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Pitchfork

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(Redirecionado de Pitchfork (website))
Pitchfork
Tipo de sítioRevista eletrônica de música
Proprietário(s)Condé Nast
Fundador(es)Ryan Schreiber
CadastroNão
País de origem Estados Unidos
Idioma(s)Inglês
Lançamento1996
Endereço eletrônicopitchfork.com
Estado atualAtivo

Pitchfork (anteriormente Pitchfork Media) é uma revista eletrônica de música dos Estados Unidos, fundada em 1996 por Ryan Schreiber em Minneapolis. No início, cobria rock alternativo e música independente, depois ampliou sua cobertura para gêneros como pop, hip hop e metal. A Pitchfork tornou-se uma das publicações musicais de maior peso surgidas na era da internet.

Na década de 2000, a Pitchfork se diferenciou da imprensa escrita por seu estilo editorial incomum, pelas atualizações frequentes e pela cobertura de artistas em ascensão. Foi elogiada por ser apaixonada, autêntica e singular, mas também criticada como pretensiosa, maldosa e elitista, em sintonia com estereótipos do hipster cínico. A publicação recebeu crédito pela popularização de artistas como Arcade Fire, Broken Social Scene, Bon Iver e Sufjan Stevens. As resenhas recebem notas em uma escala decimal. Uma nota máxima da Pitchfork para um álbum em seu lançamento é um acontecimento de grande repercussão no jornalismo musical, enquanto avaliações negativas chegaram a encerrar carreiras.

A Pitchfork mudou-se para Chicago em 1999 e para Brooklyn, em Nova Iorque, em 2011. A publicação ampliou suas atividades com projetos como o Pitchfork Music Festival anual, lançado em Chicago em 2006, o site de vídeos Pitchfork.tv, lançado em 2008, o livro The Pitchfork 500, de 2008, e a publicação impressa The Pitchfork Review, editada entre 2013 e 2016. Nos anos seguintes, a Pitchfork adotou um tom menos hostil e mais profissional e passou a cobrir mais música popular, além de questões de gênero, raça e identidade. Em 2014, recebia cerca de 6,2 milhões de visitantes únicos por mês.

O peso da Pitchfork diminuiu na década de 2010 com o crescimento do streaming e das mídias sociais. Em 2015, foi comprada pela empresa de mídia Condé Nast e transferida para o One World Trade Center, em Manhattan. O presidente da Pitchfork, Chris Kaskie, deixou a publicação em 2017, seguido por Schreiber em 2019. Em 2024, a Condé Nast anunciou planos de fundir a Pitchfork à revista masculina GQ, o que levou a demissões e ao encerramento do Pitchfork Music Festival. A fusão recebeu críticas e despertou preocupação com as consequências para o jornalismo musical. Em 2026, a Pitchfork adotou um modelo de assinatura.

História

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1996–2003: primeiros anos

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A Pitchfork foi criada em 1996 por Ryan Schreiber, que tinha 19 anos, havia concluído o ensino médio e morava na casa dos pais em Victoria, Minnesota.[1][2] Schreiber cresceu ouvindo bandas de indie rock como Fugazi, Jawbox e Guided by Voices.[3] A cultura dos fanzines o inspirou, e ele não tinha experiência anterior como redator.[4] Schreiber inicialmente chamou o site de Turntable, mas mudou o nome depois que outro site reivindicou os direitos sobre ele.[1] O nome Pitchfork veio da tatuagem do assassino Tony Montana no filme Scarface, de 1983. Schreiber o escolheu por ser conciso e ter "um quê de maligno".[3] A primeira resenha foi de Pacer (1995), da banda The Amps,[5] e a loja de discos Insound foi a primeira anunciante da Pitchfork.[1]

As primeiras resenhas da Pitchfork se concentravam no indie rock e muitas vezes eram duras. O Washington Post chamou-as de "brutais" e "impiedosas" e escreveu que os críticos do site muitas vezes pareciam caprichosos, desinteressados e por vezes rancorosos, distribuindo notas baixas na escala característica de dez pontos com zelo punitivo.[6] Schreiber disse que o período inicial do site era dedicado a "cair em cima de quem realmente merecia" e defendeu a honestidade na crítica de arte.[7] Ele disse que queria "ser ousado, surpreender as pessoas e pegá-las desprevenidas".[8] Em 1999, Schreiber transferiu a Pitchfork para Chicago.[9] Ele estimou que a Pitchfork já havia publicado 1.000 resenhas naquele momento.[10]

Na virada do milênio, a imprensa musical dos Estados Unidos era dominada por revistas mensais impressas como a Rolling Stone, o que abriu espaço para publicações mais ágeis e voltadas a artistas novos.[11] A Pitchfork conseguia publicar vários artigos por dia, em ritmo muito superior ao da imprensa.[12] Tecnologias novas, como o MP3 e o iPod, e o serviço de compartilhamento de arquivos Napster ampliaram o acesso à música. Blogs musicais tornaram-se uma fonte muito procurada, abrindo outra oportunidade para a Pitchfork.[12] Os colaboradores Mark Richardson e Eric Harvey disseram que isso foi parte essencial da popularidade inicial da Pitchfork, pois os fãs podiam compartilhar e ouvir música nova enquanto acompanhavam atualizações diárias.[10]

