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Benedito, o Mouro

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Benedito
Vitral em honra a São Benedito no interior da Capela do Divino Espírito Santo, Porto Alegre
Religioso
Nascimento31 de março de 1526
Sicília, Itália
Morte4 de abril de 1589 (63 anos)
Palermo, Itália
ProgenitoresMãe: Diana Larcan Manasceri
Pai: Cristóvão Manasceri
Veneração porIgreja Católica
Beatificação15 de maio de 1743
por Papa Bento XIV
Canonização24 de maio de 1807
por Papa Pio VII
Principal temploConvento de Santa Maria di Gesù al Capo, Palermo, Itália
Festa litúrgica4 de abril
5 de outubro (no Brasil)
Padroeirodos negros, dos cozinheiros, dos africanos, das donas de casa e dos profissionais de nutrição
Portal dos Santos

São Benedito, o Negro (ordem OFM Cap), conhecido também como São Benedito, o Mouro (cor escura da pele); Benedito, o Africano; Benedito de Palermo (São Fratello, Sicília, 31 de março de 1526 - Palermo, 4 de abril de 1589), é um santo católico, que possui duas versões históricas: na primeira delas, teria sido um italiano descendente de africanos escravizados na Etiópia;[1] em outra, teria sido um mouro islâmico escravizado ao norte da África, acontecimento comum no sul da Itália na época.

O Missal Romano, ou Missal Cotidiano, estabelece como memória facultativa de São Benedito, o Negro, no dia 5 de outubro, afirmando:

"Filho de escravos vindos da Etiópia para San Fratello, na Sicília, vendeu seus bens e fez-se eremita franciscano nas vizinhanças de Palermo. Mais tarde, obedecendo a uma determinação do Papa Pio VI, obrigando todos os seguidores da Regra de São Francisco a viverem em conventos de sua Ordem, abandonou o eremitério.[2]

Em Portugal, é venerado desde o sé­culo XVI[1] como parte das Devoções Negras.

História

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Benedito Manasceri nasceu no Vilarejo de São Fratello na Ilha da Sicília [3] em 1526 e filho de dois escravos vindos da Etiópia, Diana Larcan Manasceri e Cristóvão Manasceri. Seu pai e sua mãe receberam o sobrenome de seus patrões ao serem comprados e após se casarem em uma cerimônia de casamento cristão católico e quando Benedito fora batizado também herdou o sobrenome Manasceri dos patrões de seus pais e também seus padrinhos de batismo e tempo depois toda sua família foi alforriada.[4][3]

Aos 18 anos de idade, decidiu viver entre os monges eremitas convidado por Jerônimo Lanza, um eremita da ordem dos franciscanos e aos 21 anos consagrou sua vida ao serviço religioso.[3][4] Benedito aceitou, fazendo votos de pobreza, obediência e castidade. Assim caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas. Sendo muito procurado pelo povo, que desejava ouvir conselhos e pedir-lhe orações.

Em 1564, o Papa Pio IV dissolveu comunidades independentes de eremitas, ordenando que se unissem a uma Ordem religiosa estabelecida, neste caso, a Ordem dos Frades Menores. Outrora frade da Ordem, Bento foi designado para Palermo, para o Convento Franciscano de Santa Maria de Jesus. Começou no convento como cozinheiro, mas, demonstrando seu grau de avanço na vida espiritual, dada sua piedade, sabedoria e santidade, seus irmãos de comunidade o elegeram mestre de noviços e, mais tarde, guardião da comunidade em 1578, embora fosse um irmão leigo e não um padre, e fosse analfabeto.[5][6]

Benedito aceitou a promoção e ajudou com sucesso a ordem a adotar uma versão mais rigorosa da Regra de Vida Franciscana. Ele era amplamente respeitado por sua profunda e intuitiva compreensão da teologia e das Escrituras, e era frequentemente procurado para aconselhamento. Ele também tinha a reputação de curador de doentes. Combinadas, essas características continuaram a atrair muitos visitantes, inclusive de teólogos. [5][7]

Como gostava de cozinhar, retornou ao trabalho na cozinha em seus últimos anos.

