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Maquezumitas

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Os maquezumitas ou Banu Maquezume (em árabe: بنو مخزوم; romaniz.: Banū Makhzūm) foram um dos dez principais clãs dos coraixitas e alcançaram posição econômica e política proeminente na Meca pré-islâmica. Sua genealogia remontava a Fir, identificado tradicionalmente com Coraixe, por intermédio de Maquezume ibne Iacaza ibne Murra. Durante o século VI, o poder do clã tornou-se tão expressivo que seu nome chegou a ser empregado em algumas tradições quase como sinônimo dos próprios coraixitas. Conhecidos pela riqueza, generosidade, inteligência e diligência, os maquezumitas estavam particularmente associados ao comércio com o Iêmen e a Abissínia, ao equipamento das forças militares de Meca e ao comando de sua cavalaria.[1]

Embora, no decorrer do século VII, os clãs abedexemecita e haxemita tenham adquirido maior projeção, os maquezumitas desempenharam papel significativo nos primeiros tempos da história islâmica, tanto por sua oposição inicial a Maomé quanto pela atuação posterior de seus integrantes nas conquistas e na administração do Califado. A maior parte das figuras de destaque do clã descendia de Almuguira ibne Abedalá, contemporâneo de Abede Almotalibe, em cuja linhagem se concentrava a casa principal dos maquezumitas, e não dos ramos secundários associados aos dezenove ou mais irmãos e primos de Almuguira. A importância dessa família foi tamanha que seus descendentes também eram ocasionalmente designados pelo gentílico maguiritas, em lugar de maquezumitas.[1]

História

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A extensão exata do poder e da influência dos maquezumitas em Meca durante o século VI não pode ser determinada com segurança. A genealogia do clã remontava a Fir, tradicionalmente identificado com Coraixe, por intermédio de Maquezume ibne Iacaza ibne Murra. Os relatos muçulmanos sobre as duas principais alianças coraixitas da época, os mutaiabitas e os alafitas, situam os maquezumitas na segunda coligação, juntamente com os clãs dos abedadaritas, samitas, jumaítas e aditas. A aliança remontava à disputa pela distribuição das funções religiosas, militares e políticas de Meca após a morte de Cuçai ibne Quilabe. De acordo com sua disposição, as atribuições da nadua, da chefia militar, da guarda da Caaba, do estandarte, do abastecimento de água e da alimentação dos peregrinos haviam sido entregues aos Banu Abedal Dar. Os descendentes de Abede Manafe, alegando superioridade em poder e prestígio, reivindicaram parte desses encargos, levando os coraixitas a se dividirem em facções. Os maquezumitas, samitas, jumaítas e aditas juraram permanecer unidos aos Banu Abedal Dar e passaram a integrar os alafitas. Segundo uma tradição, os aliados mergulharam as mãos num recipiente cheio de sangue e depois as lamberam, recebendo por isso a designação de Lambedores de Sangue (Lacate Adame). O conflito terminou com a entrega do abastecimento de água e da alimentação dos peregrinos aos Banu Abede Manafe, enquanto a guarda da Caaba, o estandarte e a assembleia permaneceram com os Banu Abedal Dar.[1]

No final do século, aproximadamente na época em que o Pacto dos Virtuosos surgiu como uma terceira coligação em Meca e atraiu os aditas para fora dos alafitas, o chefe maquezumita Hixame ibne Almuguira passou a ocupar posição destacada na vida política da cidade. Hixame foi descrito como o chefe dos coraixitas de seu tempo. Seu pai, Almuguira, teria herdado a chefia, e os descendentes de Hixame eram considerados os mais importantes entre os Banu Almuguira. Segundo uma tradição, durante a época pré-islâmica a genealogia dos coraixitas era relacionada à de Hixame. Quando morreu, os habitantes de Meca teriam sido convocados a comparecer ao funeral de seu senhor, e algumas fontes afirmam que os coraixitas empregaram um sistema de datação cujo marco inicial era sua morte. Um relato alternativo, considerado menos verossímil, atribui essa função cronológica à morte de seu irmão Alualide ibne Almuguira. Hixame também teria exercido o comando dos coraixitas durante a Guerras Sacrílegas, conflito do qual Maomé participou ainda jovem. Segundo a tradição, depois de Abede Almotalibe a liderança dos coraixitas passou a Harbe ibne Omaia, dos abedexemecitas, e, após a morte deste, foi transferida para Alualide ibne Almuguira. A posição militar do clã também era expressiva. Aos maquezumitas cabia o equipamento do exército coraixita e o comando da cavalaria, atribuição exercida por Abu Jal durante a Batalha de Badre e por Calide ibne Alualide na Batalha de Uude. A função diplomática ou de representação externa, anteriormente associada aos aditas, também teria passado a ser exercida pelos maquezumitas após a conversão de Omar.[1]

