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Sé de Leiria

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Sé de Leiria
Fachada da Sé de Leiria
Informações gerais
Nomes alternativosCatedral de Leiria,
Estilo dominanteManeirismo
ArquitetoAfonso Álvares
Início da construção1559
Fim da construção1574
Função atualReligiosa (catedral e igreja paroquial)
ReligiãoIgreja Católica Romana
DioceseDiocese de Leiria-Fátima
Websitewww.leiria-fatima.pt
Património de Portugal
Classificação Monumento Nacional
Ano19 de Novembro de 2014
DGPC14955162
SIPA1804
Geografia
PaísPortugal
CidadeLeiria
Coordenadas38° 42′ 35″ N, 9° 07′ 59″ O
Mapa
Localização em mapa dinâmico

A Sé de Leiria ou Igreja de Nossa Senhora da Assunção é um templo quinhentista de estilo maneirista localizado no centro da cidade de Leiria, distrito de Leiria, Portugal. Caracteriza-se pelo facto de a sua torre sineira estar separada do corpo principal.

O edifício foi classificado Monumento Nacional em Novembro de 2014 (Decreto n.º 30/2014, DR, 2.ª série, n.º 224 de 19 de Novembro de 2014).[1]

História

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A génese deste monumento remonta a meados do século XVI, num período de reorganização administrativa e religiosa do reino de Portugal. A 22 de Maio de 1545, através da Bula Pro excellenti do Papa Paulo III, foi criada a Diocese de Leiria, separando-a da jurisdição de Coimbra e do priorado de Santa Cruz conimbricense.

No mesmo ano, a 13 de Junho, D. João III elevava a povoação à categoria de cidade. Inicialmente, a cátedra episcopal foi instalada na Igreja de Nossa Senhora da Pena e, subsequentemente, na Igreja de São Pedro.

Todavia, a pequenez destes templos revelou-se incompatível com a dignidade da nova sede diocesana, levando o primeiro bispo, Frei Brás de Barros, a solicitar ao monarca, em 1546, a edificação de um novo edifício que fosse "conueniente em lugar homde commodamente e com menos opresam"[2] os fiéis pudessem assistir aos ofícios litúrgicos.[3][4][5][6]

Fase inicial de construção e sagração (1550-1574)

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Após a colocação da primeira pedra em 1550, registou-se a chegada do arquitecto Afonso Álvares à cidade em Julho de 1551, trazendo consigo a planta da nova sé. Contudo, os trabalhos de construção da catedral iniciaram-se efectivamente em Agosto de 1559, já sob a prelatura do Bispo D. Frei Gaspar do Casal e a administração do deão Luís de Araújo de Barros. A obra foi dirigida por Afonso Álvares (a traça poderá, no entanto, ser de Miguel de Arruda, sogro de Afonso Álvares).[7]

Para o financiamento da obra, Frei Gaspar do Casal obteve, em 1557, a quantia de 140 ducados. A construção avançou a bom ritmo e por fases: em 1560 realizava-se o primeiro sepultamento; a capela-mor, cuja cobertura esteve a cargo de Baltasar Álvares, provável sobrinho de Afonso Álvares, estava terminada em 1569.[7]

No ano seguinte, iniciava-se a construção do corpo da igreja, que se finalizava em 1572 com a edificação da fachada. A cobertura da igreja foi concluída em Agosto de 1573. Assim, em 1574, dava-se por terminado o edifício na sua generalidade, reunindo as condições para a sagração da nova Catedral e a transferência do Cabido.

Não obstante a sagração, o complexo estava longe de estar concluído, faltando executar dependências fundamentais como a sacristia, o claustro, a casa do cabido e o adro, bem como todo o programa decorativo.[3][4][5][6]

Segunda fase (1576-século XVIII)

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Para apoiar estas fases subsequentes, D. Sebastião doou ao bispo, em 1576, a barbacã da cerca e respectivas torres, e em 1587 foi emitido um Alvará de D. Filipe I para facilitar a aquisição de materiais. Em 1597, o bispo D. Pedro de Castilho obteve os Paços de São Simão e uma azinhaga para financiar as obras do claustro e da sacristia.

