The Washington Post
| Democracy Dies in Darkness | |
Edição impressa de The Washington Post de 8 de junho de 2016 | |
| Periodicidade | Diário |
|---|---|
| Tipo | Jornal diário |
| Formato | standard |
| Sede | One Franklin Square, 1301 K Street NW, Washington, D.C., Estados Unidos[1] |
| País | Estados Unidos |
| Fundação | 6 de dezembro de 1877 (148 anos) |
| Fundador(es) | Stilson Hutchins |
| Proprietário | Nash Holdings (Jeff Bezos) |
| Editora | Jeff D'Onofrio |
| Editor-chefe | Matt Murray |
| Conselho de redação | Cerca de 500 jornalistas (2026)[2] |
| Idioma | inglês |
| Circulação | 2.500.000 assinantes digitais[3] 87.600 de circulação impressa média[4] |
| ISSN | 0190-8286 |
| OCLC | OCLC 2269358 |
| Website | www |
The Washington Post (conhecido localmente como The Post e, informalmente, como WaPo ou WP) é um jornal diário dos Estados Unidos, publicado em Washington, D.C.. É o jornal de maior circulação da Área metropolitana de Washington[5][6] e um dos jornais de referência do país.[7][8][9] Em 2023, o Post tinha 130 mil assinantes da edição impressa e 2,5 milhões de assinantes digitais. Nos dois casos, ocupava o terceiro lugar entre os jornais dos Estados Unidos, atrás de The New York Times e The Wall Street Journal. Em 2025, o número de assinantes da edição impressa caiu abaixo de 100 mil pela primeira vez em 55 anos.[10]
O Post foi fundado em 1877. Nos primeiros anos, passou por diferentes proprietários e enfrentou dificuldades financeiras e editoriais. Em 1933, o financista Eugene Meyer comprou o jornal durante um processo de falência e recuperou suas finanças e reputação. Seus sucessores, Katharine Graham, filha de Meyer, e seu marido, Philip Graham, compraram publicações concorrentes e deram continuidade ao trabalho. Em 1971, a publicação dos Pentagon Papers pelo Post ampliou a oposição pública à Guerra do Vietnã. Os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein conduziram a investigação sobre a invasão da sede do Comitê Nacional Democrata, que se transformou no Caso Watergate e levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974. Em outubro de 2013, a família Graham vendeu o jornal por US$ 250 milhões à Nash Holdings, empresa de Jeff Bezos.[11]
O jornal recebeu 76 prêmios Pulitzer,[12] número inferior apenas ao do The New York Times.[13][14] Jornalistas do Washington Post receberam 18 bolsas Nieman e 368 prêmios da White House News Photographers Association.[15][16] A política dos Estados Unidos ocupa grande espaço em sua cobertura. O jornal é um dos poucos do país que ainda mantêm escritórios de correspondentes no exterior,[17] além de núcleos internacionais para cobertura de notícias de última hora em Londres e Seul.[18]
Escritórios e circulação
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Em 2021, o jornal mantinha 21 escritórios no exterior: Bagdá, Pequim, Beirute, Berlim, Bruxelas, Cairo, Dacar, Hong Kong, Islamabad, Istambul, Jerusalém, Londres, Cidade do México, Moscou, Nairóbi, Nova Deli, Rio de Janeiro, Roma, Seul, Tóquio e Toronto.[19] Também tinha escritórios locais em Maryland, em Annapolis, no condado de Montgomery, no condado de Prince George e no sul do estado, e na Virgínia, em Alexandria, Fairfax, condado de Loudoun, Richmond e condado de Prince William.[20] Em 2009, o jornal fechou três escritórios regionais nos Estados Unidos, em Chicago, Los Angeles e Nova Iorque, como parte de uma concentração maior em notícias políticas produzidas em Washington e na cobertura local.[21]
The Washington Post não imprime uma edição para distribuição fora da Costa Leste dos Estados Unidos. Em 2009, encerrou a publicação de sua National Weekly Edition devido à queda da circulação.[22] A maior parte dos leitores da edição impressa fica em Washington, D.C., e nos subúrbios de Maryland e do norte da Virgínia.[23] Em março de 2023, a circulação média impressa do Post nos dias úteis era de 139.232 exemplares, a terceira maior entre os jornais dos Estados Unidos.[24]
Durante muitas décadas, a sede principal do Post ficou no número 1150 da 15th Street NW. O imóvel permaneceu com a Graham Holdings quando o jornal foi vendido à Nash Holdings de Jeff Bezos, em 2013. Em novembro daquele ano, a Graham Holdings vendeu os imóveis nos números 1150 da 15th Street, 1515 e 1523 da L Street e o terreno sob o número 1100 da 15th Street por US$ 159 milhões. O Post continuou alugando espaço no número 1150 da L Street NW.[25] Em maio de 2014, alugou a torre oeste do One Franklin Square, edifício no número 1301 da K Street NW, em Washington.[26] O Post possui seu próprio código postal ZIP, 20071.
História
[editar | editar código]Século XIX
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O jornal foi fundado em 1877 por Stilson Hutchins (1838-1912). Em 1880, ganhou uma edição dominical e tornou-se o primeiro jornal de Washington publicado sete dias por semana.[27]
Em abril de 1878, cerca de quatro meses depois de começar a circular, The Washington Post comprou o concorrente The Washington Union, fundado por John Lynch no fim de 1877. O Union existia havia apenas cerca de seis meses. A publicação resultante passou a sair do Globe Building com o nome The Washington Post and Union em 15 de abril de 1878, com circulação de 13 mil exemplares.[28][29] O nome Post and Union foi usado por cerca de duas semanas, até 29 de abril. No dia seguinte, o cabeçalho original voltou a ser usado.[30]
Em 1889, Hutchins vendeu o jornal a Frank Hatton, ex-diretor-geral dos Correios dos Estados Unidos, e Beriah Wilkins, ex-deputado democrata de Ohio. Para promover o jornal, os novos proprietários pediram ao regente da United States Marine Band, John Philip Sousa, uma marcha para a cerimônia de premiação de um concurso de ensaios. Sousa compôs "The Washington Post".[31] A composição tornou-se uma das músicas mais usadas para acompanhar o two-step, dança que se popularizou no fim do século XIX,[32] e permaneceu entre as obras mais conhecidas de Sousa.
