Notiomastodon
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| Ocorrência: 0,8–0,007 Ma | |||||||||||||
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Notiomastodon (notiomastodonte, em português) é um gênero de gonfoterídeo extinto endêmico da América do Sul do Pleistoceno ao Holoceno.[1] Ele estava entre os últimos gonfoterídeos conhecidos e, ao lado de Cuvieronius, um dos dois únicos proboscídeos que habitavam a América do Sul, sendo o Notiomastodon a espécie predominante no continente, estendendo-se amplamente sobre a maior parte da América do Sul, excluindo os altos Andes. O notiomastodonte é um dos principais representantes da “megafauna brasileira”.
A espécie tem uma longa e complicada história taxonômica devido à sua variabilidade morfológica e confusão com táxons gonfoterídeos relacionados, que só foi resolvida em 2010.
Classificação
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Os proboscídeos na América do Sul foram descritos pela primeira vez por Georges Cuvier em 1806,[2] mas ele falhou em dar-lhes nomes específicos além de "Mastodon". Em 1814, Fischer atribuiu ao espécime “mastodonte des cordillères ” o primeiro nome específico " Mastotherium hyodon ".[3] :340Em 1824, Cuvier classificou os fósseis do "mastodonte des cordillères" como Mastodon andium e os do "mastodonte humboldien" como Mastodon humboldtii.[4] Devido ao Princípio de Prioridade, o nome Mastodon andium foi classificado como inválido, pois o nome dado por Fischer "Mastotherium hyodon" foi nomeado primeiro a partir do mesmo espécime. Hoje, nenhum dente é considerado diagnóstico para qualquer táxon específico.[5] Em 1929, Notiomastodon, [7] "mastodonte do sul" foi nomeado por Cabrera (1929). Foi atribuído aos Gomphotheriidae por Carroll (1988). Durante séculos, a taxonomia dos gonfoterídeos, incluindo Notiomastodon, foi objeto de debate, com muitos nomes genéricos e específicos para outros gonfoterídeos semelhantes da América do Sul. A espécie está atualmente sob disputa, se deveria pertencer a Notiomastodon ou Stegomastodon[8][5][9][10] já que, independentemente do gênero, a espécie é considerada sinônimo de Haplomastodon pela maioria dos autores, pois os espécimes não foram considerados morfologicamente distinto desta espécie.[11][12][13] Este artigo trata Notiomastodon separadamente porque em análises filogenéticas, espécimes de Notiomastodon / Stegomastodon platensis não são taxa-irmãos, o que tornaria o gênero polifilético.[5][14][15][16] No entanto, alguns autores dizem que isso é inconclusivo, pois acham que o material do Stegomastodon norte-americano é muito escasso e fragmentário para fazer uma afirmação definitiva.[9]
Evolução
[editar | editar código]O Notiomastodon pertence à família Gomphotheriidae, um grupo de mamíferos proboscídeos remotamente aparentados com os elefantes e mamutes. Notiomastodon parece ter tido uma linhagem fantasma de 4 milhões de anos, divergindo do clado que contém Rhynchotherium e Cuvieronius por volta do Mioceno Superior. Isso implicaria que o Notiomastodon estava evoluindo no sul da América Central, onde os fósseis são mal amostrados, antes de sua migração para a América do Sul durante o Plioceno ou Pleistoceno.[5] Os gonfoterídeos chegaram à América do Sul após a formação do istmo do Panamá como parte do Grande Intercâmbio Americano, ao lado de outras espécies diferentes da América do Norte. O registro mais antigo conhecido de gonfoterídeos na América do Sul é uma vértebra fragmentária da Formação Uquia mais antiga do Pleistoceno (cerca de 2,5 Mya), na Argentina.[17] Os mais antigos vestígios conhecidos definitivamente atribuíveis a Notiomastodon são conhecidos do final do Pleistoceno Inferior (1,2-0,8 Mya) do Rio da Prata, também na Argentina, consistindo de um par de presas e outros vestígios associados.[5] Um estudo de 2019 usando sequenciamento de colágeno mostrou que o Notiomastodon é mais próximo dos mastodontes do que dos elefantes, embora não seja claro como isso afeta a filogenia dos gonfoterídeos não seja claro.[18]
Extinção
[editar | editar código]A extinção da fauna pleistocênica na América do Sul tem sido um grande debate na ciência, havendo diversos fatores apontados como possíveis causas. Em 2019, foi encontrado um fóssil de um jovem notiomastodonte com um artefato humano embutido, em Lagoa Santa, Minas Gerais, datado com mais de 10 mil anos. Esse caso foi apontado como um forte indício da caça humana atrelada à extinção dessa espécie no continente.[19]
Em 2025, uma nova pesquisa no norte do Ceará encontrou os mais recentes fósseis de notiomastodontes do Brasil, chegando à idade aproximada de 7.940 anos atrás. Essa prova, indica que o nordeste brasileiro pode ter sido um dos últimos refúgios dessa espécie na América do Sul, que sobreviveu ao final da era glacial.[20] Também, mostra que os humanos conviveram com os notiomastodontes por alguns milhares de anos, evidenciando que a caça não seria o principal fator da extinção dessa espécie.
