New York (revista)
| Editor | David Haskell |
|---|---|
| Categoria | Interesse geral |
| Frequência | Quinzenal |
| Circulação | Total: 439.135[1] |
| Editora | New York Media |
| Primeira edição | 8 de abril de 1968 |
| Empresa | Vox Media (Lupa Systems)[2] |
| País | Estados Unidos |
| Baseada em | Nova Iorque |
| Idioma | inglês |
| Sítio | nymag.com |
| ISSN | 0028-7369 |
| OCLC | 1760010 |
New York é uma revista quinzenal dos Estados Unidos. Fundada por Clay Felker e Milton Glaser em 1968 como concorrente da The New Yorker e da The New York Times Magazine, adotava um tom mais ousado e mantinha uma relação mais próxima com a vida da cidade. Tornou-se um dos berços do jornalismo literário e uma das primeiras revistas de estilo de vida. A cobertura passou a abranger assuntos nacionais, com reportagens políticas, crítica de artes e cultura, gastronomia e jornalismo de serviço. Desde o redesenho e relançamento de 2004, recebeu prêmios do National Magazine Award, entre eles Magazine of the Year em 2013. Críticos da revista receberam duas vezes o Prêmio Pulitzer de Crítica, Jerry Saltz em 2018 e Andrea Long Chu em 2023. A presença digital da revista também cresceu sob o domínio nymag.com, com o lançamento de Vulture, The Cut, Intelligencer, The Strategist, Curbed e Grub Street. A Vox Media adquiriu a revista em 2019 e a vendeu à Lupa Systems, de James Murdoch, em 2026.
História
[editar | editar código]Década de 1960
[editar | editar código]New York foi criada em 1963[3] como suplemento dominical em formato de revista do jornal New York Herald Tribune. O Herald Tribune, que enfrentava dificuldades financeiras, havia sido vendido pouco antes a John Hay Whitney e buscava revitalizar seus negócios com maior atenção à qualidade editorial, incluindo o relançamento da edição de domingo e de sua revista.
Editada primeiro por Sheldon Zalaznick e depois por Clay Felker, a revista relançada, chamada New York, publicou trabalhos de colaboradores do Tribune como Tom Wolfe, Barbara Goldsmith, Gail Sheehy, Dick Schaap e Jimmy Breslin.[4] O Tribune encerrou suas atividades em 1966. New York reapareceu por pouco tempo como parte do jornal combinado World Journal Tribune, que circulou até maio de 1967. Pouco depois do fechamento do WJT, Felker e seu sócio, Milton Glaser, compraram os direitos sobre o nome da revista com apoio de banqueiros de Wall Street liderados por Armand G. Erpf, primeiro presidente da revista e apontado por Felker como o arquiteto financeiro do empreendimento,[5][6] e C. Gerald Goldsmith, então marido de Barbara Goldsmith.[7][8][9] Eles relançaram New York como uma revista semanal independente. Jack Nessel, braço direito de Felker no Herald Tribune, entrou como editor executivo. A primeira edição de New York trazia a data de 8 de abril de 1968.[10] Entre os autores vindos da encarnação anterior estavam Breslin, Wolfe, que escreveu "You and Your Big Mouth: How the Honks and Wonks Reveal the Phonetic Truth about Status" para a edição inaugural, e George Goodman, jornalista financeiro que escrevia sob o pseudônimo "Adam Smith". Glaser e seu assistente Walter Bernard cuidaram do projeto gráfico e da diagramação e contrataram artistas como Jim McMullan, Robert Grossman e David Levine para produzir capas e ilustrações.
