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Comando Vermelho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Comando Vermelho
Fundação17 de setembro de 1979[1] (como Falange Vermelha)[2]
Local de fundaçãoPresídio Cândido Mendes, Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil.
Anos ativo1979–presente
Território(s)majoritariamente no estado do Rio de Janeiro, mas também em todo o território brasileiro e em outros países, como Bolívia, Peru, Venezuela, Paraguai e Colômbia.
Líder(es)Fernandinho Beira-Mar
Marcinho VP
Atividadescrime organizado
AliadosPrimeiro Grupo Catarinense[3]
Bala na Cara[4]
RivaisPrimeiro Comando da Capital[5]
Terceiro Comando Puro[6]
Amigos dos Amigos
Milícias[7]
Designado como terrorista por

Comando Vermelho Rogério Lemgruber (CVRL), mais conhecido como Comando Vermelho (CV), é uma das duas maiores organizações criminosas do Brasil, ao lado do Primeiro Comando da Capital (PCC).[11] Foi criada em 1979 no Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro.[1][12][2]

Segundo informação de 2024 do Atlas da Violência, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Comando Vermelho atua em unidades federativas brasileiras como Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. A organização criminosa não tem atuação em estados como Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo este último dominado territorialmente pelo Primeiro Comando da Capital. No caso do Rio Grande do Sul, a explicação para a ausência do Comando Vermelho deve-se à forte resistência das facções criminosas gaúchas em ceder mercado, mão de obra e território para grupos criminosos de outros estados.[13][14][15]

História

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O Comando Vermelho descende da Falange Vermelha e foi criado por Rogério Lemgruber e os colegiados, ainda na década de 1970.[16] Uma das primeiras medidas do Comando Vermelho foi a instituição do "caixa comum" da organização, alimentado pelos proventos arrecadados pelas atividades criminosas isoladas, daqueles que estavam em liberdade, o dízimo.[17] O dinheiro assim arrecadado serviria não só para financiar novas tentativas de fuga, mas igualmente para amenizar as duras condições de vida dos presos, reforçando a autoridade e respeito do Comando Vermelho no seio da população carcerária. Com a morte de vários criminosos fundadores da Falange Vermelha, uma nova comissão dirigente é formada na facção. Nesses primeiros meses de 1982, ganha força entre eles a ideia de que o tráfico de drogas é mais seguro e lucrativo.[18]

No início da década de 1990, a facção influenciaria a criação do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo.[19] Dela surge ainda uma espécie de dissidência, posteriormente reincorporada, o Comando Vermelho Jovem.[20]

Avanço na região Norte

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Nos últimos anos se notou um avanço do Comando Vermelho na região Norte do Brasil. Em junho de 2016, ocorre o assassinato de Jorge Rafaat, o conhecido Rei da Fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Após a morte de Rafaat, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) toma o controle daquela área fronteiriça. O domínio do Primeiro Comando da Capital na fronteira com o Paraguai força o Comando Vermelho a buscar rotas alternativas de tráfico. É nesse contexto que a facção carioca faz alianças com criminosos do Norte do país, sobretudo do Pará e Amazonas. O Comando Vermelho historicamente tinha uma aliança com a facção Família do Norte, que foi rompida em 2019. Com atuação no Norte do país, o Comando Vermelho visa à rota Solimões, em alusão ao rio localizado na Amazônia. Essa rota é abastecida por narcotraficantes colombianos e peruanos com grandes quantidades de cocaína e skunk. Essas drogas, por sua vez, são transportadas até o Pará, onde podem ser levadas para a Europa, ou então para a Região Sudeste do Brasil.[21]

Em dezembro de 2022, Clemilson dos Santos Farias, conhecido como o "Tio Patinhas", foi preso e condenado a 31 anos de reclusão, acusado de ser um dos líderes do Comando Vermelho na Região Norte. Tio Patinhas também teria financiado a fuga de 35 presos do Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM) em maio de 2018.[22] A esposa de Clemilson, Luciane Barbosa, foi apontada como braço financeiro do Comando Vermelho no norte. Luciane era presidente do Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), uma ONG que atua em defesa dos direitos humanos e fundamentais de presos. Para a Polícia Civil, o instituto era financiado pelo tráfico de drogas.[23] Luciane esteve por duas vezes no Ministério da Justiça, cumprindo agenda oficial. Consta que também esteve em reuniões no Ministério dos Direitos Humanos. O caso levou a um pedido de abertura de CPI feita pelo senador Eduardo Girão para apurar a infiltração do Comando Vermelho no estado brasileiro.[24]