Filogenia
[editar | editar código]A posição filogenética entre gonfoterídeos trilofodontes de acordo com Mothé et al., 2016 é:[14]
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Descrição
[editar | editar código]O Notiomastodon é conhecido a partir do MECN 82, um exemplar macho que teria cerca de 2,52 metros de altura, com um peso estimado de 4,4 toneladas.[21] Ele tinha duas presas (uma de cada lado do tronco), como outros membros da família Gomphotheriidae, e nenhuma na mandíbula, como acontece com outros gonfoterídeos brevirostrinos. Ao contrário de seu parente próximo Cuvieronius, suas presas não eram torcidas, mas seu comprimento e forma são observados como muito variáveis dependendo do indivíduo, assim como a morfologia mais geralmente[5]

Paleobiologia e distribuição
[editar | editar código]Notiomastodon foi descrito como o 'gonfoterídeo de planície'.[11] O gênero tendeu a habitar florestas abertas com épocas de seca sazonais, tendo como distribuição grande parte do litoral sul-americano e o interior das planícies, exceto o Escudo das Guianas, com concentrações particularmente grandes ao longo da costa do Peru e no nordeste do Brasil.[22] Em contraste, o outro representante dos gonfoterídeos sul-americanos, Cuvieronius, habitava a região montanhosa dos Andes do Equador ao sul do Peru e Bolívia, bem como áreas de planície no nordeste do Peru.[5]
A composição da dieta do Notiomastodon variava amplamente dependendo da localização, mas provavelmente consistia principalmente de uma mistura de arbustos C3 e gramíneas C4, enquanto também servia como dispersor primário das sementes para uma variedade de espécies de plantas diferentes.[23]
Relação com humanos
[editar | editar código]O mais antigo contato entre notiomastodontes e humanos vieram dos paleoindígenas que chegaram na América do Sul. Em 2019, esse contato foi comprovado após um fóssil de um jovem notiomastodonte ser encontrado com um artefato humano embutido, em Lagoa Santa, Minas Gerais. Esse contato, ocorreu a cerca de 10 mil anos atrás, no início do Holoceno e durante a extinção dessa espécie. Esse achado é um indício que a caça foi um dos motivos que levou à extinção dos notiomastodontes no Brasil. [24]
Período Colonial (1500-1822)
[editar | editar código]Em 1784, foram encontrados alguns dos fósseis mais antigos do Brasil, em Sobral, Ceará. Estes foram enviados para Lisboa, onde seriam perdidos no século XIX. Atualmente, acredita-se que pertenciam à notiomastodontes.[25]
No ano seguinte, em Prados, Minas Gerais, os escravizados encontraram “pedras estranhas” na escavação de uma lavroura. Estes, julgaram ser “raízes petrificadas”, que foram enviadas ao naturalista brasileiro Simão Pires Sardinha. Por sua vez, reconheceu o fóssil como um “dente” de uma criatura gigante e desconhecida, que supôs ser um gigante bíblico, morto durante o Dilúvio. Atualmente, sabe-se que era um dente de notiomastodonte e essa história ficou conhecida como “o Monstro do Prado”.[26]
Notas
[editar | editar código]- Do grego antigo: νότιος (nótios, "sul")[27]
Referências
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- ↑ Cuvier, Georges (1806). «Sur différentes dents du genre des mastodontes, mais d'espèces moindres que celle de l'Ohio, trouvées en plusieurs lieux des deux continents». Annales du Muséum d'Histoire Naturelle. 7: 401–420
- ↑ Fischer, Gotthelf (1813). Zoognosia tabulis synopticis illustrata in Usum Praelectionem Academiae Imperialis Medico-Chirurgicae Mosquensis Edita: Vol 3. Classium, ordinum, generum illustratione perpetua aucta (em latim). 3 1 ed. Moscow: Nikolai Sergeyevich Vsevolozhsky
- ↑ Cuvier, Georges (1824). «Recherches sur les ossemens fossiles, ou l'on rétablit les caractères de plusieurs animaux dont les révolutions du globe ont détruit les espèces». Chez G. Dufour et E. d'Ocagne
- 1 2 3 4 5 6 7 Mothé, Dimila; dos Santos Avilla, Leonardo; Asevedo, Lidiane; Borges-Silva, Leon; Rosas, Mariane; Labarca-Encina, Rafael; Souberlich, Ricardo; Soibelzon, Esteban; Roman-Carrion, José Luis (30 de setembro de 2016). «Sixty years after 'The mastodonts of Brazil': The state of the art of South American proboscideans (Proboscidea, Gomphotheriidae)» (PDF). Quaternary International. 443: 52–64. Bibcode:2017QuInt.443...52M. doi:10.1016/j.quaint.2016.08.028
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- ↑ From the em grego clássico: νότιος (nótios, "southern")[6]
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