Uma série de relatos milagrosos estão associados ao santo, como quando, em uma reunião realizada na Itália com franciscanos que vieram de várias partes do mundo, Benedito viu que havia pouca comida para tanta gente e começou a rezar. No final, todos puderam comer e ainda sobrou comida. É comum que, nas celebrações de São Benedito, sejam distribuídas cestas de pães entre os fiéis, como uma súplica para nunca faltar comida em suas casas. Outros relatos associados, estão a ressurreição de dois meninos, a cura de cegos e surdos e a multiplicação de peixes e pães.[5]

A tradição também conta que Nossa Senhora lhe oferecia o menino Jesus para que ele o colocasse em seu colo, ficando a brincar com o menino em seus braços, na simplicidade profunda de sua oração.[8]

Era reconhecido pelo olhar humanitário para os menos favorecidos, mandando que os porteiros do convento não dispensassem nenhum pobre sem antes dar-lhes alimento e ajuda.

São Benedito morreu aos 63 anos, no dia 4 de abril de 1589, em Palermo (Itália). Na porta de sua cela, no Convento de Santa Maria de Jesus de Palermo, encontra-se uma placa com a inscrição em italiano indicando que era a Cela de São Benedito e, embaixo, as datas 1524-1589, indicando o nascimento e falecimento. Alguns autores indicam 1526 como o ano de seu nascimento, mas os Frades do Convento de Santa Maria de Jesus consideram que a data certa é 1524.

Em dia 15 de maio de 1743, o papa Bento XIV o beatificou.[9]

Em 24 de maio de 1807, Benedito foi canonizado pelo papa Pio VII, passando então a ser São Benedito.[9]

Veneração

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As celebrações a São Benedito costumam ocorrer em pelo menos duas datas distintas: 4 de abril, data de sua morte, e em 5 de outubro, o dia em que foi canonizado pela Igreja Católica.[10]

Além disso, as pastorais negras também costumam celebrar a data de fundação de suas igrejas, gerando uma grande variedade de datas de Festas de São Benedito. [10]

Em Portugal, São Benedito (venerado desde o sé­culo XVI)[1] e outros, como Nossa Senhora do Rosário, Santo Antônio de Categeró, Santa Ifigênia e Santo Elesbão, são parte das "devoções negras" – entre os séculos XVI a XVIII, milhares de africanos foram trazidos ao país na condição de escravos.[11][12] Na localidade de Coval, no concelho de Santa Comba Dão, todo ano a seguir à Páscoa, há uma missa e festa em honra ao santo.

No Brasil

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Imagem de São Benedito, peça barroca do século XVIII, pertencente a Irmandade São Benedito, venerada no Juizado na Igreja Matriz de Pirenópolis

No Brasil, o santo é tradicionalmente venerado pelos negros, que relacionam o período de escravidão e a origem africana do santo com o seu próprio passado de escravidão e suas raízes africanas.[13]

Na Região Norte do Brasil, ocorrem várias celebrações: no município de Manaus (Amazonas), é venerado pelos descendentes negros vindos do Maranhão, fundando o Quilombo de São Benedito, situado no bairro Praça 14 de Janeiro em 1914 (2° quilombo urbano do Brasil).[14]

No município de Bragança (Pará), ocorre o Festejo Popular de São Benedito, juntamente com a denominada de "Marujada de São Benedito".[15] Essa festa é única em todo o mundo. Seu ápice ocorre entre 18 e 26 de Dezembro, mas a festividade é cíclica, tendo fases durante todo o ano.

Originou-se a festa através da Irmandade do Glorioso São Benedito de Bragança, fundada por 14 negros escravizados em 03 de setembro de 1798. [16]

O ciclo festivo inicia-se em Abril, quando saem do interior da igreja de seu santo as comitivas de São Benedito, formadas por 3 grupos cada um com 10 homens. São membros da Irmandade que em seu nome e em nome do santo esmolam pelas áreas urbanas e rurais de Bragança. Na saída das imagens, marujas e marujos acompanham o cortejo até o local escolhido pela Irmandade para despedirem-se das comitivas.[17]

Cada grupo porta duas bandeiras com estampas do Santo Preto (como é popularmente chamado na cidade), tambores, instrumentos de percussão e imagens do mesmo santo. As comitivas recebem uma nomenclatura dada pelo povo, conforme a área de atuação. São: Comitiva da Praia, Comitiva do Campo e Comitiva da Colônia. Cada comissão conduz uma estátua de São Benedito com características diferentes, cada imagem é chamada pelo respectivo nome da área que peregrina: Praiano, Coloneiro, Camponês.