Apoio da facção nas eleições municipais de 2024

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Em 1 de janeiro de 2025, o prefeito reeleito de Santa Quitéria, no Ceará, José Braga Barroso, o Braguinha, foi preso horas antes da posse, por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho, que apoiava o prefeito nas eleições municipais de 2024. Segundo as investigações, Anastácio Paiva Pereira, o “Doze”, natural de Santa Quitéria e foragido no Rio de Janeiro, ordenou as ações de interferência nas eleições de Santa Quitéria em 2020 e em 2024.[25]

Em 1 de julho de 2025, a Justiça Eleitoral anulou o resultado das eleições e cassou o mandato do prefeito reeleito, José Braga Barroso, o Braguinha, e do seu vice, Francisco Gardel Mesquita Ribeiro, por abuso de poder político e econômico e por receberem vantagem indevida do Comando Vermelho.[26]

Narcoterrorismo

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O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, designou o Comando Vermelho (CV) como organização terrorista estrangeira em 28 de maio de 2026.

O governo argentino, liderado por Javier Milei, declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Em 29 de outubro de 2025, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, informou que ambas foram incluídas no Registro de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo (Repet), que reúne grupos e indivíduos considerados uma ameaça à segurança nacional.[27] Devido ao uso de armas de guerra e táticas violentas que ameaçam a segurança pública, o governo estadual do Rio de Janeiro enviou um relatório ao governo dos Estados Unidos pedindo que as facções criminosas sejam classificadas como organizações narcoterroristas.[28] Seguindo o exemplo da Argentina, o governo paraguaio, liderado por Santiago Peña, também declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.[29]

Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras com o objetivo de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.[30][31]

