado não era o objetivo pretendido do estudo nem violava os termos da bolsa. Essa conclusão foi contestada em discussões sobre pesquisa de ganho de função. Sob pressão política, a agência retirou o financiamento à EcoHealth Alliance em julho de 2020.[58] Em 2023, o HHS proibiu o WIV de receber recursos do governo dos Estados Unidos por dez anos, após falhas de segurança, monitoramento e prestação de informações.[59]
Comitê Coordenador Interagências de Pesquisa da Dor
[editar | editar código]Em 13 de fevereiro de 2012, o NIH anunciou a criação de um grupo dedicado à pesquisa da dor. Formado por pesquisadores de organizações diferentes, o comitê coordena as atividades do governo federal, incentiva a cooperação entre equipes e abre uma via para a participação do público. O trabalho conjunto busca ampliar as informações disponíveis e as técnicas de controle da dor, inclusive para pessoas com artrite.[60] Em 2020, a cientista e psicóloga da dor norte-americana Beth Darnall foi nomeada membro científico do grupo.
Financiamento
[editar | editar código]Orçamento e política
[editar | editar código]| Ano | Milhões de US$ |
|---|---|
| 1938 | 0,5 |
| 1940 | 0,7 |
| 1945 | 2,8 |
| 1950 | 52,7 |
| 1955 | 81,2 |
| 1960 | 399,4 |
| 1965 | 959,2 |
| 1970 | 1.061,0 |
| 1975 | 2.092,9 |
| 1980 | 3.428,9 |
| 1985 | 5.149,5 |
| 1990 | 7.567,4 |
| 1995 | 11.299,5 |
| 2000 | 17.840,5 |
| 2005 | 28.594,4 |
| 2010 | 31.238,0 |
| 2015 | 30.311,4 |
| 2016 | 32.311,4 |
| 2017 | 34.300,9 |
| 2018 | 37.311,3 |
| 2019 | 39.311,3 |
| 2020 | 41.690,0 |
| 2021 | 42.940,5 |
| 2022 | 45.183,0 |
| 2023 | 47.683,5 |
| 2024 | 48.856,5 |
Para distribuir recursos, o NIH precisa primeiro obter seu orçamento no Congresso. O processo começa quando os dirigentes dos institutos e centros trabalham com cientistas para definir as áreas de pesquisa mais promissoras em seus campos. Eles discutem essas áreas com a direção do NIH, que prepara um pedido orçamentário para projetos em andamento, novas propostas e iniciativas do diretor. O pedido é enviado ao HHS e passa por ajustes e recursos antes de seguir para o Escritório de Gestão e Orçamento. Esse órgão decide os valores e as áreas que serão incorporados à proposta final do presidente. Em fevereiro, o presidente envia o pedido ao Congresso para o ano fiscal seguinte.[62] Subcomissões de dotações da Câmara e do Senado examinam a proposta, e o Congresso costuma aprovar os recursos no outono. Cerca de dezoito meses se passam até que o NIH possa distribuir o dinheiro.[63]
Durante uma paralisação do governo, o NIH continua a tratar pessoas já inscritas em ensaios clínicos, mas não inicia novos estudos nem admite novos pacientes, exceto os casos mais graves a critério do diretor.[64][65][66][67]
Financiamento histórico
[editar | editar código]Ao longo do século XX, a responsabilidade pela distribuição de recursos passou do Gabinete do Diretor e do comitê consultivo para cada instituto e centro. O Congresso também começou a reservar verbas para causas específicas. Na década de 1970, separou recursos para a pesquisa do câncer. Na década seguinte, destinou uma quantia própria aos estudos sobre Aids e HIV.[68]
As disputas políticas sobre o orçamento do NIH atrasaram a resposta dos Estados Unidos à epidemia de Aids. Na década de 1980, o presidente Ronald Reagan tentou repetidas vezes cortar os recursos, e o Congresso restaurou parte deles. Embora os jornais já falassem da Aids em 1981, não houve financiamento para estudar a doença. Em 1984, cientistas do Instituto Nacional do Câncer encontraram sinais de que variantes de um vírus cancerígeno humano chamado HTLV-III eram a principal causa da síndrome da imunodeficiência adquirida.[13]
Em 1992, o NIH respondia por quase 1% do orçamento operacional federal e administrava mais da metade de todo o financiamento de pesquisa em saúde, além de 85% dos recursos para estudos de saúde nas universidades.[22] O orçamento da agência dobrou de 1993 a 2001. Depois ficou praticamente inalterado e, durante sete anos após a crise financeira de 2008, não acompanhou a inflação.[61]
Em 1999, o Congresso elevou o orçamento do NIH em US$ 2,3 bilhões,[68] levando-o a US$ 17,2 bilhões em 2000.[69] Em 2009, o Congresso voltou a aumentá-lo, para US$ 31 bilhões em 2010.[69] Em 2017 e 2018, foram aprovadas leis com apoio dos dois grandes partidos que ampliaram as dotações do NIH. No ano fiscal de 2018, o orçamento anual chegou a US$ 37,3 bilhões.[70][71]
Suspensões de financiamento
[editar | editar código]Desde o início de 2025, a administração federal interrompeu operações de financiamento do NIH em escala até então inédita. Em março daquele ano, as medidas:
- travavam bolsas para pesquisas sobre demência e esclerose lateral amiotrófica.