Em 2000, a resenha de 10,0/10,0 da Pitchfork para o aguardado álbum Kid A, do Radiohead, escrita por Brent DiCrescenzo, provocou um salto no número de leitores e foi um dos primeiros sinais de que a Pitchfork estava se tornando uma publicação de grande alcance.[4][1] Por ter sido uma das primeiras resenhas publicadas de Kid A, chamou atenção pelo estilo incomum.[13] A Billboard chamou o texto de "extremamente prolixo e descaradamente desligado da forma e do temperamento jornalísticos da época".[13] Embora tenha sido amplamente ridicularizada, a resenha aumentou a visibilidade da Pitchfork.[13] Schreiber disse que sabia que o texto seria alvo de zombaria, mas "queria que a Pitchfork fosse ousada e surpreendesse as pessoas".[13] Em 2001, a Pitchfork tinha 30.000 leitores diários.[3]

2004–2005: crescimento da influência e profissionalização

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Em 2004, a Pitchfork tinha oito funcionários em tempo integral e cerca de 50 colaboradores freelancers. A maioria trabalhava à distância e se coordenava por telefone e internet.[14] Os redatores não recebiam nos primeiros seis meses. Depois disso, podiam ganhar US$ 10 ou US$ 20 por resenha e US$ 40 por reportagem. Após tensões entre a equipe a respeito da renda publicitária de Schreiber, a Pitchfork passou a pagar os redatores desde os primeiros textos, com uma remuneração ligeiramente maior.[14] O primeiro funcionário em tempo integral, Chris Kaskie, que havia trabalhado no site satírico The Onion, foi contratado para cuidar das operações comerciais.[9] Mais tarde, tornou-se presidente e coproprietário.[12][15] O primeiro editor profissional da Pitchfork, Scott Plagenhoef, foi contratado pouco depois.[10][9] Kaskie e Plagenhoef transformaram a Pitchfork em uma operação profissional.[12][10]

Em 2004, a Pitchfork publicou uma resenha positiva de Funeral, álbum de estreia do Arcade Fire. O disco tornou-se um sucesso de vendas e foi o primeiro exemplo de grande repercussão da Pitchfork sobre a música independente, levando veículos como o Los Angeles Times a cobrir a publicação.[10] A colaboradora Jess Weiss disse que a resenha "mudou tudo".[10] Em 2005, a Pitchfork atraía cerca de um milhão de leitores por mês e faturava aproximadamente US$ 5 milhões por ano.[1][16] Naquele ano, Schreiber disse que não tinha interesse em vender a Pitchfork: "Ela se transformaria na antítese do motivo pelo qual comecei. É algo de que gosto demais. É o trabalho de toda a minha vida adulta".[14]

2006–2010: ampliação das operações

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Slint no Pitchfork Music Festival de 2007

Em 2006, meios musicais tradicionais, como revistas impressas, canais de videoclipes e emissoras de rádio, haviam perdido espaço ou mudado de foco, mas os ouvintes ainda procuravam uma fonte confiável de recomendações.[3] Sem as limitações da mídia impressa, a Pitchfork conseguia dar espaço a artistas independentes em ascensão que as grandes revistas, obrigadas a vender milhões de exemplares por ano, não conseguiam cobrir.[3] Schreiber achava que as revistas "nem sequer estavam tentando descobrir música nova... As publicações costumavam arriscar mais com os artistas, colocando na capa bandas que achavam que mereciam estar ali".[17] Ele disse que a Pitchfork podia correr riscos porque não tinha interesse em agradar bandas, gravadoras ou anunciantes.[17]

Em 2006, a Pitchfork tinha 170.000 leitores diários, publicava cinco resenhas de álbuns por dia e mantinha seis funcionários em tempo integral.[17][3] Schreiber disse que a publicação conseguia manter freelancers remunerados e oito funcionários, mas estava "sempre no limite".[7] Investidores demonstravam interesse, mas ele queria manter o controle e colocava a integridade jornalística em primeiro lugar.[3][7] Em agosto, vários álbuns, entre eles Ys, então próximo lançamento de Joanna Newsom, vazaram na internet depois que um servidor interno da Pitchfork foi invadido.[18]

Em meados da década de 2000, a Pitchfork ampliou suas operações.[6] Em 2005, foi responsável pela curadoria do Intonation Music Festival, no Union Park, em Chicago.[19] No ano seguinte, lançou o Pitchfork Music Festival anual.[6] A primeira edição do Pitchfork Music Festival em Paris ocorreu em 2011.[20] Kaskie disse que era empolgante ver artistas apoiados pela Pitchfork tocando para grandes públicos: "Começamos a ver essas bandas tocando diante de plateias dez vezes maiores do que a maior apresentação que já tinham feito. Esse é o objetivo, cara. Colocar a porra do Titus Andronicus diante de 10.000 pessoas".[10] Em abril de 2008, depois de adquirir o programa de música ao vivo Juan's Basement, a Pitchfork lançou o Pitchfork.tv, site com entrevistas, videoclipes e filmes de longa-metragem.[21] Em novembro, publicou o livro The Pitchfork 500, que cobria os 30 anos anteriores da música.[22]