Em 1893, o jornal mudou-se para um edifício na esquina da 14th Street com a E Street NW, onde permaneceu até 1950. O prédio reunia redação, publicidade, composição tipográfica e impressão, em operação 24 horas por dia.[33]
Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, o Post publicou a ilustração Remember the Maine, de Clifford K. Berryman, que se tornou um grito de guerra entre marinheiros dos Estados Unidos. Em 1902, Berryman publicou no jornal outra charge, Drawing the Line in Mississippi, na qual o presidente Theodore Roosevelt demonstra compaixão por um filhote de urso. A imagem inspirou o comerciante nova-iorquino Morris Michtom a criar o ursinho de pelúcia.[34] Wilkins adquiriu a participação de Hatton no jornal após a morte deste, em 1894.
Século XX
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Após a morte de Wilkins, em 1903, seus filhos John e Robert administraram o Post por dois anos e, em 1905, venderam o jornal a John Roll McLean, proprietário do Cincinnati Enquirer. Durante a presidência de Woodrow Wilson, o Post publicou aquele que a revista Reason chamou de "o erro tipográfico de jornal mais famoso" da história de Washington. O jornal pretendia informar que Wilson estava "recebendo" sua futura esposa, a Sra. Galt, usando em inglês a palavra entertaining, mas uma edição publicou entering, dando à frase um sentido sexual.[35][36][37]
Quando McLean morreu, em 1916, colocou o jornal em um trust, por não confiar que seu filho Edward "Ned" McLean fosse capaz de administrá-lo como parte da herança. Ned conseguiu anular o arranjo nos tribunais, mas, sob sua gestão, o jornal aproximou-se da ruína. Usou os recursos da publicação para sustentar seu estilo de vida e para promover suas posições políticas.[38] No Verão Vermelho de 1919, o Post apoiou grupos brancos e chegou a publicar na primeira página o local onde militares brancos planejavam se reunir para atacar moradores negros de Washington.[39]
Em 1929, o financista Eugene Meyer, que havia dirigido a War Finance Corporation desde a Primeira Guerra Mundial,[40] ofereceu secretamente US$ 5 milhões pelo Post, mas Ned McLean recusou.[41][42] Em 1 de junho de 1933, três semanas depois de deixar a presidência do Federal Reserve, Meyer comprou o jornal por US$ 825 mil em um leilão de falência. Fez a oferta anonimamente e estava disposto a chegar a US$ 2 milhões, valor muito superior ao dos demais interessados.[43][44] Entre eles estava William Randolph Hearst, que havia desejado fechar o enfraquecido Post para beneficiar seus próprios jornais em Washington.[45]
As finanças e a reputação do Post se recuperaram durante a administração de Meyer. Em 1946, ele foi sucedido como publisher pelo genro Philip Graham.[46] Meyer acabou prevalecendo sobre Hearst, que havia sido proprietário do antigo Washington Times e do Washington Herald. Os dois jornais foram unidos em 1939 como Washington Times-Herald, comprado pelo Post e incorporado a ele em 1954.[47] O jornal resultante teve oficialmente o nome The Washington Post and Times-Herald até 1973, embora a parte Times-Herald do cabeçalho tenha perdido destaque aos poucos.
A fusão deixou o Post com dois concorrentes locais, o Washington Star, também chamado Evening Star, e o Washington Daily News. Em 1972, os dois se fundiram como Washington Star-News.[48][49]
Após a morte de Philip Graham, em 1963, o controle da Washington Post Company passou à esposa, Katharine Graham (1917-2001), filha de Eugene Meyer.[50] Poucas mulheres haviam dirigido jornais nacionais de grande circulação nos Estados Unidos, e Graham afirmou que assumiu a função com muita insegurança.[51] Ela foi publisher entre 1969 e 1979.[50] Em meio à controvérsia dos Pentagon Papers, Graham abriu o capital da Washington Post Company em 15 de junho de 1971. Foram oferecidas 1.294.000 ações a US$ 26 cada.[52][53] Ao fim de seu período como diretora-executiva, em 1991, cada ação valia US$ 888, sem contar o efeito de um desdobramento intermediário de quatro ações para uma.[54]
Graham também supervisionou a diversificação da empresa com a compra da companhia de educação e treinamento Kaplan, Inc. por US$ 40 milhões, em 1984.[55] Vinte anos depois, a Kaplan havia ultrapassado o jornal como principal fonte de receita da empresa. Em 2010, respondia por mais de 60% da receita total.[56]
O editor-executivo Ben Bradlee colocou o apoio e os recursos do jornal à disposição de Bob Woodward e Carl Bernstein, que investigaram em uma longa sequência de reportagens a invasão, em 1972, dos escritórios do Comitê Nacional Democrata no complexo Watergate. A cobertura acompanhou o desenvolvimento do caso até a renúncia de Richard Nixon e rendeu ao jornal um Pulitzer em 1973.[57]
Em 1972, foi criada a seção "Book World", tendo William McPherson como primeiro editor.[58] Entre seus críticos literários estavam Jonathan Yardley e Michael Dirda, que desenvolveu sua carreira como crítico no Post. Em 2009, depois de 37 anos e sob protestos de leitores, o suplemento autônomo The Washington Post Book World foi encerrado. Sua última edição saiu em 15 de fevereiro de 2009.[59] A mudança fez parte de uma reorganização que transferiu os editoriais de domingo para a última página da primeira seção principal, retirando-os de "Outlook", e distribuiu cartas e comentários locais por outras seções.[60] Resenhas de livros continuaram a sair em "Outlook" aos domingos, em "Style" nos demais dias da semana e na internet.[60]
