Lehman Brothers
| Lehman Brothers Holdings Inc. | |
|---|---|
Sede do Lehman Brothers na Times Square, um ano antes do colapso da empresa | |
| Nome comercial | Lehman Brothers |
| Empresa de capital aberto | |
| Cotação | NYSE: LEH (antiga) OTC Pink: LEHMQ (antiga) |
| Atividade | Serviços de investimento |
| Fundação | 1850, Montgomery, Alabama, Estados Unidos[1] |
| Fundador(es) | Henry Lehman, Emanuel Lehman e Mayer Lehman |
| Destino | falência sob o Capítulo 11 e liquidação |
| Encerramento | 15 de setembro de 2008 |
| Sede | 745 Seventh Avenue, Nova Iorque, Estados Unidos |
| Área(s) servida(s) | Mundial |
| Pessoas-chave | Robert Lehman Pete Peterson Richard Fuld |
| Empregados | 26.200 (2008) |
| Produtos | Serviços financeiros banco de investimento Gestão de investimentos |
| Subsidiárias | Lehman Brothers Inc., Neuberger Berman Inc., Aurora Loan Services, LLC, SIB Mortgage Corporation, Lehman Brothers Bank, FSB, Eagle Energy Partners e Crossroads Group |
| Antecessora(s) | H. Lehman and Bro. |
| Sucessora(s) | Nomura Holdings Barclays |
| Website | lehman.com (arquivado) |
Lehman Brothers Holdings Inc. (pronunciado /ˈliːmən/ em inglês) foi uma empresa americana de serviços financeiros fundada em 1850.[2] Antes de pedir falência em 2008, era o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos, atrás de Goldman Sachs, Morgan Stanley e Merrill Lynch, com cerca de 25 mil empregados no mundo.[3][4] Atuava em banco de investimento, ações, venda e negociação de títulos de renda fixa e derivativos, com presença forte em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, além de pesquisa, gestão de investimentos, private equity e private banking. A empresa funcionou por 158 anos, de 1850 a 2008.[5]
Em 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers pediu proteção contra credores pelo Capítulo 11 depois da saída de grande parte de seus clientes, da forte queda do preço de suas ações e da desvalorização de ativos por agências de classificação de risco. O colapso teve como causas centrais a exposição da empresa à crise das hipotecas subprime e a ativos de pouca liquidez.[6][7][8] O pedido de falência foi o maior da história dos Estados Unidos, superando o da WorldCom,[9] e agravou a crise financeira de 2007–2008. A queda do mercado também deu novo fôlego à doutrina do "grande demais para falir".[10]
Os mercados mundiais caíram logo após o pedido de falência. No dia seguinte, o banco britânico Barclays anunciou um acordo, sujeito à aprovação regulatória, para comprar uma participação de controle nas divisões norte-americanas de banco de investimento e negociação do Lehman, junto com o edifício de sua sede em Nova Iorque.[11][12] Em 20 de setembro de 2008, o juiz de falências James M. Peck aprovou uma versão revista do acordo.[13] Na semana seguinte, a Nomura Holdings anunciou a compra das operações do Lehman na região Ásia-Pacífico, entre elas as do Japão, de Hong Kong e da Austrália,[14] além dos negócios de banco de investimento e ações na Europa e no Oriente Médio. A transação entrou em vigor em 13 de outubro de 2008.[15]
História
[editar | editar código]Sob a família Lehman (1850–1969)
[editar | editar código]- Emanuel Lehman, em gravura publicada em 1895
- Mayer Lehman, em gravura publicada em 1895
Em 1844, Hayum Lehmann, de 23 anos, filho de um comerciante judeu de gado, emigrou de Rimpar, no Reino da Baviera, para os Estados Unidos.[16] Ele passou a usar o nome "Henry Lehman" e se estabeleceu em Montgomery, no Alabama,[17] onde abriu a loja de secos e molhados "H. Lehman".[18] Com a chegada do irmão Emanuel Lehman, em 1847, a firma passou a se chamar "H. Lehman and Bro."[2] O irmão mais novo, Mayer Lehman, chegou em 1850. A firma mudou novamente de nome e nasceu o "Lehman Brothers".[18][19]
O algodão estava entre as culturas agrícolas de maior valor nos Estados Unidos em meados do século XIX e era a cultura comercial de maior receita do Alabama. Antes da Guerra Civil Americana, quase todo o algodão norte-americano era produzido por trabalho escravizado. No censo de 1860, pessoas escravizadas correspondiam a quase 45% da população do Alabama.[20] O mesmo censo registrou Mayer Lehman como proprietário de sete pessoas escravizadas, "três homens e quatro mulheres, com idades entre 5 e 50 anos".[21]
Aproveitando o alto valor de mercado do algodão, os três irmãos Lehman começaram a aceitar algodão cru de plantações mantidas por trabalho escravizado como pagamento por mercadorias, numa forma de escambo. Depois abriram um segundo negócio dedicado ao comércio de algodão. Em poucos anos, essa atividade se tornou a principal parte da firma. Henry morreu de febre amarela em 1855,[18][22] e os irmãos que restaram mantiveram o foco no comércio e na corretagem de mercadorias.