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A organização foi retratada no livro Quatrocentos contra um: Uma história do Comando Vermelho, de William da Silva Lima, um dos responsáveis pela criação do código de conduta em que se baseou a organização do CV, nos anos 1970.[32] Com base no livro, foi produzido o filme 400 contra 1 - Uma História do Crime Organizado, dirigido por Caco Souza e estrelado por Daniel de Oliveira, Daniela Escobar e participação especial de Negra Li. A organização também foi retratada no filme Quase Dois Irmãos, que conta a história da origem da facção. Em 2004, Caco Souza lançou o documentário Senhora Liberdade, baseado na história de William da Silva Lima.[33]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 «Organização nasceu do convívio com grupos de combate ao regime militar». Folha de S.Paulo. Consultado em 1 de Setembro de 2016. Cópia arquivada em 14 de junho de 2025
  2. 1 2 «Facções criminosas do Rio tiveram origem nos presídios». Terra noticias. Consultado em 2 de Setembro de 2016. Cópia arquivada em 3 de junho de 2023
  3. «Facção aliada ao CV e rival do PCC é alvo de operação em SC». CNN Brasil. 19 de novembro de 2025. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 19 de novembro de 2025
  4. «As 53 facções criminosas do Brasil». R7. 2 de fevereiro de 2022. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 10 de maio de 2026
  5. Fonseca, Pedro; Brooks, Brad (6 de janeiro de 2017). «Brazil gang kills 31, many hacked to death, as prison violence explodes». Reuters. Consultado em 7 de janeiro de 2017. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2017
  6. «A facção 'evangélica' que emerge como terceira força do crime organizado do Brasil». BBC News Brasil. 1 de dezembro de 2025. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 22 de maio de 2026
  7. «Ação contra o CV pode fortalecer milícias e facções rivais?». DW Brasil. 3 de novembro de 2025. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2025
  8. Verenicz, Marina (29 de outubro de 2025). «Argentina classifica PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas». InfoMoney. Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 31 de maio de 2026
  9. «Paraguai assina decreto que designa PCC e CV como grupos terroristas | Blogs». CNN Brasil. 30 de outubro de 2025. Consultado em 7 de abril de 2026. Cópia arquivada em 29 de abril de 2026
  10. «Terrorist Designation of Comando Vermelho and Primeiro Comando da Capital». U.S. Department of State — Office of the Spokesperson. U.S. Department of State. 28 de maio de 2026. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 29 de maio de 2026
  11. «Comando Vermelho e PCC: veja em quais estados atuam as facções». CNN Brasil. 30 de abril de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
  12. «Polícia prende fundador da facção Comando Vermelho em imóvel na zona oeste do Rio». UOL Notícias. Consultado em 2 de Setembro de 2016. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2024
  13. «Comando Vermelho e PCC: veja em quais estados atuam as facções». CNN Brasil. 30 de abril de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
  14. «Comando Vermelho: como surgiu e como atua a organização». GZH. 29 de outubro de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 22 de novembro de 2025
  15. «PCC e CV: por que facções de outros Estados não criam raízes no Rio Grande do Sul?». BBC News Brasil. 29 de agosto de 2025. Consultado em 30 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 27 de maio de 2026
  16. Extra (10 de maio de 2009). «Rogério Lengruber e a Falange Vermelha». Extra.globo.com. Consultado em 14 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 3 de junho de 2023
  17. Amorin, Carlos (2012). Comando Vermelho: a história do crime organizado. [S.l.]: Editora Best Seller
  18. Amorim, Carlos. Comando Vermelho, a história do crime organizado. [S.l.: s.n.] Consultado em 5 de junho de 2022. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2024
  19. «Comando Vermelho deu origem à organização paulista». Folha de S.Paulo. 21 de fevereiro de 2001. Consultado em 14 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 8 de janeiro de 2026
  20. Pedro Dantas (26 de janeiro de 2001). «Comando Vermelho Jovem pode ter financiado túnel em Bangu 3». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2024
  21. Carolina Heringer (16 de abril de 2023). «Rota de tráfico de drogas por rios na Amazônia explica a aliança entre criminosos do Rio e de outros estados». O Globo. Consultado em 5 de outubro de 2023. Cópia arquivada em 25 de julho de 2025
  22. Madu Toledo (13 de novembro de 2023). «Quem é Tio Patinhas, líder do CV cuja mulher encontrou equipe de Dino». Metrópoles. Consultado em 5 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2025
  23. Tácio Lorran (13 de novembro de 2023). «Dama do Tráfico, que visitou Ministério da Justiça, recorre ao STF». Metrópoles. Consultado em 5 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2024
  24. «Girão pede CPMI do crime organizado após reuniões de 'dama do tráfico' em ministérios». Agência Senado. 13 de novembro de 2023. Consultado em 5 de outubro de 2024. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2023
  25. «A cidade cearense que vai ter novas eleições após interferência de facção e cassação de prefeito». G1. 25 de outubro de 2025. Consultado em 25 de outubro de 2025
  26. Leonardo Igor de Sousa (1 de julho de 2025). «TRE confirma cassação de prefeito e vice-prefeito de Santa Quitéria, acusados de envolvimento com facção». G1. Consultado em 25 de outubro de 2025
  27. Verenicz, Marina (29 de outubro de 2025). «Argentina classifica PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas». InfoMoney. Consultado em 29 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 29 de outubro de 2025
  28. Marques, Jéssica (8 de maio de 2025). «Rio enviará relatório a autoridades dos EUA para enquadrar quadrilhas como organizações narcoterroristas»Subscrição paga é requerida. O Globo. Consultado em 8 de maio de 2025. Cópia arquivada em 8 de maio de 2025
  29. «Paraguai assina decreto que designa PCC e CV como grupos terroristas | Blogs». CNN Brasil. 30 de outubro de 2025. Consultado em 24 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 29 de abril de 2026
  30. Manuela de Moura (28 de maio de 2026). «EUA classifica PCC e CV como organizações terroristas». Metrópoles. Consultado em 28 de maio de 2026. Cópia arquivada em 28 de maio de 2026
  31. «Terrorist Designation of Comando Vermelho and Primeiro Comando da Capital». United States Department of State (em inglês). Consultado em 2 de junho de 2026. Cópia arquivada em 25 de junho de 2026
  32. William da Silva Lima (2001). Quatrocentos contra um: Uma história do Comando Vermelho (PDF). proibidao.org. São Paulo: Labortexto Editorial. ISBN 85-87917-07-2. Consultado em 2 de janeiro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 20 de fevereiro de 2025
  33. «Senhora liberdade - Videobrasil». Associação Cultural Videobrasil. Consultado em 2 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2026

Bibliografia

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