Em menos de um ano, Felker reuniu uma equipe que deu à revista o tom de seus primeiros anos. Breslin tornou-se colaborador regular, assim como Nicholas Pileggi, Gail Sheehy e Gloria Steinem, que escrevia uma coluna sobre política. Judith Crist escrevia críticas de cinema. Harold Clurman foi contratado como crítico de teatro e, poucos meses depois, substituído por John Simon, cujas críticas eram particularmente duras.[11] Alan Rich cobria música clássica. Barbara Goldsmith escreveu uma seção chamada "The Creative Environment", na qual entrevistava pessoas como Marcel Breuer, I. M. Pei, George Balanchine e Pablo Picasso sobre seus processos de trabalho. Gael Greene, sob o título "The Insatiable Critic", fazia críticas de restaurantes e cultivava um estilo de escrita barroco carregado de metáforas sexuais.[12] A redação ficava no último andar da antiga sede do Tammany Hall na 207 East 32nd Street, prédio pertencente a Glaser.[13] A revista não dava lucro de maneira constante nesses primeiros anos. Alan Patricof, integrante do conselho, disse depois que "talvez tenha entrado no azul por um trimestre e depois saído, mas nunca foi significativamente lucrativa".[14]
Década de 1970
[editar | editar código]Wolfe, colaborador regular da revista, escreveu em 1970 uma reportagem que captava seu espírito, ainda que não necessariamente o de toda a época, "Radical Chic: That Party at Lenny's". O texto, alvo de controvérsia e críticas,[15][16] narrava uma festa beneficente para o Partido dos Panteras Negras no apartamento de Leonard Bernstein. O encontro entre alta cultura e cultura popular combinava com o espírito editorial de New York e com o interesse de Wolfe por status e classe social.
Em 1972, a edição de fim de ano de New York trouxe uma prévia de trinta páginas da primeira edição da revista Ms., editada por Gloria Steinem.[4] "The Search for Grey Gardens", reportagem de capa de Gail Sheehy sobre a conhecida casa das Beale, mãe e filha, em East Hampton, levou ao documentário Grey Gardens, dos irmãos Maysles.
Felker ampliou o foco editorial para além de Manhattan ao longo da década. A revista acompanhou de perto Richard Nixon e o Caso Watergate. Felker também lançou New West, publicação irmã baseada no modelo de New York, dedicada à vida na Califórnia e publicada em edições separadas para o norte e o sul do estado. Em 1976, o jornalista Nik Cohn escreveu "Tribal Rites of the New Saturday Night", sobre um jovem de um bairro de classe trabalhadora no Brooklyn que, uma vez por semana, frequentava uma discoteca local chamada Odyssey 2001. A reportagem chamou grande atenção e deu origem ao filme Saturday Night Fever. Vinte anos depois, em uma reportagem de acompanhamento publicada por New York,[17] Cohn admitiu ter inventado o personagem e a maior parte da história.
Em 1976, o empresário australiano de mídia Rupert Murdoch comprou a revista em uma aquisição hostil, afastando Felker e Glaser.[18] A direção editorial passou por James Brady, Joe Armstrong, que também trabalhava como editor responsável pela publicação, John Berendt e, por pouco tempo, Jane Amsterdam.
Década de 1980
[editar | editar código]Em 1980, Murdoch contratou Edward Kosner, ex-editor da Newsweek, para substituir Armstrong. Murdoch também comprou a revista Cue, fundada por Mort Glankoff em 1932 para cobrir a programação cultural e de lazer da cidade, e a incorporou a New York. A operação acrescentou um guia de lazer à revista e eliminou uma concorrente.[19][20] Sob Kosner, a publicação passou a dar mais espaço a reportagens de capa no estilo das revistas de notícias, matérias sobre tendências e textos de serviço, incluindo reportagens longas sobre compras e outros assuntos de consumo. Também acompanhava de perto a cena nova-iorquina da década de 1980, exemplificada por financistas como Donald Trump e Saul Steinberg. A revista foi lucrativa durante a maior parte da década.[20] O termo "Brat Pack" foi cunhado em uma reportagem de capa de 1985.[21]
Década de 1990
[editar | editar código]Murdoch deixou o setor de revistas em 1991 ao vender suas participações para a K-III Communications, atual Rent Group, parceria controlada pelo financista Henry Kravis. As pressões orçamentárias impostas pela K-III frustraram Kosner, que deixou a empresa em 1993 para assumir a direção da revista Esquire.[22] Após alguns meses sob o editor executivo Peter Herbst, a K-III contratou Kurt Andersen, cocriador de Spy, revista mensal de humor publicada no fim da década de 1980 e no início da seguinte.
Andersen substituiu parte da equipe e trouxe escritores novos e já estabelecidos, entre eles Jim Cramer, Walter Kirn, Michael Tomasky e Jacob Weisberg. Também contratou editores como Michael Hirschorn, Kim France, Dany Levy e Maer Roshan. A revista ganhou um ritmo mais rápido, uma perspectiva mais jovem e um tom mais irônico.[23] Em agosto de 1996, Bill Reilly demitiu Andersen e citou os resultados financeiros da publicação.[24] Andersen afirmou que foi demitido por se recusar a cancelar uma reportagem sobre a rivalidade entre os banqueiros de investimento Felix Rohatyn e Steven Rattner, texto que havia desagradado Henry Kravis, integrante do grupo proprietário da empresa.[25] Caroline Miller, que vinha da Seventeen, outra publicação da K-III, assumiu seu lugar. Em parte por causa das restrições financeiras da empresa, Miller e seus editores passaram a investir em autores mais jovens, entre eles Ariel Levy, Jennifer Senior, Robert Kolker e Vanessa Grigoriadis.[26] Miller também contratou Michael Wolff, cujos textos sobre mídia e política passaram a atrair muitos leitores.
Década de 2000
[editar | editar código]O primeiro site da revista, no endereço nymetro.com, surgiu em 2001.[27] Em 2002 e 2003, Wolff, crítico de mídia contratado por Miller em 1998, recebeu dois National Magazine Award por suas colunas. No fim de 2003, New York foi vendida novamente, desta vez a um fundo familiar controlado pelo financista Bruce Wasserstein, por US$ 55 milhões.[28] No início de 2004, Wasserstein substituiu Miller por Adam Moss, fundador do breve semanário nova-iorquino 7 Days e ex-editor da The New York Times Magazine.[29] No segundo semestre daquele ano, Moss e sua equipe relançaram a revista. Duas novas seções ganharam espaço, "The Strategist", voltada principalmente a serviços, gastronomia e compras, e "The Culture Pages", dedicada às artes da cidade. Moss também voltou a contratar Kurt Andersen como colunista. No início de 2006, a empresa relançou o site da revista, antes nymetro.com, sob o endereço nymag.com.
Nesse período, New York recebeu prêmios de design do National Magazine Award e foi escolhida Magazine of the Year pela Society of Publication Designers em 2006 e 2007. Uma capa de 2008 sobre o escândalo de prostituição envolvendo Eliot Spitzer, criada pela artista Barbara Kruger, mostrava a palavra "Brain" com uma seta apontando para a virilha de Spitzer. A capa recebeu o prêmio Cover of the Year da American Society of Magazine Editors e da Advertising Age. No ano seguinte, outra capa, "Bernie Madoff, Monster", sobre Bernard Madoff, recebeu da mesma associação o prêmio de Best News & Business Cover. New York ganhou o prêmio Cover of the Year da entidade em 2012 e 2013, por "Is She Just Too Old for This?" e "The City and the Storm". O diretor de design Chris Dixon e a diretora de fotografia Jody Quon foram escolhidos "Design Team of the Year" pela Adweek em 2008.
Quando Bruce Wasserstein morreu, em 2009, David Carr, do The New York Times, escreveu que, embora antigos proprietários exigissem matérias constantes sobre os melhores lugares para comprar um croissant ou uma boina, Wasserstein queria uma publicação que explicasse o complicado funcionamento da Nova Iorque moderna. Carr acrescentou que essa liberdade recuperara a intenção original de Clay Felker.[30] Os filhos de Wasserstein mantiveram o controle da revista, supervisionada por Anup Bagaria, antigo subordinado de Wasserstein.[31]
Em 2006, o NYMag.com passou por um relançamento de um ano. O site deixou de ser principalmente um repositório do conteúdo da revista e passou a publicar notícias e material de serviço com atualização contínua. A cobertura de John Heilemann sobre a eleição presidencial de 2008 deu origem ao livro Game Change, escrito com Mark Halperin. Em 2008, a New York Media, empresa controladora da revista, também comprou o MenuPages, site de restaurantes e cardápios, para complementar sua própria cobertura gastronômica.[32] O MenuPages foi vendido à Seamless em 2011.[33]
Com o lançamento de Grub Street, dedicado à gastronomia, e Daily Intelligencer, depois chamado apenas de Intelligencer, dedicado à política, em 2006, de Vulture, dedicado à cultura, em 2007, e de The Cut, dedicado à moda e a temas voltados ao público feminino, em 2008, New York passou a direcionar mais recursos à publicação exclusivamente digital. Os sites procuravam levar a sensibilidade cosmopolita da revista impressa a um público nacional e internacional e recuperar leitores que as revistas impressas vinham perdendo, sobretudo nas áreas de moda e entretenimento. Em 2009, o crítico de mídia Howard Kurtz, do The Washington Post, escreveu que "a melhor e mais imitada revista urbana do país frequentemente não é sobre a cidade, ao menos não no sentido dos cinco burgos superlotados e congestionados", ao observar que a publicação vinha dando mais espaço a assuntos políticos e culturais de alcance nacional e internacional.[34] Em julho de 2010, a publicidade digital respondia por um terço da receita publicitária da empresa. David Carr escreveu em agosto daquele ano que, "de certa forma, a revista New York está rapidamente se tornando uma empresa digital com uma revista anexada".[35]
Década de 2010
[editar | editar código]Em 1 de março de 2011, foi anunciado que Frank Rich deixaria o The New York Times para trabalhar em New York como ensaísta e editor colaborador.[36]
A "Encyclopedia of 9/11" de New York, publicada no décimo aniversário dos ataques de 11 de setembro, foi chamada pelo Gizmodo de "de partir o coração, presa ao passado e inteiramente atual". A edição recebeu um National Magazine Award na categoria Single-Topic Issue.[37][38]
Em outubro de 2012, os escritórios de New York no sul de Manhattan ficaram sem eletricidade durante a semana posterior ao Furacão Sandy. A equipe editorial produziu uma edição a partir de uma redação temporária montada rapidamente no escritório da Wasserstein & Company em Midtown Manhattan.[39] A capa, fotografada por Iwan Baan de um helicóptero, mostrava metade de Manhattan às escuras e rapidamente se tornou uma imagem marcante da tempestade.[40] A Time escolheu-a como capa de revista do ano.[41] A imagem foi republicada como pôster pelo Museu de Arte Moderna, e a renda foi destinada às ações de auxílio às vítimas do furacão.[42] Na primavera seguinte, New York recebeu o prêmio Magazine of the Year do National Magazine Awards pela cobertura impressa e digital.[43]
Em dezembro de 2013, com o crescimento do público de seus sites, a revista anunciou que a edição impressa passaria a ser quinzenal em março de 2014. O calendário caiu de 42 edições anuais para 26, além de três edições especiais.[44]
Em abril de 2016, a revista anunciou o lançamento de Select All, uma nova seção digital dedicada à tecnologia e à inovação.[45] Select All foi encerrado em 2019 e incorporado ao site ampliado de notícias Intelligencer.
Em meados da década, New York lançou podcasts produzidos em parceria com outros veículos, todos de curta duração. Seu primeiro podcast de propriedade exclusiva, Good One: A Podcast About Jokes, apresentado por Jesse David Fox, estreou em fevereiro de 2017. A revista também entrou na televisão. Trabalhou com a Ish Entertainment, de Michael Hirschorn, e o canal Bravo em um episódio-piloto de um programa semanal baseado na seção de última página Approval Matrix.[46] Jerry Saltz, crítico de arte de New York, participou como jurado do reality show Work of Art: The Next Great Artist, do Bravo, em 2010 e 2011.[47] Alan Sytsma, editor sênior de Grub Street, apareceu como jurado convidado em três episódios da terceira temporada de Top Chef Masters.
Abril de 2018 marcou os cinquenta anos de New York. A revista publicou uma história em formato de livro sobre a publicação e a cidade, lançada pela Simon & Schuster com o título Highbrow, Lowbrow, Brilliant, Despicable: 50 Years of New York. Também preparou uma edição comemorativa e realizou uma festa no Katz's Delicatessen. Naquele ano, The Cut lançou o podcast "The Cut on Tuesdays", produzido com a Gimlet Media e apresentado por Molly Fischer, uma das autoras do site.
Em dezembro de 2018, The Cut, site de moda e beleza de New York, publicou o texto "Is Priyanka Chopra and Nick Jonas's Love for Real?". O artigo provocou forte reação de leitores ao acusar Chopra de prender Jonas em um relacionamento fraudulento e chamá-la de "vigarista global". A publicação retirou o texto na manhã seguinte e publicou um pedido de desculpas.[48][49]
Em janeiro de 2019, Moss anunciou que deixaria a direção da revista. David Haskell, um de seus principais subordinados, assumiu como editor em 1 de abril de 2019. Naquela primavera, a revista demitiu funcionários e trabalhadores temporários.[50]
Nos primeiros meses de Haskell no cargo, a revista publicou uma reportagem de capa sobre um culto no Sarah Lawrence College. O caso terminou com a condenação de seu líder, Larry Ray, por acusações federais de extorsão, tráfico sexual e conspiração para atividade de organização criminosa.[51] A revista também publicou um trecho de um livro de E. Jean Carroll no qual ela acusava o então presidente Donald Trump de agressão sexual, acusação que teria desdobramentos judiciais nos anos seguintes.[52]
Em 24 de setembro de 2019, a Vox Media anunciou a compra da New York Media LLC, empresa controladora da revista.[53] Pam Wasserstein, diretora-executiva da New York Media, tornou-se presidente da Vox Media e passou a trabalhar de perto com o diretor-executivo Jim Bankoff.
Década de 2020
[editar | editar código]Após a fusão com a Vox Media, a empresa anunciou em maio de 2020 que incorporaria o site imobiliário Curbed a New York e devolveria maior atenção às origens do site na cidade de Nova Iorque.[54] No mesmo ano, New York ampliou suas atividades em podcasts,[55] acrescentando Pivot, On With Kara Swisher, Where Should We Begin with Esther Perel, Switched on Pop e Into It With Sam Sanders. Conteúdos da revista também passaram a ser adaptados para cinema e televisão. Entre eles estava Hustlers, longa-metragem baseado em uma reportagem de Jessica Pressler. Em 2022, três séries baseadas em material de New York estrearam, Inventing Anna e The Watcher, na Netflix, e Sex Diaries, na HBO. A revista passou ainda a publicar newsletters digitais. "Are U Coming?" acompanhava a vida noturna da cidade após as restrições da pandemia de COVID-19. "The Year I Ate New York" foi escrita por Tammie Taclamarian em 2022 e E. Alex Jung em 2023. Outras newsletters de duração limitada acompanharam Succession, And Just Like That... e processos judiciais de grande repercussão em Nova Iorque.
Entre as reportagens publicadas pela revista nessa década estão uma investigação de Nicholson Baker sobre a possibilidade de um vazamento de laboratório ter iniciado a epidemia de COVID-19, o conjunto de matérias "Ten Years Since Trayvon", sobre a ascensão do movimento Black Lives Matter, e "The Year of the Nepo Baby", sobre o avanço profissional por laços familiares em Hollywood. O último texto difundiu o termo e recebeu um National Magazine Award. A revista também publicou "There Is No Safe Word", reportagem extensa sobre acusações de agressão sexual contra Neil Gaiman. Sua editora deixou de publicar suas obras após as acusações.[56][57] Lindsay Peoples tornou-se editora de The Cut em 2021. New York também contratou a crítica literária Andrea Long Chu, que recebeu o Prêmio Pulitzer de Crítica.
Em 2026, a Lupa Systems, holding de mídia e tecnologia de James Murdoch, adquiriu a revista New York, a Vox Media Podcast Network e o Vox.com por um valor noticiado como superior a US$ 300 milhões. Outras propriedades da Vox Media, entre elas Eater, Popsugar, SB Nation, The Dodo e The Verge, ficaram fora da transação.[58]
Palavras cruzadas e concursos
[editar | editar código]A revista New York mantém há décadas concursos literários e palavras cruzadas próprias. Durante o primeiro ano da publicação, o compositor e letrista Stephen Sondheim criou uma palavra cruzada críptica extremamente difícil a cada três edições. Sondheim deixou a função para escrever seu musical seguinte, e Richard Maltby Jr. assumiu seu lugar. Durante muitos anos, a revista também publicou as palavras cruzadas crípticas do The Times de Londres.
A partir do início de 1969, em duas de cada três semanas, Mary Ann Madden editava[59] um concurso literário de humor que pedia aos leitores poemas engraçados ou outros jogos de palavras sobre um tema diferente a cada edição. Um concurso de epitáfios humorísticos, por exemplo, recebeu para Geronimo a frase "Requiescat in Apache". Madden organizou 973 edições do concurso antes de se aposentar em 2000. A cada semana chegavam centenas de inscrições e, em alguns casos, milhares. Entre os vencedores estavam David Mamet, Herb Sargent e Dan Greenburg. David Halberstam afirmou certa vez ter enviado trabalhos 137 vezes sem vencer. Madden publicou três coletâneas com trabalhos vencedores, Thank You for the Giant Sea Tortoise, Son of Giant Sea Tortoise e Maybe He's Dead: And Other Hilarious Results of New York Magazine Competitions.
A partir de 1980, a revista publicou palavras cruzadas ao estilo americano criadas por Maura B. Jacobson. Jacobson aposentou-se em abril de 2011, após produzir 1.400 passatempos para a revista. O trabalho passou a Cathy Allis Millhauser e depois a Matt Gaffney.[60] Em janeiro de 2020, Vulture começou a publicar diariamente palavras cruzadas de 10 por 10 casas criadas por Malaika Handa e Stella Zawistowski.[61] Vulture ampliou sua seção de jogos em 2024 com o lançamento de Cinematrix, um jogo de perguntas sobre cinema, seguido por Telematrix em 2025.[62][63]
Sites
[editar | editar código]Intelligencer
[editar | editar código]O blog de notícias de New York foi lançado com o nome Daily Intelligencer, ampliando a seção Intelligencer que aparecia no início da revista impressa. Criado em 2006, era escrito inicialmente sobretudo por Jessica Pressler e Chris Rovzar. A cobertura se concentrava na política local, mídia e Wall Street, mas também dedicava bastante espaço à série Gossip Girl. Nos cinco primeiros anos, o site ampliou seu alcance e passou a dar maior atenção à política nacional. O colunista Jonathan Chait entrou em 2011 e o blogueiro político Ed Kilgore em 2015.
The Cut
[editar | editar código]The Cut estreou no site de New York em 2008, sob edição de Amy Odell, no lugar do antigo blog de semana de moda Show & Talk.[64] Em 2012, tornou-se um site independente[65] e deixou de se concentrar apenas em moda para abordar assuntos ligados às mulheres em geral.[64] Stella Bugbee tornou-se editora-chefe em 2017 e comandou um relançamento em 21 de agosto.[66] O novo projeto foi pensado primeiro para dispositivos móveis e para acomodar melhor os assuntos cobertos pelo site.[67]
Em janeiro de 2018, The Cut publicou um ensaio de Moira Donegan no qual ela revelou ser a criadora da controversa lista "Shitty Media Men", uma planilha anônima de crowdsourcing que se espalhou rapidamente e reuniu, por pouco tempo, denúncias não confirmadas de má conduta sexual praticada por homens que trabalhavam no jornalismo.[68] Em agosto, o site publicou "Everywhere and Nowhere", ensaio de Lindsay Peoples sobre a resistência da indústria da moda a vozes e perspectivas negras.[69] Em 2019, The Cut publicou um trecho de What Do We Need Men For? A Modest Proposal, livro de E. Jean Carroll em grande parte dedicado à agressão sexual que ela atribuiu a Donald Trump.[70] Peoples tornou-se a editora-chefe seguinte do site em 2021. The Cut também abriga a seção de divulgação científica Science of Us, antes mantida como site independente.
Grub Street
[editar | editar código]Grub Street, dedicado a gastronomia e restaurantes, foi ampliado em 2009 para outras cinco cidades atendidas pelo MenuPages.com, então site irmão do nymag.com.[71] Em 2013, Grub Street anunciou o encerramento de seus blogs locais fora de Nova Iorque e uma mudança do GrubStreet.com para uma cobertura mais nacional.[72]
Vulture
[editar | editar código]Vulture foi lançado em 2007 como um blog de cultura pop no NYMag.com. Em 2012, passou a usar um endereço independente, Vulture.com. Em 2018, a New York Media comprou o blog de notícias de comédia Splitsider e incorporou sua operação ao site do Vulture.[73]
The Strategist
[editar | editar código]Em 2016, New York lançou The Strategist, expansão de uma coluna da edição impressa criada para orientar leitores em decisões de compra a partir da perspectiva editorial de New York. O site entrou no segmento de páginas de avaliação de produtos que oferecem resenhas sem cobrança ao leitor e recebem comissões de programas de afiliados quando uma compra é feita a partir de uma recomendação. A primeira equipe editorial contava com David Haskell e Alexis Swerdloff. Entre as seções recorrentes estão "What I Can't Live Without", sobre compras de celebridades, os guias de presentes "Strategist-Approved" e as avaliações de produtos de beleza de Rio Viera-Newton. The Strategist não publica conteúdo de marca pago pela pessoa ou empresa tratada no texto, mas recebe receita de publicidade por afiliados, incluindo o Amazon Associates Program. Em 2018, o site testou uma loja temporária de fim de ano chamada I Found It at the Strategist.[74]
Curbed
[editar | editar código]Em 2020, New York assumiu o site Curbed, da Vox Media. Criado em 2005 para cobrir o mercado imobiliário e o desenvolvimento urbano de Nova Iorque, o site havia expandido sua cobertura para urbanismo e design em cidades dos Estados Unidos. Em outubro de 2020, Curbed foi relançado como uma seção de New York, com novo projeto gráfico e maior atenção à cidade de Nova Iorque. Entre seus autores estão Justin Davidson, vencedor do Prêmio Pulitzer e crítico de arquitetura da revista, e Wendy Goodman, editora de design.
Livros
[editar | editar código]Entre os livros publicados por New York estão:
- The Underground Gourmet, de Milton Glaser e Jerome Snyder, Simon & Schuster, 1970
- Best Bets, de Ellen Stern, Quick Fox Books, 1976
- September 11, 2001: A Record of Tragedy, Heroism, and Hope, Abrams Books, 2001
- New York Cooks: The 100 Best Recipes From New York Magazine, de Gillian Duffy, Abrams Books, 2003
- New York Look Book: A Gallery of Street Fashion, Melcher Media, 2007
- New York Stories: Landmark Writing from Four Decades of New York Magazine, Random House, 2008
- My First New York: Early Adventures in the Big City (As Remembered by Actors, Artists, Athletes, Chefs, Comedians, Filmmakers, Mayors, Models, Moguls, Porn Stars, Rockers, Writers, and Others), Ecco / HarperCollins, 2010
- In Season: More Than 150 Fresh and Simple Recipes From New York Magazine Inspired by Farmers' Market Ingredients, Blue Rider Press, 2012
- Highbrow, Lowbrow, Brilliant, Despicable: 50 Years of New York, Simon & Schuster, 2017
- New York Crosswords: 50 Big Puzzles, Simon & Schuster, 2019
- The Encyclopedia of New York, Simon & Schuster / Avid Reader Press, 2020
- Take Up Space: The Unprecedented AOC, Simon & Schuster / Avid Reader Press, 2022
Cinema e televisão
[editar | editar código]Entre as adaptações para cinema e televisão de reportagens publicadas em New York estão:
- Saturday Night Fever, filme de 1977, baseado em "Tribal Rites of the New Saturday Night", de Nik Cohn, publicado em 7 de junho de 1976[75]