Em 1858, o centro do comércio de algodão já havia se deslocado da Região Sul para Nova Iorque, onde operavam agentes de algodão e casas de comissão. O Lehman abriu sua primeira filial no número 119 da Liberty Street,[22][23] e Emanuel, então com 32 anos, mudou-se para a cidade para dirigir o escritório.[18] Em 1862, em meio às dificuldades causadas pela Guerra Civil, a firma se uniu ao comerciante de algodão John Durr e criou a Lehman, Durr & Co.[24][25] Depois da guerra, a empresa financiou parte da reconstrução do Alabama. A sede foi transferida para Nova Iorque. Em 1870, a firma participou da fundação da New York Cotton Exchange, que organizou a negociação do algodão em bolsa.[22][26] Emanuel integrou o conselho de governadores da bolsa até 1884. A empresa também entrou no mercado nascente de títulos ferroviários e começou a prestar assessoria financeira.[27]
O Lehman já era membro da Coffee Exchange em 1883 e ingressou na Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1887.[22][26] Em 1899, coordenou sua primeira oferta pública, com ações preferenciais e ordinárias da International Steam Pump Company.[28]
A oferta da International Steam não iniciou de imediato a passagem da firma de casa de comércio de mercadorias para casa emissora. Essa mudança começou de fato em 1906.[23][29] Naquele ano, sob Philip Lehman, filho de Emanuel, a empresa se associou à Goldman Sachs[29][30][31] para levar a General Cigar Co. ao mercado,[32] seguida pouco depois pela Sears.[32] Vieram também F.W. Woolworth Company,[32][33] May Department Stores Company, Gimbel Brothers, Inc.,[34] R.H. Macy & Company,[34] Studebaker,[33] B.F. Goodrich Co.[27] e Endicott Johnson Corporation.
Philip Lehman se aposentou em 1925 e seu filho, Robert "Bobbie" Lehman, assumiu a direção da firma.[23][35][36] Sob Bobbie, a empresa atravessou a crise de capital da Grande Depressão concentrando-se em capital de risco enquanto o mercado acionário se recuperava.[37]
John M. Hancock tornou-se, em 1924, o primeiro integrante da firma que não pertencia à família Lehman.[30][38] Monroe C. Gutman e Paul Mazur vieram depois e se tornaram sócios em 1927.[39][40] Em 1928, a empresa se instalou no One William Street.[41]

Na década de 1930, o Lehman coordenou a oferta pública inicial da DuMont Laboratories, fabricante pioneira de televisores, e participou do financiamento da Radio Corporation of America (RCA).[42] Também financiou a indústria petrolífera em expansão, entre elas Halliburton e Kerr-McGee. Na década de 1950, coordenou a oferta pública inicial da Digital Equipment Corporation.[43] Mais tarde, organizou a compra da Digital pela Compaq.
Transformação da sociedade (1969–1984)
[editar | editar código]Robert Lehman morreu em 1969, depois de 44 anos em posição de comando, e nenhum integrante da família Lehman permaneceu ativo na sociedade.[23] A empresa entrou na década de 1970 em meio a condições econômicas difíceis. Em 1972, passava por problemas e, no ano seguinte, Pete Peterson, presidente e diretor executivo da Bell & Howell Corporation, foi chamado para recuperá-la.[44][45]
Com Peterson na presidência e na direção executiva, o Lehman comprou a Abraham & Co. em 1975. Dois anos depois, fundiu-se com a Kuhn, Loeb & Co.[45] e formou a Lehman Brothers, Kuhn, Loeb Inc., então o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos, atrás de Salomon Brothers, Goldman Sachs e First Boston.[46] Peterson levou a firma de grandes prejuízos operacionais a cinco anos seguidos de lucros recordes, com retorno sobre o patrimônio entre os mais altos do setor de banco de investimento.[44][47]
No início da década de 1980, a rivalidade entre banqueiros de investimento e operadores levou Peterson a promover Lewis Glucksman, presidente, diretor de operações e ex-operador da firma, a codiretor executivo em maio de 1983.[29] Glucksman fez mudanças que aumentaram a tensão interna. Seu estilo de gestão, somado a uma queda dos mercados, desembocou numa disputa de poder que afastou Peterson e deixou Glucksman como único diretor executivo.[44][48]
Banqueiros descontentes com a disputa deixaram a empresa. Stephen A. Schwarzman, presidente do comitê de fusões e aquisições, lembrou em entrevista à Private Equity International, em fevereiro de 2003, que "o Lehman Brothers tinha um ambiente interno extremamente competitivo, que acabou se tornando disfuncional". A desagregação interna enfraqueceu a empresa e Glucksman foi pressionado a vendê-la.[44][49]
Fusão com a American Express (1984–1994)
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A Shearson/American Express, corretora de valores pertencente à American Express e mais voltada à corretagem do que a banco de investimento, comprou o Lehman em 1984 por US$ 360 milhões.[50] Em 11 de maio, as empresas reunidas passaram a se chamar Shearson Lehman/American Express.[48]
Peter A. Cohen foi diretor executivo e presidente da Shearson Lehman Brothers de 1983 a 1990.[51] Durante sua gestão, comandou a compra da E.F. Hutton por US$ 1 bilhão, que deu origem à Shearson Lehman Hutton.[52] Em 1989, a Shearson apoiou a equipe de F. Ross Johnson numa tentativa de compra pela administração da RJR Nabisco, mas a oferta foi superada pela firma de private equity Kohlberg Kravis Roberts, apoiada pela Drexel Burnham Lambert.[53]
Cisão e independência (1994–2008)
[editar | editar código]Em 1993, sob o recém-nomeado diretor executivo Harvey Golub, a American Express começou a se desfazer de suas operações bancárias e de corretagem. Vendeu à Primerica as áreas de corretagem de varejo e gestão de ativos[54] e, em 1994, separou a Lehman Brothers Kuhn Loeb por meio de uma oferta pública inicial, criando a Lehman Brothers Holdings, Inc.[55] Depois da cisão, Dick Fuld tornou-se diretor executivo.[56] Sob seu comando, o Lehman integrou o grupo dos grandes bancos de investimento dos Estados Unidos e do mercado mundial.[57] Fuld conduziu a empresa durante a crise financeira asiática de 1997[58] e o colapso do fundo Long-Term Capital Management em 1998.[59][60]
Em 2001, a firma comprou o negócio de serviços a clientes privados, conhecido pela sigla PCS, da Cowen & Co.[61] Em 2003, voltou com força à gestão de ativos, área que havia abandonado em 1989.[62] Partindo de US$ 2 bilhões em ativos sob gestão, comprou a Crossroads Group, a divisão de renda fixa da Lincoln Capital Management[62] e a Neuberger Berman.[63] Essas operações, junto com o PCS e o negócio de private equity do Lehman, passaram a compor a Investment Management Division,[64] que gerou cerca de US$ 3,1 bilhões em receita líquida.[65]
Na crise das hipotecas subprime, Fuld permaneceu no cargo enquanto diretores executivos de concorrentes como Bear Stearns, Merrill Lynch e Citigroup foram levados a renunciar.[60] O conselho de administração do Lehman, que reunia antigos diretores executivos como Christopher Gent, da Vodafone, e John Akers, da IBM, mostrou pouca disposição para enfrentar Fuld enquanto o preço das ações caía.
