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Carrão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 Nota: Não confundir com Vila Carrão.
Carrão
Carrão
Área 7,5 km²
População (64°) 84.397 hab. (2022)
Densidade 95,15 hab/ha
Renda média R$ 4.863,70
IDH 0,886 - elevado (30°)
Subprefeitura Subprefeitura de Aricanduva/Carrão/Vila Formosa
Região Administrativa Leste
Área Geográfica 4 Leste
Distritos de São Paulo

Carrão é um distrito localizado na Zona Leste do município de São Paulo pertencente à Subprefeitura de Aricanduva. O distrito é frequentemente chamado de "Vila Carrão", que na realidade é o nome de um dos bairros do distrito. O distrito está vindo com um grande desenvolvimento de apartamentos de alto padrão.

História

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O território que hoje corresponde ao distrito do Carrão, situado na zona leste de São Paulo, apresenta uma trajetória histórica que remonta ao período pré-colonial, quando era atravessado por uma trilha indígena que ligava a aldeia de Piratininga à de Biacica ou Imbiacica, região atualmente correspondente aos distritos de Itaim Paulista, Vila Curuçá e parte leste de Jardim Helena. Essa trilha, posteriormente, foi engrossada pelos bandeirantes em suas expedições em busca de ouro e indígenas para escravização, consolidando-se como um dos caminhos pioneiros de penetração do planalto paulista[1]. No contexto colonial, a região integrava a indefinida Sesmaria de João Ramalho, célebre personagem luso-brasileiro que atuou como elo entre povos originários e colonizadores. Ao longo dos séculos, essas terras passaram por diversos proprietários e receberam denominações como Tucuri, Bom Retiro e, mais tarde, Chácara Carrão, refletindo a transição de um cenário rural para a urbanização progressiva[2].

A origem do nome do distrito está diretamente ligada a João da Silva Carrão, o Conselheiro Carrão, advogado, jornalista e político nascido em Curitiba em 1810, que se destacou como presidente da província de São Paulo entre 1865 e 1866, além de ter exercido cargos como deputado, senador e ministro da Fazenda do Império[3]. Carrão adquiriu uma extensa gleba na região, abrangendo áreas entre as atuais Vila Matilde, Vila Formosa e Aricanduva, onde estabeleceu a Chácara Carrão, notabilizada pelo cultivo de uvas e produção de vinho. Em 1876, recebeu em sua propriedade o imperador Dom Pedro II, que visitou a região para inspecionar as obras da estrada de ferro. Após sua aposentadoria, Carrão vendeu suas terras e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu em 1888[4].

A urbanização do Carrão intensificou-se a partir do início do século XX, quando o antigo sítio foi progressivamente loteado, dando origem aos bairros de Vila Carrão, Vila Nova Manchester, Vila Santa Isabel, Chácara Califórnia, Chácara Santo Antônio e Chácara Santo Estêvão. O bairro de Vila Carrão, oficialmente fundado em 1917, foi planejado com quadras regulares e atraiu imigrantes portugueses, italianos, espanhóis e, posteriormente, japoneses, que trabalharam tanto nas antigas chácaras quanto nas indústrias têxteis e de lã instaladas na região[5]. A Vila Nova Manchester foi fundada em 1922 por Francisco Rolim Gonçalves, e suas terras, assim como as de Vila Carrão, eram utilizadas para o cultivo de café e abrigaram uma das maiores senzalas do Brasil no século XIX[6].

Skyline do distrito.

Administrativamente, o território do Carrão integrava originalmente o distrito do Tatuapé, assim como os atuais distritos de Aricanduva e Vila Formosa, que foram se emancipando gradualmente por decretos municipais[4]. A criação oficial do distrito do Carrão ocorreu pela Lei Municipal nº 10.932, de 15 de janeiro de 1991, durante a gestão da prefeita Luíza Erundina, que redefiniu os limites territoriais da cidade de São Paulo. Com essa reconfiguração, o Carrão perdeu a Estação Carrão do Metrô de São Paulo para o distrito do Tatuapé, embora a estação permaneça próxima à divisa[7][8]. O distrito passou a abranger bairros como Carrãozinho, Chácara Califórnia, Chácara Santo Antônio, Chácara Santo Estêvão, Vila Nova Manchester, Vila Santa Isabel e Vila Carrão, sob a administração da Subprefeitura Aricanduva[9].