As comitivas saem da igreja no primeiro semestre do ano e caminham durante meses na área rural. A comitiva do Campo e a comitiva da Colônia retornam a cidade nos fins de Novembro. A comitiva da Colônia retorna a cidade tendo como primeira parada para entoar sua ladainha em latim-caboclo, na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. A Comitiva do Campo é recebida no território da Paróquia do Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

A comitiva do Santo da Praia retorna a cidade de Bragança todos os anos em data fixa e histórica: 08 de Dezembro, conforme a Maré do dia. O ritual é chamado de Travessia de São Benedito. Demarca o fim do ciclo das esmolações e o início do ciclo da Marujada propriamente dita. As marujas vestidas com saias estampadas e colares, formam fila no trapiche municipal de Bragança para receber o Santo da Praia. Milhares de devotos esperam o desembarque da pequena imagem e a bênção de chegada. Depois, segue-se em cortejo até a casa do (a) promesseiro (a) em que ficará o santo para seus rituais de esmolação.[18]

Os santos em seus últimos dias de peregrinação caminham pelos bairros da cidade, até que nos dois dias que antecedem a festividade da Marujada (16 e 17 de Dezembro), entram na igreja festivamente ao som dos tambores e ali ficam guardadas as imagens peregrinas até o próximo ano. Entoa-se na despedida a ladainha, cantada pelos esmoladores. O ritual remete ao período do Brasil colônia e consiste em cantos de louvor a São Benedito em linguagem que mistura latim e português. Trata-se de uma particularidade histórica essencial para a constituição da festa. [19]

No dia 18 de Dezembro, 04h30 da madrugada, marujas e marujos reúnem-se no salão da Marujada vestidos com as roupas solenes em cores azul e branco. Homens e mulheres com seus chapéus e fitas, acompanham o mastro em cortejo até a frente do antigo Barracão da Marujada ao lado da Igreja. O mastro simboliza a abertura da festa e após sua hasteagem a marujada dança no entorno da igreja e a reverencia, pois o templo de São Benedito é tido como lugar sagrado por seus devotos tendo em vista que é símbolo da ancestralidade negra na região. Depois, adentra o espaço sagrado da igreja com banda fanfarra para pedir ao santo graças e milagres.

Entre os dias 18 e 25, durante a noite ocorrem novenário e missas. Nos dias pares: 18,20,22,24, a irmandade organiza no Barracão da Marujada os ensaios para pessoas que desejam aprender as danças tradicionais da festa. As marujas vestem-se com saias estampadas e os marujos com roupas claras. Todas as noites da festa a prefeitura organiza momentos culturais no largo de São Benedito e na orla.

No dia 25, Natal do Senhor, a Irmandade e demais devotos que quiserem, vestem-se de azul e branco durante todo o dia para homenagear o Menino Jesus que está no colo da imagem de São Benedito do altar-mor. A programação começa 08 da manhã na igreja com a ladainha das comitivas. Em seguida, a Marujada sai em cortejo da igreja para o Salão Museu da Marujada onde dança até 12h. Durante a tarde há cavalhada em local escolhido pela coordenação da festa. De noite, ocorre novena no Santuário e Missa, segue-se com mais danças após a liturgia, no Museu.[20]

26 de Dezembro é o ápice da festa que é preparada durante todo o ano. Realizada nessa data desde 1798, a Marujada veste-se de vermelho e branco a partir das 08h da manhã. Ocorre Missa Campal e novena. Em seguida, a Marujada dança o retumbão, mazurca, chorado, xote dentre outros até 12h.

15h, entoa-se ladainha no interior da Venerável Igreja de São Benedito de Bragança cantada pelas três comitivas ao som dos tambores.

[21]16h, começa a grande procissão de São Benedito de Bragança, ela é considerada a maior procissão dedicada a ao santo no mundo, com cerca de 180 mil pessoas. As ruas de Bragança tornam-se palco de uma religiosidade única, revestem-se de vermelho e branco em momento de forte comoção devocional e beleza artística e ancestral. A Irmandade abre a procissão com seus estandartes e marujas. O centro da procissão é a imagem do santo do andor que é carregada nos braços por milhares de marujos durante todo o cortejo que dura cerca de 03 horas.