Em maio de 2008, poucos meses antes da falência, a empresa tinha US$ 639 bilhões em ativos.[66]
Resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001
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Em 11 de setembro de 2001, o Lehman ocupava três andares, do 38.º ao 40.º, do 1 World Trade Center. Um empregado da firma morreu nos ataques terroristas daquele dia.[67][68] A sede mundial, no Three World Financial Center, sofreu danos graves com a queda de destroços e ficou inutilizável, deixando mais de 6.500 empregados sem local de trabalho.[67] As operações de negociação foram transferidas para Jersey City, em Nova Jersey.[69] Quando as bolsas reabriram em 17 de setembro de 2001, as áreas de vendas e negociação do Lehman já funcionavam novamente.[70]
Nos meses seguintes, a empresa distribuiu suas operações por mais de 40 endereços temporários em Nova Iorque.[71] A divisão de banco de investimento transformou os salões e restaurantes do primeiro andar e todos os 665 quartos do Sheraton Manhattan Hotel em escritórios.[71]
O banco também testou horários flexíveis, para compartilhar espaço de escritório, e teletrabalho por meio de redes privadas virtuais após os ataques.[72][73] Em outubro de 2001, comprou por um valor divulgado de US$ 700 milhões um edifício de escritórios de 32 andares e cerca de 97.500 m².[74][75] O prédio, no número 745 da Seventh Avenue, havia acabado de ser concluído pela concorrente Morgan Stanley e ainda não tinha sido ocupado.[74][75] O Lehman começou a mudança em janeiro de 2002 e a terminou em março.[76] A firma não voltou ao Three World Financial Center porque a integridade estrutural do edifício ainda não havia recebido liberação definitiva e a empresa não podia aguardar a conclusão dos reparos.[77][78]
Depois dos ataques, a direção deu mais atenção ao planejamento de continuidade de negócios.[79] Além da sede no Three World Financial Center, o Lehman mantinha instalações operacionais e administrativas em Jersey City, espaço que cogitava abandonar antes de 11 de setembro.[73] A empresa manteve essas instalações, ampliou-as e construiu ali uma estrutura reserva para negociação.[73]
Acordo com reguladores em junho de 2003
[editar | editar código]Em junho de 2003, o Lehman foi uma das dez firmas que fecharam ao mesmo tempo um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), o gabinete do procurador-geral do estado de Nova Iorque e outros reguladores do mercado de valores. A questão era a pressão indevida das divisões de banco de investimento sobre os analistas de pesquisa das próprias firmas.[80][81] Os reguladores alegaram que a remuneração dos analistas havia sido vinculada indevidamente à receita de banco de investimento e que as firmas prometiam cobertura favorável, capaz de mover o mercado, em troca de oportunidades para coordenar emissões.[82]
O acordo, chamado de "global settlement", estabeleceu multas que somavam US$ 1,4 bilhão, dos quais US$ 80 milhões cabiam ao Lehman. Também impôs a separação completa entre as áreas de banco de investimento e pesquisa, proibiu que analistas fossem remunerados direta ou indiretamente com receitas de banco de investimento e determinou que os clientes recebessem gratuitamente pesquisas independentes de terceiros.[80][81]
Expansão na originação de hipotecas (1997–2006)
[editar | editar código]O Lehman foi uma das primeiras firmas de Wall Street a entrar no negócio de originação de hipotecas. Em 1997, comprou a Aurora Loan Services, credora do Colorado que não era banco e trabalhava com empréstimos Alt-A. Em 2000, para ampliar a originação de hipotecas, comprou a BNC Mortgage LLC, credora de hipotecas subprime da Costa Oeste. A empresa cresceu rapidamente nesse mercado. Em 2003, originou US$ 18,2 bilhões em empréstimos e ficou em terceiro lugar no setor. O valor superou US$ 40 bilhões em 2004. Em 2006, Aurora e BNC emprestavam juntas quase US$ 50 bilhões por mês.[83]
Em 2008, o Lehman tinha US$ 680 bilhões em ativos sustentados por apenas US$ 22,5 bilhões de capital próprio. Suas posições arriscadas em imóveis comerciais valiam trinta vezes esse capital. Com uma estrutura tão alavancada, uma queda de 3% a 5% no valor dos imóveis eliminaria todo o capital da firma.[84]
Colapso
[editar | editar código]Causas
[editar | editar código]Irregularidades contábeis
[editar | editar código]Um relatório apresentado em março de 2010 pelo examinador nomeado pelo tribunal concluiu que executivos do Lehman recorriam regularmente, no fim de cada trimestre, a artifícios contábeis para fazer as finanças da empresa parecerem menos frágeis. A prática era uma modalidade de acordo de recompra que retirava temporariamente títulos do balanço patrimonial da companhia. Diferentemente dos acordos de recompra usuais, o Lehman registrava essas operações como vendas definitivas de títulos, criando "uma imagem materialmente enganosa da situação financeira da firma no fim de 2007 e em 2008".[85]
Crise das hipotecas subprime