O Carrão destaca-se ainda pela expressiva comunidade nipo-brasileiroa, especialmente de origem okinawana. A Associação Okinawa Vila Carrão, fundada em 1957, tornou-se um importante polo cultural e social, promovendo anualmente o Okinawa Festival, um dos maiores eventos da colônia japonesa na cidade e parte do calendário oficial de eventos do município[10]. No século XXI, o distrito vive um intenso processo de verticalização e valorização imobiliária, com a construção de edifícios residenciais de alto padrão e conjuntos comerciais, o que tem impactado o trânsito local, especialmente na Avenida Conselheiro Carrão, uma das vias mais congestionadas da cidade[11]. A expectativa é que a extensão daLinha 2-Verde do Metrô de São Paulo, com a futura estação Guilherme Giorgi, contribua para a melhoria da mobilidade urbana na região[12]. Segundo o Censo 2010, o Carrão é considerado uma das regiões demograficamente mais paulistas da Região Metropolitana de São Paulo, refletindo sua história de miscigenação e desenvolvimento urbano[13].

Geografia

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Rua da Vila Carrão

Com área oficial de aproximadamente 7,5 km², o distrito integra a divisão administrativa da cidade, composta por 96 distritos, e destaca-se por sua localização estratégica a cerca de 13 quilômetros do centro, em uma região marcada por forte heterogeneidade socioespacial e histórica. O Carrão apresenta características urbanas contrastantes, combinando áreas de urbanização planejada e valorização imobiliária, como o Jardim Anália Franco, com setores de ocupação popular e autoconstruída, como a Vila Carrão, refletindo processos históricos de industrialização, migração e expansão urbana que moldaram sua paisagem e dinâmica social[14][15].

O distrito do Carrão está oficialmente subdividido em oito bairros, cada um com características históricas, urbanísticas e socioeconômicas próprias, refletindo a diversidade do processo de urbanização da zona leste de São Paulo. A Vila Carrão constitui o núcleo histórico do distrito, originada a partir de antigas propriedades rurais e marcada pela presença de imigrantes açorianos e japoneses, infraestrutura consolidada e comércio diversificado. A Vila Nova Manchester, fundada em 1922, destaca-se por sua origem ligada ao parcelamento de fazendas de café e à urbanização promovida por loteadores privados, apresentando logradouros arborizados e perfil residencial de classe média. A Vila Santa Isabel e o Jardim Têxtil derivam do desmembramento de glebas rurais, sendo a primeira um bairro tradicional com comércio local e a segunda caracterizada por empreendimentos imobiliários de padrão médio e médio-alto, além de infraestrutura urbana moderna. A Chácara Califórnia e a Chácara Santo Antônio têm origem rural e passaram por intenso processo de urbanização a partir da segunda metade do século XX, apresentando perfil residencial misto, comércio de bairro e equipamentos de assistência social. A Vila Santo Estevão e o Carrãozinho são bairros menores, com predominância de residências térreas e comércio local, sendo o Carrãozinho reconhecido por seu perfil popular e presença de moradias autoconstruídas. O distrito faz limite com Tatuapé a oeste, Vila Matilde ao norte e leste, Aricanduva ao sudeste e Vila Formosa ao sul, compondo uma região de forte integração urbana e diversidade socioeconômica, conforme delimitação oficial da Prefeitura de São Paulo e registros históricos do processo de formação dos bairros do Carrão[16][17][18].