No fim da década de 2000, a Pitchfork tinha grande peso na indústria musical e recebeu crédito pelo lançamento de artistas como Arcade Fire e Bon Iver.[6] Funcionários de gravadoras e lojas de discos a consultavam para prever o interesse por artistas.[7] A publicação também atraía grandes patrocinadores, como American Express e Apple.[1]

2010–2014: diversificação, perda de influência e publicações irmãs

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A capacidade da Pitchfork de afetar carreiras musicais diminuiu na virada da década, quando o streaming e as mídias sociais fragmentaram o público e reduziram a necessidade de intermediários que filtrassem o que chegava aos ouvintes.[23][24] Serviços de streaming passaram a cumprir a função da Pitchfork de ajudar artistas novos a encontrar público, enquanto a crítica musical independente migrou para podcasts e o YouTube.[23] A queda da receita da indústria musical reduziu os gastos com publicidade, e a Pitchfork passou a disputar anunciantes com plataformas como o Facebook.[12] O Los Angeles Times escreveu que a era da internet que dera origem à combinação de "texto atrevido, gostos excêntricos e enorme popularidade" da Pitchfork estava, em grande parte, encerrada.[23]

Na década seguinte, a Pitchfork alterou o alcance e o estilo editorial.[25] Passou a publicar notícias e reportagens ao lado das resenhas, aproximando-se de uma publicação musical mais convencional.[25] Também ampliou o foco do indie rock para a música popular, incluindo pop, rap e metal, e passou a tratar de gênero, raça e identidade na música, inspirada por movimentos como o poptimismo, o MeToo e o Black Lives Matter.[23][26] Schreiber disse que "nossos gostos se ampliaram com a idade e a experiência" e que a Pitchfork poderia fazer diferença em causas sociais.[23] As resenhas também ficaram menos críticas, e os redatores passaram a propor menos avaliações negativas, sobretudo de artistas com grandes bases de fãs.[8] Schreiber disse depois que a Pitchfork vinha passando por uma "crise de identidade".[8]

Em julho de 2010, a Pitchfork lançou Altered Zones, um agregador de blogs dedicado à música underground e à música DIY.[27] Em 2011, a Pitchfork mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque.[28] Em 21 de maio, anunciou uma parceria com o site Kill Screen, pela qual publicaria alguns dos artigos do parceiro.[29] Altered Zones encerrou as atividades em 30 de novembro.[27] Em 26 de dezembro de 2012, a Pitchfork lançou Nothing Major, site dedicado às artes visuais,[30] que fechou em outubro de 2013.[31] Em 2013, lançou o site de cinema The Dissolve. Ele fechou em 2015, citando "dificuldades financeiras".[32] Em 2017, Kaskie disse que ainda se orgulhava de The Dissolve e que o projeto fora "um enorme sucesso do ponto de vista criativo e editorial, no design e em todo o resto".[15]

Em 2013, a Pitchfork recebeu o National Magazine Award por excelência geral em mídia digital.[1] Naquele ano, o rapper Chief Keef foi preso por violar as condições de sua liberdade condicional ao usar um rifle em um vídeo promocional da Pitchfork. Integrantes da equipe mais tarde chamaram o episódio de um dos piores momentos da publicação e de exemplo de como ela lidava mal com artistas de hip hop.[10] Em dezembro, a Pitchfork lançou The Pitchfork Review, revista impressa trimestral dedicada a textos musicais extensos e conteúdo com forte atenção ao design. O plano era publicar edições limitadas de cerca de 10.000 exemplares por número, em papel brilhante e de alta qualidade.[33] Cerca de dois terços do conteúdo seriam inéditos, e o restante seria reaproveitado do site da Pitchfork.[33] O International Business Times comparou suas ambições literárias às de The New Yorker e The Paris Review.[34] The Pitchfork Review terminou depois de 11 edições, em novembro de 2016.[35]

Em 2014, a Pitchfork recebia cerca de 6,2 milhões de visitantes únicos e 40 milhões de visualizações de página por mês, com previsão de crescimento anual da receita entre 25% e 40%. Sua principal fonte de receita era a publicidade.[36] A empresa de análise de mídia Comscore calculou que a Pitchfork teve 2,47 milhões de visitantes únicos em agosto daquele ano, mais do que os sites das revistas Spin e Vibe, mas menos do que os 11 milhões da Rolling Stone.[36] A Pitchfork enfrentava problemas financeiros cada vez maiores, e Kaskie passou o ano em busca de financiamento.[10]

2015–2016: aquisição pela Condé Nast

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One World Trade Center, em Manhattan, onde ficam os escritórios da Pitchfork desde 2015

Em 13 de outubro de 2015, a empresa de mídia norte-americana Condé Nast anunciou a compra da Pitchfork.[37] Naquele momento, a Pitchfork tinha cerca de 50 funcionários. A equipe editorial e de produção de vídeo trabalhava no Brooklyn, enquanto publicidade, vendas e desenvolvimento ficavam em Chicago.[4] Bob Sauerberg, diretor executivo da Condé Nast, chamou a Pitchfork de uma "propriedade digital diferenciada, com uma voz editorial forte, um público jovem e entusiasmado, uma plataforma de vídeo em crescimento e um próspero negócio de eventos".[11] Kaskie disse que "nossas necessidades e vontades estavam convergindo" e que a Pitchfork precisava de capital e experiência para ampliar a publicação e seus festivais.[15] A venda aumentou o valor da Pitchfork para os anunciantes.[1]

A independência era uma parte essencial da imagem da Pitchfork.[4][26] Schreiber disse que ela manteria sua "independência criativa".[4] A compra provocou preocupação. O New York Observer escreveu que ela era um "sinal de morte para o indie rock".[1] Fred Santarpia, diretor digital da Condé Nast, foi criticado ao dizer que a aquisição traria para o grupo "um público masculino millennial muito apaixonado".[26] A revista The Atlantic relacionou o comentário a um relatório da Nielsen de 2014 que concluiu que homens millennials ouviam muita música e tinham mais interesse em serviços de streaming do que outros grupos demográficos.[26] Entre os participantes de uma enquete da Pitchfork de 2012 sobre a música favorita dos leitores, 88% eram homens. Dados da Quantcast de 2015 apontaram que 82% dos leitores da Pitchfork eram homens, em sua maioria entre 18 e 34 anos.[26] Em resposta ao comentário de Santarpia, Schreiber escreveu no Twitter que a Pitchfork pretendia chegar a "todos os fãs de música, em todos os lugares" e que as mulheres eram parte numerosa de sua equipe e de seu público.[26]

Depois da venda, a Pitchfork foi transferida para os escritórios da Condé Nast no One World Trade Center, em Manhattan.[1] Em 13 de março de 2016, lançou seu primeiro novo design desde 2011.[38] Com Schreiber querendo criar o melhor repositório de conteúdo musical do mundo, a Pitchfork passou a produzir vídeos e artigos retrospectivos sobre álbuns clássicos lançados antes de sua fundação.[1] Em outubro de 2016, tinha 4,1 milhões de visitantes únicos, ante 2,7 milhões em outubro do ano anterior.[1]

2017–2023: saídas de Kaskie e Schreiber

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Anna Wintour, diretora de conteúdo da Condé Nast, em 2010

Kaskie anunciou sua saída da Pitchfork em maio de 2017.[39] Ele estava frustrado com a redução de seu papel sob a Condé Nast e com a menor autonomia da Pitchfork.[40] Em 18 de setembro de 2018, Schreiber deixou o posto de principal editor. Em 15 de outubro, Puja Patel, que havia trabalhado na Spin e na Gawker Media, assumiu como editora-chefe. Schreiber permaneceu como consultor estratégico.[41] Mais tarde, ele disse ter percebido que a Condé Nast alimentava expectativas irreais e não entendia a Pitchfork.[10]

Patel sofreu pressão para cortar custos diante da queda de tráfego proveniente das mídias sociais e da concorrência das plataformas de streaming, que ofereciam aos ouvintes uma nova forma de descobrir música.[40] A equipe da Pitchfork entrou em conflito com a Condé Nast pelas tentativas da empresa de monetizar o Pitchfork Music Festival e transformá-lo em uma experiência de "luxo".[40] Santarpia deixou a Condé Nast em 2018, e a Pitchfork ficou sob a supervisão de Anna Wintour, diretora de conteúdo.[40] Dois ex-funcionários da Pitchfork disseram ao The Verge que Wintour não se importava com música nem entendia a internet.[12]

Schreiber anunciou sua saída em 8 de janeiro de 2019, dizendo que queria "continuar rompendo limites e explorando coisas novas".[23] O Los Angeles Times disse que a saída ocorreu em um período de "mudança existencial" para o setor de mídia, citando a ascensão dos serviços de streaming e das mídias sociais e o enxugamento de muitas grandes publicações musicais.[23] Naquele mês, a Condé Nast anunciou que colocaria todas as suas publicações, inclusive a Pitchfork, atrás de um acesso pago até o fim do ano.[42] Após críticas dos leitores, a empresa abandonou as experiências com acesso pago na Pitchfork.[40] Em 2020, a Condé Nast demitiu o editor executivo Matthew Schnipper e a editora de reportagens e presidente do sindicato Stacey Anderson.[9] Em 2022 e 2023, a Pitchfork teve cerca de três milhões de visitantes únicos por mês, queda de aproximadamente 36% em relação a 2021.[12]

2024: fusão com a GQ e demissões

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Em 17 de janeiro de 2024, Wintour anunciou que a Pitchfork seria fundida à revista masculina GQ.[43] Funcionários, entre eles Patel, foram demitidos. Restaram cerca de doze integrantes da equipe editorial, alguns dos quais trabalhavam para mais de uma publicação da Condé Nast.[40] Max Tani, da Semafor, escreveu que a equipe restante estava "deprimida e envergonhada" com a fusão.[40] Andy Cush, um dos redatores demitidos, disse que havia "uma verdadeira sensação de desespero" diante da possibilidade de nunca mais encontrar um lugar onde pudesse fazer o tipo de trabalho de que gostava e no qual se sentia bom.[44] Naquele mês, a Pitchfork tinha mais usuários ativos diários do que qualquer outra publicação da Condé Nast.[45]

Jornalistas reagiram com tristeza e preocupação com o futuro do jornalismo musical.[46] Tani e Chris Richards, do The Washington Post, demonstraram repulsa diante da incorporação da Pitchfork, que antes era independente e provocadora, por uma revista masculina ligada ao Establishment.[6][40] A crítica musical Ann Powers escreveu que a fusão parecia "uma medida altamente conservadora numa época em que a música se mostrou um dos espaços mais belamente progressistas de nossa cultura".[25] Outra crítica, Amanda Petrusich, disse que o episódio "parece um sinal de morte para a resenha de discos como forma".[46]

O produtor Dan le Sac, cujo álbum Angles, de 2008, recebeu nota 0,2 da Pitchfork, disse que o desmonte da publicação era "um saldo negativo para músicos de toda parte" e acrescentou que falava isso como orgulhoso dono de uma das notas possivelmente mais baixas do site. Para ele, concordando ou não com o crítico, "a música precisa de mais jornalismo, não de menos".[46] No The Guardian, Laura Snapes duvidou que o jornalismo musical especializado pudesse se manter, escrevendo que a Pitchfork havia oferecido um "exemplo de referência" e era um dos últimos empregadores estáveis de redatores musicais freelancers.[47] Schreiber disse que os comentaristas estavam "se apressando em fazer o elogio fúnebre da Pitchfork", pois uma equipe reduzida seguia cumprindo sua missão, e afirmou estar satisfeito com o trabalho publicado desde o anúncio.[10]

Em 2 de julho de 2024, a Pitchfork nomeou Mano Sundaresan, fundador do blog musical No Bells, como novo responsável pelo conteúdo editorial. Sundaresan negou que a Pitchfork estivesse "desaparecendo" e disse que pretendia adaptá-la à mídia moderna e atender públicos mais especializados.[48] Em outubro, cinco ex-redatores da Pitchfork lançaram o site musical Hearing Things, com o objetivo de "capturar o espírito independente original" da Pitchfork.[44] Em novembro, a Pitchfork anunciou o cancelamento do Pitchfork Music Festival, mas disse que continuaria a produzir eventos e a "criar espaços onde música, cultura e comunidade se cruzem".[49]

Em 20 de janeiro de 2026, a Pitchfork anunciou a adoção de um modelo de assinatura. Por US$ 5 por mês, os leitores podem acrescentar comentários e notas às resenhas e acessar avaliações arquivadas. Sundaresan escreveu que "a música e a crítica musical são inerentemente sociais" e esperava que a mudança "aprofundasse a ligação de nossos leitores com a música e entre si".[50] Em julho, a Pitchfork processou o cofundador do Pitchfork Music Festival, alegando que ele havia desviado US$ 564.000 dos recursos do festival.[19]

Na década de 2000, as resenhas incomuns, apaixonadas e estilizadas da Pitchfork a diferenciavam do tom mais erudito e formal de revistas impressas como a Rolling Stone.[1][3] O crítico Steven Hyden disse que a publicação oferecia uma alternativa às revistas musicais do fim do século XX, que publicavam conteúdo sobre Star Wars, nu metal e pop punk.[13] Ele caracterizou a voz da Pitchfork como a de alguém de fora zombando do mainstream.[13] No The Verge, Elizabeth Lopatto escreveu que as primeiras resenhas eram atrevidas, pouco profissionais e muitas vezes bizarras, mas que isso diferenciava a Pitchfork da mídia tradicional e tornava a leitura divertida.[12] Colaboradores da Pitchfork disseram que ela dividiu os fãs de música desde o início.[10]

No Washington Post, J. Freedom du Lac chamou a Pitchfork de divertida, "hilariantemente sarcástica" e "às vezes até esclarecedora".[7] August Brown, do Los Angeles Times, chamou-a de "barulhenta, apaixonada, às vezes limitada, mas sempre em transformação".[23] Na Slate, Matthew Shaer escreveu que as melhores resenhas da Pitchfork eram "astutas, ferozes, espirituosas e elegantes".[51] O jornalista Dave Itzkoff chamou as resenhas da Pitchfork de "desafiadoramente apaixonadas e frustrantemente caprichosas", com uma "aura de integridade e autenticidade" que tornava seus veredictos críveis, por vezes até definitivos, para os fãs e os inseria na tradição da crítica de rock, ao lado de autores imperiosos e opinativos.[3] Schreiber disse que as resenhas de Brent DiCrescenzo, um dos primeiros redatores da Pitchfork, eram carregadas de diálogos e referências à cultura pop e "exploravam cenários extravagantes".[13]