Ao retornar, o santo é conduzido a orla da cidade, onde ocorre missa de encerramento. Após a missa, o andor é conduzido sob forte emoção até a igreja onde os marujos despende-se de seu santo. A festa continua com danças no salão até 00h quando derruba-se o mastro e as marujas abraçam simbolicamente a igreja.

No dia 01 de janeiro, a marujada retorna nas cores Vermelha e Branca para a Missa de troca do bastão dos diretores da festa, que são responsáveis por auxiliar a festa.

Essa festividade reune rituais complexos, uma história de muitos milagres relacionados ao vestir-se de Marujo e devotar-se a São Benedito, como também muita resistência cultural. É marca da identidade de Bragança, que durante todo o ano respira a Marujada e sua festa.[22]

Imagem do altar da igreja matriz da Área Pastoral São Benedito na Diocese de Cametá-PA

No município de Cametá (Pará), no dia 5 de Outubro é comemorado o dia de São Benedito que tem na cidade um bairro em sua homenagem, no bairro de São Benedito está localizado a Igreja Matriz da Área Pastoral São Benedito onde se tem uma grande devoção ao santo, tendo sempre uma grande multidão em suas festividades e procissões. São Benedito em Cametá é um grande padroeiro, reconhecido por sua humildade e sempre em busca de ajudar os mais necessitados. [23]

Em Gurupá (PA), São Benedito é comemorado em Dezembro.[24]

Em Macapá (AP), São Benedito - O Glorioso é comemorado em setembro (no primeiro ou segundo domingo do mês, no bairro do Laguinho, um bairro tradicional da capital. A festa também ocorre em outras cidades, como Mazagão (ao som do marabaixo) e Calçoeneí. [25][26]

No Maranhão, a festividade ocorre em vários municípios, como Alcântara, Cururupu, Pedreiras, Luís Domingues, São Bento, Rosário e São Luís. As festividades para homenagear o santo percorrem as ruas e praças das principais cidades, sempre ao som do tambor de crioula, manifestação cultural de origem africana no Maranhão, além do bumba-meu-boi.[27]

Em Beneditinos (PI), o Santo é homenageado no período de 22 de Outubro a 1 de Novembro, quando ocorre o festejo, dado que seu santo padroeiro é São Benedito.[28]

Em São Gonçalo do Amarante (Rio Grande do Norte), o santo é comemorado em 29 de outubro.[29]

No distrito de Botafogo, em Itapissuma, no estado de Pernambuco, a Área Pastoral de São Benedito celebra o santo padroeiro no final de setembro e início de outubro.[30]

Em Machado, Minas Gerais, em agosto acontece a centenária Festa de São Benedito, patrimônio cultural imaterial do município com congadas e novena. [31]

A Festa de São Benedito de Vitória, no Espírito Santo, é uma festa tradicional que move a comunidade do centro histórico da cidade e envolve a participação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e também do Convento de São Francisco, ambos na capital capixaba.[32]

Em Guaratinguetá (SP), desde 1726, há cavalaria em louvor a São Benedito, tradicionalmente no domingo de Páscoa.[15]

Em Aparecida, São Paulo, há também uma celebração anual de São Benedito, a Festa de São Benedito de Aparecida.[33]

A Festa de São Benedito é um festejo popular celebrado no último domingo de setembro em homenagem a São Benedito, no município de Tietê, organizada pela igreja de São Benedito.[34]

Em Ilhabela (SP), ocorre a tradicional Congada de São Benedito.[35]

