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Teju Jagua

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 Nota: Para outras cidades contendo este nome, veja Jagua.
Teju Jagua
Teiú-iaguá
deus das cavernas, grutas e lagos

O Teju Jagua ou Teiú-iaguá ("lagarto-fera" ou "lagarto-cachorro" em tupi-guarani) é uma criatura lendária da América do Sul.

Lenda paraguaia

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No poema Ñande Ypykuéra (“Nuestros Antepasados”, 1937) do poeta paraguaio Narciso R. Colmán (“Rosicrán”), uma teogonia ficcional do mito guarani,[1] Teju Jagua é o senhor das cavernas, grutas e lagos e protetor das frutas, o mais velho dos sete filhos amaldiçoados do espirito do mal, Taû, e da deusa do sono, Kerana, na mitologia guarani. Ele tem um corpo de lagarto gigante e sete cabeças de uma fera semelhante a um cachorro.[2]

Teju Jagua, também chamado Jaguaru ("Fera Grande" ou "Pai das Feras"), é a personificação do mito que simboliza a inação forçada, devido à deformidade de seu corpo causada pelas sete cabeças que impediam qualquer movimento. Ele era o mais horrendo por causa de sua feiura e seus olhos emitiam chamas. Tupã, o deus supremo em Ñande Ypykuéra, não lhe concedeu a capacidade de desenvolver sua ferocidade; pelo contrário, ele era dócil e inofensivo. Alimentava-se de frutas, e seu irmão Jasy Jatere lhe fornecia mel, seu alimento favorito. Era considerado o senhor das cavernas e protetor das frutas.[2][3]

Ele e seus irmãos foram amaldiçoados pela deusa Arasy, esposa de Tupã, por Taû ter raptado Kerana. Quando eles se reuniram no Yaguarón ou Jaguarão, lar de Teju Jagua, para celebrar o casamento de seu irmão Moñai com Porãsy, tia de Kerana, Porãsy se sacrificou para matá-los a todos, e as almas dos sete irmãos, assim purificadas, subiram ao céu e foram transformadas nas Plêiades.[2]

Seu nome alternativo "Jaguaru", composto por jagua (“cão”) e ru (“pai”), alude a um ser mítico paraguaio descrito como um cão gigante com presas proeminentes e quatro olhos de pupilas ardentes — três na frente e um atrás da cabeça que lhe permite ver o passado — cuja presença aterrorizava os antigos habitantes da região do Yaguarón ou Jaguarão e que lhe dá o nome. Essa lenda indica que a comunidade do Yaguarón adotou o nome em memória desse ser lendário, conhecido também como Jagua hũ guasu, ou Cão Pai Grande, "Jaguarão".[4]

Lenda brasileira

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Em uma tradição do Rio Grande do Sul, Brasil, o Teiú-iaguá é uma espécie de teiídeos, lagarto escuro, mágico, lanhado de amarelo, tendo a cabeça cercada de um halo resplendente de luz ofuscadora. O teiú, animal veloz e morando em locas, covas, grutas, é um guardião de preciosidades na região das minas.[5]

Um dia um sacristão da igreja de São Tomé na Argentina, próxima à atual cidade brasileira de São Borja, reparou que as águas da lagoa vizinha referviam e borbulhavam. Aproximando-se para melhor observar, cessou o rumor das águas e saiu do fundo da laguna um Teiú-iaguá. O sacristão reparou que o Teiú-iaguá tinha encravada no alto da cabeça uma pedra preciosa, de brilho deslumbrante. Era um carbúnculo (ver: [es]), um lagarto com uma pedra mágica, também chamada carbúnculo, incrustada na cabeça, em lendas da América do Sul. O sacristão levou o teiú para casa, metido numa guampa (chifre de boi), e alimentava-o com cuidados minuciosos. O teiú, cheio de poderes, ofereceu ao sacristão todas as riquezas da terra, minas, montes de ouro, sacos de moedas, fazendas de gado e de mate, estâncias, mulheres, prestígio. Sem se decidir, o sacristão ia abandonando seus cuidados profissionais, quase sem sair de seu aposento. O teiú, ao cair da noite, mudava-se em linda mulher e o sacristão passava o tempo de forma espantosa. Descoberto o sacrilégio, preso e condenado o réu, levaram-no ao garrote. O Teiú-iaguá, que desaparecera, surgiu da lagoa, abrindo um sulco profundo que ainda hoje existe, correndo em auxílio do amigo. Gritos, estrondos e abalos espocavam por todos os lados, fazendo estremecer as casas e espalhando terror no povo. O suplício não se consumou e o sacristão, arrancado do patíbulo por mão invisível, desapareceu. O Teiú-iaguá, levando o amigo no dorso encantado, atravessou o rio Uruguai a nado, descansou em São Borja e seguiu para o cerro do Jarau.[5]

Séculos se passaram e o sacristão, segundo a tradição, continua vivo, no cerro do Jarau, entre tesouros infinitos e raridades maravilhosas. Ainda hoje continua sem provar as amarguras da morte, passeando entre montanhas de ouro e joias, armas e móveis lindos, tudo inútil como pedras ao faminto.[5]

O folclorista brasileiro Câmara Cascudo considera que esta lenda tem origem nos dragões guardiões de tesouros nas lendas europeias, tendo chegado à América do Sul vindo com os espanhois primeiro pelos Andes até chegar ao Sul do Brasil, onde convergiu com as mouras encantadas, que guardam e possuem tesouros, trazidas pelos portugueses, como a Salamanca do Jarau, também conhecida como Teiniaguá, cuja lenda é derivada do Teiú-iaguá.[5]

Influência

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Em 2016, uma nova espécie de réptil extinto do período Triássico (250 milhões de anos atrás) foi descoberta em São Francisco de Assis, no Rio Grande do Sul e foi batizada de "Teyujagua paradoxa" em homenagem a lenda de Teju Yagua.[6]

Referências

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  1. ROJAS, Rodrigo Nicolás Villalba (2022). Rosicrán y Su Poema Ñande Ĭpĭ Cuéra (1929). Boca de Sapo 33. Tierra.
  2. 1 2 3 COLMÁN, Narciso R. Nuestros Antepasados (Ñande Ypykuéra): El Arte", 1929.
  3. Mitologia Tupi-Guarani - Os sete monstros legendários. «MITOLOGIAS». Consultado em 17 de junho de 2018. Arquivado do original em 12 de setembro de 2011
  4. Historia de Yaguarón. www.yaguaron.gov.py. Arquivado do original em 17 de junho de 2025. Consultado em 27 de junho de 2026.
  5. 1 2 3 4 CASCUDO, L. C. Geografia dos mitos brasileiros. 3ª edição. São Paulo. Global. 2002. p. 281.
  6. Pivetta, Marcos. «Fóssil de 250 milhões de anos é encontrado nos Pampas». Consultado em 23 de julho de 2026

Veja também

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