O estilo da Pitchfork mudou na década de 2010, quando a publicação ampliou seu alcance e seu público e se aproximou do poptimismo.[1][47] O colaborador Craig Jenkins disse que a Pitchfork precisava abandonar sua perspectiva "fechada entre muros" e que antes era "hostil às coisas que uma pessoa comum apreciaria".[10] Plagenhoef achava que as inflamadas "resenhas de efeito" eram limitadoras e queria que a Pitchfork fosse vista como confiável e ponderada.[45] Snapes disse que algumas pessoas lamentaram a mudança, por acharem que ela deixara a Pitchfork "uma proposta menos específica". Para Snapes, porém, a mudança acompanhava a maneira como a música passara a ser consumida, e era alentador que a publicação resenhasse gêneros e artistas diferentes.[47] Sob Puja Patel, que se tornou editora em 2018, a Pitchfork passou a cobrir mais artistas mulheres, não binários, queer e não brancos.[52]

A Pitchfork também adotou um estilo mais profissional. A editora Amy Phillips exemplificou a mudança comparando sua cobertura de dois anúncios de álbuns do Radiohead feitos com anos de intervalo. O primeiro texto era efusivo, enquanto o segundo era mais profissional e factual.[10] Em 2014, o colaborador Nate Patrin disse que a Pitchfork havia se tornado "o que publicações como o The Village Voice costumavam ser, no sentido de deixar os redatores irem fundo sem se sentirem pressionados a falar com o leitor de cima para baixo", com artigos extensos e documentários.[36] Em 2017, a Bloomberg disse que suas resenhas tinham se tornado "tão eruditas quanto as das revistas musicais que a Pitchfork quase havia superado em peso".[1]

Em 2024, a crítica Ann Powers escreveu que a Pitchfork havia "cultivado muitos dos melhores e mais influentes redatores em atividade".[25] Para ela, "um ótimo texto sobre música atrapalha a produtividade ao abrir espaço para desacelerar e realmente mergulhar no trabalho criativo de outra pessoa". Os melhores textos da Pitchfork, ou de qualquer lugar, seguiriam esse processo e assumiriam tantas formas quanto a própria experiência humana.[25] Em 2015, o Guardian atribuiu à Pitchfork o pioneirismo em técnicas de design que combinavam linguagem gráfica da imprensa e inovação técnica para dar a impressão de uma "publicação vibrante e voltada para o futuro".[11]

Sistema de avaliações

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Em 2021, a Pitchfork já havia publicado mais de 28.000 resenhas.[5] As avaliações não expressam um consenso editorial, mas a opinião do crítico responsável.[51] Redatores que não queriam usar o próprio nome ou deixavam de incluir assinatura em seus textos recebiam o crédito de Ray Suzuki, de modo semelhante ao pseudônimo cinematográfico Alan Smithee.[45]

Ao contrário de outras publicações musicais, que normalmente dão notas de cinco ou dez, a Pitchfork usa uma escala decimal de 0,0 a 10,0.[11] O sistema foi ridicularizado por parecer arbitrário e excessivamente preciso.[11] DiCrescenzo o chamou de "deliberadamente bobo",[53] e, em 2021, a própria Pitchfork disse que era um elemento característico "reconhecidamente absurdo e subjetivo".[5] Schreiber disse que gostava do absurdo da escala e da maneira como ela "parecia meio científica, sem ter ciência nenhuma por trás".[54] As primeiras resenhas usavam porcentagens, não casas decimais.[54]

Na The Ringer, Rob Harvilla escreveu que uma nota máxima da Pitchfork "carrega todo o peso histórico de cinco estrelas na Rolling Stone ou cinco microfones na The Source", com uma abordagem às casas decimais que seria ao mesmo tempo enlouquecedora e teoricamente precisa, a ponto de separar por "um oceano de sentimento" uma nota 8,1 de uma 8,9.[54] A Pitchfork deu nota máxima a mais de 50 álbuns, a maioria na seção "Sunday Reviews", que publica resenhas retrospectivas de discos clássicos.[54] Entre os artistas cujos álbuns receberam nota máxima no lançamento estão Radiohead, Fiona Apple, Kanye West, Bonnie "Prince" Billy, And You Will Know Us by the Trail of Dead e Wilco.[54] Harvilla escreveu que uma nota máxima dada a um álbum no lançamento "se qualifica como um evento sísmico para todo o universo da crítica de rock".[54]

Algumas resenhas fizeram experiências com o sistema de notas. O álbum Relaxation of the Asshole, de Robert Pollard, lançado em 2005, recebeu ao mesmo tempo 10 e 0. A resenha de In Rainbows, álbum do Radiohead de 2007 que permitia aos fãs pagar quanto quisessem pelo download, deixava os leitores inserirem a própria nota.[45] Depois que a Pitchfork mudou seu sistema de gestão de conteúdo para exigir um número, esses álbuns receberam notas fixas.[45]

Críticas

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Na década de 2000, as resenhas da Pitchfork foram criticadas como pretensiosas, prolixas e imprecisas.[7][51] Itzkoff escreveu que a publicação exagerava no estilo e às vezes era difícil de entender, com excesso de adjetivos e advérbios e palavras usadas de forma incorreta.[3] Shaer apontou exemplos de "texto prolixo e ilegível, denso sem ser esclarecedor, pessoal sem ser interessante".[51] No City Pages, Lindsey Thomas escreveu que a prosa era rebuscada, às vezes impenetrável e continha erros factuais.[2] Rob Harvilla, do East Bay Express, e Claire Suddath, da Time, fizeram críticas semelhantes.[7][22] Ao responder às críticas em 2006, Schreiber disse que confiava no estilo e nas opiniões de seus redatores.[2]

Nos primeiros anos, a Pitchfork foi criticada por ser maldosa e elitista e por publicar resenhas que pouco discutiam a música em si, reforçando estereótipos do hipster cínico.[7] Em 2018, o jornalista musical Robert Christgau chamou os primeiros anos da Pitchfork de "um clube esnobe de garotos aberto a muitos 'críticos'... Havia sabichões amadores e estetas autoproclamados demais fazendo pose de autoridade".[55]

Muitas das primeiras resenhas mais arrasadoras eram de Brent DiCrescenzo, que escrevia textos longos e raramente tratava da música. Sua resenha negativa de Lateralus, álbum do Tool de 2001, por exemplo, trazia uma longa lista de equipamentos usados pelo baterista Danny Carey.[56] Algumas resenhas da Pitchfork consistiam apenas em uma imagem ou um vídeo, insinuando que o disco não merecia análise crítica.[56] Shaer escreveu em 2006 que a Pitchfork costumava exaltar artistas que havia "descoberto" e atacar nomes consagrados e bandas populares em blogs de música.[51] Algumas pessoas acreditavam que a publicação esperava deliberadamente a empolgação em torno de um artista crescer para depois derrubá-lo com uma resenha negativa.[51]

Itzkoff argumentou que o estilo obscuro e confrontador fazia parte do modelo de negócios da Pitchfork e tornava suas resenhas memoráveis.[3] Ele sugeriu que a falta de formação ou experiência dos redatores, somada ao fato de trabalharem por pouca ou nenhuma remuneração, criava uma sensação de autenticidade e enfraquecia a autoridade da mídia tradicional.[3] Schreiber admitiu que a Pitchfork tinha fama de esnobe, mas disse que seus redatores eram "apenas fãs de música honestos e cheios de opinião".[7]

Raça e gênero

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Na década de 2000, a Pitchfork foi criticada por se concentrar em música feita por homens brancos,[23] algo que correspondia à composição de sua equipe.[32] Algumas pessoas acusaram a publicação de rockismo, uma preferência tendenciosa pelo rock.[8] Em 2007, a rapper M.I.A. criticou a Pitchfork por presumir que seu álbum Kala havia sido produzido inteiramente pelo produtor Diplo. Outro redator da Pitchfork chamou o erro de uma forma de "perpetuar o mito da ingênua conduzida por um homem".[57] M.I.A. e a cantora Björk disseram que isso fazia parte de um problema maior, no qual jornalistas presumiam que artistas mulheres não escreviam nem produziam a própria música.[58][59] Em 2024, o colaborador Andrew Nosnitsky argumentou que o hip hop, e não o indie rock, era a "música definidora" de sua geração, mas que a Pitchfork era vista como a publicação musical definidora por razões "puramente mecânicas e diretamente ligadas à supremacia branca".[10]

Paródias

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A Pitchfork foi alvo de muitas paródias.[51] Em 2005, convidou o comediante David Cross a escrever uma lista de seus álbuns favoritos. Surpreso com o convite, já que a Pitchfork havia publicado resenhas ofensivas de seus discos de comédia, Cross escreveu no lugar uma matéria "mordaz e absurda" chamada "Albums to listen to while reading overwrought Pitchfork reviews".[56][60] Em 2007, o site satírico The Onion publicou uma matéria em que a Pitchfork avaliava a música como um todo e lhe dava nota 6,8.[11] O blog musical Idolator manteve uma seção em que pedia aos leitores que adivinhassem quais frases vinham de resenhas da Pitchfork e quais eram inventadas.[22] Em 2010, o escritor David Shapiro criou no Tumblr o blog "Pitchfork Reviews Reviews", que resenhava as resenhas da Pitchfork e avaliava seus argumentos. O blog atraiu mais de 100.000 seguidores e foi tema de um perfil no The New York Times.[61]

Influência

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Resenhas da Pitchfork deram impulso à carreira de bandas de indie rock como o Arcade Fire, fotografado em 2005.

Spencer Kornhaber, da revista The Atlantic, chamou a Pitchfork de publicação musical de maior peso surgida na era da internet.[26] Itzkoff, ex-editor da Spin, disse que a equipe da revista consultava a Pitchfork com frequência: "Se ela estava dando muita atenção a uma banda nova, nós pelo menos tínhamos de nos perguntar por que não estávamos fazendo o mesmo. A essa altura, nosso valor como filtro confiável e consistente já havia diminuído".[3] A revista eletrônica Consequence tomou a Pitchfork como modelo no início, sobretudo na criação de uma voz editorial, no desenvolvimento de uma estratégia de conteúdo consistente e na maneira de apresentar o amor pela música de forma atraente, disse seu fundador, Alex Young.[62]

O crítico Carl Wilson disse que a Pitchfork alimentou uma "corrida frenética pela descoberta de bandas" no jornalismo musical norte-americano, com publicações competindo para encontrar artistas novos.[10] Na década de 2000, dizia-se que a Pitchfork podia "fazer ou destruir" carreiras musicais, fenômeno chamado de "efeito Pitchfork".[7][3] Em 2006, o Washington Post chamou Schreiber de "criador de reis do indie rock" e escreveu que "um aval da Pitchfork... é realmente muito valioso".[7] Megan Jasper, diretora executiva da gravadora Sub Pop, disse que resenhas favoráveis da Pitchfork aumentavam as vendas e que se tornou normal bandas de indie rock venderem 100.000 discos, superando as expectativas.[10] Álbuns mal avaliados não produziam efeito semelhante.[10]

Depois que a Pitchfork deu nota 9,7 a Funeral (2004), álbum de estreia do Arcade Fire, o disco tornou-se o lançamento de venda mais rápida da Merge Records.[7] Outros artistas cujas carreiras receberam impulso da Pitchfork na década de 2000 foram Dismemberment Plan, Clap Your Hands Say Yeah, Modest Mouse, Broken Social Scene, Bon Iver e Sufjan Stevens.[3][23][7] Schreiber disse que a equipe queria formar um grupo de artistas que o público tivesse descoberto por meio da Pitchfork e associasse a ela.[10] Plagenhoef minimizou o efeito da publicação sobre carreiras musicais, dizendo que ela apenas "acelerava o processo".[3]

Depois que a Pitchfork deu nota 0,0 a Travistan (2004), primeiro álbum solo do cantor do Dismemberment Plan, Travis Morrison, sua carreira solo praticamente acabou.[24] Anos depois, Morrison chamou a experiência de "assustadora e horrível".[24] Schreiber disse que sentia pena dele, mas que era essencial que os redatores da Pitchfork fossem honestos.[3] Outros álbuns que receberam 0,0 foram Zaireeka (1995), do The Flaming Lips, NYC Ghosts & Flowers (2000), do Sonic Youth, Liz Phair (2003), de Liz Phair, e Shine On (2006), do Jet.[7][11] A resenha de Jet consistia inteiramente em um vídeo de um chimpanzé urinando na própria boca e foi amplamente compartilhada.[45] Os autores das resenhas de Phair e Sonic Youth mais tarde mudaram de opinião e pediram desculpas aos artistas.[24][63]

Na Slate, Amos Barshad citou a banda Black Kids como o exemplo mais infame da Pitchfork em sua forma "mais nociva".[24] O Black Kids recebeu impulso depois de uma resenha positiva da Pitchfork para seu EP de estreia, Wizard of Ahhhs (2007). A carreira do grupo, porém, entrou em colapso quando a Pitchfork deu nota 3,3 ao álbum de estreia, Partie Traumatic (2008), numa resenha composta apenas por uma fotografia de dois cães de expressão triste e um emoticon também triste.[24] Plagenhoef disse que a Pitchfork passou a ter mais cautela ao publicar resenhas negativas, pois seus redatores já não eram "carinhas na internet atirando pedras em grandes artistas".[3] Em agosto de 2026, a Pitchfork deu nota 0,0 a Starface, de Tyga, criticando o uso de inteligência artificial.[64][65] Foi a primeira nota 0,0 desde a resenha da coletânea indie This Is Next em 2007.[64]

A capacidade da Pitchfork de afetar carreiras musicais diminuiu com a expansão do streaming e das mídias sociais na década de 2010.[23][24] Em 2017, um editor sênior de música independente da plataforma Spotify disse que a Pitchfork já não tinha o mesmo efeito sobre as carreiras.[1] Tani escreveu, porém, que mesmo com o envelhecimento dos fãs da Geração X e dos primeiros millennials, e com a migração da formação de gosto para plataformas e influenciadores, a Pitchfork continuava sendo a principal publicação de crítica musical, com suas listas de fim de ano tratadas como sinônimo de aprovação da crítica.[40]

Ver também

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Referências

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Ligações externas

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