A hidrografia é dominada pelo córrego Aricanduva, que atravessa o distrito e integra a bacia do Alto Tietê, além do córrego Tapera, ambos canalizados em grande parte de seu percurso, mas ainda responsáveis por episódios de alagamento em períodos de chuvas intensas, especialmente em fundos de vale urbanizados[19]. O padrão urbanístico do Carrão reflete a coexistência de áreas planejadas, como o Jardim Anália Franco, com bairros de ocupação popular, como a Vila Carrão, evidenciando contrastes de infraestrutura, arborização e acesso a equipamentos urbanos[20]. O zoneamento vigente, estabelecido pelo Plano Diretor Estratégico de 2014 e pela Lei 16.402/2016, classifica a maior parte do distrito como Zona Mista (ZM), com presença de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e trechos de Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU) ao longo dos principais eixos de transporte[21]. Entre os principais problemas ambientais destacam-se as áreas sujeitas a enchentes, poluição hídrica e déficit de áreas verdes, apesar da presença do Parque Linear Aricanduva, que acompanha o curso do córrego e oferece espaços de lazer, esporte e convivência[22].

Demografia

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A população do Carrão, segundo o último censo do IBGE, é de 84 397 habitantes, com densidade demográfica de 11 000 habitantes por quilômetro quadrado[23]. O perfil demográfico é marcado por diversidade étnica e histórica presença de fluxos migratórios, com destaque para imigrantes portugueses, italianos, japoneses e açorianos, além de migrantes nordestinos que contribuíram para a formação do tecido social e cultural local[24][25]. A influência açoriana é notável, especialmente na Vila Carrão, onde a Casa dos Açores atua como centro cultural desde 1980, promovendo festas tradicionais como a Festa do Divino Espírito Santo, que integra o calendário oficial da cidade e reforça a identidade luso-brasileira do bairro[26]. O desenvolvimento urbano foi impulsionado pela expansão ferroviária e pela instalação de indústrias, como o histórico Cotonifício Guilherme Giorgi, fundado em 1911, referência no processo de industrialização da zona leste[27].

Evolução demográfica do distrito do Carrão[28][29]

O distrito apresenta forte contraste socioespacial, com áreas de alto padrão, como o Jardim Anália Franco, que possui Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,880, condomínios verticais e ampla oferta de serviços, resultado de valorização imobiliária e investimentos públicos, enquanto a Vila Carrão registra IDH-M de 0,760, maior densidade populacional, moradias autoconstruídas e menor acesso a equipamentos urbanos[30]. O percentual de habitações precárias é de 2,7%, com cobertura de esgoto de 99,8%, água de 99,9% e coleta de lixo de 99,9%. O coeficiente de Gini é de 0,44, indicando desigualdade de renda moderada, a renda per capita é de R$ 4 700, as taxas de analfabetismo absoluto e funcional são de 0,7% e 3,7%, respectivamente, a média de anos de estudo é de 12,2, a expectativa de escolaridade é de 16,2 anos e a expectativa de vida ao nascer é de 79,3 anos[31]. O distrito é atendido pelo 53º Distrito Policial (Carrão), cuja jurisdição abrange toda a região e integra a 5ª Delegacia Seccional Leste[32].

Infraestrutura urbana

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Segundo dados recentes da Prefeitura e do Mapa da Desigualdade, mais de 99% dos domicílios contam com acesso à água potável, rede de esgoto e coleta regular de lixo, índices que se mantêm acima da média nacional e refletem o padrão de urbanização predominante no distrito. Apesar da ampla cobertura, persistem desafios pontuais em áreas de ocupação irregular e fundos de vale, onde a urbanização acelerada e a impermeabilização do solo dificultam a universalização dos serviços e aumentam o risco de enchentes e degradação ambiental[33].

Estação Carrão

O sistema de transporte público do Carrão é diversificado e integrado, contando com linhas de ônibus municipais e intermunicipais, além da presença da Estação Carrão da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, que opera como principal eixo de mobilidade e integração com o restante da cidade. O distrito é atendido por diversas linhas de ônibus que percorrem as principais avenidas, como a Conselheiro Carrão, Aricanduva e Dezenove de Janeiro, conectando os bairros locais a outros pontos da zona leste e ao centro. O tempo médio de deslocamento por transporte público para o trabalho é de 58 minutos, valor próximo à média municipal, enquanto a velocidade média dos ônibus na região é de 18,5 km/h, segundo o Mapa da Desigualdade[34].

Linha 3 do Metropolitano de São Paulo que separa o distrito.

O distrito conta ainda com ciclovias e ciclofaixas, como a Ciclofaixa Aricanduva, que integra o Plano Cicloviário Municipal e conecta o Carrão a bairros vizinhos. Não há terminais rodoviários de grande porte, mas o entorno da estação de metrô funciona como polo de integração modal e concentra comércio, bancos, farmácias e pequenos centros comerciais.No campo habitacional, o Carrão apresenta predomínio de moradias horizontais, edifícios residenciais de médio porte e condomínios verticais, especialmente no Jardim Anália Franco, área de maior valorização imobiliária do distrito. A Vila Carrão e bairros adjacentes mantêm perfil residencial misto, com presença de casas térreas, sobrados e pequenas vilas, além de áreas de autoconstrução e ocupações populares. O percentual de domicílios em assentamentos precários é de 2,7%, valor inferior à média da cidade, e o déficit habitacional é considerado baixo em relação a outros distritos da zona leste[35]. O distrito conta com conjuntos habitacionais de pequeno porte e programas de regularização fundiária, mas não concentra grandes favelas ou ocupações irregulares de grande extensão, diferentemente de outros territórios periféricos da Região Metropolitana de São Paulo.

Estação Carrão

A oferta educacional no Carrão é ampla e diversificada, com presença de escolas públicas municipais e estaduais, colégios privados, centros de ensino técnico e unidades de referência em educação infantil, fundamental e média. Entre as principais instituições destacam-se a Escola Estadual Professor Raul Brasil, a Escola Estadual Professor José Maria Whitaker, a EMEF Professora Maria Aparecida Rodrigues Cintra, além de colégios particulares como o Colégio Santa Marina e o Colégio São José. O distrito conta ainda com unidades do Centro Paula Souza, como a ETEC Professor Aprígio Gonzaga, que oferece cursos técnicos em áreas como administração, informática e logística. Programas educacionais implementados incluem projetos de reforço escolar, educação integral e parcerias com universidades para atividades de extensão e formação continuada de professores[36].

Na área da saúde, o Carrão dispõe de infraestrutura composta por Unidades Básicas de Saúde (UBS), como a UBS Vila Carrão, UBS Jardim Têxtil e UBS Vila Nova Manchester, que oferecem atenção primária, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, pré-natal e programas de saúde da família. O distrito é atendido pelo Hospital Municipal do Tatuapé – Carmino Caricchio, referência em urgência e emergência para a região, além de clínicas particulares, laboratórios e consultórios médicos. Não há hospitais de grande porte no território do Carrão, mas a proximidade com o Tatuapé e o Jardim Anália Franco garante acesso a hospitais privados e centros de especialidades, como o Hospital São Luiz Anália Franco e o Hospital Vitória. A rede de saúde mental é composta por CAPS e ambulatórios regionais, integrando a política municipal de atenção psicossocial[37].

A economia é marcada pela predominância dos setores de comércio varejista, serviços e pequenas indústrias, refletindo o perfil residencial e de classe média do distrito. O comércio de rua é o principal motor econômico, com destaque para a Avenida Conselheiro Carrão, reconhecida como eixo comercial dinâmico, concentrando padarias, supermercados, farmácias, lojas de roupas, restaurantes e pequenos negócios familiares. O Jardim Anália Franco destaca-se pela presença do Shopping Anália Franco, um dos principais centros comerciais da zona leste, que impulsiona o setor de serviços, gastronomia e entretenimento, além de abrigar restaurantes premiados e franquias de redes nacionais e internacionais. O mercado de trabalho é fortemente concentrado nos setores de comércio e serviços, que respondem por mais de 80% dos empregos formais, enquanto a indústria tem presença residual, restrita a pequenas fábricas, oficinas e empresas de logística. O distrito abriga empresas de destaque regional, como o Cotonifício Guilherme Giorgi, referência histórica da industrialização local, além de centros logísticos e transportadoras de pequeno porte, beneficiados pela proximidade com a Avenida Aricanduva e a Radial Leste.[38]

O setor imobiliário do Carrão apresenta valorização moderada a alta, especialmente nas áreas próximas ao Jardim Anália Franco, onde o preço do metro quadrado residencial supera a média da zona leste e se aproxima dos valores praticados em bairros centrais. Segundo o CRECI-SP, o distrito está classificado nas Zonas de Valor B e C, com preços médios do metro quadrado entre R$ 7 000 e R$ 12 000, refletindo a valorização imobiliária e a verticalização seletiva em áreas de maior infraestrutura e oferta de serviços[39]. O distrito não conta com ruas entre as mais caras da cidade, mas o entorno do Shopping Anália Franco e do Jardim Têxtil apresenta tendência de valorização contínua, impulsionada por novos empreendimentos residenciais e comerciais.

No campo cultural, o Carrão dispõe de equipamentos como o Teatro Martins Penna, a Biblioteca Pública Municipal Vicente de Carvalho, o Centro Cultural Vila Formosa e o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, além de espaços independentes, coletivos artísticos e festas tradicionais promovidas por associações de moradores e entidades culturais. O distrito é reconhecido pela forte presença da Casa dos Açores, que promove festas, saraus, oficinas e eventos ligados à cultura luso-brasileira, além de manter viva a tradição da Festa do Divino Espírito Santo, que integra o calendário oficial da cidade. Fundada em 1980, a Casa dos Açores de São Paulo consolidou-se como o principal polo de preservação da cultura açoriana na cidade, promovendo ao longo do ano saraus, oficinas de artesanato, cursos de língua portuguesa e encontros gastronômicos que fortalecem os laços comunitários e valorizam a herança luso-brasileira. O evento de maior destaque é a Festa do Divino Espírito Santo, cuja tradição remonta à introdução em Portugal pela rainha Santa Isabel e foi trazida ao Brasil pelos imigrantes açorianos há mais de dois séculos. Realizada anualmente em maio, na sede da Casa dos Açores, na Rua Dentista Barreto, 1 282, a festa chegou à sua 50ª edição em 2024, reunindo milhares de pessoas em procissões, missas, apresentações folclóricas e barracas de comidas típicas, como malassadas, bolinhos de bacalhau e caldo verde, além de música e danças tradicionais[40][41].

O patrimônio cultural do Carrão é eminentemente imaterial, pois não há registro de tombamentos de imóveis, praças ou monumentos pelo CONPRESP ou CONDEPHAAT no distrito ou em bairros adjacentes como Vila Carrão, Jardim Anália Franco e Chácara Califórnia[42][43]. O principal marco industrial do distrito, o Cotonifício Guilherme Giorgi, fundado em 1911 pelo industrial italiano Guilherme Giorgi, permanece em funcionamento e é referência histórica para a Vila Carrão, mas não possui proteção patrimonial formal. Assim, a memória coletiva, as festas populares e as manifestações artísticas constituem o principal acervo cultural do território, reforçando a centralidade das tradições e da criatividade local[44].

Entre as personalidades de destaque nacional associadas ao distrito, destaca-se o ator Humberto Carrão, nascido e criado na Vila Carrão, que iniciou sua carreira artística ainda criança e ganhou projeção em novelas como "Malhação", "Amor de Mãe" e "Sob Pressão", além de filmes como "Marighella" e "Aquarius". Reconhecido por seu ativismo político e engajamento em causas sociais, Humberto Carrão é considerado um dos principais representantes da nova geração de atores brasileiros com raízes periféricas[45]. A região também é berço de figuras ligadas à cultura açoriana e à imigração portuguesa, além de coletivos artísticos, músicos e escritores locais que contribuem para a vitalidade cultural do bairro.O calendário cultural do Carrão é marcado por eventos tradicionais que reforçam a identidade plural do distrito. Além da Festa do Divino Espírito Santo, destaca-se o Okinawa Festival, realizado anualmente em agosto no Centro Esportivo Manchester, que celebra a presença da colônia japonesa na região com apresentações de música e dança típicas, culinária japonesa e atividades culturais, atraindo turistas e moradores de toda a cidade[46]. O distrito também sedia festivais de inverno, festas juninas, feiras de artesanato e eventos promovidos por associações de moradores, escolas e coletivos culturais, consolidando-se como polo de integração comunitária e valorização das tradições[47].

A cena musical do Carrão é diversificada, com destaque para o Teatro Eva Wilma, espaço com capacidade para setecentos lugares que recebe espetáculos de teatro, música e dança, além de festivais e eventos formativos. O Centro Cultural Vila Formosa, que abriga a Biblioteca Paulo Setúbal e o Teatro Zanoni Ferrite, é outro polo de produção e difusão artística, recebendo apresentações de samba, forró, música popular brasileira e oficinas culturais. Escolas de música, como a Escola de Música Notas em Casa, oferecem cursos de instrumentos e canto, contribuindo para a formação de novos músicos e a difusão da cultura musical no bairro[48]. O distrito é reconhecido por suas rodas de samba, bailes de forró e eventos de música popular, que mobilizam coletivos artísticos e promovem a integração entre diferentes gerações.A presença do Carrão na mídia e nas artes é marcada por referências em literatura, teatro e televisão, com destaque para a obra "Histórias e Memórias em São Paulo: A Vila Carrão enquanto território cultural e de múltiplas identidades", de Elis Regina Barbosa Angelo, que documenta a trajetória do bairro e sua multiplicidade cultural[49].

No âmbito esportivo e de lazer, o Carrão conta com clubes tradicionais como a Associação Atlética Carrão, fundada em 1930, que oferece quadras, ginásio, piscina e atividades esportivas para a comunidade. O Centro Esportivo Vila Manchester, com 55 000 metros quadrados, é referência em esportes coletivos, atletismo e eventos comunitários, enquanto o CERET – Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador, localizado no Jardim Anália Franco, destaca-se como um dos maiores complexos esportivos públicos da cidade, com 286 000 metros quadrados, a maior piscina pública da América Latina, campos de futebol, quadras, pista de atletismo e áreas de lazer[50]. O distrito dispõe ainda do Parque Linear Aricanduva, que acompanha o curso do córrego Aricanduva e oferece espaços de lazer, esporte e convivência, além de praças como a Praça Silvio Romero e a Praça Alexandre Roberto Romano, equipadas com áreas de lazer, parcães e equipamentos de ginástica[51].

Ver também

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Referências

  1. «História do Carrão na Zona Leste». Guia Leste. Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2024
  2. «Vila Carrão: o bairro tradicional e familiar de São Paulo». Estadão Imóveis. 19 de maio de 2025. Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de março de 2026
  3. «Conselheiro Carrão - ilustre figura do Império». 23 de janeiro de 2018. Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2023
  4. 1 2 Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "GuiaLeste2"
  5. «Vila Carrão – Wikipédia». 14 de outubro de 2006. Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025
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  8. «IBGE». Consultado em 15 de julho de 2026 Texto "Biblioteca" ignorado (ajuda)
  9. «Encontra Carrão». 28 de junho de 2017. Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de novembro de 2025
  10. «Associação Okinawa Vila Carrão - História». Consultado em 15 de julho de 2026. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
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  13. https://www.estadao.com.br/noticias/impresso,bairros-de-sp-com-mais-imigrantes-tem-dobro-da-renda-,1028532,06 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
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  51. «Parque Linear Aricanduva». Prefeitura de São Paulo. Consultado em 16 de julho de 2026
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