- Taxi, série de televisão exibida de 1978 a 1983, baseada em "Night-Shifting for the Hip Fleet", de Mark Jacobson, publicado em 22 de setembro de 1975[76]
- American Gangster, filme de 2007, baseado em "The Return of Superfly", de Mark Jacobson, publicado em 14 de agosto de 2000[77]
- Hustlers, filme de 2019, baseado em "The Hustlers at Scores", de Jessica Pressler, publicado em 28 de dezembro de 2015[78]
- Inventing Anna, minissérie de televisão de 2020, baseada em "Maybe She Had So Much Money She Just Lost Track of It", de Jessica Pressler, publicado em 28 de maio de 2018[79]
- Worst Roommate Ever, minissérie documental de 2022, baseada em "Worst Roommate Ever", de William Brennan, publicado em 19 de fevereiro de 2018[80]
- Four Seasons Total Documentary, documentário de curta-metragem da MSNBC lançado em 2021, baseado em "The Full(est) Possible Story of the Four Seasons Total Landscaping Press Conference", de Olivia Nuzzi, publicado em 28 de dezembro de 2020[81]
- The Watcher, minissérie de televisão de 2022, baseada em "The Watcher", de Reeves Wiedeman, publicado em 12 de novembro de 2018[82]
- An Update on Our Family, minissérie de televisão de 2025, baseada em "Un-Adopted", de Caitlin Moscatello, publicado em 18 de agosto de 2020[83]
- Gold & Greed: The Hunt for Fenn's Treasure, série da Netflix de 2025, baseada em "Forest Fenn's Great 21st Century Treasure Hunt", de Benjamin Wallace, publicado em 9 de novembro de 2020[84]
Ver também
[editar | editar código]- Revista, tipo de publicação periódica da qual New York faz parte
- Jornalismo literário, corrente jornalística ligada aos primeiros anos da revista
- Jornalismo de serviço, modelo usado em parte da cobertura de consumo e orientação ao leitor
- Crítica de arte, uma das áreas editoriais cobertas pela publicação
Referências
- ↑ «Consumer Magazines». Alliance for Audited Media. Consultado em 31 de março de 2025
- ↑ Noveck, Jocelyn (20 de maio de 2026). «James Murdoch, media scion, strikes deal for New York Magazine and Vox». Associated Press. Consultado em 20 de maio de 2026
- ↑ Kluger, Richard (1986). The paper: the life and death of the New York Herald Tribune. Col: A Borzoi book. New York: Knopf. ISBN 978-0-394-50877-1
- 1 2 McLellan, Dennis (2 de julho de 2008). «Innovative editor of New York magazine». Los Angeles Times. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ Gelder, Lawrence Van (3 de fevereiro de 1971). «Armand G. Erpf, Senior Partner Of Loeb, Rhoades, Is Dead at 73». The New York Times. ISSN 0362-4331. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ «Magazine credits». New York Magazine. 3 (16). 20 de abril de 1970
- ↑ Wolfe, Tom (15 de setembro de 2023). «The Birth of 'The New Journalism'; Eyewitness Report by Tom Wolfe». New York Magazine. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ «Magazines: New York Rebirth». Time. 17 de novembro de 1967. ISSN 0040-781X. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ Heckman, Lucy (janeiro de 1980). «New York». Serials Review. 6 (1): 5–9. doi:10.1016/S0098-7913(80)80062-1. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ «The Very First Issues of 19 Famous Magazines». Mental Floss. 9 de agosto de 2013. Consultado em 27 de outubro de 2023
- ↑ Panero, James (18 de dezembro de 2019). «John Simon, 1925-2019». The New Criterion. Consultado em 10 de setembro de 2024
- ↑ «Detroit-born restaurant critic and philanthropist Gael Greene dies at 88». Detroit Free Press. Consultado em 27 de outubro de 2023
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Ligações externas
[editar | editar código]- Site oficial
- 40º aniversário (versão arquivada)
- Arquivo de New York no Google Livros, edição de 9 de novembro de 1992, ISSN 0028-7369