Ao longo dos séculos seguintes, a Sé de Leiria foi objecto de contínuas campanhas de enriquecimento artístico e estrutural, nas quais intervieram nomes cimeiros da arquitectura e arte portuguesas, bem como artífices estrangeiros.

Em 1598, o engenheiro-mor do reino, Leonardo Turriano, trabalhou nas obras da capela-mor. Já no século XVII, registou-se a intervenção do arquitecto castelhano Juan Moreno.

Entre 1605 e 1615, o bispo D. Martim Afonso Mexia encomendou ao reputado mestre lisboeta Simão Rodrigues as telas do retábulo principal — parcialmente destruídas séculos mais tarde — e a Gonçalo Rodrigues as esculturas, enquanto Amaro do Vale dourava a Capela do Santíssimo. No mesmo período (1603), foram adquiridas as pias baptismais e de água benta. O adro foi concluído em 1618, em terrenos adquiridos pela Diocese, conforme atesta uma inscrição num dos muros.

Ainda no século XVII, o pedreiro Manuel de Castro trabalhou na catedral (1625) e o Bispo D. Dinis de Melo e Castro (1627-1636) isolou a capela-mor com grades. Entre 1640 e 1645, a cobertura da capela-mor sofreu nova intervenção dirigida por Frei João Turriano.

O terramoto de 1 de Novembro de 1755 provocou danos consideráveis na fachada principal e no tramo adjacente à entrada. As obras de restauro subsequentes, iniciadas por D. Frei João de Nossa Senhora da Porta e continuadas por D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa, conferiram à fachada o aspecto actual, que denuncia a campanha de reconstrução executada depois do terramoto, numa estrutura simétrica e despojada de grandes elementos decorativos, nunca tendo recebido o aparato originalmente previsto.

Segundo as Memórias Paroquiais de 1758, a igreja, cujo orago é Nossa Senhora da Assunção, possuía então uma renda de 120$000 réis e o Cabido era composto por 37 pessoas, incluindo cinco dignidades e diversos cónegos. É ao prelado D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa que se deve a característica mais singular do conjunto: a construção da torre sineira afastada da Sé.

Reza a lenda que a primitiva torre não permitia que os sinos fossem ouvidos na encosta do castelo. Assim, em 1770 (tendo o sino sido fundido em 1772 por André de Aregos), ordenou-se a edificação de uma nova torre sineira sobre um antigo baluarte das Portas do Sol, dissociada fisicamente do templo. Esta idiossincrasia originou o dito popular:

Leiria tem uma torre que não é Sé e uma Sé que não tem torre

Após obras de beneficiação, a catedral foi novamente sagrada a 24 de Julho de 1791, e em 1798 procedeu-se à bênção do cemitério junto à fachada posterior.[3][4][5][6]

Século XIX e fase contemporânea

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O sino principal actual foi fundido em 1801 por João Craveiro.

O início do século XIX trouxe a devastação com as Invasões Francesas. Em 1810, um incêndio provocado pelas tropas napoleónicas destruiu parcialmente o templo, consumindo o cadeiral original, parte das pinturas de Simão Rodrigues, o mecanismo dos órgãos e o cartório episcopal. A recuperação foi rápida, destacando-se a execução de um novo órgão por Joaquim António Peres Fontanes em 1813.

Contudo, a instabilidade política conduziu à extinção da Diocese de Leiria a 4 de Setembro de 1882, pelo Papa Leão XIII. O cemitério da Sé havia sido desafectado em 1871.

Durante a supressão da diocese, o edifício manteve uma certa relevância. Em 1907, o arquitecto Ernesto Korrodi desenhou as estruturas que envolvem os retábulos do transepto e as lápides para a trasladação das ossadas dos bispos. A devolução de imóveis cedidos ao Município (decretos de 1911 e 1917) à posse do Estado, incluindo a casa do sineiro, ocorreu administrativamente entre 1951 e 1952.