- dificultavam a compra de recursos necessários, como os usados no transporte de amostras de sangue de pacientes.
- impediam que um pesquisador conversasse com médicos que cuidavam de crianças com uma doença rara grave.
- interrompiam o fornecimento de camundongos para estudos genéticos, pondo em risco anos de trabalho.
- cortavam bolsas de formação para doutorandos e pós-doutorandos.[72]
As mudanças provocaram protestos, entre eles a Declaração de Bethesda, uma carta aberta de antigos e atuais funcionários do NIH.[73][74]
Pesquisa extramural
[editar | editar código]Pesquisadores de universidades e outras instituições externas podem solicitar ao NIH bolsas para projetos de pesquisa, conhecidas pela sigla RPG. Há mecanismos de financiamento para tipos distintos de projeto, como pesquisa básica ou clínica, e para etapas diferentes da carreira, como início da atividade profissional e pós-doutorado. O NIH publica regularmente chamadas para candidaturas, muitas vezes voltadas a prioridades de seus programas ou a problemas médicos urgentes, como as pesquisas sobre o vírus da zica no início de 2016. Os cientistas também podem apresentar projetos de tema próprio.
O total de candidatos cresceu de cerca de 60 mil pesquisadores entre 1999 e 2003 para pouco menos de 90 mil entre 2011 e 2015.[75] Com isso, a taxa acumulada de pesquisadores, isto é, a probabilidade de um candidato receber recursos em um intervalo de cinco anos, caiu de 43% para 31%.[75]
As bolsas R01 são o mecanismo mais comum e abrangem projetos propostos pelos próprios pesquisadores. Das cerca de 27 mil a 29 mil candidaturas R01 apresentadas de 2012 a 2014, entre 17% e 19% receberam recursos. No mesmo intervalo, foram apresentadas de 13 mil a 14 mil candidaturas R21, com taxa de sucesso de 13% a 14%.[76] No ano fiscal de 2016, o NIH recebeu 54.220 pedidos de bolsa e financiou cerca de 19%.[77] As taxas variaram por instituto. O Instituto Nacional do Câncer concedeu recursos a 12% dos candidatos, e o Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais, a 30%.[77]
Critérios de financiamento
[editar | editar código]A política de financiamento do NIH usa cinco critérios gerais. O primeiro é assegurar a qualidade científica por meio de uma avaliação por pares rigorosa. O segundo é aproveitar oportunidades capazes de produzir novos conhecimentos e melhorar a prevenção e o tratamento de doenças. O terceiro é manter uma carteira de pesquisas que permita aproveitar descobertas em campos como biologia celular, genética, física, engenharia e ciência da computação. O quarto é atender às necessidades de saúde pública conforme a carga de cada doença, incluindo prevalência e mortalidade. O quinto é construir e manter a infraestrutura científica necessária, como laboratórios equipados e instalações seguras.[78]
Os membros dos comitês consultivos orientam cada instituto sobre políticas e procedimentos dos programas externos. Eles também fazem uma segunda avaliação de todos os pedidos de bolsas e acordos de cooperação que podem receber financiamento.[79]
Viés de gênero e sexo
[editar | editar código]Em 2014, o NIH anunciou que orientaria os cientistas a usar animais machos e fêmeas em seus experimentos. Estudos de culturas celulares deveriam usar células derivadas dos dois sexos. A agência também passaria a considerar o equilíbrio de cada desenho experimental ao conceder bolsas.[80] A regra provavelmente não se aplicaria a doenças específicas de um sexo, como câncer de ovário ou de testículo.[80]
Partes interessadas
[editar | editar código]Público em geral
[editar | editar código]Uma das metas do NIH é "ampliar a base das ciências médicas e afins para garantir retorno contínuo ao investimento público em pesquisa".[81] Como os recursos vêm dos contribuintes, o público é o beneficiário primário dos avanços obtidos e participa das decisões que resultam da política de financiamento. O NIH solicita opiniões do público sobre seus projetos e mantém programas que incluem representantes da população na pesquisa clínica.[82] Pessoas que não se consideram representadas também formam grupos de defesa de pacientes para apresentar seus interesses e tentar influir nas prioridades de pesquisa.[83]
Pesquisadores e cientistas extramurais
[editar | editar código]Pesquisadores e cientistas também têm interesse direto na política de financiamento. Os extramurais não são empregados do NIH, mas podem solicitar recursos. O valor recebido pela agência cresceu ao longo de sua trajetória, enquanto a parcela destinada a cada instituto e centro ficou relativamente estável. Cada unidade decide quem receberá as bolsas e quanto será concedido.
