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Tarcísio de Freitas

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(Redirecionado de Tarcísio Gomes de Freitas)
Tarcísio de Freitas
Retrato oficial, 2023
Governador de São Paulo
Período1.º de janeiro de 2023
até a atualidade
Vice-governadorFelicio Ramuth
Antecessor(a)Rodrigo Garcia
Ministro da Infraestrutura do Brasil
Período1.º de janeiro de 2019
até 31 de março de 2022
PresidenteJair Bolsonaro
Antecessor(a)Valter Casimiro Silveira
(como Ministro dos Transportes)
Sucessor(a)Marcelo Sampaio Cunha Filho
Diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Brasil
Período22 de setembro de 2014
até 16 de janeiro de 2015
PresidenteDilma Rousseff
Antecessor(a)Jorge Ernesto Pinto Fraxe
Sucessor(a)Adailton Cardoso Dias
Dados pessoais
Nome completoTarcísio Gomes de Freitas
Nascimento19 de junho de 1975 (51 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Alma materAcademia Militar das Agulhas Negras
Instituto Militar de Engenharia
Prêmio(s)
CônjugeCristiane Freitas (c. 1997)
Filhos(as)2
PartidoRepublicanos (2022–atualidade)
Religiãocatólico romano[2]
Profissãoengenheiro civil
servidor público (consultor legislativo da Câmara dos Deputados)
ResidênciaPalácio dos Bandeirantes
AssinaturaAssinatura de Tarcísio de Freitas
Serviço militar
Lealdade Brasil
Serviço/ramoBrasão do Exército Brasileiro Exército Brasileiro
Anos de serviço1996–2008
Graduação capitão

Tarcísio Gomes de Freitas (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1975)[3][4] é um engenheiro, ex-militar e político brasileiro, filiado ao Republicanos e atual governador do estado de São Paulo desde 2023.[5] Foi ministro da Infraestrutura de 2019 a 2022, no governo Jair Bolsonaro,[6] bem como diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de 2014 a 2015, durante o governo Dilma Rousseff.

É formado pela Academia Militar das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia, tendo servido no Exército Brasileiro de 1996 a 2008 e chegado ao posto de capitão, antes de ingressar no serviço público federal como analista de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU), cargo que exerceu de 2008 a 2015, quando se tornou consultor legislativo da Câmara dos Deputados.[7] Elegeu-se governador de São Paulo no segundo turno das eleições de 2022. Politicamente, Tarcísio tem se apoiado no bolsonarismo e defendido anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.[8]

Seu governo no estado de São Paulo tem sido marcado pela grande implementação de pedágios rodoviários,[9][10] privatizações e leilões de empresas e do "patrimônio público paulista",[11] tais quais Sabesp, Emae e linhas da CPTM, de escolas e rodovias estaduais.[12][13] Lançou o programa Casa Paulista e regulamentou a distribuição de medicamentos à base de cannabis pelo SUS estadual.[14] Em seu governo também houve cortes na verbas direcionadas à educação em detrimento à saúde[15][16] e ao combate ao crime organizado,[17] além de aumento dos números de mortes por ações policiais.[18] É igualmente marcado por críticas relacionadas a mecanismos que teriam contribuído para a facilitação da grilagem de terras públicas paulistas ocupadas irregularmente por grandes fazendeiros.[19]

Tarcísio de Freitas é servidor público de carreira, no cargo de consultor legislativo (área de desenvolvimento urbano, trânsito e transportes) da Câmara dos Deputados desde 2015.[20]

Ingressou no Exército Brasileiro em 15 de fevereiro de 1992, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, situada em Campinas. Em seguida, foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, onde foi declarado Aspirante a Oficial da arma de Engenharia em 30 de novembro de 1996.[21]

Foi promovido a Segundo Tenente em 31 de agosto de 1997, a Primeiro Tenente em 25 de dezembro de 1998 e a Capitão em 25 de dezembro de 2002. Entre 1999 e 2002, estudou no Instituto Militar de Engenharia, formando-se em engenharia civil[3][20] Também pelo IME, concluiu o mestrado em engenharia de transportes em 2008.[20]

Trabalhou como engenheiro militar de 2003 a 2008, tendo sido chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, entre 2005 e 2006.[20]

