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Parelhas

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Parelhas
Vista da Serra do Boqueirão
Vista da Serra do Boqueirão
Vista da Serra do Boqueirão
Gentílicoparelhense
Localização de Parelhas no Rio Grande do Norte
Localização de Parelhas no Rio Grande do Norte
Localização de Parelhas no Rio Grande do Norte
Parelhas está localizado em: Brasil
Parelhas
Localização de Parelhas no Brasil
Mapa
Mapa de Parelhas
Coordenadas: 6° 41′ 16″ S, 36° 39′ 28″ O
PaísBrasil
Unidade federativaRio Grande do Norte
Municípios limítrofesNorte: Carnaúba dos Dantas e Jardim do Seridó;
Sul: Equador;
Leste: Paraíba (Nova Palmeira, Pedra Lavrada e São Vicente do Seridó);
Oeste: Jardim do Seridó e Santana do Seridó.
Distância até a capital238 km
Fundação1700 (326 anos)
Emancipação8 de novembro de 1926 (99 anos)
Governo
  Prefeito(a)Tiago de Medeiros Almeida (PSDB, 2021–2028)
  Vereadores11
Área
  Total513,507 km²
Altitude371 m
População
  Total (IBGE/2024)22 179 hab.
  PosiçãoRN: 27º
Densidade43,2 hab./km²
ClimaSemiárido (BSh)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP59360-000
IDH (PNUD/2010[1])0,676 médio
  PosiçãoRN: 11.º
Gini (2020)0,45
PIB (IBGE/2021[2])R$ 368 927,22 mil
  Per capita (IBGE/2021[2])R$ 17 071,27
Sítiowww.parelhas.rn.gov.br (Prefeitura)
www.parelhas.rn.leg.br (Câmara)

Parelhas é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Está localizado na região do Seridó. De acordo com a estimativa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2024, sua população era de 22.179 habitantes, ocupando a 27ª posição entre as cidades mais populosas do estado.[3]

História

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O topônimo deste município teve origem numa competição esportiva conhecida como "parelhas", muito comum na região em meados do século XIX. Por ter suas várzeas planas e extensas a localidade conhecida como Boqueirão, às margens do Rio Seridó, tornou-se ponto de encontro tradicional de cavaleiros da época, que disputavam corridas montados em seus cavalos, sempre em duplas ou parelhas, numa espécie de jóquei rústico. O evento atraía habitantes de todas as redondezas e chegou a ser atração domingueira para as corridas, com direito a prêmio e festejos. O local passou a ser conhecido como "Boqueirão de Parelhas".

Depois da passagem por aqui do bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1688, a primeira ocupação do solo parelhense aconteceu em 1700, com o tenente Francisco Fernandes de Souza que requereu e ganhou uma sesmaria de 3 léguas quadradas, incluindo a localidade denominada Boqueirão. Depois, só em meados do Século XIX, já com um aglomerado de casas construídas às margens do Rio Seridó, é que se tem informação mais concreta do povoamento. Foi quando estabeleceu-se epidemia do cólera morbus, que praticamente matou ou pôs debandada a pequena população local. Poucas famílias sobreviveram a doença e entre estas estavam Cosme Luiz, Sebastião Gomes de Oliveira e Félix Gomes.

Registros históricos

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A partir daí os registros históricos são sequenciados, principalmente a partir de 1856, com a construção da capela de São Sebastião, em agradecimento a uma graça alcançada por Cosme Luís e Sebastião Gomes (Sebastião "Chocalho") que, segundo a história, pediram o fim da epidemia no local e foram atendidos. Neste ano de 1856 ficou oficialmente convencionado a fundação da Vila de Parelhas. Dos marcos históricos da época apenas três não são conhecidos: a Igreja Matriz de São Sebastião, o Cemitério dos Coléricos do Boqueirão e outro do povoado Juazeiro.

Já no Juazeiro o cemitério memorial do coléricos ainda está preservado, com seus muros de pedra e argamassa como também a estrutura do oratório (capela) e que foi restaurado no final de 2005. Este cemitério secular foi construído por Virgínio Vaz de Carvalho, pai do patriarca Bernardino de Sena e Silva. Logo ao terminar a obra Virgínio e seu filho Manuel Vaz contraíram o cólera, vindo a falecer, sendo ali mesmo sepultados.

Em 26 de novembro de 1920, pela Lei n° 478, o povoado de Parelhas foi elevado à categoria de vila tendo sua freguesia criada no dia 8 de novembro, de 1926. Por força da Lei n° 630, o povoado foi desmembrado do município de Jardim do Seridó tornando-se município.

Depois de ganhar a categoria de município, Parelhas teve importante participação na política do estado, com a Revolução de 1930 durante o governo do interventor Mario Câmara que, em 1933, nomeou para prefeito de Parelhas o comerciante e fazendeiro paraibano Ageu de Castro, líder da facção Liberal ou "pelabucho", que entrou em confronto armado com os militantes do Partido Popular, conhecidos no Rio Grande do Norte como "Perrepistas". Os Perrepistas eram liderados em Parelhas pelo fazendeiro Florêncio Luciano com o apoio de toda a elite de coronéis da região.

As escaramuças partidárias culminaram com o famoso "tiroteio de 13 de agosto de 1934", durante um comício realizado na cidade pelos perrepistas. Este episódio foi noticiado na imprensa de quase todo o país.

Os efeitos da expansão urbana desordenada e a falta de políticas públicas voltadas para a área de História e Cultura e ainda a influência da ditadura militar, a partir dos anos 1960, fizeram desaparecer praticamente todo o referencial histórico e cultural de Parelhas, entre monumentos e documentários, dificultando sobremaneira o resgate e aprofundamento do Memorial do município.

Geografia

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De acordo com a atual divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vigente desde 2017, Parelhas pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Caicó. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Seridó Oriental, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Potiguar.[4] Com uma área de 513,507 km² (0,9724% da superfície estadual), limita-se com Carnaúba dos Dantas e Jardim do Seridó a norte; Equador a sul; Jardim do Seridó e Santana do Seridó a oeste e a leste com o estado da Paraíba[5] (Nova Palmeira, Pedra Lavrada e São Vicente do Seridó). Está a 245 km de Natal, capital estadual,[6] e 2 247 km de Brasília, capital federal.[7]

Parelhas em municípios limítrofes (em verde, municípios da Paraíba)
Parelhas em municípios limítrofes (em verde, municípios da Paraíba)

O relevo do município, com altitudes médias entre 200 e 400 metros, é constituído pelo Planalto da Borborema, formada por terrenos antigos originários do período Pré-Cambriano, e pela Depressão Sertaneja, que abrange terrenos baixos de transição entre a Chapada do Apodi e o Planalto da Borborema. Parelhas está situado em área de abrangência de rochas que formam o embasamento cristalino, formadas durante o período Pré-Cambriano inferior, com idade entre 570 milhões e um bilhão de anos.[5]

A cidade fotografada da Serra das Queimadas durante o período seco, quando a caatinga perde suas folhas

O solo parelhense é o litólico[8] (chamado de neossolo na nova classificação brasileira de solos[9]), altamente fértil e fortemente drenado, porém pouco profundo e pedregoso,[5] sendo coberto por uma vegetação de pequeno porte, a caatinga, com espécies ralas e xerófitas. Entre as espécies mais comuns estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis), a macambira (Bromelia laciniosa), o mandacaru (Cereus jamacaru) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus). O município abriga o Parque Estadual Florêncio Luciano, unidade de conservação criada em 10 de agosto de 1988 pelo decreto estadual 10 120, na gestão do governador Geraldo Melo.[10]

Situado inteiramente na bacia hidrográfica do Rio Piranhas/Açu, Parelhas é cortado pelos rios Seridó e das Vazantes. O principal açude é o Boqueirão, com capacidade para 85,012 milhões de metros cúbicos (m³). Outros reservatórios importantes, com capacidade igual ou superior a 100 000  de água, são Caldeirão (10 195 000 ), Boa Vista dos Negros (500 000 ), Dinarte Mariz (400 000 ), Cantinho da Cobra (373 400 ), Barragem da Cachoeira (300 000 ), Cachoeira (200 000 ) e Algodão (200 000 ).[5]

O clima de Parelhas é tropical semiárido,[5] tipo BSh de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, com chuvas concentradas no trimestre de fevereiro a abril. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1921 o maior acumulado de precipitação (chuva) em 24 horas registrado em Parelhas alcançou 185 mm em 7 de fevereiro de 1945. O mês mais chuvoso da série histórica é abril de 1974, com 485,4 mm.[11] Desde o final de julho de 2020, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN na cidade, a menor temperatura registrada em Parelhas foi de 18,1 °C em 25 de julho de 2024 e a maior atingiu 39,8 °C em 7 de fevereiro de 2021.[12]

Dados climatológicos para Parelhas
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 39,1 39,8 38,1 37,1 36,8 36,1 36,5 37,6 39 39,1 39,2 39,1 39,8
Temperatura mínima recorde (°C) 21,3 22,2 21,8 21,9 20,9 20,4 18,1 18,8 19,8 21,3 22,3 20,9 18,1
Precipitação (mm) 53,6 105,5 152,8 132,9 50,5 20,6 10,7 4 2,7 3,4 6,1 18,2 561
Fonte: EMPARN (médias de precipitação: 1921-2020;[11] recordes de temperatura: 28/07/2020-presente)[12]

Parelhas realiza, ao longo do ano, a festa do padroeiro São Sebastião, entre os dias 10 e 20 de janeiro;[13] o Encontro dos Jipeiros do Seridó, normalmente no mês de abril;[5] o Forró Folia, carnaval fora de época realizado em maio ou em agosto;[14] a festa de emancipação política, no dia 8 de novembro; a Festa dos Caminhoneiros, em outubro ou novembro[5] e o FECAP (Festival de Cultura), também no mês de novembro.[5]

No turismo, Parelhas conta com o Boqueirão e as serras da Arreia, da Coruja, das Gargantas, das Queimadas, do José Elias, Maniçoba, dos Marimbondos e Tibiri. Também se destacam o Sítio Mirador (encravada na Serra das Queimadas, apresentando pinturas rupestres) e o Terminal Turístico do Boqueirão.[5]

Em Parelhas há, além dos feriados nacionais, estaduais e dos pontos facultativos, três feriados municipais, que são os dias 20 de janeiro, dia do padroeiro municipal, São Sebastião; 24 de junho, dia de São João e 8 de novembro, data de emancipação política do município.[15]

Ver também

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Referências

  1. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 6 de agosto de 2013
  2. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios 2021». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 24 janeiro 2025
  3. «Parelhas (RN) | Cidades e Estados | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 5 de janeiro de 2022
  4. IBGE (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 25 de setembro de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte - IDEMA/RN. «PARELHAS» (PDF). Consultado em 16 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 17 de fevereiro de 2015
  6. «Distância de Natal a Parelhas». Consultado em 16 de fevereiro de 2015
  7. «Distância de Brasília a Parelhas». Consultado em 16 de fevereiro de 2015
  8. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). «Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Parelhas, RN» (PDF). Consultado em 16 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 17 de fevereiro de 2015
  9. JACOMINE, Paulo Klinger Tito; EMBRAPA (2006). «A NOVA CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE SOLOS» (PDF). Consultado em 16 de fevereiro de 2015. Cópia arquivada (PDF) em 1 de julho de 2014
  10. «Decreto n° 10.120, de 10 de agosto de 1988» (PDF). Consultado em 14 de janeiro de 2022
  11. 1 2 Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN). «Relatório pluviométrico». Consultado em 14 de janeiro de 2022
  12. 1 2 EMPARN. «Relatório de variáveis meteorológicas». Consultado em 14 de janeiro de 2022
  13. «Confira a Programação da festa de São Sebastião 2015 em Parelhas». 2015. Consultado em 17 de fevereiro de 2015
  14. «Forró Folia tem início hoje em Parelhas». 8 de maio de 2009. Consultado em 17 de fevereiro de 2015
  15. Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (AMPERN). «Anexo III - Feriados Municipais» (PDF). Consultado em 5 de agosto de 2015. Arquivado do original (PDF) em 3 de março de 2011