A Diocese seria restaurada em 1918 por acção do Papa Bento XV, facto assinalado numa lápide de 1922. Em 1944, regista-se a intervenção do organizeiro Manuel V. Ferreira dos Reis.

Em 1969, os restos mortais de vários bispos foram trasladados para um mausoléu na Capela do Sagrado Coração de Jesus. A designação da diocese foi alterada para Leiria-Fátima em 1984. O órgão moderno, de Georges Heintz, foi inaugurado em 1997.[3][4][5][6]

Classificação como Monumento Nacional

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A 23 de Outubro de 2014, o Conselho de Ministros aprovou a classificação da Sé de Leiria como Monumento Nacional, culminando um processo administrativo iniciado em 2010 pelo Cabido da Catedral junto do IGESPAR. Esta distinção patrimonial abrange o conjunto edificado composto pela Sé, o claustro, o adro envolvente, a casa do sineiro e a torre sineira, que se encontra localizada a noroeste e separada do corpo principal da igreja.

Sobre o valor do edifício, Marco Daniel Duarte, à altura director do Departamento do Património Cultural da Diocese, descreve-o como "um templo notável" cuja monumentalidade "espelha um dos períodos mais ricos da história da arte e da cultura portuguesas: o humanismo vivido ao tempo de D. João III". A decisão veio equiparar a Sé a outros monumentos leirienses, corrigindo a ausência de classificação que persistia desde a Primeira República, período em que o templo havia sido reduzido administrativamente a igreja paroquial.

Fez-se em 2016 um acordo para a musealização da torre.[8]

Descrição

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A Sé de Leiria constitui um dos mais significativos exemplos da arquitectura religiosa maneirista em Portugal, caracterizada pelo estilo "chão". Destaca-se por uma estrutura em que a "escala, nudez de paramentos e geral espacialidade do corpo são verdadeiramente monumentais"[9]. A catedral adopta "o figurino das novas igrejas jesuíticas", embora esta fosse "uma solução incompatível com uma igreja-mãe diocesana" e, por isso mesmo, não voltasse a ser utilizada nas catedrais que se edificaram posteriormente em Portugal[10].

Estruturalmente, apresenta notáveis afinidades com as catedrais contemporâneas de Portalegre e de Miranda do Douro. O edifício implanta-se a meia-encosta, sobre uma plataforma artificial, destacando-se no tecido urbano pela sua volumetria.

O templo desenvolve-se segundo uma planta de cruz latina, composta por três naves de igual altura (tipologia Hallenkirche ou igreja-salão) com quatro tramos, um transepto saliente com corpo tripartido e uma cabeceira tripartida dividida em três capelas de diferentes profundidades.

A fachada principal, orientada a Ocidente, denota uma austera grandiosidade, ritmada por quatro robustas pilastras e contrafortes que dividem o frontispício em três corpos ou tramos. O corpo central é rematado por um frontão triangular interrompido pelos remates dos contrafortes (pináculos sobre plintos). Exibe três portais de moldura circular, enquadrados em pórticos de pedra e encimados por janelões; dos três, destaca-se o central, de maiores dimensões, com portal de volta perfeita e fustes almofadados, encimado por um janelão de perfil contracurvo. Os portais laterais são rematados por frontão semicircular com pináculo de bola e tímpano rebocado e pintado de branco.

As fachadas laterais são marcadas pela projecção dos contrafortes e rasgadas por janelas de volta perfeita em capialço. Do lado esquerdo, projecta-se o corpo quadrangular do baptistério com janelas rectilíneas. Na fachada lateral direita, existe um corpo adossado de menores dimensões com janela e porta de perfis em arcos abatidos. A fachada posterior apresenta uma empena cega, flanqueada por cunhais apilastrados que possuem gárgulas zoomórficas.

