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Laranja (cor)

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 Nota: "Alaranjado" redireciona para este artigo. Para o esmalte heráldico, veja Alaranjado (heráldica).
Laranja
 
No sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: o Arco Delicado, no Utah; astronautas da EEI envergando fatos espaciais; um sadhu (homem piedoso) com vestes tradicionais hindus, na Índia; a seleção neerlandesa de futebol; a Ponte Golden Gate; um bordo-japonês.
Coordenadas espectrais
Comprimento de onda590–620 nm
Frequência505–480 THz
Coordenadas de cor
Tripleto hexadecimal#FF8000
sRGB (r, g, b)(255, 127, 0)
CMYK (c, m, y, k)(0, 50, 100, 0)
HSV (h, s, v)(30°, 100%, 100%)

Laranja é a cor situada entre o amarelo e o vermelho no espectro visível. Os olhos humanos percebem o laranja ao observar luz com um comprimento de onda dominante entre aproximadamente 585 e 620 nanômetros. Na teoria das cores tradicional, é uma cor secundária dos pigmentos, produzida pela mistura de amarelo e vermelho. No modelo de cores RGB, é uma cor terciária. Seu nome deriva da fruta de mesmo nome.

A cor laranja de muitas frutas e hortaliças, como cenouras, abóboras, batatas-doces e laranjas, provém dos carotenos, um tipo de pigmento fotossintético. Esses pigmentos convertem a energia luminosa absorvida pelas plantas do Sol em energia química para o crescimento vegetal. Da mesma forma, as tonalidades das folhas de outono provêm do mesmo pigmento depois que a clorofila é removida.

Na Europa e nos Estados Unidos, pesquisas mostram que o laranja é a cor mais associada à diversão, ao não convencional, à extroversão, ao calor, ao fogo, à energia, à atividade, ao perigo, ao sabor e ao aroma, ao outono e ao período de Todos os Santos, além de ser há muito tempo a cor nacional dos Países Baixos e da Casa de Orange. Também serve como cor política da ideologia da democracia cristã e da maioria dos partidos democrata-cristãos.[1] Na Ásia, é uma importante cor simbólica no budismo e no hinduísmo.[2]

Na natureza e na cultura

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História e arte

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No Antigo Egito e na Índia Antiga, os artistas usavam a cor laranja em alguns de seus objetos. No Egito, um pigmento mineral chamado realgar era usado em pinturas tumulares, bem como para outros fins. As cornalinas alaranjadas foram utilizadas de modo significativo durante a Civilização do Vale do Indo e eram obtidas, por sua vez, pelo povo de Kutch, em Guzerate, na Índia.[3] A cor também foi usada posteriormente por artistas medievais na coloração de manuscritos. Na Antiguidade, pigmentos também eram produzidos a partir de um mineral conhecido como auripigmento. O auripigmento era um importante artigo comercial no Império Romano e foi usado como medicamento na China Antiga, embora contenha arsênio e seja altamente tóxico. Também era usado como veneno para moscas e para envenenar flechas. Devido à sua cor amarelo-alaranjada, também era apreciado por alquimistas que buscavam uma forma de produzir ouro, tanto na China quanto no Ocidente.

Antes do final do século XV, a cor laranja existia na Europa, mas não possuía esse nome; era chamada simplesmente de amarelo-vermelho. Comerciantes portugueses levaram as primeiras laranjeiras da Ásia para a Europa no final do século XV e no início do século XVI, juntamente com a palavra sânscrita nāraṅga, que gradualmente passou a integrar várias línguas europeias: naranja em espanhol, laranja em português e orange em inglês e francês. Na Inglaterra de meados do século XVI, a cor denominada orange era um marrom-avermelhado, correspondente à aparência deteriorada da fruta após uma longa viagem desde o local onde era cultivada, em Portugal ou na Espanha. Melhorias no transporte e a introdução de um laranjal em Surrey tornaram a fruta fresca mais conhecida na Inglaterra, e a cor designada como orange passou, no século XVII, a ter seu significado moderno.[4]

Casa de Orange

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A Casa de Orange-Nassau foi uma das casas reais mais influentes da Europa nos séculos XVI e XVII. Originou-se em 1163 no pequeno Principado de Orange, um Estado feudal de 280 km2 ao norte de Avinhão, no sul da França. O Principado de Orange recebeu seu nome não da fruta, mas de um assentamento romano-celta no local, fundado em 36 ou 35 a.C. e batizado em homenagem ao deus celta das águas Arausio;[5] contudo, o nome pode ter sido ligeiramente alterado e a cidade associada à cor por estar na rota pela qual grandes quantidades de laranjas eram levadas de portos meridionais, como Marselha, para o norte da França.

A família do príncipe de Orange acabou adotando o nome e a cor laranja na década de 1570.[6] A cor passou a ser associada ao protestantismo devido à participação da Casa de Orange no lado protestante durante as Guerras religiosas na França. Um membro da casa, Guilherme I de Orange, organizou a Guerra dos Oitenta Anos, que compreendeu a resistência contra a Espanha e durou oitenta anos, até os Países Baixos conquistarem sua independência. Provavelmente o membro mais proeminente da casa, Guilherme III de Orange, tornou-se rei da Inglaterra em 1689, após a queda do católico Jaime II na Revolução Gloriosa.

Devido a Guilherme III, o laranja tornou-se uma importante cor política na Grã-Bretanha e na Europa. Guilherme era protestante e, como tal, defendia a minoria protestante da Irlanda contra a população majoritariamente católica romana. Como resultado, os protestantes da Irlanda ficaram conhecidos como membros da Ordem de Orange. O laranja acabou tornando-se uma das cores da bandeira da Irlanda, simbolizando a herança protestante. Sua bandeira rebelde laranja, branca e azul foi precursora da atual bandeira dos Países Baixos.[6]

Quando os colonos neerlandeses que viviam na Colônia do Cabo — atualmente parte da África do Sulmigraram para o interior da África Austral no século XIX, fundaram o que chamaram de Estado Livre de Orange. Nos Estados Unidos, a bandeira da cidade de Nova Iorque possui uma faixa laranja em memória dos colonos neerlandeses que fundaram a cidade. Guilherme de Orange também é lembrado como fundador do College of William & Mary, e o condado de Nassau, em Nova Iorque, recebeu esse nome em homenagem à Casa de Orange-Nassau.

Séculos XVIII e XIX

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No século XVIII, o laranja era usado ocasionalmente para representar as vestes de Pomona, a deusa da abundância frutífera; seu nome provinha de pomon, palavra latina para fruta. As próprias laranjas tornaram-se mais comuns no norte da Europa graças à invenção, no século XVII, da estufa aquecida, um tipo de construção que ficou conhecido como orangerie. O artista francês Jean-Honoré Fragonard representou uma figura alegórica da inspiração vestida de laranja.

Em 1797, o cientista francês Louis Vauquelin descobriu o mineral crocoíta, ou cromato de chumbo, o que levou, em 1809, à invenção do pigmento sintético laranja de cromo. Outros pigmentos sintéticos, o vermelho de cobalto, o amarelo de cobalto e o laranja de cobalto — este último feito de sulfeto de cádmio e seleneto de cádmio — surgiram logo depois. Esses novos pigmentos, juntamente com a invenção do tubo de tinta metálico em 1841, permitiram que os artistas pintassem ao ar livre e captassem as cores da luz natural.

Na Grã-Bretanha, o laranja tornou-se muito popular entre a Irmandade Pré-Rafaelita e os pintores de história. Os cabelos ruivo-alaranjados e esvoaçantes de Elizabeth Siddal, modelo prolífica e esposa do pintor Dante Gabriel Rossetti, tornaram-se um símbolo do movimento pré-rafaelita. Lord Leighton, presidente da Academia Real, produziu Flaming June, pintura de uma jovem adormecida usando um vestido laranja vivo, que recebeu ampla aclamação. Albert Joseph Moore pintou cenas festivas de romanos usando mantos laranja mais vivos do que provavelmente qualquer romano teria usado. Nos Estados Unidos, Winslow Homer iluminou sua paleta com tons alaranjados intensos.

Na França, os pintores levaram o laranja em uma direção completamente diferente. Em 1872, Claude Monet pintou Impressão, nascer do sol, com um pequeno Sol laranja e reflexos alaranjados nas nuvens e na água, no centro de uma paisagem azul enevoada. Essa pintura deu nome ao movimento impressionista.

O laranja tornou-se uma cor importante para todos os pintores impressionistas. Todos haviam estudado livros recentes sobre teoria das cores e sabiam que o laranja colocado ao lado do azul-celeste fazia ambas as cores parecerem muito mais brilhantes. Auguste Renoir pintava barcos com faixas de tinta laranja de cromo diretamente do tubo. Paul Cézanne não usava pigmento laranja, mas produzia seus próprios tons alaranjados com toques de amarelo, vermelho e ocre contra um fundo azul. Toulouse-Lautrec usava frequentemente tons alaranjados nas saias das dançarinas e nos vestidos das parisienses nos cafés e clubes que retratava. Para ele, era a cor da festividade e da diversão.

Os pós-impressionistas foram ainda mais longe com o laranja. Paul Gauguin usava tons alaranjados como fundo, nas roupas e na cor da pele, para preencher suas pinturas de luz e exotismo. Nenhum outro pintor, contudo, usou o laranja com tanta frequência e dramaticidade quanto Vincent van Gogh, que havia dividido uma casa com Gauguin em Arles por algum tempo. Para Van Gogh, o laranja e o amarelo eram a pura luz solar da Provença. Ele produzia seus próprios tons alaranjados com misturas de amarelo, ocre e vermelho e os colocava ao lado de faixas de vermelho-siena e verde-garrafa, sob um céu de azul e violeta turbulentos. Colocou uma Lua e estrelas alaranjadas em um céu azul-cobalto. Escreveu a seu irmão Theo que buscava oposições entre azul e laranja, vermelho e verde, amarelo e violeta, buscando cores quebradas e neutras para harmonizar a brutalidade dos extremos, tentando tornar as cores intensas, e não criar uma harmonia de cinzas.[7]

Séculos XX e XXI

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Nos séculos XX e XXI, a cor laranja teve associações muito variadas, tanto positivas quanto negativas.

A alta visibilidade do laranja tornou-o uma cor popular para certos tipos de roupas e equipamentos. Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos da Marinha dos Estados Unidos no Pacífico começaram a usar coletes salva-vidas infláveis laranja, que podiam ser avistados por aeronaves de busca e salvamento. Após a guerra, esses coletes tornaram-se comuns em embarcações civis e militares de todos os tamanhos e em aeronaves que sobrevoavam a água. O laranja também é amplamente usado, para evitar atropelamentos, por trabalhadores rodoviários e ciclistas.

Um herbicida chamado agente laranja foi amplamente pulverizado por aeronaves da Força Aérea Real durante a Emergência Malaia e pela Força Aérea dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, a fim de remover a cobertura florestal e de selva sob a qual se acreditava que combatentes inimigos se escondiam e expor suas rotas de abastecimento. A substância química não era realmente laranja, mas recebeu esse nome devido à cor dos tambores de aço em que era armazenada. O agente laranja era tóxico e posteriormente foi associado a defeitos congênitos e outros problemas de saúde.

O laranja também possuía e continua possuindo uma dimensão política. Ele serve como a cor da ideologia política democrata-cristã, baseada na doutrina social da Igreja Católica e na teologia neocalvinista; os partidos democrata-cristãos ganharam destaque na Europa e nas Américas após a Segunda Guerra Mundial.[8][1]

Na Ucrânia, em novembro e dezembro de 2004, tornou-se a cor da Revolução Laranja, um movimento popular que levou o ativista e reformista Viktor Yushchenko à presidência.[9] Em partes do mundo, especialmente na Irlanda do Norte, a cor é associada à Ordem de Orange, uma organização fraternal protestante, e, por extensão, aos seus membros, às marchas e a outras atividades sociais e políticas, sendo o laranja associado ao protestantismo de maneira semelhante ao que ocorre nos Países Baixos.

Na teoria das cores tradicional, o laranja é uma faixa de cores entre o vermelho e o amarelo

Na óptica, o laranja é a cor percebida pelo olho ao observar luz com comprimento de onda entre aproximadamente 585 e 620 nm. Possui matiz de 30° no espaço de cores HSV. A obra Opticks, de Isaac Newton, distinguia a luz laranja pura das misturas de luz vermelha e amarela ao observar que as misturas podiam ser separadas com um prisma.[10]

No círculo cromático tradicional usado por pintores, o laranja é a faixa de cores entre o vermelho e o amarelo, e os pintores podem obtê-lo simplesmente misturando vermelho e amarelo em proporções variadas; contudo, essas cores nunca são tão vivas quanto um pigmento laranja puro. No modelo de cores RGB — sistema usado para exibir cores em televisores ou telas de computador —, o laranja é produzido combinando-se luz vermelha de alta intensidade com luz verde de menor intensidade, mantendo-se a luz azul completamente desligada. O laranja é uma cor terciária numericamente situada a meio caminho entre o vermelho e o amarelo com correção gama, como pode ser visto no círculo cromático RGB.

Na pintura, o azul é a cor complementar do laranja. Como muitos pintores do século XIX descobriram, o azul e o laranja reforçam um ao outro. O pintor Vincent van Gogh escreveu a seu irmão Theo que, em suas pinturas, tentava revelar "as oposições do azul com o laranja, do vermelho com o verde, do amarelo com o violeta ... tentando tornar as cores intensas, e não criar uma harmonia de cinza".[11] Em outra carta, escreveu simplesmente: "Não existe laranja sem azul".[12] Van Gogh, Pierre-Auguste Renoir e muitos outros pintores impressionistas e pós-impressionistas colocavam frequentemente o laranja contra o azul-celeste ou o azul-cobalto, tornando ambas as cores mais brilhantes.

O verdadeiro complemento do laranja é o azul-celeste, uma cor situada a um quarto do caminho entre o azul e o verde no espectro de cores. A verdadeira cor complementar do azul puro é o amarelo. Os pigmentos alaranjados pertencem em grande parte às famílias do ocre ou dos pigmentos de cádmio e absorvem principalmente luz azul-esverdeada.

Pigmentos e corantes

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Outros pigmentos alaranjados incluem:

  • Mínio e massicote são pigmentos amarelos e alaranjados vivos produzidos desde a Antiguidade pelo aquecimento de óxido de chumbo e suas variantes. O mínio era usado no Império Bizantino para produzir a cor vermelho-alaranjada em manuscritos iluminados, enquanto o massicote era usado por escribas do Antigo Egito e durante a Idade Média. Ambas as substâncias são tóxicas e foram substituídas no início do século XX pelo laranja de cromo e pelo laranja de cádmio.[13]
  • Isatis tinctoria (pastel-dos-tintureiros) e Rubia tinctorum (garança) foram combinadas no final do século XIX para produzir pigmento laranja.[14]
  • O laranja de cádmio é um pigmento sintético produzido a partir de sulfeto de cádmio. É um subproduto da mineração de zinco, mas também ocorre raramente na natureza no mineral greenockita. Normalmente é produzido pela substituição de parte do enxofre por selênio, o que resulta em uma cor cara, porém profunda e duradoura. O selênio foi descoberto em 1817, mas o pigmento só começou a ser produzido comercialmente em 1910.[15]
  • O laranja de quinacridona é um pigmento orgânico sintético identificado pela primeira vez em 1896 e produzido industrialmente em 1935. Produz um laranja vivo e sólido.
  • O laranja de dicetopirrolopirrol, ou laranja DPP, é um pigmento orgânico sintético comercializado pela primeira vez em 1986. É vendido sob vários nomes comerciais, como laranja translúcido. Produz um laranja extremamente vivo e duradouro e é amplamente utilizado para colorir plásticos e fibras, bem como em tintas.[16]

Objetos naturais alaranjados

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A cor laranja das cenouras, abóboras, batatas-doces, laranjas e de muitas outras frutas e hortaliças provém dos carotenos, um tipo de pigmento fotossintético. Esses pigmentos convertem a energia luminosa que as plantas absorvem do Sol em energia química para seu crescimento. Os próprios carotenos recebem seu nome da cenoura.[17] As folhas de outono também obtêm sua cor laranja dos carotenos. Quando o clima esfria e a produção de clorofila verde cessa, a cor laranja permanece.