[editar | editar código]Em agosto de 2007, a empresa fechou a BNC Mortgage, sua credora subprime, eliminou 1.200 postos de trabalho em 23 localidades e reconheceu uma despesa de US$ 25 milhões após impostos e uma redução de US$ 27 milhões no goodwill. O Lehman afirmou que as condições ruins do mercado hipotecário exigiam uma redução substancial de seus recursos e de sua capacidade no segmento subprime.[86]
Em setembro de 2007, Joe Gregory nomeou Erin Callan diretora financeira. Em 16 de março de 2008, depois que o Bear Stearns foi assumido pelo JPMorgan Chase numa venda de emergência, analistas passaram a apontar o Lehman como o próximo grande banco de investimento sob risco de cair. Callan conduziu a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, quando a firma informou lucro de US$ 48,9 milhões. No mesmo período, Citigroup e Merrill Lynch haviam divulgado prejuízos de US$ 5,1 bilhões e US$ 1,97 bilhão. Era o 55.º trimestre lucrativo consecutivo do Lehman. As ações subiram 46% após o anúncio.[76][87][88][89]
Em 2008, as perdas do Lehman cresceram com a crise das hipotecas subprime. A empresa havia mantido grandes posições em tranches de hipotecas subprime e de outras hipotecas com classificações mais baixas durante a securitização dos empréstimos que lhes davam origem. Não ficou claro se o Lehman não conseguira vender os títulos de menor classificação ou decidira mantê-los. De qualquer forma, os títulos lastreados em hipotecas de menor classificação acumularam perdas pesadas ao longo do ano. No segundo trimestre fiscal, o banco informou prejuízo de US$ 2,8 bilhões e teve de vender US$ 6 bilhões em ativos.[90] Só no primeiro semestre, as ações perderam 73% do valor enquanto o mercado de crédito se contraía.[90]
Em 9 de junho de 2008, o Lehman anunciou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no segundo trimestre, o primeiro desde a cisão da American Express. A volatilidade do mercado havia tornado ineficazes muitas de suas operações de proteção. A empresa também informou que captara mais US$ 6 bilhões. Seguiu-se uma mudança na direção. Hugh "Skip" McGee III, chefe do banco de investimento, reuniu executivos seniores para retirar de Richard Fuld e de seus aliados parte da autoridade. Joe Gregory concordou em deixar os cargos de presidente e diretor de operações e disse a Erin Callan que ela teria de deixar a função de diretora financeira. Callan ficou seis meses no posto antes de sair, depois que Gregory, seu mentor, perdeu espaço na direção.[87][88][89] Bart McDade assumiu como presidente e diretor de operações após executivos seniores ameaçarem sair se ele não fosse promovido. McDade trouxe de volta Michael Gelband e Alex Kirk, que Gregory havia afastado por resistirem a tomar mais riscos. Fuld permaneceu como diretor executivo, mas ficou cada vez mais isolado da equipe de McDade.[76][91]
Em agosto de 2008, o Lehman informou que pretendia cortar 6% de sua força de trabalho, cerca de 1.500 pessoas, pouco antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre em setembro.[90] Em 22 de agosto, as ações fecharam em alta de 5%, acumulando 16% na semana, após notícias de que o Korea Development Bank, controlado pelo governo sul-coreano, estudava comprar o banco.[92] Boa parte dos ganhos desapareceu quando surgiram informações de que o banco coreano encontrava dificuldades para satisfazer os reguladores e atrair parceiros para a transação.[93]
Em 9 de setembro, as ações do Lehman despencaram 45%, para US$ 7,79, depois da notícia de que a instituição sul-coreana suspendera as negociações.[94] A confiança dos investidores continuou a cair. As ações perderam cerca de metade do valor e o S&P 500 recuou 3,4% naquele dia. O Dow Jones perdeu cerca de 300 pontos, em meio à preocupação com a situação do banco.[95] O governo dos Estados Unidos não anunciou planos de assistência para uma possível crise no Lehman.[96]
No dia seguinte, o Lehman anunciou prejuízo de US$ 3,9 bilhões e a intenção de vender uma participação majoritária em sua área de gestão de investimentos, que abrangia a Neuberger Berman.[97][98] As ações caíram 7% naquele dia.[98][99] Depois de antes rejeitar perguntas sobre uma venda da própria empresa, o Lehman passou a procurar um comprador enquanto suas ações caíam mais 40% em 11 de setembro de 2008.[99]
Pouco antes do colapso, executivos da Neuberger Berman enviaram memorandos por correio eletrônico propondo, entre outras medidas, que a cúpula do Lehman abrisse mão de bônus de milhões de dólares para "enviar uma mensagem forte aos empregados e investidores de que a direção não estava evitando a responsabilidade pelo desempenho recente".[100] George Herbert Walker IV, diretor da Lehman Brothers Investment Management, rejeitou a proposta e chegou a pedir desculpas aos demais integrantes do comitê executivo pelo fato de ela ter sido feita. Escreveu: "Desculpem, equipe. Não sei o que colocaram na água da Neuberger Berman. Estou constrangido e peço desculpas."[100]