A Torre Sineira, edificada separadamente sobre um antigo baluarte das Portas do Sol, apresenta planta quadrangular e cobertura em coruchéu bolboso encimado por um anjo metálico. O sino maior ostenta a inscrição:

SENDO Bº DESTA CID. E DE LRª O EXMº E REMº SR. D. MANOEL DE AGUIAR FOI FEITO ESTE SINO E TODO O INSTRUMENTO DESTA TORRE EM 8.ª POR JOÃO CRAVEIRO NO ANO DE 1801

O espaço interior é definido pela igual altura das três naves amplas, separadas por oito pilares cruciformes de ordem toscana. Estes pilares "exprimem o vigor da estrutura, ritmam a composição e perturbam visualmente o espaço harmónico"[11].

O pavimento é constituído por taburnos de madeira e réguas de cantaria, contendo sepulturas numeradas. Podem-se ver pilares renascentistas e coberturas tardo-medievais em abóbadas estreladas (nave central e transepto) e de nervura (naves laterais). Nos bocetes da cobertura da nave central, encontram-se inscritas várias datas e siglas, tais como "1572 ANOS", "INRI", "1766" e "1570".

O portal axial está protegido por um guarda-vento de talha dourada e pintada, com cobertura em falso domo. Junto à entrada, dispõem-se pias de água benta em cantaria do século XVIII. Do lado do Evangelho, abre-se o baptistério, coberto por abóbada de nervuras com fecho ornamentado pela pomba do Espírito Santo. Na parede de fundo deste, existe um nicho para alfaias de perfil contracurvo com moldura recortada formando avental. Nos últimos tramos das naves colaterais, dois arcos de volta perfeita dão acesso a corpos anexos que contêm confessionários de madeira.[3][4][5][6]

Capela-mor

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A capela-mor, com pavimento de madeira e abóbada de berço com caixotões pétreos, é acedida por arco triunfal. Alberga o imponente retábulo de gosto serliano, considerado "um dos grandes conjuntos de talha, escultura e pintura da retabulística maneirista que subsistem em Portugal ainda montados no seu primitivo lugar"[12].

Embora se desconheça a autoria quer da traça da estrutura retabular quer das esculturas de vulto, as pinturas em tábua que o integram são atribuídas ao reputado mestre lisboeta Simão Rodrigues, conforme atesta o autor de O Couseiro, que refere ainda Amaro do Vale como o autor das tábuas do retábulo da Capela do Santíssimo Sacramento.

Este retábulo-mor seiscentista, de talha dourada maneirista, organiza-se em dois andares e três eixos (ou níveis). Dividido em três níveis, o conjunto retabular albergava no primeiro a Adoração dos Pastores, painel destruído quando das Invasões Francesas, ladeado pelas esculturas de São João Evangelista e São Lucas, sob as quais se abrigam quatro tabuinhas com a representação dos Tetramorfos. Ao nível central, expõe a Assunção da Virgem flanqueada pelas figuras de vulto de São Mateus e São Marcos. No ático, o medalhão central expõe a Coroação da Virgem, ladeado pelas tábuas de São Pedro e São Paulo. Os acessos à tribuna, feitos em arcos abatidos, revelam uma reforma posterior, responsável também pela pintura de dois painéis ovais representando Nossa Senhora das Dores e Cristo.

Ladeiam a capela-mor dois órgãos de tubos desactivados com caixas rococó e o cadeiral dos cónegos. Nos absidíolos encontram-se a Capela do Santíssimo (Evangelho) e a capela lateral da Epístola. A Capela do Santíssimo exibe um retábulo de talha tardo-barroca pintada de verde e ouro, que revela uma transição para o neoclássico visível no perfil da boca da tribuna, no remate em espaldar e nas albarradas que sobrepujam as colunas.

Os topos do transepto acolhem retábulos dedicados a Nossa Senhora da Conceição e ao Sagrado Coração de Jesus, envolvidos por estruturas em cantaria desenhadas por Ernesto Korrodi, integrando colunas torsas.