Na cidade de Angra dos Reis (RJ), ainda no antigo Convento de São Bernardino de Sena datado do ano de 1652, começou a Irmandade e a devoção a São Benedito mesmo sem ter sido canonizado oficialmente pela Igreja Católica. Com a ruína do Convento antigo e a construção de um novo em 1758, com inauguração em 1763, a Irmandade se transferiu para as novas instalações e assim começou as pomposas festas e a oficialização da Irmandade com assinatura de seu estatuto, resistindo até os dias de hoje, tendo se transferido para a Igreja de Santa Luzia na década de 1940, após a ruína do novo Convento e abandono do mesmo pelos frades franciscanos. A Irmandade tem a função de manter viva a devoção a São Benedito, considerado o segundo padroeiro da cidade. Ainda nos tempos da escravidão a Irmandade anualmente arrecadava recursos durante a festa para comprar cartas de alforrias para seus irmãos e irmãs escravizados. Sua Festa é realizada na Segunda-feira após o Domingo de Páscoa por questões históricas, era o dia que o senhores concediam de descanso aos seus escravos, após os árduos trabalhos durante toda a Semana Santa. A Festa conta como sinal indicativo de início, a subida dos mastro no Domingo de Ramos, entrega das insígnias aos festeiro, aos novos irmãos e irmãs da Irmandade e coroação do rei e da rainha no Domingo de Páscoa, a Festa propriamente dita na Segunda-feira, e descida no mastro no Domingo seguinte, segundo Domingo da Páscoa, conhecido como Domingo da Pascoela. Em 2007 a Irmandade foi inventariada e registrada pelo IPHAN e no ano de 2024, graças a indicação da deputada estadual Célia Jordão a Festa foi considerada Patrimônio Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Portando a Irmandade e a Festa de São Benedito de Angra dos Reis, é uma das manifestações religiosas de homenagem ao santo, mais antigas do Rio de Janeiro e do Brasil, estando atrás somente da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, da capital do Rio de Janeiro, fundada em 1640.[36]

Festa de São Benedito em Aparecida, São Paulo

No final do século XVIII em Pirenópolis (GO), foi criada e estabelecida na Igreja do Rosário dos Pretos uma Irmandade de São Benedito.[37][38][39] A Irmandade de São Benedito, realizava nos moldes do Reinado da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Festa do Juizado de São Benedito,[37] que anualmente era realizada no dia 03 de abril naquela igreja,[38] e sempre realizada solenemente pelo Capelão da Irmandade, ou seja, um dos vigários da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Meya Ponte. Neste momento, assim como nos dias atuais, contava com a parte folclórica da congada, Banda de Couro e demais costumes africanos, tradições que a Irmandade do Rosário e a de São Benedito mantinham na Igreja do Rosário, folguedos que hoje, são realizados dentro das celebrações da Festa do Divino, e concentram grande número de populares, sobretudo após a Missa em louvor ao Santo padroeiro, quando se começa a parte folclórica.[39]

A Festa de São Benedito que ocorre na cidade de Cuiabá, tradicionalmente, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. A celebração começa no fim do mês de Junho, chegando a durar quase um mês em comemorações.[40]

Na Lapa (PR), o Santo é venerado no dia 26 de dezembro, sendo feriado municipal, já que São Benedito é co-padroeiro da cidade. A história conta que após o Natal dos senhores, no dia 25, os escravos da região celebravam o seu Natal no outro dia. Era a tradicional veneração do “Santo Negro”, dia santo de guarda para os escravos. A cidade abriga ainda o Santuário de São Benedito, considerado o maior santuário do mundo dedicado ao Santo.