Donald E. Graham, filho de Katharine, sucedeu a mãe como publisher em 1979.[50] O domínio washingtonpost.com foi comprado em 1995. Naquele ano, a empresa lançou o Digital Ink, uma tentativa malsucedida de criar um repositório de notícias na internet. O serviço foi fechado no ano seguinte, e o primeiro site do jornal entrou no ar em junho de 1996.[61]
Era Jeff Bezos, desde 2013
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Em agosto de 2013, Jeff Bezos comprou The Washington Post, outras publicações locais, sites e imóveis[62][63][64] por US$ 250 milhões.[65][66][67] A propriedade foi transferida para a Nash Holdings LLC, empresa privada de investimentos de Bezos.[66] A antiga controladora do jornal conservou ativos como a Kaplan e um grupo de emissoras de televisão e passou a se chamar Graham Holdings depois da venda.[68][69]
A Nash Holdings, proprietária do Post, funciona separadamente da empresa de tecnologia Amazon, fundada por Bezos. Em 2022, ele era presidente-executivo da Amazon e seu maior acionista individual, com 12,7% dos direitos de voto.[70][71]
Bezos afirmou que pretendia recuperar o "ritual diário" de ler o Post como um conjunto, e não apenas como uma sequência de matérias individuais.[72] Sua atuação como proprietário foi relativamente distante da rotina da redação, com teleconferências quinzenais com o editor-executivo Martin Baron.[73] Bezos nomeou Fred Ryan, cofundador e diretor-executivo do Politico, como publisher e diretor-executivo. A escolha acompanhou uma mudança de foco para o meio digital e para leitores em todo o país e no exterior.[74]
Em 2015, o Post deixou o prédio próprio no número 1150 da 15th Street e mudou-se para um imóvel alugado três quarteirões adiante, no One Franklin Square, na K Street.[75] Desde 2014, o jornal lançou uma seção digital de finanças pessoais,[76] um blogue histórico chamado Retropolis e o podcast Retropod.[77][78] Em 2020, o Post recebeu o Webby People's Voice Award for News & Politics nas categorias Social e Web.[79]
Em 2017, o jornal contratou Jamal Khashoggi como colunista. Em 2018, Khashoggi foi assassinado por agentes sauditas em Istambul.[80][81]
Em 2018, Monica Hesse tornou-se a primeira colunista do jornal dedicada a questões de gênero.[82] Dezessete dias depois, o Post publicou "Why can't we hate men?", artigo de opinião inspirado pelo movimento Me Too, escrito por Suzanna Danuta Walters, diretora de estudos sobre mulheres da Universidade do Nordeste. O texto recebeu críticas de veículos como The Atlantic,[83] American Enterprise Institute,[84] National Review,[85] Quillette[86] e o próprio Washington Post.[87]
Seis meses depois da nomeação de Hesse, o Post publicou um artigo de opinião de Amber Heard, "I spoke up against sexual violence - and faced our culture's wrath. That has to change."[88] O texto levou Johnny Depp a processar Heard por difamação em 2019. Após um julgamento de sete semanas perante um júri, Heard foi responsabilizada pela difamação e Depp recebeu US$ 15 milhões em indenizações.[89]
Em outubro de 2023, o Post anunciou a eliminação de 240 postos de trabalho por meio de pacotes de desligamento voluntário.[90] A diretora-executiva interina Patty Stonesifer informou aos funcionários que as projeções de crescimento de tráfego, assinaturas e publicidade dos dois anos anteriores e de 2024 haviam sido excessivamente otimistas.[90] O jornal perdera cerca de 500 mil assinantes desde o fim de 2020 e caminhava para um prejuízo de US$ 100 milhões em 2023.[90] Dan Froomkin, do Presswatchers, argumentou que a queda de leitores poderia ser revertida se o jornal concentrasse sua cobertura no crescimento do autoritarismo, em linha com a atuação que teve no Watergate, em vez de manter uma neutralidade estrita que, em sua avaliação, o tornava pouco distinto de outros veículos.[91]
Em 2023, o jornal encerrou a coluna infantil "KidsPost", a coluna de astronomia "Skywatch" e "John Kelly's Washington", dedicada à história e a atrações locais e publicada, sob diferentes autores, desde 1947.[92][93] O "KidsPost" voltou em 2025.[94]
Em maio de 2024, o diretor-executivo e publisher William Lewis anunciou que a empresa ampliaria o uso de inteligência artificial para melhorar sua situação financeira e pretendia incorporar a tecnologia em toda a redação.[95]
Em junho de 2024, a Axios publicou que o Post enfrentava turbulência interna e dificuldades financeiras. O estilo de liderança de Lewis e seus planos de reestruturação causaram controvérsia. A saída repentina da editora-executiva Sally Buzbee e a escolha de dois homens brancos para os principais postos editoriais provocaram insatisfação interna, em especial porque editoras veteranas do jornal não haviam sido consideradas. Uma divisão proposta por Lewis para mídias sociais e jornalismo de serviço também encontrou resistência entre os funcionários. Acusações de que Lewis havia tentado interferir em decisões editoriais agravaram o ambiente. Entre elas estavam a pressão para que Buzbee abandonasse uma matéria sobre antigas relações de Lewis com o escândalo britânico de escutas telefônicas da News International e uma oferta feita a um correspondente de mídia da NPR para uma entrevista exclusiva sobre o futuro do jornal caso alegações semelhantes não fossem publicadas.[96][97] Funcionários também passaram a demonstrar preocupação com o consumo de álcool de Lewis e seu pouco envolvimento com a redação.[98] Ele continuou enfrentando queda de receita e leitores e buscou maneiras de recuperar assinantes perdidos desde o período de Donald Trump.[99]
Mais tarde naquele mês, o próprio jornal publicou uma matéria que relacionava o editor recém-contratado Robert Winnett a John Ford, que havia admitido usar engano e métodos ilegais para obter informações confidenciais.[100] Winnett desistiu do cargo pouco depois.[101]
Em janeiro de 2025, o Post anunciou a demissão de 4% de seus funcionários, menos de cem pessoas. A redação não seria atingida.[102] No mesmo mês, extinguiu a função de colunista de gênero e transferiu Monica Hesse da seção Style/Power para Opinions depois que os editores recusaram um artigo que ela havia apresentado.[103][104][105] Hesse confirmou a mudança em artigo publicado em março de 2025.[106]
Em junho de 2025, o Post anunciou o futuro lançamento de Ripple, uma seção de seu site na qual colunistas e autores não profissionais de jornais e blogues poderiam publicar artigos de opinião.[107] Os autores não profissionais poderiam usar Ember, ferramenta de inteligência artificial criada pelo Post para auxiliá-los na redação dos textos.[108]
Em 14 de janeiro de 2026, no âmbito do processo United States v. Aurelio Luis Perez-Lugones, o FBI fez uma busca no apartamento da jornalista do Post Hannah Natanson e apreendeu seu telefone celular, dois computadores portáteis e um relógio inteligente. Os investigadores informaram que Natanson não era o alvo da investigação. O foco era Aurelio Perez-Lugones, administrador de sistemas com credencial de segurança para material ultrassecreto, investigado por levar para casa relatórios sigilosos de inteligência.[109] No dia seguinte, o conselho editorial do jornal chamou a busca de um "ataque agressivo à liberdade de imprensa de todos os jornalistas".[110]
Em 4 de fevereiro de 2026, foi anunciada a demissão de cerca de 300 funcionários do Post. A cobertura de esportes[111] e livros seria encerrada, e a cobertura local seria bastante reduzida.[112] O podcast diário de notícias "Post Reports", publicado havia sete anos, foi suspenso.[113][114] Escritórios no exterior foram fechados e ao menos um correspondente na Ucrânia perdeu o emprego.[115] Na semana seguinte às demissões, mais de 60 mil leitores cancelaram suas assinaturas digitais.[116] Entre as causas das demissões estavam um prejuízo estimado em US$ 100 milhões em 2024,[117] a queda de assinantes após a decisão do jornal de não apoiar um candidato presidencial na eleição de 2024[118] e a redução do tráfego proveniente de mecanismos de busca diante do crescimento de ferramentas de inteligência artificial.[119]
Em 7 de fevereiro de 2026, William Lewis anunciou que deixaria o cargo de publisher. O diretor financeiro Jeff D'Onofrio assumiu interinamente.[120] O sindicato Washington Post Guild recebeu a mudança de forma favorável e declarou que Lewis seria lembrado pela "tentativa de destruição de uma grande instituição do jornalismo americano". Também pediu que Bezos vendesse o jornal a alguém disposto a investir em seu futuro.[121][122]
Mudanças editoriais e saídas de funcionários
[editar | editar código]Em fevereiro de 2025, Bezos anunciou que a seção de opinião do Post passaria a publicar apenas textos favoráveis às "liberdades pessoais e aos mercados livres".[123][124] O editor de opinião David Shipley renunciou depois de não conseguir convencer Bezos a reconsiderar a decisão.[124] Em dois dias, mais de 75 mil assinantes digitais cancelaram suas assinaturas.[125] No mês seguinte, Lewis impediu a publicação de uma coluna de Ruth Marcus que criticava a nova orientação. Marcus renunciou após quarenta anos no jornal.[126]
Depois do assassinato de Charlie Kirk, em setembro de 2025, o Post demitiu Karen Attiah, colunista e uma das fundadoras da editoria de opinião global, citando violações da política de mídias sociais do jornal. Attiah afirmou ter sido punida por se manifestar contra a violência política, padrões raciais distintos e a apatia do país diante das armas de fogo. Também afirmou que os Estados Unidos "aceitam e veneram" a violência armada.[127][128] O Politico observou que apenas uma das publicações mencionava Kirk e remetia a uma declaração dele de que mulheres negras não teriam "capacidade de processamento cerebral" para serem levadas a sério.[129][130] Attiah disse ter deixado claro que não exibir um luto exagerado por homens brancos que defendiam a violência não equivalia a apoiar violência contra eles. Chamou sua saída, após onze anos no jornal, de uma mudança de direção "cruel".[129] Era a última pessoa negra em tempo integral na editoria de opinião.[128]
Em 31 de julho de 2026, o editor de opinião Adam O'Neal, contratado no ano anterior, anunciou sua renúncia, com efeito em 31 de agosto. Não informou o motivo da saída.[131]
Posições políticas
[editar | editar código]Século XX
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Ao comprar o Post falido em 1933, Eugene Meyer declarou que nem ele nem o jornal estariam subordinados a qualquer partido político.[134] Meyer, porém, era um republicano de destaque e havia sido nomeado presidente do Federal Reserve por Herbert Hoover em 1930. Sua oposição ao New Deal de Franklin D. Roosevelt afetou os editoriais e a cobertura noticiosa do jornal. Meyer chegou a escrever, sob pseudônimo, matérias noticiosas com conteúdo opinativo.[135][136][137]
Sua esposa, Agnes Ernst Meyer, era jornalista e tinha posições políticas diferentes das dele. O Post publicou muitos de seus textos, entre eles homenagens a amigos como John Dewey e Saul Alinsky.[138][139][140][141]
Em 1946, Meyer foi nomeado presidente do Banco Mundial e escolheu o genro Philip Graham para sucedê-lo no Post. Nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, Philip e Katharine Graham tornaram-se amigos dos Kennedy, dos Bradlee e de outras pessoas do chamado "Georgetown Set", grupo que incluía muitos ex-alunos da Universidade Harvard e que afetou a orientação política do jornal.[142] Entre os convidados de Katharine Graham em encontros sociais em Georgetown esteve o diplomata britânico e espião comunista Donald Maclean.[143][144]
A palavra "macartismo" foi criada por Herbert Block em uma charge editorial publicada pelo Post em 1950.[145] A imagem mostrava baldes de piche e satirizava os métodos do senador Joseph McCarthy, incluindo campanhas de difamação e ataques pessoais contra os alvos de suas acusações. McCarthy procurava realizar no Senado investigações sobre espionagem soviética semelhantes às conduzidas havia anos pelo Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes. O comitê havia dado projeção nacional a Richard Nixon por sua atuação no caso de Alger Hiss e Whittaker Chambers, que expôs espionagem comunista no Departamento de Estado. Sua origem estava no comitê McCormack-Dickstein da década de 1930.[146]
A amizade de Philip Graham com John F. Kennedy permaneceu estreita até a morte dos dois em 1963.[147] O diretor do FBI J. Edgar Hoover teria dito ao novo presidente Lyndon B. Johnson que tinha pouca influência sobre o Post, porque não o lia e o via como o jornal comunista Daily Worker.[148][149]
Ben Bradlee tornou-se editor-chefe em 1968, e Katharine Graham assumiu formalmente a função de publisher em 1969. Sob os dois, o jornal publicou reportagens agressivas sobre os Pentagon Papers e o Watergate. A publicação dos Pentagon Papers em 1971 ampliou a oposição pública à Guerra do Vietnã.[150] Em meados da década de 1970, alguns conservadores chamavam o Post de "Pravda do Potomac", numa referência ao Rio Potomac, por considerarem que suas reportagens e editoriais tinham viés de esquerda.[151] A expressão passou a ser usada por críticos liberais e conservadores do jornal.[152][153]
Século XXI
[editar | editar código]No documentário Buying the War, da PBS, o jornalista Bill Moyers afirmou que, no ano anterior à Guerra do Iraque, o Post publicou 27 editoriais favoráveis à intenção do governo de George W. Bush de invadir o país. O correspondente de segurança nacional Walter Pincus disse ter recebido ordem para interromper reportagens críticas ao governo.[154] O jornalista Greg Mitchell escreveu que, nos meses anteriores à guerra, o jornal publicou mais de 140 matérias de primeira página que favoreciam a guerra, enquanto informações contrárias receberam muito menos espaço.[155]
Em 23 de março de 2007, Chris Matthews disse em seu programa de televisão que o Washington Post já não era o jornal liberal que havia sido e o classificou como neoconservador.[156] O jornal publicou regularmente colunistas de opinião de esquerda, como E. J. Dionne, Dana Milbank, Greg Sargent e Eugene Robinson, e de direita, como George Will, Marc Thiessen, Michael Gerson e Charles Krauthammer.
Em resposta a críticas à cobertura da eleição presidencial de 2008, a então ouvidora Deborah Howell escreveu que as páginas de opinião tinham vozes conservadoras fortes, que o conselho editorial reunia centristas e conservadores e que haviam sido publicados editoriais críticos a Barack Obama, embora o conjunto das opiniões ainda pendesse a favor dele.[157] Em um livro de 2009 sobre o efeito dos blogues na política dos Estados Unidos, Richard Davis escreveu que blogueiros liberais remetiam ao Washington Post e ao New York Times mais que a outros grandes jornais, e que blogueiros conservadores também recorriam predominantemente a jornais liberais.[158]
Desde 2011, o Post publica a coluna "The Fact Checker", que o próprio jornal chama de uma "equipe da verdade".[159] A coluna recebeu US$ 250 mil da Google News Initiative e do YouTube para ampliar a produção de vídeos de checagem de fatos.[159]
Em setembro de 2016, Matthew Ingram, da Fortune, juntou-se a Glenn Greenwald, do The Intercept, e Trevor Timm, do The Guardian, nas críticas ao Washington Post por defender que Edward Snowden fosse julgado por acusações de espionagem.[160][161][162][163]
Depois da eleição de Donald Trump em 2016, o Post adotou o lema "Democracy Dies in Darkness" no cabeçalho.[164] A diretora de comunicação Shani George afirmou que a frase expressava a identidade do jornal para os milhões de leitores que haviam começado a acompanhá-lo no ano anterior e que sua adoção não era uma reação às ações de Trump.[165]
Em fevereiro de 2025, Jeff Bezos anunciou que as páginas de opinião defenderiam "liberdades pessoais e mercados livres", excluindo pontos de vista contrários. A NPR interpretou a mudança como uma possível orientação libertária.[125] Em outubro de 2025, Marc Thiessen afirmou que a seção de opinião do jornal havia se tornado conservadora.[166]
Em abril de 2026, Nathan J. Robinson escreveu na The Nation que o Post havia passado de uma posição econômica de centro-esquerda para uma de direita radical, com oposição à tributação de pessoas ricas, ao controle de aluguéis, ao transporte público, à habitação social e a outros serviços públicos. Robinson também apontou um volume expressivo de artigos críticos a sindicatos e favoráveis à construção de novos centros de dados para inteligência artificial.[167]
Apoios eleitorais
[editar | editar código]Na grande maioria das eleições federais, estaduais e locais dos Estados Unidos, o conselho editorial do Post apoiou candidatos do Partido Democrata.[168] As decisões de apoio do conselho editorial são separadas das operações da redação.[168] Até 1976, o jornal não apoiava regularmente candidatos em eleições presidenciais.
Desde que apoiou Jimmy Carter em 1976, o Post apoiou democratas nas eleições presidenciais e nunca apoiou um candidato do Partido Republicano em uma eleição presidencial geral.[168] Em 1988, porém, não apoiou nem o governador Michael Dukakis, candidato democrata, nem o vice-presidente George H. W. Bush, candidato republicano.[168][169] O conselho editorial apoiou Barack Obama em 2008[170] e 2012,[171] Hillary Clinton em 2016[172] e Joe Biden em 2020.[173] Em 2024, anunciou, em meio a controvérsia, que deixaria de publicar apoios em eleições presidenciais.[174][175][176]
Embora apoie predominantemente democratas em eleições para o Congresso e cargos estaduais e locais, o jornal também apoiou candidatos republicanos em algumas ocasiões.[168] Em 2006, apoiou a tentativa malsucedida do governador de Maryland Robert Ehrlich de obter um segundo mandato.[168][177] Naquele ano, repetiu seus apoios aos republicanos que buscavam reeleição para o Congresso no norte da Virgínia.[178] O conselho editorial apoiou o senador republicano da Virgínia John Warner nas campanhas de reeleição de 1990, 1996 e 2002. O apoio mais recente a um republicano de Maryland para o Senado havia ocorrido na década de 1980, com Charles "Mac" Mathias Jr.[168] Em eleições para a Câmara dos Representantes, republicanos moderados da Virgínia e de Maryland, entre eles Wayne Gilchrest, Thomas M. Davis e Frank Wolf, também receberam apoio do Post. Em Washington, o jornal apoiou a republicana Carol Schwartz.[168]
Interrupção dos apoios presidenciais em 2024
[editar | editar código]Onze dias antes da eleição presidencial de 2024, William Lewis anunciou que o Post não apoiaria nenhum candidato. Era a primeira vez desde 1988 que o jornal deixava de apoiar o candidato democrata. Lewis acrescentou que não haveria apoio editorial a candidatos em futuras eleições presidenciais. Disse que o jornal estava retomando a antiga prática de não apoiar candidatos e que a decisão deixava aos leitores a responsabilidade de formar a própria opinião. Pessoas familiarizadas com o processo disseram que o conselho editorial havia preparado um texto de apoio a Kamala Harris, mas que a publicação fora impedida por ordem de Jeff Bezos.[174][175][176]
Martin Baron criticou a decisão e a chamou de falta de coragem em uma instituição cuja reputação havia sido construída em parte por confrontar pessoas poderosas.[174] Baron também levantou a possibilidade de Bezos temer retaliação de Donald Trump, então candidato republicano, contra seus outros negócios caso Trump fosse eleito.[179] Robert Kagan, editor colaborador, e a colunista Michele Norris renunciaram depois da decisão. O editor David Maraniss escreveu que o jornal estava "morrendo nas trevas", em referência ao lema "Democracy Dies in Darkness".
Colunistas de opinião do Post assinaram em conjunto um artigo que chamou a decisão de "um erro terrível", e o Washington Post Guild também a condenou.[174][175][176][180] Mais de 250 mil pessoas, cerca de 10% dos assinantes do jornal, cancelaram suas assinaturas. Três integrantes do conselho editorial deixaram o conselho, embora tenham permanecido em outras funções no Post.[181][182][183]
A humorista Alexandra Petri publicou depois seu próprio texto de apoio a Harris e escreveu que era embaraçoso que coubesse à colunista de humor fazer a recomendação presidencial do jornal. Acrescentou que seu trabalho dependia dos jornalistas da redação, que deveriam poder investigar pessoas poderosas sem receio de interferência.[184]
Will Bunch, Jonathan Last, Dan Froomkin, Donna Ladd e Sewell Chan também condenaram a decisão e a relacionaram ao conceito de "obediência antecipatória" usado pelo historiador Timothy Snyder.[185][186][187][188][189]
Incidentes, controvérsias e questionamentos
[editar | editar código]Fabricação de "Jimmy's World"
[editar | editar código]Em setembro de 1980, a primeira página da edição dominical do Post trouxe a reportagem "Jimmy's World", na qual Janet Cooke narrava a vida de um menino de oito anos dependente de heroína.[190] Embora funcionários do próprio jornal tivessem dúvidas sobre a veracidade da história, os editores a defenderam, e Bob Woodward apresentou a matéria ao conselho do Prêmio Pulitzer, na Universidade Columbia.[191] Cooke recebeu o Pulitzer de Feature Writing em 13 de abril de 1981. Depois, descobriu-se que toda a história havia sido inventada, e o prêmio foi devolvido.[192]
Proposta dos "salões" privados
[editar | editar código]Em julho de 2009, durante o debate sobre a reforma do sistema de saúde do governo Obama, o Politico publicou que um lobista do setor havia recebido uma oferta de acesso à equipe de reportagem e aos editorialistas do Post.[193] A publisher Katharine Weymouth havia planejado uma sequência de jantares exclusivos, chamados de "salões", em sua casa. Os convidados incluiriam lobistas, integrantes de associações empresariais, políticos e empresários.[194] Um patrocinador pagaria US$ 25 mil por um encontro ou US$ 250 mil por onze. O público e jornalistas de outros veículos não poderiam participar.[195]
A proposta foi criticada por permitir que pessoas com interesses políticos e empresariais pagassem por acesso a funcionários do jornal.[196][197][198] Weymouth cancelou os encontros e afirmou que aquilo nunca deveria ter ocorrido. O conselheiro jurídico da Casa Branca Gregory B. Craig lembrou aos funcionários do governo que as regras federais de ética exigiam autorização prévia para participar de eventos semelhantes. O editor-executivo Marcus Brauchli, citado no material promocional como um dos anfitriões e moderadores, disse ter ficado consternado e que a proposta dava a entender que o acesso aos jornalistas do Post estava à venda.[199][194]
Suplementos publicitários do China Daily
[editar | editar código]A partir de 2011, The Washington Post começou a distribuir, nas edições impressa e digital, o suplemento publicitário "China Watch", produzido pelo China Daily, jornal em inglês pertencente ao Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês. A versão digital trazia no cabeçalho a indicação de que era um suplemento pago do Washington Post, mas James Fallows, da The Atlantic, avaliou que a identificação não era suficientemente clara para a maioria dos leitores.[200] Distribuído pelo Post e por jornais de outros países, o suplemento tinha de quatro a oito páginas e saía pelo menos uma vez por mês. Uma reportagem do The Guardian de 2018 classificou sua propaganda como didática e antiquada.[201]
Em 2020, o relatório "Beijing's Global Megaphone", da Freedom House, criticou o Post e outros jornais por distribuírem o "China Watch".[202][203] Em fevereiro daquele ano, 35 integrantes republicanos do Congresso dos Estados Unidos pediram ao Departamento de Justiça que investigasse possíveis violações da Foreign Agents Registration Act pelo China Daily.[204] A carta mencionava "Education Flaws Linked to Hong Kong Unrest", publicado no Post, como exemplo de material que serviria para encobrir abusos cometidos pelo governo chinês, entre eles a repressão em Hong Kong.[205] O Post já havia deixado de publicar o "China Watch" em 2019.[206]
Em março de 2020, o Ministério das Relações Exteriores da China revogou as credenciais de jornalistas americanos do Post, do New York Times e do Wall Street Journal, impedindo-os de trabalhar como jornalistas na China continental, em Hong Kong e em Macau. Pequim apresentou a medida como retaliação a restrições impostas pelos Estados Unidos a veículos estatais chineses, que o governo Trump havia classificado como missões estrangeiras no mês anterior.[207]
Felicia Sonmez
[editar | editar código]Em 2020, o Post suspendeu a repórter Felicia Sonmez depois que ela publicou uma sequência de mensagens no Twitter sobre a acusação de estupro feita em 2003 contra o jogador de basquete Kobe Bryant, pouco depois da morte de Bryant. A suspensão foi retirada depois que mais de duzentos jornalistas do Post assinaram uma carta aberta criticando a decisão.[208]
Em julho de 2021, Sonmez processou o Post e alguns de seus principais editores por discriminação no ambiente de trabalho. O processo foi rejeitado em março de 2022, quando o tribunal decidiu que as alegações apresentadas não eram plausíveis.[209]
Em junho de 2022, Sonmez discutiu publicamente no Twitter com colegas do Post. Criticou David Weigel por uma publicação que ele próprio depois chamou de "piada ofensiva". Jose A. Del Real, por sua vez, acusou Sonmez de assediar publicamente e de forma repetida um colega.[210] O jornal suspendeu Weigel por um mês por violar suas regras de mídias sociais. A editora-executiva Sally Buzbee enviou à redação um memorando pedindo que os funcionários fossem construtivos e cordiais em suas interações com colegas.[210] Sonmez foi demitida. A carta de desligamento citou insubordinação, ataques a colegas na internet e violações das normas de convivência e inclusão do jornal.[211] O Post Guild criticou a recusa do jornal em submeter a demissão a arbitragem. O sindicato argumentou que o fim do contrato coletivo não eliminava a obrigação de arbitrar reclamações apresentadas antes do vencimento.[212]
Processo de aluno da Covington Catholic High School
[editar | editar código]Em 2019, Nick Sandmann, aluno da Covington Catholic High School, processou o Post por difamação. Alegou ter sido difamado em sete matérias sobre o confronto de janeiro de 2019 no Lincoln Memorial entre alunos da escola e participantes da Indigenous Peoples March.[213][214] Um juiz federal rejeitou inicialmente o caso, concluindo que trinta das 33 declarações que Sandmann classificava como difamatórias não o eram, mas permitiu que a petição fosse alterada quanto a três delas.[215] Depois da alteração, o processo foi reaberto em 28 de outubro de 2019.[216][217] Em 2020, o Post encerrou o litígio por acordo, cujo valor não foi divulgado.[218]
Artigos de opinião e colunas
[editar | editar código]Artigos de opinião e colunas do Washington Post receberam críticas em diferentes ocasiões. Entre os casos estavam comentários de Richard Cohen sobre raça[219][220] e uma coluna de George Will de 2014 sobre agressões sexuais em universidades.[221][222]
A publicação de um artigo de Mohammed Ali al-Houthi, dirigente do movimento Houthi do Iêmen, também recebeu críticas. Ativistas alegaram que o jornal havia oferecido espaço a um grupo antiocidental e antissemita apoiado pelo Irã.[223]
Em 2022, Johnny Depp venceu o processo de difamação contra sua ex-esposa Amber Heard por causa do artigo em que ela se apresentou como uma figura pública ligada à violência doméstica, dois anos depois de tê-lo acusado publicamente de violência doméstica.[224][225]
Críticas de autoridades eleitas
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Falando em nome do presidente Nixon, o secretário de imprensa da Casa Branca Ron Ziegler acusou o Washington Post de fazer "jornalismo de má qualidade" ao insistir na cobertura do Watergate. Depois que as reportagens contra Nixon foram confirmadas, Ziegler pediu desculpas ao jornal.[226]
Donald Trump, 45.º e 47.º presidente dos Estados Unidos, atacou repetidamente o Washington Post em sua conta no Twitter.[227] Até agosto de 2018, havia publicado ou republicado críticas ao jornal que o relacionavam à Amazon mais de vinte vezes.[228] Trump também usou a rede social para atacar individualmente jornalistas e colunistas do Post.[229]
Durante as primárias presidenciais democratas de 2020, o senador Bernie Sanders criticou repetidamente o jornal. Afirmou que a cobertura de sua campanha era desfavorável e relacionou isso à compra do Post por Jeff Bezos.[230][231] A revista socialista Jacobin[232] e a organização progressista de análise de mídia Fairness and Accuracy in Reporting fizeram críticas semelhantes.[233] Martin Baron respondeu que as acusações de Sanders eram infundadas e conspiratórias.[234]
Publicidade da indústria de combustíveis fósseis
[editar | editar código]Uma investigação publicada em 2023 por The Intercept, The Nation e DeSmog concluiu que o Washington Post produz e publica conteúdo publicitário em formato de reportagem para a indústria de combustíveis fósseis. Jornalistas do Post que cobrem mudanças climáticas disseram temer que conflitos de interesses com empresas e setores envolvidos nas causas das mudanças climáticas e na oposição a políticas climáticas reduzissem a credibilidade de seu trabalho e levassem leitores a dar menos atenção à crise climática.[235]
Organização
[editar | editar código]Principais acionistas e editores
[editar | editar código]Principais proprietários
- Stilson Hutchins (1877-1889)
- Frank Hatton e Beriah Wilkins (1889-1905)
- John R. McLean (1905-1916)
- Edward "Ned" McLean (1916-1933)
- Eugene Meyer (1933-1948)
- The Washington Post Company (1948-2013)
- Nash Holdings, de Jeff Bezos (desde 2013)
Responsáveis pela publicação
- Stilson Hutchins (1877-1889)
- Beriah Wilkins (1889-1905)
- John R. McLean (1905-1916)
- Edward "Ned" McLean (1916-1933)
- Eugene Meyer (1933-1946)
- Philip L. Graham (1946-1961)
- John W. Sweeterman (1961-1968)
- Katharine Graham (1969-1979)
- Donald E. Graham (1979-2000)
- Boisfeuillet Jones Jr. (2000-2008)
- Katharine Weymouth (2008-2014)
- Frederick J. Ryan Jr. (2014-2023)
- William Lewis (2024-2026)
- Jeff D'Onofrio (desde 2026)
Editores-executivos
- James Russell Wiggins (1955-1968)
- Ben Bradlee (1968-1991)
- Leonard Downie Jr. (1991-2008)
- Marcus Brauchli (2008-2012)[236]
- Martin Baron (2012-2021)[237]
- Sally Buzbee (2021-2024)[238]
- Matt Murray (desde 2024)
Jornalistas
[editar | editar código]Entre os jornalistas do The Washington Post estão Yasmeen Abutaleb, Dan Balz, Will Englund, Marc Fisher, Robin Givhan, David Ignatius, Ellen Nakashima, Ashley Parker, Sally Quinn, Michelle Singletary, Ishaan Tharoor e Joe Yonan.
Entre antigos jornalistas do The Washington Post estão Scott Armstrong, Melissa Bell, Ann Devroy, Edward T. Folliard, Malvina Lindsay, Mary McGrory, Christine Emba, Walter Pincus e Bob Woodward.
Serviços de publicação
[editar | editar código]Arc XP é uma divisão do The Washington Post que fornece sistemas e programas de publicação a organizações de notícias e mídia. Entre seus clientes estão The Boston Globe, Le Parisien, The Irish Times, Libération, The Dallas Morning News, The Globe and Mail, Record, Graham Media Group e Sky News.[239][240][241][242][243]
Mary Jordan foi editora fundadora, chefe de conteúdo e moderadora do Washington Post Live,[244][245] área de eventos editoriais do jornal que promove debates políticos, conferências e eventos de notícias. Entre os encontros esteve "The 40th Anniversary of Watergate", em junho de 2012, com figuras ligadas ao Watergate como John Dean, Ben Bradlee, Bob Woodward e Carl Bernstein, realizado no hotel Watergate. Frances Stead Sellers está entre os apresentadores regulares.[246][247][248] Lois Romano também foi editora do Washington Post Live.[249]
Sindicatos
[editar | editar código]Em 1975, o sindicato dos trabalhadores das impressoras do Washington Post entrou em greve. O jornal contratou trabalhadores substitutos, e os demais sindicatos voltaram ao trabalho em fevereiro de 1976.[250]
Em 1986, durante negociações de um novo contrato entre o Post e o Newspaper Guild, cinco funcionários, entre eles o presidente da unidade sindical Thomas R. Sherwood e a editora assistente de Maryland Claudia Levy, processaram o jornal por horas extras não pagas. Alegaram que a empresa afirmava não ter verba para pagar o trabalho excedente.[251]
Em junho de 2018, mais de quatrocentos funcionários assinaram uma carta aberta a Jeff Bezos pedindo salários e benefícios justos, melhores condições para aposentadoria, licença familiar e assistência médica e maior segurança no emprego. A carta veio acompanhada de depoimentos em vídeo de funcionários que denunciavam práticas salariais inadequadas apesar do crescimento recorde de assinaturas. Os salários haviam aumentado em média US$ 10 por semana, menos da metade da inflação, segundo a carta. A iniciativa veio depois de um ano de negociações infrutíferas entre o Washington Post Guild e a direção sobre salários e benefícios.[252]
Em 2023, o Washington Post Guild representava cerca de mil funcionários do jornal.[253] Em dezembro, mais de 750 jornalistas e outros funcionários fizeram greve e acusaram a empresa de não negociar de boa-fé assuntos como aumento e igualdade salarial, trabalho remoto e recursos de saúde mental.[254] Ainda naquele mês, o sindicato e o jornal chegaram a um novo contrato de três anos, encerrando dezoito meses de negociações.[255][253]
Em maio de 2025, a maioria dos trabalhadores de tecnologia do Post votou pela formação do Washington Post Tech Guild, sindicato com mais de trezentos profissionais de engenharia, design de produto e dados.[256]
Ver também
[editar | editar código]- All the President's Men, livro de 1974 de Carl Bernstein e Bob Woodward sobre o Caso Watergate
- All the President's Men, filme de 1976 baseado no livro de Bernstein e Woodward
- The Post, filme de 2017 baseado na publicação dos Pentagon Papers
- The Washington Times (desde 1982)
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Bibliografia complementar
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Ligações externas
[editar | editar código]- «Página oficial»
Media relacionados com The Washington Post no Wikimedia Commons- The Washington Post no Internet Archive
- História da The Washington Post Company na Graham Holdings Company
- Canal do The Washington Post no Telegram
- Scott Sherman, "Donald Graham's Washington Post", Columbia Journalism Review, setembro-outubro de 2002.
- "War Reporters - Imperial Life in the Emerald City", versão arquivada em 2 de janeiro de 2007.
- Jaffe, Harry. "Post Watch: Family Dynasty Continues with Katharine II", Washingtonian, 26 de fevereiro de 2008.
- Trabalhos de pesquisa sobre The Washington Post no CORE.