Alegações sobre vendas a descoberto
[editar | editar código]Em audiências da Câmara dos Representantes sobre a falência do Lehman e o socorro à AIG,[101] Richard Fuld afirmou que uma crise de confiança, ataques por vendas a descoberto sem cobertura e rumores falsos estiveram entre os fatores que levaram às quedas do Bear Stearns e do Lehman. Henry Waxman, presidente do comitê, disse que milhares de páginas de documentos internos recebidas pela Câmara retratavam uma empresa na qual "não havia responsabilização pelo fracasso".[102][103][104]
O jornalista Matt Taibbi sustentou na revista Rolling Stone que vendas a descoberto sem cobertura haviam participado das quedas do Lehman e do Bear Stearns.[105] Pesquisadores de finanças da Universidade de Oklahoma analisaram a negociação de ações de instituições financeiras, entre elas Lehman Brothers e Bear Stearns, e não encontraram evidência de que a queda dos preços das ações tivesse sido causada por esse tipo de operação.[106]
Falência
[editar | editar código]No sábado, 13 de setembro de 2008, Timothy Geithner, então presidente do Federal Reserve de Nova York, convocou uma reunião sobre o futuro do Lehman, na qual se discutiu inclusive uma liquidação de emergência de seus ativos.[107] A empresa informou que conversava com o Bank of America e o Barclays sobre uma possível venda. Os dois bancos acabaram recusando a compra integral. No caso do Barclays, o governo britânico recusou autorizar a transação no último momento. Entre os envolvidos estavam o chanceler do Tesouro Alistair Darling e Hector Sants, diretor executivo da Financial Services Authority. A decisão foi atribuída a regras britânicas de proteção aos acionistas, apesar de um acordo aparentemente já ter sido concluído.[107][108]
No domingo, 14 de setembro, a International Swaps and Derivatives Association, ISDA, abriu uma sessão excepcional de negociação para que participantes do mercado compensassem posições em derivativos caso o Lehman declarasse falência mais tarde naquele dia.[109] O pedido de falência não foi apresentado dentro do prazo previsto para a sessão, mas muitos operadores honraram as transações feitas nela.[110]

Pouco antes da 1h da madrugada de segunda-feira, no horário da costa leste dos Estados Unidos, a Lehman Brothers Holdings anunciou que pediria proteção contra falência pelo Capítulo 11. A empresa declarou US$ 613 bilhões em dívidas bancárias e US$ 155 bilhões em obrigações,[111] além de US$ 639 bilhões em ativos.[112] Também informou que suas subsidiárias seguiriam operando normalmente.[111] Um grupo de firmas de Wall Street concordou em fornecer capital e apoio financeiro para uma liquidação ordenada, enquanto o Federal Reserve aceitou trocar ativos de qualidade inferior por empréstimos e outras formas de assistência do governo.[113] Naquela manhã, empregados saíram da sede no número 745 da Seventh Avenue carregando arquivos, objetos com o logotipo da empresa e outros pertences. As cenas continuaram durante o dia e no dia seguinte.[114]
Brian Marsal, codiretor executivo da firma de reestruturação Alvarez & Marsal, foi nomeado diretor de reestruturação e, depois, diretor executivo da empresa.[115]
Mais tarde em 15 de setembro, a Australian Securities Exchange suspendeu a subsidiária australiana do Lehman como participante do mercado depois que câmaras de compensação encerraram contratos com a firma.[116] As ações do Lehman caíram mais de 90% naquele dia.[117][118] O Dow Jones fechou com queda de pouco mais de 500 pontos, que naquele momento era a maior perda em pontos num único dia desde os pregões posteriores aos ataques de 11 de setembro de 2001.[119]
No Reino Unido, o banco de investimento entrou em regime de administração, com a PricewaterhouseCoopers nomeada administradora.[120] No Japão, a Lehman Brothers Japan Inc. e sua controladora pediram recuperação civil em 16 de setembro de 2008 perante o Tribunal Distrital de Tóquio.[121] Em 17 de setembro, a Bolsa de Valores de Nova Iorque retirou as ações do Lehman de negociação.[122]
Em 16 de março de 2011, cerca de três anos após o pedido de falência, a Lehman Brothers Holdings anunciou num processo no tribunal de falências de Manhattan que buscaria a aprovação dos credores para seu plano de reorganização até 14 de outubro, seguida por uma audiência de confirmação em 17 de novembro.[123]
Liquidação
[editar | editar código]Aquisição pelo Barclays
[editar | editar código]Em 16 de setembro de 2008, o Barclays anunciou que compraria por US$ 1,75 bilhão uma parte do Lehman livre de certos passivos, que reunia a maior parte das operações da empresa na América do Norte.[11][124] Em 20 de setembro, uma versão revista do acordo recebeu aprovação. O plano, de US$ 1,35 bilhão, ou £ 700 milhões, transferia ao Barclays o núcleo dos negócios do Lehman, principalmente a sede avaliada em US$ 960 milhões, um edifício de escritórios de 38 andares no número 745 da Seventh Avenue, em Midtown Manhattan, e a responsabilidade por 9.000 antigos empregados.[125][13] Depois de uma audiência de sete horas, o juiz de falências James Peck decidiu:
"Preciso aprovar esta transação porque é a única disponível. O Lehman Brothers tornou-se uma vítima, na prática o único grande nome a cair no tsunami que atingiu os mercados de crédito. Esta é a audiência de falência mais extraordinária de que já participei. Ela nunca poderá ser tomada como precedente para casos futuros. É difícil imaginar outra emergência semelhante."[13]
Luc Despins, então sócio da Milbank, Tweed, Hadley & McCloy e advogado do comitê de credores, explicou a ausência de objeção: "Não estamos nos opondo porque não existe uma alternativa viável. Não apoiamos a transação porque não houve tempo suficiente para examiná-la adequadamente."[126] Pelo acordo revisto, o Barclays absorveria US$ 47,4 bilhões em títulos e assumiria US$ 45,5 bilhões em passivos de negociação. O advogado do Lehman, Harvey R. Miller, da Weil, Gotshal & Manges, detalhou US$ 1,29 bilhão para os imóveis, com US$ 960 milhões pela sede em Nova Iorque e US$ 330 milhões por dois centros de dados em Nova Jersey. O Lehman havia estimado a sede em US$ 1,02 bilhão, enquanto uma avaliação da CB Richard Ellis feita naquela semana chegara a US$ 900 milhões.[127] O Barclays não compraria a Eagle Energy, mas receberia as entidades Lehman Brothers Canada Inc., Lehman Brothers Sudamerica, Lehman Brothers Uruguay e o negócio de gestão de investimentos privados para clientes de alto patrimônio. O Lehman manteria US$ 20 bilhões em títulos da Lehman Brothers Inc. que não seriam transferidos.[127] O Barclays também assumiu um passivo potencial de US$ 2,5 bilhões em indenizações caso decidisse não manter empregados do Lehman além dos 90 dias garantidos.[128]
Aquisição pela Nomura
[editar | editar código]A Nomura Holdings, maior corretora do Japão, concordou em comprar a divisão asiática do Lehman por US$ 225 milhões[129] e partes da divisão europeia por um valor nominal de US$ 2.[130][131] A Nomura não assumiria ativos nem passivos de negociação das unidades europeias. O preço baixo se explicava pelo fato de a compra abranger os empregados do Lehman na região, sem suas ações, obrigações ou outros ativos. O relatório anual de 2007 do Lehman informava que suas subsidiárias fora dos Estados Unidos respondiam por mais de 50% da receita mundial.[132]
Venda dos negócios de gestão de ativos
[editar | editar código]Em 29 de setembro de 2008, o Lehman concordou em vender a Neuberger Berman, parte de sua divisão de gestão de investimentos, à Bain Capital e à Hellman & Friedman por US$ 2,15 bilhões.[133] A conclusão era esperada para o começo de 2009 e dependia da aprovação do tribunal de falências dos Estados Unidos.[134] A direção da própria firma apresentou uma proposta concorrente e venceu um leilão judicial em 3 de dezembro de 2008. Os credores da Lehman Brothers Holdings mantiveram 49% do capital ordinário da empresa, rebatizada Neuberger Berman Group LLC.[135] Na Europa, a equipe da Lehman Brothers Asset Management France recomprou a operação de gestão quantitativa em novembro de 2008 e a transformou numa empresa independente chamada TOBAM.[136]
Repercussões financeiras
[editar | editar código]A falência do Lehman foi a maior quebra de um banco de investimento desde o colapso da Drexel Burnham Lambert em 1990, em meio a acusações de fraude.[113] O mercado financeiro, que já estava sob forte tensão, entrou numa fase de volatilidade extrema. O Dow registrou sua maior queda diária em pontos, sua maior amplitude intradiária, superior a 1.000 pontos, e seu maior ganho diário em pontos. A combinação de pressões econômicas recebeu a expressão "tempestade perfeita". Poucas semanas depois da falência, o Congresso aprovou um programa de socorro de US$ 700 bilhões, o Troubled Asset Relief Program, TARP, preparado pelo Departamento do Tesouro sob Henry Paulson.[137] O Dow fechou em 7.552,29 pontos em 20 de novembro de 2008, um novo mínimo de vários anos, e terminou a sessão de 6 de março de 2009 em cerca de 6.626 pontos.[138][139]
A queda atingiu também pequenos investidores, entre eles detentores de obrigações e dos chamados minibonds. Na Alemanha, bancos venderam certificados ligados ao Lehman a clientes de varejo, muitos deles idosos. Após a falência, milhares de investidores alemães ficaram com papéis sem valor e as perdas foram estimadas em cerca de € 750 milhões. A Citibank alemã organizou com a Verbraucherzentrale um processo de compensação para clientes.[140]
Processos posteriores