Referências

  1. 1 2 3 «Documentário 'Marambiré' tem sessão gratuita no Sesc Bouvelard». G1. Consultado em 22 de agosto de 2022
  2. Missal Cotidiano. Petrópolis: Editora Paulus, 1997, p. 1761".
  3. 1 2 3 «São Benedito: um dos santos mais amados pelos brasileiros - Vatican News». www.vaticannews.va. 5 de outubro de 2021. Consultado em 18 de outubro de 2024
  4. 1 2 «São Benedito». Vida Cristã - Franciscanos. Consultado em 18 de outubro de 2024
  5. 1 2 3 «Analfabeto, filho de escravizados e cozinheiro. Quem foi São Benedito?». www.uol.com.br. Consultado em 1 de outubro de 2025
  6. Venable, Cecelia Guiterrez. "St. Benedict the Moor (1526-1589)", BlackPast.org
  7. Venable, Cecelia Guiterrez. "St. Benedict the Moor (1526-1589)", BlackPast.org
  8. «São Benedito: um dos santos mais amados pelos brasileiros - Vatican News». www.vaticannews.va. 5 de outubro de 2021. Consultado em 1 de outubro de 2025
  9. 1 2 «Dois séculos da Canonização de São Benedito». Notícias. 4 de janeiro de 2007. Consultado em 1 de outubro de 2025
  10. 1 2 «Analfabeto, filho de escravizados e cozinheiro. Quem foi São Benedito?». www.uol.com.br. Consultado em 1 de outubro de 2025
  11. LAHON, Didier. Esclavage, confréries noires, sainteté noire et pureté de sang au Portugal (XVIe-XVIIIe siècles). Lusitânia Sacra 2ª série, Lisboa, v. 15, p. 119-162, 2003. link.
  12. REGINALDO, Lucilene. “África em Portugal”: devoções, irmandades e escravidão no Reino de Portugal, século XVIII. História, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 289-320, 2009. link.
  13. São Benedito: santo protetor dos negros. Disponível em www.uniafro.xpg.com.br/sao_benedito_e_outros.htm. Acesso em 28 de outubro de 2014.
  14. Nicoly Ambrosio (27 de fevereiro de 2023). «Primeiro território quilombola urbano da Amazônia resiste às pressões»
  15. 1 2 Braziliense, Correio (9 de julho de 2017). «Festa de São Benedito: a tradicional marujada de Bragança (PA)». Correio Braziliense
  16. IPHAN, DOSSIÊ (2022). Marujada de São Benedito (Pará). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [S.l.]: Iphan. p. 15-16
  17. IPHAN, DOSSIÊ (2022). Marujada de São Benedito (Pará). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [S.l.]: Iphan. p. 90
  18. IPHAN, DOSSIÊ (2022). Marujada de São Benedito (Pará). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [S.l.]: Iphan
  19. SILVA, ARMANDO (1959). Contribuição ao estudo do folclore amazônico na zona bragantina. [S.l.]: Museu Goeldi
  20. IPHAN, DOSSIÊ (2022). Marujada de São Benedito (Pará). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [S.l.]: Iphan
  21. IPHAN, DOSSIÊ (2022). Marujada de São Benedito (Pará). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [S.l.]: Iphan
  22. SILVA, Dedival Brandão (1994). Os tambores da esperança: um estudo sobre cultura, religião, simbolismo e ritual na festa de São Benedito da cidade de Bragança. Belém: Editora Falangola, 1994. [S.l.]: Falangola
  23. PASCOM da Área Pastoral de São Benedito, Diocese de Cametá-PA
  24. «Análise discursiva das canções de Gambá de São Benedito»
  25. «AP: Zimba e Festa de São Benedito são patrimônios culturais». 8 de maio de 2025. Consultado em 1 de outubro de 2025
  26. «Marabaixo até a madrugada marca encerramento da festa de São Benedito em Mazagão, no AP». G1. 25 de dezembro de 2019. Consultado em 1 de outubro de 2025
  27. «Festa de S.Benedito revela a religiosidade dos maranhenses - Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: turismo». Jornal Diário do Grande ABC. 31 de julho de 2002. Consultado em 1 de outubro de 2025
  28. «Festejo do padroeiro»
  29. «Divaneide apresenta projeto para reconhecimento da Congada São Benedito como patrimônio». Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Consultado em 1 de outubro de 2025
  30. «Festa de São Benedito, em Itapissuma, conta com shows gratuitos». www.folhape.com.br. Consultado em 1 de outubro de 2025
  31. «Ternos de Congadas de São Benedito, em Machado, são reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro». G1. 22 de agosto de 2025. Consultado em 1 de outubro de 2025
  32. «Conheça a história da festa de São Benedito». Prefeitura de Vitória. Consultado em 1 de junho de 2022
  33. «Festa de São Benedito volta a ser celebrada em Aparecida - A12.com». www.a12.com. Consultado em 9 de novembro de 2022
  34. «Em Tietê, tradicional Festa de São Benedito tem lâmpada que nunca apaga!». Gshow
  35. «A Congada de São Benedito | Congada de Ilhabela». 13 de maio de 2020. Consultado em 1 de outubro de 2025
  36. «Angra celebra a Festa de São Benedito». Prefeitura de Angra dos Reis (em inglês). Consultado em 1 de outubro de 2025
  37. 1 2 Tereza Caroline Lôbo (2006). «A Singularidade de um lugar festivo: o Reinado de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e o Juizado de São Benedito em Pirenópolis». UFG. Consultado em 6 de agosto de 2020
  38. 1 2 «Arquivo Histórico Ultramarino». Consultado em 10 de agosto de 2020
  39. 1 2 Paulo Henrique Ferreira Ceripes (2014). «Fontes para a história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos pretos em Pirenópolis» (PDF). UNB. Consultado em 6 de agosto de 2020
  40. «Festa de São Benedito: Tradição centenária se mantém viva em Cuiabá - Prefeitura de Cuiabá». www.cuiaba.mt.gov.br. Consultado em 14 de abril de 2024

Ligações externas

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