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Ume Salama

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Ume Salama (em árabe: أم سلمة; romaniz.: Umm Salama; c. 597681), nascida Hinde binte Abi Omaia (em árabe: هند بنت أبي أمية; romaniz.: Hind bint Abī Umayya), foi uma das esposas de Maomé e é considerada uma das Mães dos Crentes. Pertencente ao clã dos maquezumitas da tribo dos coraixitas, destacou-se entre as primeiras convertidas ao Islão, participou das migrações para a Abissínia e para Medina e tornou-se uma das conselheiras mais respeitadas do profeta. Após a sua morte, foi reconhecida como uma das principais transmissoras de hádices entre as esposas de Maomé, além de exercer influência como autoridade jurídica e religiosa entre as primeiras gerações de muçulmanos.

Ume Salama nasceu por volta de 597. Seu nome era Hinde binte Abi Omaia Suail (ou Hudaifa) ibne Muguira Almaquezumia, embora tenha se tornado conhecida quase exclusivamente pela cúnia Ume Salama. Pertencia ao ramo dos maquezumitas dos coraixitas, o mesmo de figuras como Calide ibne Alualide. Seu pai, Abu Omaia, era conhecido pelo epíteto Zade Arráquebe ("provisão da caravana"), em razão de sua generosidade para com os viajantes que acompanhava. A tradição segundo a qual seu nome teria sido Ramla é considerada incorreta. Ume Salama casou-se com seu primo Abu Salama Almaquezumi, companheiro de Maomé e seu irmão de leite. Segundo a tradição preservada pelas fontes islâmicas, Abu Salama foi o décimo primeiro convertido ao Islão e Ume Salama a décima segunda. Ambos participaram da migração para a Abissínia e regressaram posteriormente a Meca após a circulação de notícias falsas de que os coraixitas haviam aceitado a nova religião. Cerca de um ano antes dos Pactos de Ácaba, o casal decidiu emigrar para Medina. A viagem, contudo, foi interrompida pelos seus parentes. Os membros dos maquezumitas impediram Ume Salama de acompanhar o marido, enquanto a família de Abu Salama tomou para si o filho do casal, Salama, alegando que a criança pertencia ao seu próprio clã. Separada simultaneamente do marido e do filho, Ume Salama passou cerca de um ano em profunda aflição até que ambas as famílias concordaram em permitir sua partida. Quando ela e o filho finalmente iniciaram a viagem para Medina, foram acompanhados durante o percurso por Otomão ibne Tala, que ainda não era muçulmano. Segundo a tradição, Ume Salama e Abu Salama foram os primeiros coraixitas a realizar a Hégira para Medina. As fontes divergem quanto ao nascimento de seus filhos, afirmando algumas que todos nasceram na Abissínia e outras que parte deles nasceu em Medina. Entre eles destacou-se Omar ibne Abi Salama, posteriormente conhecido por transmitir ensinamentos de Maomé sobre etiqueta à mesa.[1]

Abu Salama foi gravemente ferido na Batalha de Uude e morreu em 625 em consequência do agravamento dos ferimentos. Antes de falecer, aconselhou a esposa a contrair novo matrimônio e teria pedido a Deus que lhe concedesse um marido melhor do que ele próprio. Após sua morte, Ume Salama recusou propostas de casamento apresentadas por Abu Becre e Omar, mas aceitou posteriormente a de Maomé. Inicialmente alegou idade avançada, ciúme excessivo e a responsabilidade de criar vários filhos, mas o profeta respondeu que era mais velho do que ela, que Deus poderia afastar seu ciúme e que assumiria o cuidado das crianças. O casamento foi celebrado em xaual do quarto ano da Hégira (março de 626), integrando-a ao grupo das Mães dos Crentes. Posteriormente, acompanhou Maomé em algumas campanhas militares, entre elas as expedições de Caibar e Taife.[2] As fontes descrevem Ume Salama como uma mulher de grande beleza, inteligência e discernimento. Maomé frequentemente levava em consideração suas opiniões, e um dos episódios mais conhecidos ocorreu durante o Tratado de Hudaibia. Quando muitos muçulmanos demonstraram insatisfação com os termos do acordo e deixaram de cumprir imediatamente as instruções do profeta para sacrificar os animais e raspar a cabeça, Ume Salama aconselhou-o a realizar pessoalmente os ritos sem dirigir novas ordens aos companheiros. A estratégia produziu o efeito desejado e os presentes passaram a imitá-lo. Ume Salama também relatou diversos episódios da vida de Maomé, incluindo uma ocasião em que viu o anjo Gabriel sob forma humana e o confundiu com Dia Alcalbi. Sobreviveu a todas as demais esposas do profeta e morreu em Medina por volta de 681, sendo sepultada no Cemitério de Albaqui.[3]

Referências

  1. Kandemir 2012, p. 328.
  2. Kandemir 2012, p. 329.
  3. Kandemir 2012, pp. 329–330.

Bibliografia

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  • Kandemir, M. Yaşar (2012). «Ümmü Seleme». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 42. Istambul: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. pp. 328–330. Consultado em 15 de julho de 2026