[editar | editar código]Em 11 de março de 2010, Anton R. Valukas, examinador nomeado pelo tribunal, publicou o resultado de uma investigação de um ano sobre as finanças do Lehman Brothers.[141] O relatório constatou que a empresa usara um procedimento contábil chamado repo 105 para trocar temporariamente US$ 50 bilhões em ativos por dinheiro pouco antes de publicar suas demonstrações financeiras.[142] A operação poderia envolver a Ernst & Young, firma de auditoria do banco, e Richard Fuld, seu antigo diretor executivo.[143] A apuração levantou a possibilidade de responsabilização da Ernst & Young por irregularidades financeiras e de consequências penais para Fuld.[144] Em março de 2011, a SEC afirmou não estar confiante de que conseguiria provar uma violação das leis dos Estados Unidos pelas práticas contábeis do Lehman.[145]
Em outubro de 2011, os administradores da Lehman Brothers Holdings Inc. perderam um recurso contra uma ordem judicial que os obrigava a pagar £ 148 milhões ao plano de pensões deficitário da empresa.[146]
Em janeiro de 2017, o Lehman já havia distribuído mais de US$ 105 bilhões a clientes e credores em diferentes classes. O JPMorgan concordou em pagar US$ 1,42 bilhão para encerrar a maior parte das ações que o acusavam de retirar liquidez do Lehman pouco antes do colapso. O acordo permitiria outros US$ 1,496 bilhão em pagamentos a credores e um depósito separado de US$ 76 milhões.[147]
A unidade de corretagem Lehman Brothers Inc. concluiu sua liquidação em 28 de setembro de 2022, depois de distribuir mais de US$ 115 bilhões a clientes e credores ao longo de 14 anos.[148] Em dezembro de 2022, operações britânicas do Lehman ainda estavam sob administração da PricewaterhouseCoopers, que previa concluir o processo a partir de 2025.[149] Em 8 de outubro de 2025, a Lehman Brothers International Europe saiu formalmente da administração e entrou em liquidação voluntária, depois de pagar integralmente os credores e os juros legais devidos.[150]
Histórico de fusões e aquisições
[editar | editar código]A tabela reúne as principais fusões e aquisições da empresa e algumas de suas antecessoras. Não é uma lista exaustiva.[151]
| Empresa ou estrutura | Formação ou operação |
|---|---|
| Lehman Brothers Holdings | Separada da American Express em 1994. Entrou em falência em 2008. |
| Shearson Lehman Hutton | Formada em 1988 pela união de Shearson Lehman Brothers e E. F. Hutton & Co. |
| Shearson Lehman Brothers | Formada em 1984 pela união de Shearson/American Express e Lehman Brothers Kuhn Loeb. |
| Shearson/American Express | Formada em 1981 a partir da American Express, fundada em 1850, e da Shearson Loeb Rhoades, adquirida naquele ano. |
| Shearson Loeb Rhoades | Reunia a Shearson Hayden Stone, formada em 1973, e a Loeb, Rhoades, Hornblower & Co., formada em 1978. |
| Shearson Hayden Stone | Reunia Hayden Stone, Inc., antiga CBWL-Hayden Stone, formada em 1970, e Shearson, Hammill & Co., fundada em 1902. |
| Hayden Stone, Inc. | Resultou da união de Cogan, Berlind, Weill & Levitt, antes Carter, Berlind, Potoma & Weill, fundada em 1960, com Hayden, Stone & Co. |
| Loeb, Rhoades, Hornblower & Co. | Reunia Loeb, Rhoades & Co. e Hornblower, Weeks, Noyes & Trask. |
| Loeb, Rhoades & Co. | Formada em 1937 por Carl M. Loeb & Co., fundada em 1931, e Rhoades & Company, fundada em 1905. |
| Hornblower, Weeks, Noyes & Trask | Formada entre 1953 e 1977 a partir de Hornblower & Weeks, fundada em 1888, Hemphill, Noyes & Co., fundada em 1919 e adquirida em 1963, Spencer Trask & Co., fundada em 1866 como Trask & Brown, e Paul H. Davis & Co., fundada em 1920 e adquirida em 1953. |
| Lehman Brothers Kuhn Loeb | Formada em 1977 pela união de Lehman Brothers e Kuhn, Loeb & Co., fundada em 1867. |
| Lehman Brothers | Reuniu em 1975 a Abraham & Co., fundada em 1938, e a Lehman Brothers, fundada em 1850. |
| E. F. Hutton & Co. | Fundada em 1904 e incorporada à Shearson Lehman Hutton em 1988. |
| Neuberger Berman | Fundada em 1939, adquirida pelo Lehman em 2003 e vendida à própria direção em 2009. |
| Crossroads Group | Fundado em 1981 e adquirido pelo Lehman em 2003. |
Antigos dirigentes
[editar | editar código]- Richard S. Fuld Jr.
- Scott J. Freidheim
- Rodger Krouse, nascido em 1961
- Jack Langer, nascido em 1948 ou 1949, jogador de basquete e banqueiro de investimento
- Bart McDade
- Hugh "Skip" McGee III
- George Herbert Walker IV
- Frederick M. Warburg
- Joseph Rosenberg
Na cultura popular
[editar | editar código]Os acontecimentos do fim de semana que antecedeu a falência aparecem no telefilme da BBC de 2009 The Last Days of Lehman Brothers.[152]
No filme de animação Despicable Me, de 2010, o personagem Gru visita o Bank of Evil, instituição que financia os planos dos vilões e tem uma placa com os dizeres "Formerly Lehman Brothers", "anteriormente Lehman Brothers".[153]
O drama Margin Call - O Dia Antes do Fim, de 2011, acompanha 24 horas dentro de um grande banco de investimento fictício durante a crise financeira. A instituição não recebe um nome real no filme. Críticos e entrevistadores a compararam ao Lehman Brothers e ao Goldman Sachs, enquanto o diretor J. C. Chandor disse ter procurado criar um banco que reunisse traços de diferentes instituições.[154][155]
O telefilme da HBO Too Big to Fail, também de 2011, narra os dias que antecederam a falência do Lehman e suas consequências.