Os interesses econômicos dos maquezumitas nesse período parecem ter se concentrado no comércio com o Iêmen e a Abissínia, regiões nas quais constituíam a presença mercantil predominante entre os habitantes de Meca. As fontes associam a essas atividades Hixame, seu irmão Alualide, outros dois filhos de Almuguira e quatro integrantes da geração seguinte.[2] A relação com a Abissínia também se manifestou quando Abedalá ibne Abi Rabia, integrante dos maquezumitas, foi escolhido como um dos dois emissários enviados pelos coraixitas para solicitar a devolução dos muçulmanos que haviam emigrado para o país. A influência dos maquezumitas na vida religiosa de Meca tornou-se especialmente visível durante a reconstrução da Caaba. Alualide ibne Almuguira teria sido o primeiro a golpear com uma picareta uma das paredes do santuário. Temendo que uma desgraça lhe sobreviesse, os habitantes de Meca aguardaram uma noite antes de prosseguir com a demolição. Na reconstrução, o trecho situado entre a Pedra Negra e o Canto Iemenita foi atribuído aos maquezumitas e aos taimitas. Quando surgiu uma disputa sobre qual clã teria a honra de recolocar a Pedra Negra em seu lugar, foi Abu Omaia ibne Almuguira quem propôs que a decisão fosse entregue ao primeiro homem que entrasse no recinto. Esse homem foi Maomé, que resolveu a contenda colocando a pedra sobre um tecido levantado conjuntamente pelos representantes dos clãs. Abu Hudaifa ibne Almuguira representou os maquezumitas entre os homens que seguraram o tecido.[1]

Período muçulmano inicial

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Os maquezumitas também mantinham vínculos de parentesco com a família de Maomé. Sua avó paterna, Fátima binte Anre ibne Aide, esposa de Abede Almotalibe, pertencia ao clã. Em consequência, Alualide ibne Almuguira era parente pelo lado materno de Abedalá ibne Abede Almotalibe, pai do profeta. O surgimento de Maomé como profeta, na segunda década do século VII, encontrou forte oposição do chefe maquezumita da época, Abu Jal, filho de Hixame ibne Almuguira. Abu Jal destacou-se particularmente por promover o boicote imposto aos Banu Haxime, aproximadamente entre 616 e 618. Seu tio Alualide ibne Almuguira, que exercia a função de juiz ou árbitro, foi contado entre os chamados “escarnecedores”, contra os quais, segundo a tradição, teriam sido dirigidos versículos das suras mecanas do Alcorão. Maomé teria dedicado especial atenção à tentativa de converter Alualide, então uma das figuras mais influentes dos coraixitas. Segundo a exegese tradicional, foi durante uma conversa com ele que o profeta deixou de atender imediatamente o cego Abedalá ibne Ume Maquetume, episódio ao qual se relacionam os dez primeiros versículos da sura Abasa. Abu Jal também estava entre os líderes cuja conversão Maomé desejava.[1]

Apesar da posição predominantemente hostil do clã, alguns maquezumitas estiveram entre os primeiros adeptos do islã. Entre eles encontravam-se Abu Salama e sua esposa Ume Salama, Alarcame ibne Abede Manafe, Salama ibne Hixame, Hixame ibne Abi Hudaifa e Aiaxe ibne Abi Rabia. Alarcame colocou sua residência à disposição de Maomé e dos muçulmanos. Conhecida posteriormente como Casa de Alarcame, ela serviu como centro de reunião, pregação e instrução e é considerada uma das primeiras instituições de ensino da história islâmica. A oposição da maior parte dos maquezumitas parece ter sido alimentada pelo receio de perda de sua posição econômica e de seu prestígio social. Alualide, Abu Jal e o irmão deste, Alás ibne Hixame, tornaram-se símbolos da resistência ao islã. Integrantes do clã procuraram obrigar os primeiros convertidos a abandonar a nova religião por meio de pressões e torturas. Iacir ibne Amir e sua esposa Sumaia binte Caiate, ligados aos maquezumitas, morreram em consequência dos maus-tratos sofridos, enquanto seu filho Amar ibne Iacir foi submetido a severas torturas. Abu Jal figurava entre os principais responsáveis pelas perseguições e teria desempenhado papel central na tentativa de impedir a emigração dos muçulmanos para Medina, na decisão tomada na Casa da Assembleia de assassinar Maomé e na organização do grupo encarregado de executar o plano. Em razão da intensidade de sua oposição, os omíadas e os maquezumitas foram conjuntamente designados em algumas tradições como “os dois grandes ímpios dos coraixitas”.[3]

A situação dos maquezumitas alterou-se profundamente pouco depois da Hégira, durante a Batalha de Badre, em 624. Abu Jal comandou a força enviada por Meca para socorrer a caravana ameaçada, mas os maquezumitas sofreram perdas particularmente pesadas no confronto. Sete ou oito dos aproximadamente 25 netos de Almuguira foram mortos do lado mecano, entre eles o próprio Abu Jal. Número e proporção semelhantes de homens pertencentes à mesma geração dos ramos secundários do clã também morreram, enquanto outros foram capturados. Os três maquezumitas que combateram ao lado de Maomé em Badre — Alarcame ibne Abede Manafe, Abu Salama ibne Abedal Alaçade e Xemace ibne Otomão — pertenciam aos ramos secundários do clã, e não aos Banu Almuguira. A magnitude dessas perdas enfraqueceu inevitavelmente a posição dos maquezumitas em Meca, sobretudo diante de Abu Sufiane e dos abedexemecitas. Somente pouco antes da Conquista de Meca, no final de 8 AH ou janeiro de 630, Icrima ibne Abi Jal começou a exercer influência como novo chefe maquezumita. Icrima opunha-se firmemente à abertura de negociações com Maomé, mas, nessa altura, vários integrantes do clã já haviam aderido ao profeta. Entre eles estava Calide ibne Alualide, que anteriormente desempenhara papel vigoroso na resistência militar de Meca aos muçulmanos. Calide participou da conquista da cidade, enquanto Icrima fugiu para o Iêmen.[2] Depois da conquista de Meca, os maquezumitas foram incorporados à nova ordem política, e muitos dos que ainda permaneciam pagãos converteram-se. Alguns integrantes do clã mudaram-se posteriormente para Medina e procuraram aproximar-se dos novos círculos dirigentes. Maomé também se casou com Ume Salama, filha de Abu Omaia ibne Almuguira. Segundo uma interpretação preservada pela TDV, essa união contribuiu para reduzir a hostilidade existente entre o profeta e os maquezumitas.[4]

Dois de seus membros, Alharite ibne Hixame e Saíde ibne Iarbu, figuraram entre os “convertidos cujos corações foram reconciliados” mediante concessões de Maomé, provavelmente por representarem, respectivamente, os Banu Almuguira e os ramos secundários do clã. Icrima recebeu perdão, regressou do Iêmen e desempenhou papel destacado na repressão às revoltas da apostasia, em 632–633. Posteriormente, foi mortalmente ferido durante as campanhas contra os bizantinos na Síria, seja na Batalha de Ajenadaim, seja na Batalha de Jarmuque.[2] A influência dos maquezumitas continuou a ser considerada relevante depois da morte de Maomé. Segundo uma tradição, quando Abu Becre foi escolhido califa, seu pai, Abu Cuafa, perguntou-lhe se os Banu Abede Manafe e os maquezumitas já lhe haviam prestado juramento de fidelidade, indicando que a posição desses clãs era observada atentamente durante as disputas sucessórias.[4] A continuidade dos vínculos maquezumitas com o Iêmen também se manifesta nas nomeações de Almuajir ibne Abi Omaia e Abedalá ibne Abi Rabia. Embora as fontes discordem em alguns detalhes, Almuajir parece ter sido nomeado por Maomé governador de Saná em 10 AH ou 631, mas não assumiu imediatamente o posto. Foi novamente designado por Abu Becre, seguiu então para a região e ainda se encontrava no cargo quando o califa morreu, em 13 AH ou 634. Os relatos sobre Abedalá ibne Abi Rabia, anteriormente associado ao comércio maquezumita com o Iêmen, são ainda mais contraditórios. Segundo diferentes tradições, foi nomeado por Maomé governador de Aljanade e de seus distritos, por Abu Becre governador de todo ou de parte do Iêmen e por Omar governador do país. Sabe-se que administrava Aljanade quando Omar morreu, em 23 AH ou 644, e que ainda exercia essa função por ocasião da morte de Otomão, em 35 AH ou 656.[2]

Dois outros maquezumitas particularmente ativos nesse período foram Calide ibne Alualide e Alharite ibne Hixame. Calide derrotou a resistência de Muçailima em Iamama e posteriormente desempenhou papel de liderança na conquista muçulmana da Síria. Abu Becre confiou-lhe sucessivas campanhas nas regiões orientais e na Síria, enquanto Omar o destituiu posteriormente de suas funções de comando.[4] Alharite também participou da conquista da região e mais tarde se estabeleceu ali acompanhado por setenta membros de sua família. A migração teria ocorrido porque se ressentira da pensão concedida por Omar, cujo valor refletia sua conversão tardia. Alharite e quase todos os seus acompanhantes, à exceção de quatro ou, segundo outra tradição, dois, morreram em combates ou em consequência de uma epidemia.[5] Seu filho sobrevivente, Abederramão ibne Alharite ibne Hixame, foi levado por Omar para Medina, onde recebeu do califa uma concessão de terras. A ligação entre Omar e os Banu Almuguira também era familiar: sua mãe, Hantama, era filha de Hixame ibne Almuguira. Uma das esposas do califa, Ume Haquime binte Alharite, era filha de Alharite ibne Hixame.[6]

Redes familiares e principais linhagens

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A descendência de Abederramão ibne Alharite adquiriu especial importância no numeroso e influente ramo dos descendentes de Hixame ibne Almuguira. Abederramão teve treze ou catorze filhos e dezoito filhas. Cinco ou seis de seus filhos eram de Faquita binte Oteba, pertencente ao clã do amiritas. Almuçabe Azobairi, escrevendo na primeira metade do século IX, destacou o grande número de descendentes de Abederramão e Faquita ainda existentes em sua época. As alianças matrimoniais dessa família oferecem uma indicação da amplitude das relações políticas dos maquezumitas no século VII. Entre as esposas de Abederramão estavam uma filha de Azobair ibne Alauame, que era neta de Abu Becre, e uma filha de Otomão. Dos 25 casamentos conhecidos de suas filhas, todos realizados dentro dos coraixitas, dez foram contraídos com maquezumitas, todos pertencentes aos Banu Almuguira; oito com omíadas, incluindo um casamento sem filhos com Moáuia I, posteriormente dissolvido por divórcio; e cinco com membros da família de Azobair, entre os quais Abedalá ibne Azobair, que se casou com duas delas. O dote de quarenta mil dinares pago por Iaia ibne Aláqueme, tio do califa Abedal Maleque ibne Maruane, por uma dessas mulheres, ainda que provavelmente excepcional, demonstra o elevado valor que tais acordos matrimoniais podiam alcançar. Na geração seguinte, também são instrutivos os dez casamentos registrados das seis filhas de Almuguira ibne Abederramão. Um foi realizado com outro maquezumita, três com membros da linhagem maruânida — incluindo um filho de Abedal Maleque — e cinco com outros coraixitas, descendentes, respectivamente, de Abu Becre, Omar, Otomão, Alabás ibne Abede Almotalibe e Tala ibne Ubaide Alá. O décimo foi o casamento de Ume Albanine binte Almuguira com Alhajaje ibne Iúçufe. Essa união constitui a mais antiga indicação conhecida de uma mulher maquezumita entregue em casamento a um homem que não pertencia aos coraixitas. Os dois outros casos mencionados pelas fontes envolveram filhos de Alhajaje.[6]

Outro ramo importante dos Banu Almuguira foi o de Alualide ibne Almuguira, particularmente as linhagens de seus filhos Calide, Hixame e Alualide. A distinção da linhagem de Calide decorreu sobretudo das realizações do próprio general e das de seu filho Abederramão ibne Calide, que serviu Moáuia como governador de Hómece e da Jazira e se tornou célebre pela condução de campanhas contra os bizantinos. Almuçabe Azobairi afirmou categoricamente que essa linhagem se extinguiu no tempo de seu parente agnático Aiube ibne Salama, isto é, no final do período omíada ou pouco depois. Segundo outra tradição, cerca de quarenta descendentes homens de Calide morreram durante uma epidemia na Síria. A linhagem de Hixame ibne Alualide destacou-se por meio de seu neto Hixame ibne Ismail, que, além de governador de Medina sob Abedal Maleque, foi pai de Ume Hixame binte Hixame ibne Ismail, esposa do califa. Quando seu filho Hixame ibne Abedal Maleque chegou ao califado, nomeou seus tios maternos Ibraim e Maomé, filhos de Hixame ibne Ismail, para mandatos como governadores de Medina. Mais tarde, ambos entraram em conflito com o sucessor de Hixame, Alualide II, e foram torturados até a morte por ordem do governador do Iraque, Iúçufe ibne Omar Atacafi. Segundo outra tradição, Maomé governou primeiro Meca e depois Medina. A importância da linhagem de Alualide ibne Alualide reside principalmente em ter produzido Ume Salama binte Iacube ibne Salama, que se casou com o futuro primeiro califa abássida, Abul Abas Açafá. A filha do casal, Raita binte Abi Alabás, casou-se com o califa Almadi e deu-lhe dois filhos.[6]

Período Omíada

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Embora houvesse maquezumitas na Síria, pelo menos até a extinção da linhagem de Calide, e também no Iraque, sobretudo em Baçorá, a principal concentração do clã durante o período omíada permaneceu no Hejaz, em Meca e Medina. Os maquezumitas de Medina parecem ter entrado em conflito com Otomão por causa dos maus-tratos infligidos pelo califa ao companheiro Amar ibne Iacir, que era cliente do clã em consequência de ter sido libertado por Abu Hudaifa ibne Almuguira. Nos acontecimentos posteriores ao assassinato de Otomão, as baixas sofridas pelos maquezumitas na Batalha do Camelo indicam que parte do clã apoiou Tala e Azobair. No confronto subsequente entre Ali e Moáuia, o último contou com o apoio de Abederramão ibne Calide, que se distinguiu na Batalha de Sifim como porta-estandarte do exército sírio. É provável que os maquezumitas do Hejaz tenham preferido Moáuia a Ali. A presença no campo de Ali de Jada ibne Hubaira, pertencente a um ramo secundário dos maquezumitas, explica-se por seus vínculos familiares: sua mãe era filha de Abu Talibe e sua esposa era filha de Ali. Mais difícil de explicar é a posição pró-haxemita de Almuajir ibne Calide, morto combatendo ao lado de Ali em Sifim.[6]

O padrão de casamentos registrado por Almuçabe Azobairi sugere, contudo, que a vitória final de Moáuia não beneficiou particularmente os maquezumitas. Seus vínculos matrimoniais eram mais fortes com os zobaíridas e com os descendentes de Otomão e Aláqueme ibne Abi Alás do que com os sufiânidas. Além disso, as relações entre Moáuia e o clã deterioraram-se quando Abederramão ibne Calide foi, segundo algumas tradições, envenenado em 46 AH ou 666 pelo médico do califa, Ibne Utal. O assassinato teria sido motivado pela crescente popularidade de Abederramão como possível sucessor de Moáuia. Ibne Utal foi morto em vingança por Calide ibne Almuajir, sobrinho de Abederramão. Uma tradição isolada atribui o ato a um suposto Calide ibne Abederramão, personagem desconhecido pelas demais fontes.[7] É significativo que nenhum maquezumita tenha governado Meca entre 48 AH ou 668 e o fim do califado de Moáuia, em 60 AH ou 680, embora Calide ibne Alás ibne Hixame tivesse anteriormente ocupado o posto em várias ocasiões. Iázide I nomeou para o governo da cidade o filho de Calide, o poeta Alharite ibne Calide Almaquezumi. Entretanto, também foi um maquezumita, Abedalá ibne Abi Anre ibne Háfece, o primeiro a renunciar ao juramento de fidelidade a Iázide.[8]

Durante a Segunda Fitna, os maquezumitas apoiaram os zobaíridas, com a única exceção de Alharite ibne Calide, partidário dos maruânidas. O clã esteve, portanto, representado entre os governadores nomeados por Abedalá ibne Azobair. Alharite Alcuba ibne Abedalá ibne Abi Rabia governou Baçorá, enquanto Abedalá Alasraque ibne Abederramão ibne Alualide administrou Aljanade. A derrota dos zobaíridas prejudicou os interesses maquezumitas, mas Abedal Maleque procurou aproximar o clã do regime maruânida mediante uma política conciliatória. Além de reconduzir Alharite ibne Calide ao governo de Meca, nomeou Hixame ibne Ismail, pertencente à linhagem de Alualide ibne Almuguira, governador de Medina e casou-se com sua filha. Essa nomeação foi particularmente significativa por romper com a prática de entregar o governo de Medina exclusivamente a integrantes da família omíada.[4] Outra maquezumita, Ume Almuguira binte Almuguira ibne Calide, também é mencionada como esposa de Abedal Maleque, embora a genealogia transmitida pelas fontes seja incerta. Outro maquezumita favorecido por Abedal Maleque foi o estudioso religioso cego Abu Becre ibne Abederramão ibne Alharite, morto em ou por volta de 93 AH ou 711–712. Sua dedicação à oração ritual, ao jejum e ao ascetismo valeu-lhe a alcunha de “monge dos coraixitas”. Não existem, porém, indícios de atenção semelhante dispensada aos maquezumitas pelos sucessores imediatos de Abedal Maleque. Alualide I destituiu Hixame ibne Ismail do governo de Medina, e as fontes pouco registram sobre o clã até que Hixame ibne Abedal Maleque nomeou seus tios maternos governadores da cidade, entre as décadas de 720 e 740. A morte deles por ordem de Iúçufe ibne Omar ocorreu pouco antes do fim do Califado Omíada.[8] Durante o período em que Omar ibne Abedalazize governou o Hejaz, o jurista maquezumita Saíde ibne Almuçaiabe integrou o conselho consultivo estabelecido pelo governador.[4]

Período Abássida

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À medida que o Hejaz se transformou numa região politicamente periférica depois da derrota dos zobaíridas, o papel dos maquezumitas ficou cada vez mais restrito ao de uma aristocracia local. Os integrantes do clã passaram a aparecer nas fontes principalmente em contextos relacionados ao saber religioso e à aplicação da lei islâmica. Além de Abu Becre ibne Abederramão, destacou-se o jurista Saíde ibne Almuçaiabe, pertencente a um dos ramos secundários do clã. As fontes também preservam listas de maquezumitas que transmitiram hádices. Abedalazize ibne Abede Almotalibe Almaquezumi, igualmente oriundo de um ramo secundário, serviu como cádi de Medina durante os califados de Almançor e Almadi. Outra tradição afirma que exerceu a magistratura tanto em Meca quanto em Medina durante os reinados de Almançor e Alhadi. Maomé Alaucas ibne Abederramão, pertencente aos descendentes de Hixame ibne Almuguira, foi cádi de Meca sob Almadi, embora outra fonte situe seu mandato no tempo de Almançor. Hixame ibne Abedal Maleque Alasgar, do mesmo ramo, serviu como cádi de Medina durante o califado de Harune Arraxide. Há ainda indícios de que, no início do período abássida, os vínculos dos maquezumitas com os álidas, particularmente com os hassânidas, se tornaram mais estreitos. A mãe de Idris I, fundador da dinastia idríssida no Magrebe no final do século VIII, era Ática binte Abedal Maleque ibne Alharite, pertencente à linhagem de Hixame ibne Almuguira.[8]

A maior parte da riqueza e do patrimônio dos maquezumitas provavelmente se concentrava no Hejaz. O clã possuía numerosas terras e propriedades em Meca e nas áreas circundantes, além da concessão territorial em Medina que Omar entregara a Abederramão ibne Alharite. O relato segundo o qual o filho deste, Almuguira, transformou uma propriedade em um waqf destinado a fornecer alimentos aos peregrinos em Mina, levanta a possibilidade de que os maquezumitas também tivessem interesses mais amplos no abastecimento das peregrinações. São escassos os indícios de participação econômica maquezumita em outras regiões. Anre ibne Huraite, pertencente a um ramo secundário, acumulou grande riqueza em Cufa desde os primeiros tempos. Maomé ibne Omar ibne Abederramão ibne Alharite, que levou ao califa Iázide II a cabeça do rebelde Iázide ibne Almoalabe, recebeu como recompensa a residência do rebelde em Baçorá e parte de suas propriedades. A insuficiência das evidências também impede determinar a natureza dos vínculos maquezumitas com o Iêmen após Abedalá ibne Abi Rabia. O único maquezumita posteriormente nomeado para um cargo na região foi o governador zobaírida de Aljanade. As terras que Abedalá possuía no Iêmen podem ter permanecido com sua família, e seu filho, o poeta Omar ibne Abi Rabia, tinha parentes maternos no país. Quanto à Abissínia, permanece incerto se existiu alguma continuidade entre as atividades maquezumitas pré-islâmicas naquela região e o Sultanato de Xoa, governado por uma dinastia maquezumita desde a última década do século IX até 1285.[9]

A dispersão posterior dos descendentes do clã alcançou também o Alandalus, para onde alguns maquezumitas teriam se dirigido durante as conquistas islâmicas. Entre seus descendentes mais conhecidos encontrava-se o poeta, escritor e vizir Ibne Zaidune, ativo no século XI. A existência contemporânea de famílias que conservam o nome Maquezume na Síria também foi interpretada como indício da continuidade histórica da linhagem.[4]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Kapar 2003, p. 402.
  2. 1 2 3 4 Hinds 1991, p. 137.
  3. Kapar 2003, pp. 402–403.
  4. 1 2 3 4 5 6 Kapar 2003, p. 403.
  5. Hinds 1991, pp. 137–138.
  6. 1 2 3 4 Hinds 1991, p. 138.
  7. Hinds 1991, pp. 138–139.
  8. 1 2 3 Hinds 1991, p. 139.
  9. Hinds 1991, pp. 139–140.

Bibliografia

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  • Hinds, M. (1991). «Makhzūm». In: C. E. Bosworth; E. van Donzel; Ch. Pellat. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. VI: Mahk–Mid. Leiden: E. J. Brill. pp. 137–140. ISBN 978-90-04-08112-3 
  • Kapar, Mehmet Ali (2003). «Mahzûm (Benî Mahzûm)». TDV İslâm Ansiklopedisi [Enciclopédia Islâmica TDV]. 27. Ancara: Türkiye Diyanet Vakfı İslâm Ansiklopedisi. pp. 402–403. Consultado em 18 de julho de 2026