Antes do século XVIII, as cenouras da Ásia eram geralmente roxas, enquanto as europeias eram brancas ou vermelhas. Agricultores neerlandeses desenvolveram uma variedade laranja — segundo algumas fontes, como homenagem ao estatuder da Holanda e da Zelândia, Guilherme de Orange.[18] A cenoura neerlandesa longa e alaranjada, descrita pela primeira vez em 1721, é ancestral da cenoura orange horn, um dos tipos mais comuns encontrados atualmente nos supermercados. Seu nome deriva da cidade de Hoorn, nos Países Baixos.

O laranja é tradicionalmente associado ao outono, à colheita e às folhas outonais. As flores, assim como as frutas e hortaliças alaranjadas e as folhas de outono, obtêm sua cor dos pigmentos fotossintéticos chamados carotenos.

Alimentos

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O laranja é uma cor muito comum em frutas, hortaliças, especiarias e outros alimentos de diversas culturas. Como resultado, é a cor mais frequentemente associada, na cultura ocidental, ao sabor e ao aroma.[19] Entre os alimentos alaranjados estão pêssegos, damascos, mangas, cenouras, camarão, ovas de salmão e muitos outros. A cor laranja é fornecida por especiarias como páprica, açafrão e caril em pó. Nos Estados Unidos, com o Dia das Bruxas em 31 de outubro, e na América do Norte, com o Dia de Ação de Graças em outubro, no Canadá, e novembro, nos Estados Unidos, o laranja é associado à cor da colheita e também às abóboras esculpidas, ou jack-o'-lanterns, usadas para celebrar a data.

Corantes alimentares

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Doritos sabor queijo nacho, assim como muitos alimentos industrializados populares, contêm os corantes sintéticos amarelo 6, amarelo 5 e vermelho 40.
Fatias embaladas de queijo americano são atualmente coloridas com frequência com urucum, um corante alimentar natural produzido a partir das sementes do urucuzeiro.

As pessoas associam determinadas cores a determinados sabores, e a cor dos alimentos pode influenciar o sabor percebido em produtos que variam de doces a vinho.[20] Como o laranja é popularmente associado a um sabor agradável, muitas empresas adicionam corante alimentar laranja para melhorar a aparência de seus alimentos embalados. Pigmentos e corantes alaranjados, sintéticos ou naturais, são adicionados a muitos refrigerantes e sucos de laranja; queijos, especialmente cheddar, Gloucester e queijo americano; salgadinhos, manteiga e margarina; cereais matinais, sorvete, iogurte, geleia e doces. Também são frequentemente adicionados a medicamentos infantis e à ração de galinhas para tornar as gemas mais alaranjadas.

O governo dos Estados Unidos e a União Europeia certificam um pequeno número de corantes químicos sintéticos para uso em alimentos. Em geral, são hidrocarbonetos aromáticos ou corantes azoicos produzidos a partir do petróleo. Os mais comuns são:

Como muitos consumidores se preocupam com as possíveis consequências dos corantes sintéticos para a saúde, algumas empresas estão começando a usar corantes alimentares naturais. Como esses corantes são naturais, não necessitam de certificação da Administração de Alimentos e Medicamentos. Os corantes naturais mais populares são:

  • Urucum, produzido a partir das sementes do urucuzeiro. O urucum contém carotenoides, o mesmo componente que dá cor laranja às cenouras e a outras hortaliças. É usado para tingir determinados queijos na Grã-Bretanha, especialmente o Gloucester, desde o século XVI. Atualmente, é usado com frequência para colorir queijo americano, salgadinhos, cereais matinais, manteiga e margarina. É utilizado como pintura corporal por populações nativas da América Central e da América do Sul. Na Índia, as mulheres costumam aplicá-lo, sob o nome de sindūra, na risca do cabelo para indicar que são casadas.
  • A cúrcuma é uma especiaria comum no subcontinente indiano, na Pérsia e no Oriente Médio. Contém pigmentos chamados curcuminoides, amplamente usados como corante para as vestes de monges budistas. Também é frequentemente usada no caril em pó e para dar sabor à mostarda. Atualmente, é usada com mais frequência na Europa e nos Estados Unidos para conferir cor laranja a bebidas enlatadas, sorvetes, iogurtes, pipoca e cereais matinais. O corante alimentar geralmente aparece listado como E100.
  • A oleorresina de páprica contém carotenoides naturais e é produzida a partir de pimentas. É usada para colorir queijos, suco de laranja, misturas de especiarias e molhos embalados. Também é fornecida a galinhas para deixar as gemas mais alaranjadas.

Cultura, associações e simbolismo

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Hinduísmo e budismo

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Uma ampla variedade de cores, que vão de um amarelo levemente alaranjado a um vermelho-alaranjado profundo e são todas chamadas simplesmente de açafrão, está estreitamente associada ao hinduísmo e ao budismo e é comumente usada por monges e homens santos em toda a Ásia.

No hinduísmo, a divindade Krishna é comumente retratada vestida de amarelo ou amarelo-alaranjado. O amarelo e o açafrão também são as cores usadas pelos sadhus, homens piedosos errantes da Índia.

No budismo, o laranja — ou, mais precisamente, o açafrão — era a cor da iluminação, o estado mais elevado de perfeição.[21] As tonalidades açafrão das vestes usadas pelos monges foram definidas pelos textos budistas. A veste e sua cor são sinais de renúncia ao mundo exterior e de compromisso com a ordem. O candidato a monge, acompanhado de seu mestre, apresenta-se primeiro aos monges do mosteiro usando suas próprias roupas, com a nova veste debaixo do braço, e pede para entrar na ordem. Em seguida, faz seus votos, coloca as vestes e sai pelo mundo com sua tigela de esmolas. A partir de então, passa as manhãs pedindo esmolas e as tardes em contemplação e estudo, em uma floresta, jardim ou mosteiro.[22]

Segundo as escrituras e os comentários budistas, o corante das vestes pode ser obtido de seis tipos de substâncias: raízes e tubérculos, plantas, cascas, folhas, flores e frutos. As vestes também devem ser fervidas em água por muito tempo para adquirir a tonalidade sóbria apropriada. O açafrão e o ocre, normalmente produzidos com corante da planta Curcuma longa ou do cerne da jaqueira, são as cores mais comuns. Os chamados monges da floresta geralmente usam vestes ocres, enquanto os monges urbanos usam açafrão, embora essa não seja uma regra oficial.[23]

A cor das vestes também varia um pouco entre os diferentes "veículos", ou escolas, do budismo e entre países, de acordo com suas doutrinas e os corantes disponíveis. Os monges do rigoroso Vajrayana, ou budismo tântrico, praticado no Tibete, usam as vestes mais coloridas, em açafrão e vermelho. Os monges do Mahayana, praticado principalmente no Japão, na China e na Coreia, usam amarelo mais claro ou açafrão, muitas vezes com branco ou preto. Os monges do Teravada, praticado no Sudeste Asiático, normalmente usam ocre ou açafrão. Os monges da tradição da floresta na Tailândia e em outras partes do Sudeste Asiático usam vestes de ocre amarronzado, tingidas com a madeira da jaqueira.[22][24]

Cor da diversão

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Na Europa e na América, o laranja e o amarelo são as cores mais associadas à diversão, à frivolidade e ao entretenimento. Nesse aspecto, o laranja é exatamente o oposto de sua cor complementar, o azul, a cor da calma e da reflexão. Pinturas mitológicas tradicionalmente retratavam Baco — conhecido na mitologia grega como Dioniso —, o deus do vinho, da loucura ritual e do êxtase, vestido de laranja. Os palhaços há muito usam perucas alaranjadas. Toulouse-Lautrec usava uma paleta de amarelo, preto e laranja em seus cartazes de cafés e teatros parisienses, e Henri Matisse empregou uma paleta de laranja, amarelo e vermelho em sua pintura A Alegria de Viver.[25]

Cor da visibilidade e da advertência

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O laranja é a cor mais facilmente vista sob pouca luz ou contra a água, o que torna especialmente a tonalidade conhecida como laranja de segurança a escolha preferencial para balsas salva-vidas, coletes salva-vidas ou boias. Nos Estados Unidos, as placas rodoviárias temporárias sobre obras ou desvios são laranja devido à sua visibilidade e associação com o perigo.

A cor é usada por pessoas que desejam ser vistas, entre elas trabalhadores rodoviários e salva-vidas. Prisioneiros também são, por vezes, vestidos com roupas alaranjadas para facilitar sua localização durante uma fuga. Os salva-vidas das praias do Condado de Los Angeles, tanto os reais quanto os de séries de televisão, usam trajes de banho alaranjados para se destacar. Trajes alaranjados de astronautas possuem alta visibilidade no espaço ou contra o mar azul. Os dois tipos de "caixa-preta" de uma aeronave — o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine — são, na realidade, laranja vivo, para que possam ser encontrados com mais facilidade. Em alguns automóveis, conectores relacionados a sistemas de segurança, como o airbag, podem ser alaranjados.

A Ponte Golden Gate, na entrada da Baía de São Francisco, é pintada de laranja internacional para ficar mais visível na neblina. Depois do vermelho, é a cor mais popular entre os extrovertidos e como símbolo de atividade.[26]

Às vezes, o laranja é usado, assim como o vermelho e o amarelo, como cor de advertência de possível perigo ou para pedir cautela. Um crânio sobre fundo laranja indica uma substância tóxica ou venenosa.

No sistema de cores elaborado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos para medir a ameaça de ataques terroristas, o nível laranja fica atrás apenas do nível vermelho. O Manual on Uniform Traffic Control Devices dos Estados Unidos determina o uso do laranja na sinalização temporária e de obras.

  • Nos Estados Unidos e no Canadá, a veste acadêmica laranja é associada à engenharia.[27]
Logotipo do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech)

Bandeiras selecionadas

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Países com laranja em suas bandeiras. A cor no mapa corresponde ao tom de laranja da bandeira

Geografia

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  • O laranja é a cor nacional dos Países Baixos. A família real, a Casa de Orange-Nassau, deriva seu nome em parte de sua antiga possessão, o principado de Orange. O título de Príncipe de Orange ainda é usado pelo herdeiro aparente neerlandês.
  • A República do Estado Livre de Orange (em neerlandês: Oranje-Vrijstaat) foi uma república bôer independente na África Austral durante a segunda metade do século XIX e, posteriormente, uma colônia britânica e uma província da União Sul-Africana. É o precursor histórico da atual província do Estado Livre. Estendendo-se entre os rios Orange e Vaal, suas fronteiras foram determinadas pelo Reino Unido em 1848, quando a região foi proclamada Soberania do Rio Orange, com a sede de um residente britânico em Bloemfontein.
  • Oranjemund — "foz do Orange", em neerlandês — é uma cidade situada no extremo sudoeste da Namíbia, na margem norte da foz do rio Orange.

Movimentos políticos e sociais contemporâneos

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Devido a seu significado simbólico como cor da atividade, o laranja é frequentemente usado como cor de movimentos políticos e sociais.

Religião

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  • O laranja, ou mais especificamente o açafrão profundo, é a cor mais sagrada do hinduísmo.
  • As bandeiras hindus e siques no alto de mandirs e gurdwaras, respectivamente, são geralmente flâmulas cor de açafrão.[32]
  • Vestes cor de açafrão são frequentemente usadas por swamis hindus e também por monges budistas da tradição Teravada.
  • No paganismo, o laranja representa energia, atração, vitalidade e estímulo. Pode ajudar na adaptação, no encorajamento e no poder.[33]

No Exército dos Estados Unidos, o laranja é tradicionalmente associado aos dragões, unidades de infantaria montada que acabaram dando origem à Cavalaria dos Estados Unidos. O 1.º Regimento de Cavalaria foi fundado em 1833 como os Dragões dos Estados Unidos. O brasão moderno do 1.º Regimento de Cavalaria apresenta a cor laranja e a tonalidade amarelo-alaranjada chamada amarelo-dragão, cores dos primeiros regimentos de dragões dos Estados Unidos.[34] O Corpo de Sinaleiros do Exército dos Estados Unidos, fundado no início da Guerra Civil Americana, adotou o laranja e o branco como cores oficiais em 1872. O laranja foi adotado por ser a cor do fogo de sinalização, historicamente usado à noite, enquanto a fumaça era usada durante o dia, para se comunicar com unidades militares distantes.

Antes e durante as Guerras Napoleônicas, um tom claro de laranja conhecido como aurore ("aurora") foi adotado como cor distintiva de vários regimentos de cavalaria do Exército francês. A cor se assemelhava à do Sol nascente.

No Exército Alemão, a polícia militar (Feldjäger) usa o laranja como cor de arma (Waffenfarbe).

Na Força Aérea Real Neerlandesa, as aeronaves podem possuir uma insígnia de aeronave militar com um ponto laranja no centro, circundado por três setores circulares em vermelho, branco e azul.

Na Força Aérea da Indonésia, a infantaria da força aérea e o corpo de forças especiais conhecido como Paskhas usam o laranja como cor de suas boinas.

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 Reuchamps, Min (17 de dezembro de 2014). Minority Nations in Multinational Federations: A Comparative Study of Quebec and Wallonia (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 140. ISBN 9781317634720
  2. Eva Heller, Psychologie de la couleur: effets et symboliques, pp. 149–158
  3. Jonathan Mark Kenoyer (1998). Ancient Cities of the Indus Valley Civilization. [S.l.]: Oxford University Press. p. 96
  4. Morton, Mark (outono de 2011). «Hue and Eye». University of California Press. Gastronomica. 11 (3): 6–7. JSTOR 10.1525/gfc.2011.11.3.6. doi:10.1525/gfc.2011.11.3.6
  5. Bunson, Matthew (1995). A Dictionary of the Roman Empire. Oxford and New York: Oxford University Press. p. 23. ISBN 978-0-19-510233-8
  6. 1 2 Grovier, Kelly (27 de fevereiro de 2018). «The toxic colour that comes from volcanoes» (em inglês). Consultado em 14 de agosto de 2018. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2020
  7. Vincent van Gogh, Lettres a Theo, p. 184.
  8. 1 2 Witte, John (1993). Christianity and Democracy in Global Context (em inglês). [S.l.]: Westview Press. p. 9. ISBN 9780813318431
  9. Foreign Policy: Theories, Actors, Cases Foreign Policy: Theories, Actors, Cases, Oxford University Press, 2008, ISBN 0199215294 (page 331)
  10. Isaac Newton, Opticks: or, A Treatise of the Reflexions, Refractions, Inflexions and Colours of Light, Book I, Prop IV, Theor III
  11. Correspondance of Vincent van Gogh, No. 459A, cited in John Gage, Couleur et Culture: Usages et significations de la couleur de l'Antiquité à l'abstraction.
  12. Eva Heller, Psychologie de la couleur: effets et symboliques, p. 152.
  13. Isabelle Roelofs and Fabien Petillion, La couleur expliquée aux artistes, pp. 46–47.
  14. Chevreul, Michel Eugène (1855). The Principles of Harmony and Contrast of Colours, and Their Applications to the Arts (em inglês). [S.l.]: Longman, Brown, Green, and Longmans. 23 páginas
  15. Isabelle Roelofs and Fabien Petillion, La couleur expliquée aux artistes, p. 121.
  16. Isabelle Roelofs and Fabien Petillion, La couleur expliquée aux artistes, pp. 66–67
  17. «carotenoid». Encyclopædia Britannica. Consultado em 25 de setembro de 2014. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2014
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Bibliografia

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