Mudanças nas regras de financiamento afetam diretamente os pesquisadores. O NIH passou a aprovar mais candidatos que solicitam uma bolsa R01 pela primeira vez e mais projetos de cientistas jovens. Para ampliar essa participação, encurtou e simplificou o processo de candidatura.[84] Candidatos de primeira viagem também passaram a receber mais recursos do que pesquisadores já financiados.[85]
Parcerias comerciais
[editar | editar código]Em 2011 e 2012, o Escritório do Inspetor-Geral do HHS publicou relatórios de auditoria sobre os contratos federais concedidos pelos institutos a parceiros comerciais nos anos fiscais de 2000 a 2010. As auditorias concluíram que as unidades não cumpriram os prazos e limites de valor definidos nas leis orçamentárias. Com isso, o governo federal assumiu dezenas de milhões de dólares em despesas antes que o Congresso aprovasse os recursos.[86]
Institutos e centros
[editar | editar código]O NIH reúne 27 institutos e centros que realizam e coordenam pesquisa biomédica.[87] São eles:
- Instituto Nacional do Câncer (NCI)
- Instituto Nacional do Olho (NEI)
- Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI)
- Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano (NHGRI)
- Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA)
- Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA)
- Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID)
- Instituto Nacional de Artrite e Doenças Musculoesqueléticas e de Pele (NIAMS)
- Instituto Nacional de Imagens Biomédicas e Bioengenharia (NIBIB)
- Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD)
- Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação (NIDCD)
- Instituto Nacional de Pesquisa Dentária e Craniofacial (NIDCR)
- Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK)
- Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA)
- Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental (NIEHS)
- Instituto Nacional de Ciências Médicas Gerais (NIGMS)
- Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH)
- Instituto Nacional de Saúde das Minorias e Disparidades em Saúde (NIMHD)
- Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Acidente Vascular Cerebral (NINDS)
- Instituto Nacional de Pesquisa em Enfermagem (NINR)
- Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NLM)
- Centro de Tecnologia da Informação (CIT)
- Centro de Revisão Científica (CSR)
- Centro Internacional Fogarty (FIC)
- Centro Nacional para o Avanço das Ciências Translacionais (NCATS)
- Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (NCCIH)
- Centro Clínico do NIH (NIH CC)
O Centro Nacional de Recursos para Pesquisa também funcionou de 13 de abril de 1962 a 23 de dezembro de 2011.
ARPA-H
[editar | editar código]A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Saúde (ARPA-H) é uma entidade que antes ficava no gabinete do Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. O Congresso a criou pela Lei Consolidada de Dotações de 2022.[88] Inspirada na DARPA, na HSARPA, na IARPA e na ARPA-E, a agência busca projetos de pesquisa pouco convencionais por métodos que não costumam ser usados por órgãos federais ou empresas privadas. Em 24 de maio de 2022, o secretário Xavier Becerra delegou a ARPA-H ao NIH.[89][90][91] A ARPA-H recebeu US$ 1 bilhão em dotações de 2022 e US$ 1,5 bilhão em 2023. Em junho de 2023, solicitava US$ 2,5 bilhões para 2024.[92][93]
Programa de Desenvolvimento de Consenso
[editar | editar código]O Programa de Desenvolvimento de Consenso reúne opiniões de especialistas para estabelecer normas e diretrizes, principalmente em saúde e medicina. Organizações como o NIH convocam painéis de especialistas que avaliam as provas disponíveis sobre temas críticos e formulam recomendações para a prática clínica e as políticas de saúde. O método procura basear essas decisões na pesquisa científica recente e no consenso dos especialistas.[94]
Lista de antigos diretores
[editar | editar código]O NIH mantém uma cronologia de seus antigos diretores em seu site oficial.[95]
Ver também
[editar | editar código]- Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, biblioteca biomédica que integra o NIH
- Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, instituto do NIH dedicado a doenças infecciosas e imunológicas
- Instituto Nacional de Saúde Mental, instituto do NIH dedicado à pesquisa em saúde mental
- Projeto Genoma Humano, programa de pesquisa do genoma humano iniciado com participação do NIH
Referências
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Este artigo incorpora material em domínio público de páginas e documentos dos Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos.
Ligações externas
[editar | editar código]- Site oficial
- Página dos Institutos Nacionais da Saúde no Federal Register
- Coleção dos Programas Médicos Regionais, mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos
