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Apsu

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Abzû
Deus das águas celestiais
Outro(s) nome(s)Apsû, Engur, Engurru
Genealogia
Cônjuge(s)Tiamat
Filho(s)Lamu, Lacamu
Cosmologia Babilônica

O Abzû (também chamado de Apsû ou Engur em sumério; em cuneiforme: 𒀊𒍪[1]; lit. "ab" = 'água'[2], "zu" = 'profunda'[3]), nas mitologias Suméria e Acádia, é o termo usado principalmente para se referir às águas doces subterrâneas, sob o domínio do deus Enki. É considerado o oceano primordial de criação e de onde se originam as águas das nascentes, enchentes, rios, poços e lagos, além de ser retratado como um elemento estrutural do universo. Segundo o épico babilônico Enūma Eliš, é referido também como uma divindade personificada.

O termo também era utilizado para se referir à água cerimonial retida em tanques nos templos, usada em rituais de purificação, e para se referir à fontes de água doce em geral[4].

Cosmologia

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Abzu era conhecido como o oceano primordial, localizado abaixo nas profundezas da Terra, o reino de Enki, deus da sabedoria, que o habitava muito antes da criação da humanidade. Era habitado também por Damgalnuna, sua consorte, Nammu, sua mãe, e uma série de criaturas subordinadas à Enki[4]. Na cidade de Eridu, seu templo, localizado às margens de um pântano era conhecido como Eabzû (‘casa das águas profundas’)[5].

Abaixo do Abzû, na mitologia suméria, localizava-se o Kur (ou Irkalla), o submundo, regido por Ereshkigal. Na mitologia babilônica, Irkalla é representado logo abaixo da terra, antes do Abzû.

Na Mitologia Babilônica

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No épico babilônico da criação do mundo (Enūma Eliš), Apsû, e sua consorte Tiamat, são retratados como divindades primordiais que deram origem à outros deuses.

"Quando no alto não nomeado o firmamento,
Embaixo o solo por nome não chamado,

Apsu, o primeiro, gerador deles,
Matriz Tiamat, procriadora deles todos,

Suas águas como um só misturam,
Prado não enredam, junco não aglomeram."

Jacyntho Lins Brandão, Enūma Eliš, A situação primeva, página 49.

Apsû então tem sua paz perturbada pelos deuses mais novos, decidindo destruí-los.

Muito sagaz, o deus Ea (Enki na mitologia suméria) percebe o plano de Apsû e é escolhido entre os deuses mais novos para derrotá-lo.

Ele então lança um feitiço sob Apsû, colocando-o em sono profundo, matando-o, apoderando-se de seus poderes e tornando seu corpo sua morada e domínio.[6]

"...


E recitou-o, nas águas o fez repousar,
Sono nele inseminou, dormiu ele em paz,


E fez dormir Apsu do sono nele inseminado.
(Múmmu, o mentor, extenuado atordoava-se.)


Desatou-lhes os tendões, arrebatou-lhe a coroa,
Sua aura tirou, em si revestiu-a,


Encadeou Apsu, matou-o.
(Prendeu Múmmu, sobre ele pôs a tranca.)


Firmou sobre Apsu seu assento.
(Capturou Múmmu, reteve-lhe a brida.)


..."

Jacyntho Lins Brandão, Enūma Eliš, A derrota de Apsu, páginas 51 e 52.

Referências

  1. «Abzu: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  2. «Água: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  3. «Profunda: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  4. 1 2 BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony (1992). Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia (PDF). Londres: The British Museum Press. p. 27. ISBN 0 7141 1705 6. Cópia arquivada (PDF) em 28 de novembro de 2025
  5. GREEN, Margaret Whitney (1975). «Eridu in Sumerian Literature (Ph.D. thesis)». University of Chicago Library
  6. BRANDÃO, Jacyntho Lins (2024). Epopeia da Criação: Enūma Eliš. Belo Horizonte: Autêntica. p. 49-55. ISBN 978-65-5928-201-2

Ligações externas

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