Em 2008, deixou o serviço militar, no posto de capitão, ao ingressar no serviço público federal como analista de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU),[21] onde foi assessor do diretor de auditoria da área de infraestrutura entre 2008 e 2011, e coordenador-geral de auditoria da área de transportes em 2011,[22] ano em que foi indicado para a função de diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pelo general Jorge Fraxe. Este assumiu o órgão em meio à "faxina ética" determinada pela então presidente Dilma Rousseff, após uma crise provocada por denúncias de corrupção. Freitas foi promovido à diretoria-geral do DNIT em 2014, tendo exercido o cargo de diretor-geral entre 22 de setembro de 2014 e 16 de janeiro de 2015,[23] quando foi nomeado consultor legislativo da Câmara dos Deputados.[21]

Durante o período, o Tribunal de Contas da União descobriu 88 contratos irregulares do Dnit com duas fundações ligadas ao Instituto Militar de Engenharia (IME) – escola onde Freitas formou-se em Engenharia Civil. Segundo o TCU, a maioria das empresas era ligada ao major Washington Luis de Paula e o prejuízo estimado ao erário foi de milhões, com os serviços não sendo realizados. Outros contratos, para cessão de funcionários de fundações do IME ao Dnit, no valor de R$ 20 milhões, também foram provados fraudulentos. Esses acordos foram assinados na gestão Tarcísio no Dnit.[24]

A justiça militar, em 2019, chegou a condenar oficiais pelo desvio de R$ 11 milhões nesse caso.[25] Posteriormente, em 2022, a Polícia Federal investigaria os acordos na Operação Burolano[26] e na Operação Círculo Fechado.[27]

Em 2015, atuou como secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações.[22] Em 2016, foi secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações, já no governo Michel Temer.[21]

Em novembro de 2018, foi anunciada pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro a escolha de Freitas para assumir o Ministério da Infraestrutura.[28][29]

Ministério da Infraestrutura

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Após ser convidado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, Tarcísio Gomes de Freitas tomou posse no comando do Ministério da Infraestrutura em janeiro de 2019,[30] com a missão de finalizar obras[31] inacabadas[32] e conceder o máximo possível de ativos para a iniciativa privada.[33] Tarcísio foi responsável por pavimentar e duplicar a BR-116 Sul[34] e construir pontes[35] que reduziram a dependência das balsas[36] e conectaram regiões remotas do país.

Tarcísio com a Ordem do Mérito Naval, recebida em 2019

Ao longo do ano de 2019, o Ministério da Infraestrutura promoveu concessões em todos os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo). Foram concedidos 27 ativos,[37] com destaque para: BR-364/365 (trecho de 437 km entre Jataí-GO e Uberlândia-MG); leilão do tramo central da Ferrovia Norte-Sul;[38] 13 terminais portuários[39] e 12 terminais de aeroportos.[40] Entre as obras públicas, destaque para a conclusão da pavimentação da BR-163,[41] que liga o Mato Grosso ao Pará.

No segundo ano de mandato de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério da Infraestrutura, a pasta entregou a nova ponte do Guaíba, no Rio Grande do Sul.[42][43][44] Também foram realizadas concessões em 12 ativos de infraestrutura, com destaque para terminais do Porto de Santos, renovação antecipada de ferrovias da Malha Paulista,[45][46] Vitória-Minas[47][48][49] e Carajás.[50]

Em 2021, o ministério empreendeu 5,5 bilhões de reais em obras[51][52] no setor de transporte, entre conclusões de obras, reformas e ampliações. Foram concedidos 39 ativos[53] à iniciativa privada.[54][55] Ganharam destaque ao longo daquele ano as autorizações ferroviárias.[56][57][58] Foram recebidos 49 pedidos e nove foram assinados, resultando em investimentos na ordem dos R$ 50 bilhões. Destaque para trecho entre Goiás e Bahia da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol)[59][60] e 13 arrendamentos portuários, além de três concessões de rodovias. Também foram realizadas 108 obras[51] públicas, com pavimentação, duplicação ou recuperação de 2.050 quilômetros de rodovias. No modal aeroviário, 22 aeroportos[61][62] da Infraero foram arrematados em leilões, com investimentos privados da ordem de R$ 6,1 bilhões.[63][64]

No primeiro semestre de 2022, o Ministério da Infraestrutura contabilizou cinco projetos concedidos[65] à iniciativa privada: a Rodovia BR-116/493/465 (RJ/MG);[66][67] os terminais portuários[68] STS11 (Santos-SP),[69] SUA07 (Suape-PE) e PAR32 (Paranaguá-PR) e a renovação de concessão de ferrovia da MRS.[70] Entre as principais realizações de 2022, destaca-se a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).[71]

Os gastos com dispensas de licitação tiveram forte avanço na reta final da gestão de Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro. Os pagamentos incluem contratos com indícios de irregularidades apontados pelo TCU e obras emperradas. Os gastos sem licitação no Dnit, autarquia ligada à pasta que cuida das rodovias, saíram em valores nominais de R$ 224 milhões, em 2019, para R$ 421 milhões, em 2020. Em 2021, atingiram R$ 1,1 bilhão, segundo o Portal da Transparência —alta de quase 400% em dois anos.[72]

Malha Nordeste da RFFSA

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No final de 2018 a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendou a cassação da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), concessão ferroviária do grupo CSN no Nordeste (antiga malha Nordeste da RFFSA), por descumprimento de metas.[73] Em outubro de 2019 a ANTT estava prestes a declarar a caducidade da concessão da malha Nordeste sob controle da CSN.[74] Naquele momento, dos 4207 quilômetros da malha concedida, apenas 26% se encontravam em uso (localizada nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí) enquanto o restante da malha do Nordeste se encontrava abandonado.[75] Em 2017 um estudo da Confederação Nacional da Indústria indicou que 70% da malha Nordeste se encontrava sem uso.[76] O processo de caducidade chegou a ser entregue ao ministro Freitas.[77] Apesar do descumprimento do contrato apontado pela ANTT, a concessão acabou mantida pelo ministro. Porém o presidente da FTL (empresa responsável pela malha Nordeste) foi substituído.[78]

Segundo a FTL, sua operação atual se concentra nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí (1195 quilômetros e 28% da malha concedida) e o restante da malha ferroviária do Nordeste (3014 quilômetros e 72% da malha concedida) estão desativados e desde 2013 em processo de devolução para a ANTT.[79]

Metrô de Belo Horizonte

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Freitas anunciou em abril de 2019 que o Metrô de Belo Horizonte receberia 1 bilhão de reais para sua expansão (com a retomada das obras da Linha 2, paralisadas desde 2004), apesar do metrô ser ligado oficialmente ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Os recursos seriam oriundos do pagamento de uma contrapartida da renovação do contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA), porém dependiam de aprovação do Tribunal de Contas da União.[80]

As negociações entre o Ministério da Infraestrutura e a FCA arrastaram-se até dezembro de 2019, quando o acordo foi assinado. O anúncio do Freitas de que a "contrapartida" seria destinada exclusivamente ao Metrô de Belo Horizonte desagradou as cidades mineiras atendidas pela FCA, que reivindicaram parte dos recursos.[81] O recurso para o metrô foi anunciado sucessivas vezes por Freitas ao longo de 2020 (em junho,[82] agosto[83] e setembro),[84] embora dependesse de aprovação do Ministério da Economia e da inclusão do valor no orçamento federal. O Ministério da Infraestrutura tentou por diversas vezes utilizar esse recurso sem a anuência do Ministério da Economia.[85]

Em dezembro de 2022, o metrô de Belo Horizonte foi concedido à iniciativa privada. Marcado por insegurança jurídica, o leilão não conseguiu atrair as principais empresas do mercado,[86] sendo vencido pela empresa Comporte com uma proposta única de pouco mais de 25 milhões de reais.[87] Pelo contrato, a empresa tornou-se responsável por construir a Linha 2 do metrô, além de expandir a linha já existente. Para isso, a empresa receberá 3,2 bilhões de reais de recursos públicos.[88]