No filme Horrible Bosses, de 2011, Kenny Sommerfield, interpretado por P. J. Byrne, trabalhou no Lehman Brothers até a falência e ficou sem dinheiro.[156]
A queda do Lehman aparece no filme The Big Short, de 2015. Dois personagens entram nos escritórios vazios da empresa depois da falência e caminham pelo salão principal de negociação.[157]
No romance de estreia de Imbolo Mbue, Behold the Dreamers, de 2016, Jende Jonga, imigrante camaronês, trabalha como motorista de Clark Edwards, executivo do Lehman Brothers.[158]
No filme de animação Zootopia, de 2016, aparece brevemente um banco chamado Lemming Brothers, cujos empregados são lemingues.
A peça The Lehman Trilogy, do dramaturgo italiano Stefano Massini, conta em três atos a trajetória da família Lehman e da empresa.[152]
Na série de comédia Black Monday, exibida pela Showtime, uma versão ficcional do Lehman aparece como os irmãos Larry e Lenny Leighman.[159]
Principais endereços
[editar | editar código]| Primeiro ano de ocupação | Endereço | Observação |
|---|---|---|
| 1847 | 17 Court Square, Montgomery, Alabama | Henry Lehman abriu sua primeira loja na Commerce Street, em Montgomery, em 1845. Em 1848, um ano após a chegada de Emanuel, os irmãos transferiram a H. Lehman & Bro. para 17 Court Square, onde a firma permanecia quando Mayer chegou, em 1850, e surgiu a Lehman Brothers.[160] |
| 1858 | 119 Liberty Street, Nova Iorque | [160] |
| 1865–1866? | 176 Fulton Street, Nova Iorque | [26][160] |
| 1867 | 133–35 Pearl Street, Nova Iorque | [26][160] |
| 1876 | 40 Exchange Place, Nova Iorque | [26][160] |
| 1892 | 16 William Street, Nova Iorque | [160] |
| 1928 | One William Street, Nova Iorque | Designado edifício protegido pela New York City Landmarks Preservation Commission em 1996.[160] |
| 1980 | 55 Water Street, Nova Iorque | O pessoal de vendas e negociação já trabalhava no endereço desde 1977. Banqueiros de investimento e corretores da firma se juntaram a eles em 1980.[161] |
| 1985 | 3 World Financial Center, Nova Iorque | [162] |
| 2002 | 745 Seventh Avenue, Nova Iorque | [163] |
Ver também
[editar | editar código]- Crise financeira de 2007–2008, crise internacional agravada pela falência do Lehman Brothers
- Bear Stearns, banco de investimento adquirido pelo JPMorgan Chase meses antes do colapso do Lehman
- Too Big to Fail, telefilme sobre a crise financeira e as negociações que cercaram a queda do Lehman
- The Last Days of Lehman Brothers, telefilme da BBC sobre os últimos dias da empresa
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Bibliografia adicional
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- Dillian, Jared. Street Freak: Money and Madness at Lehman Brothers: A Memoir. Nova Iorque: Simon & Schuster, 13 de setembro de 2011. ISBN 978-1-4391-8126-3.
- Geisst, Charles R. The Last Partnerships. McGraw-Hill, 1997.
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- Lehman Brothers. A Centennial – Lehman Brothers 1850–1950. Spiral Press, 1950.
- Schack, Justin. "Restoring the House of Lehman". Institutional Investor, maio de 2005, pp. 24–32.
- Wechsberg, Joseph. The Merchant Bankers. Pocket Books, 1968.
- Nocera, Joe (11 de setembro de 2009). «Lehman Had to Die So Global Finance Could Live». The New York Times (em inglês)
- McDonald, Lawrence G. A Colossal Failure of Common Sense: The Inside Story of the Collapse of Lehman Brothers. Crown Business, 2009.
- Sorkin, Andrew Ross. Too Big to Fail: The Inside Story of How Wall Street and Washington Fought to Save the Financial System-and Themselves. Viking Adult, 2009.
- Kane e Stollery. "Lessons learned: an exchange of view". 2013.
- Overton, Winston. Wall Street Scandals: Greed and Trading on Wall Street the American Way. Xlibris, 2013. ISBN 978-1479772490.
- Kane e Stollery. "5 years on: what have we learned: an exchange of views". 2018.
Ligações externas
[editar | editar código]- Lehman Brothers, versões arquivadas do antigo site oficial
- Lehman Brothers Records, acervo da Baker Library Historical Collections, Harvard Business School
- Lehman Brothers, arquivo do Barclays
- Entidades do Lehman Brothers constituídas em Hong Kong, arquivo da KPMG
- Site do processo de falência do Lehman Brothers
- The Lehman Brothers Treasure Trove, apresentação da revista Life
- Hart-Davis, Damon (12 de junho de 2013). «What did the Lehman Brothers implosion look like to a techie?». The Register (em inglês)
- Onaran, Yalman; Christopher Scinta (15 de setembro de 2008). «Lehman Files Biggest Bankruptcy Case as Suitors Balk (Update4)» (em inglês). Bloomberg News. Cópia arquivada em 10 de abril de 2012