Sacristia

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A sacristia é uma das dependências de maior integridade artística, coberta por abóbada de nervuras com pintura de brutesco. As paredes são revestidas por azulejos de padrão policromo, caracterizados por motivos vegetalistas amarelos dispostos em cruz, aletas azuis e elementos florais estilizados que, na repetição, formam círculos intersectados e quadrifólios. O lavabo de mármores coloridos insere-se num nicho com intradorso pintado, rematado por tabela com as inscrições:

VT POSSIS BENE MORI, BENE VIVE F. EVIT AMARE VT LACHRIMA LAVAR EN R / DELICTVM . TV SIMILITER LACHRIMIS DILME / CVLPAM . NON INVENIO QVID DIXERIT / SED QVOD FLEVIT[13]

No lado oposto, um nicho semelhante alberga o Crucificado, com as inscrições (a segunda é uma citação bíblica):

VT POSSIS BENE VIVERE DISGE MORI QVI CVSTODIT OS SVVM CV / STODIT ANIMAM SVAM QVI / AVTEM INCONSIDERATVS EST / AD LOQVENDVM SENTIET / MALA / PROVERB - CAP. 13[14]

Adossado à cabeceira ergue-se o claustro, com três galerias toscanas coroadas por abóbada de caixotões a delimitar o pátio. De planta quadrada, possui três alas (Norte, Sul e Este). A ala Norte possui três pisos, enquanto as outras apresentam dois, com o inferior em arcadas de volta perfeita. Na ala Este, notam-se vestígios de antigos Passos da Via Sacra transformados em armários. As alas laterais possuem janelas de sacada no piso superior com guardas em ferro forjado pintado de verde. O acesso ao claustro a partir do transepto faz-se por portas com frontões de volta perfeita ornados por elementos geométricos almofadados.[3][4][5][6]

A Sé de Leiria funcionou como importante necrópole. Para além das lápides no pavimento, destacam-se no braço Norte do transepto as grandes lápides com inscrições latinas que assinalam as trasladações dos restos mortais dos bispos.

A lápide de D. João Jorge de Fonseca Manso e D. Manuel de Aguiar reza:

D. JOANNES JORGIVS DE FONSECA MANSVS / III NON FEBRVARII ANO MDCCLXI MONTE MAIOR E / NOVO NATVS D. EMMANVELL DE AGVIAR SUCCESSIT: / VICARIVS CAPITVLARIVS EX XII Kal APRILES AN MDCCCXV / DEISNDE EPISCOPVS A IV NON JANVARII MDCCCXX AD / III IDVS JVNII MDCCCXXXIV QVO ANIMAM EFFLAVIT DIOE / CESI LEIRIENSI PRAE FVIT: QVVM EJVS OSSA IN CRYPTA / EPISCIPALI COEMETERII ANTIQVI ESSENT SEPVLTA LV / BENTER JVSSIT CLERVS POPVLVSQVE DIOECESIS EX / TINCTAE EA AD HOC MONIMENTVM TRANSFERRI X Kal MAIAS / MCMVII[15]

Do lado oposto, a inscrição referente a D. Pedro Vieira da Silva e D. Joaquim Pereira Ferraz:

D. PETRVS VIEIRA DA SILVA / LEIRIAE NATVS AN DOM MDXCVIII AB AN / MDCLXXI VSQVE AD MDCLCCVII QVO PERIIT / EJVSDEM CIVITATIS EPISCOPVS IN AE DE A SE CON / DITA S ANTONII DE MONACHIS CAPVCINIS SEPVLTVS D. JOA / CHIM PEREIRA FERRAZ PRAE SVL Kal. MAI IAN MDCCC / LXIV AD COMEMETERIVM ANTIQVVM EJVS OSSA TRANSFERRI / JVSSIT INDEQVE AD HOC SEPVLCHRVM CLERI AC POPVLI / DIOCESIS LEIRIENSIS SUMPTIBVS X Kal MAIAS AN MCMVII[16]

No lado esquerdo do braço do transepto, a ampla lápide de D. Manuel de Aguiar detalha a sua obra:

D. EMMANVEL DE AGVIAR / LEIRIENSIS EPISCOPVS / ... / CONDITIS BENE MVLTIS SAPIENTIAE / ET CHARITATIS MONVMENTIS / ... / TEMPLO ECCLESIAE CATHEDRALIS SOLEMNITER CONECRATO / MIRIFICE EXORNATO AC POST DIRA BELLI FATA RESTITVTO / CONSTRVCTO AEGROTANTIVM BONO MAGNIFICO NOSOCOMIO / INSTAVRATO PRO CLERICORVM DOCTRINA / ET MORIBVS FORMANDIS SEMINARIO / ... / OBLIT QVARTO DEC KAL APRIL AN MDCCCXV / ... / X KAL. MAIAS MCMVII[17]

Existem ainda inscrições dedicadas a D. António Pinheiro, D. Lourenço de Lencastre e ao construtor da torre, D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa:

D. ANTONIVS PINHEIRO / EPS MIRANDENSIS DEINDE LEIRIENSIS: DOCTISSIMMVS AC / PERITISSIMVS LIT. DIVINIS HVMANISQVE E LVXITE: CONCIONATOR / OPTIMVS OPEROSISSIMVS VIR PLVRA EGIT MVNERA IN VTILIT. / ECCLESIAE ET PATRIAE MERITIS PLENVS OBDORMIVIT OLISSIP . AN. D. / MDLXXXII: OSSA BENEMERITAE INE CCL. CATHED. LEIRIEN. D. / MARTINIVS A. MEXIA TRANSFERRI VISSIT / EADEM CAP. CATHED. / HOC IN SEPVLCHRVM AN. D. MCMLXIX: / R.I.P.[18]

D. LAVRENTIVS DE LENCASTRE / OLISSIPONE NATVS VI ID. IVL. MDCCXVI: EPS ELVENSIS AN / D. MDCCLIX CREATVS EPS LEIRIEN. CONFIRMATVS XII KAL. / OCT. MDCCLXXX PIE OBDORMIVIT IV NON, MART. MDCCXC / ET INE CCL. CATHED. LEIRIEN. TVMVLATVS EST. EIVS RELIRVIAE E / TVMVLO IN VERNAM IV NON MART. MCMXLIII TRANSLATAE HOC / INS SEPVLCHRO AN. D. MCMLXIX REPOSITAE SVNT: / R.I.P.[19]

D. FR. MICHAEL DE BVLHÕES E SOVSA / PRAE CLARISSE HVIV EPI LEIRIEN HIC CINERES / REQVIESCVNT / ... / TVRRIM PROPE CASTRVM AEDIFICAVIT / ... / CINERES E TVMVLO PIE RELIGIOSEQVE / IN HOC SEPVLCHRVM TRANSLATI SVNT / AN D. MCMLXIX / R.I.P.[20]

Ver também

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Referências

  1. «Catedral de Leiria / Sé de Leiria / Igreja de Nossa Senhora da Assunção». SIPA – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. Consultado em 17 de agosto de 2015
  2. JORGE, Virgolino Ferreira – Catedral de Leiria: História e Arte. Leiria: [Editora], 2005, p. 108
  3. 1 2 3 4 5 6 «Monumentos». www.monumentos.gov.pt (em inglês). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  4. 1 2 3 4 5 6 «Sé Catedral – Passeio Matemático por Leiria». sites.ipleiria.pt. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  5. 1 2 3 4 5 6 ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. III. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 354
  6. 1 2 3 4 5 6 «PESQUISA GERAL». imovel.patrimoniocultural.gov.pt. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  7. 1 2 Serrão, VítorHistória da arte em Portugal: o renascimento e o maneirismo. Lisboa: Editorial Presença, 2002, p. 187-189.
  8. «Sé de Leiria é "monumento nacional"». 24 de outubro de 2014. Consultado em 9 de fevereiro de 2026
  9. SERRÃO, Vítor – O Renascimento e o Maneirismo. Lisboa: Editorial Presença, 2002, p. 189
  10. JORGE, Virgolino Ferreira – Catedral de Leiria: História e Arte. Leiria: [Editora], 2005, p. 103
  11. JORGE, Virgolino Ferreira – Catedral de Leiria: História e Arte. Leiria: [Editora], 2005, p. 106
  12. SERRÃO, Vítor – Catedral de Leiria: História e Arte. Leiria: [s.n.], 2005, p. 157
  13. Tradução provável: Para que possas morrer bem, vive bem. Chorou amargamente para que as lágrimas lavassem o delito. Tu, de igual modo, com lágrimas dilui [lava] a tua culpa. Não encontro o que ele disse, mas sim que chorou.
  14. Tradução provável: Para viveres bem, aprende a morrer. Quem guarda a sua boca, protege a sua vida; mas quem é imprudente no falar, sofrerá o mal. Provérbios - Cap.13
  15. Tradução provável: D. João Jorge de Fonseca Manso. Nascido em Montemor-o-Novo no dia 3 de Fevereiro do ano de 1761, sucedeu a D. Manuel de Aguiar. Foi Vigário Capitular desde 21 de Março do ano de 1815, depois Bispo, de 2 de Janeiro de 1820 até 11 de Junho de 1834, [data] em que exalou a alma [faleceu]. Governou a Diocese Leiriense. Visto que os seus ossos estavam sepultados na cripta episcopal do antigo cemitério, o clero e o povo da Diocese Extinta ordenaram de bom grado que estes fossem transferidos para este monumento em 22 de Abril de 1907.
  16. Tradução provável: D. Pedro Vieira da Silva. Nascido em Leiria no Ano do Senhor de 1598. Bispo desta mesma cidade do ano de 1671 até 1676, [ano] em que pereceu [faleceu]. Foi sepultado na igreja de Santo António dos Monges Capuchinhos, fundada por ele próprio. O Prelado D. Joaquim Pereira Ferraz ordenou que os seus ossos fossem transferidos para o cemitério antigo nas Calendas de Maio do ano de 1864 [1 de Maio]. E dali [foram transferidos] para este sepulcro, a expensas do clero e do povo da Diocese de Leiria, em 22 de Abril do ano de 1907.
  17. Tradução provável: D. Manuel de Aguiar, Bispo de Leiria. [...] Tendo fundado muitíssimos monumentos de sabedoria e de caridade. [...] Tendo consagrado solenemente o templo da Igreja Catedral, maravilhosamente adornado e restaurado após os terríveis fados da guerra. Tendo construído um magnífico hospital para o bem dos doentes. Tendo restaurado o Seminário para a formação da doutrina e dos costumes dos clérigos. [...] Morreu no 14.º dia antes das Calendas de Abril [19 de Março] do ano de 1815. [...] [Transladado em] 22 de Abril de 1907.
  18. Tradução provável: D. António Pinheiro. Bispo de Miranda e depois de Leiria. Distinguiu-se como doutíssimo e peritíssimo nas Letras Divinas e Humanas. Excelente pregador, homem muito laborioso, desempenhou muitos cargos em benefício da Igreja e da Pátria. Cheio de méritos, adormeceu [faleceu] em Lisboa no Ano do Senhor de 1582. D. Martim Afonso Mexia mandou trasladar os ossos deste benemérito para a Igreja Catedral de Leiria. O Cabido da Catedral [depositou] os mesmos neste sepulcro no Ano do Senhor de 1969. R.I.P.
  19. Tradução provável: D. Lourenço de Lencastre. Nascido em Lisboa a 10 de Julho de 1716. Criado [Nomeado] Bispo de Elvas no Ano do Senhor de 1759. Confirmado Bispo de Leiria em 20 de Setembro de 1780. Adormeceu piedosamente [faleceu] em 4 de Março de 1790 e foi sepultado na Igreja Catedral de Leiria. Os seus restos mortais [relíquias] foram trasladados do túmulo para uma urna em 4 de Março de 1943. Foram [finalmente] depositados neste sepulcro no Ano do Senhor de 1969. R.I.P.
  20. Tradução provável: D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa. Aqui descansam as cinzas deste ilustríssimo Bispo de Leiria. [...] Construiu a torre perto do castelo. [...] As cinzas foram trasladadas do [antigo] túmulo para este sepulcro, de forma piedosa e religiosa, no Ano do Senhor de 1969. R.I.P.
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Ligações externas

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