Pró-Trilhos

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Em setembro de 2021 o ministro Freitas lançou o programa federal Pró-Trilhos. Através da Medida Provisória 1.065/2021 foi instituído o Marco Legal das Ferrovias, que prometia facilitar investimentos privados na construção de ferrovias, liberando a construção de novos projetos ferroviários por meio de permissões simples. Chamado por Freitas de "maior revolução ferroviária dos últimos 100 anos", o programa se revelou mais tarde um grande fracasso.[89] Apesar da expectativa do Pró-Trilhos ter atraído 89 propostas de construção de 22 mil quilômetros de novas ferrovias (número correspondente a 73% da malha existente) e investimentos previstos de 258 bilhões de reais,[90] o PróTrilhos praticamente ficou no papel.[91]

Em maio de 2024 enquanto o governador Freitas lançava o programa "SP nos trilhos" com expectativa de atrair 190 bilhões de reais em investimentos[92] (similar ao programa federal), o Pró-Trilhos foi relembrado pela imprensa. Até aquele momento nenhum projeto anunciado pelo "Pró-Trilhos" havia iniciado as obras (apenas dois estavam em fase de desapropriações de áreas) e muitas das propostas foram retiradas por seus proponentes. O atual ministro dos transportes Renan Filho criticou o programa e afirmou que o Pró-Trilhos havia gerado "ferrovias de papel" e causado "uma desordenada corrida de pedidos de autorizações ferroviárias" por empresas "sem necessariamente ter condições ou real intenção de levar o empreendimento adiante".[91]

Itapemirim Transportes Aéreos

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Em outubro de 2020 o Grupo Itapemirim, controlado pelo empresário Sidnei Piva de Jesus, apresentou ao Ministério de Infraestrutura uma proposta para retornar ao mercado de aviação.[93] Apesar de o Grupo Itapemirim estar em um processo de recuperação judicial, a proposta foi recebida com grande entusiasmo por Freitas ao ponto do ministro gravar um vídeo sobre o encontro com representantes da empresa e anunciar a proposta com destaque em uma live do presidente Jair Bolsonaro (onde levou uma miniatura de ônibus ofertada pelo Grupo Itapemirim).[94]

A Agência Nacional de Aviação Civil, ligada ao Ministério da Infraestrutura, aprovou a proposta da Itapemirim em maio de 2021.[95] Após realizar seu voo inaugural em fins de junho, a Itapemirim Transportes Aéreos passou a sofrer problemas financeiros e gestão que culminaram com uma abrupta suspensão de operações em 17 de dezembro de 2021. A suspensão prejudicou cerca de quarenta mil passageiros, com parte se dirigindo aos aeroportos e protestando contra a medida.[96][97]

Freitas permaneceu em silêncio durante três dias enquanto críticas se avolumavam em relação a sua atuação no caso, com os vídeos do ministro entusiasmado com representantes da Itapemirim e da live com o presidente sendo relembrados na imprensa e nas redes sociais.[94][98] Em 20 de dezembro Freitas deu suas primeiras declarações sobre a Itapemirim. Questionado sobre o porquê seu ministério avalizou a proposta de abertura de uma empresa aérea a um grupo em recuperação judicial, Freitas alegou que a Itapemirim possuía todas as certidões negativas e certificados que garantiam a operação da empresa. Ainda assim, Freitas lamentou o caso e que se tratava de “um problema muito grave”.[99]

Carreira política

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Tarcísio de Freitas teve seu nome cogitado para concorrer a um cargo público pela primeira vez em fevereiro de 2021 quando o jornalista Claudio Magnavita do "Correio da Manhã" informou ter apurado movimentações de políticos a respeito de uma suposta candidatura de Tarcísio ao governo do Rio de Janeiro.[100]

Em 26 de abril de 2021 o presidente Bolsonaro sugeriu que Tarcísio de Freitas poderia concorrer ao governo do estado de São Paulo.[101] No dia 23 de maio, Tarcísio participou da "motociata" promovida por Bolsonaro em algumas cidades do país, durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, mesmo quando a calamidade já havia vitimado mais de 450 mil brasileiros.[102] O ato teria causado aglomerações e agravado a crise sanitária naquele momento.

A foto de Tarcísio na garupa de Bolsonaro, particularmente, foi destaque no jornal britânico The Guardian, que classificou o evento como "obsceno".[103] Foi comparado ao formato dos passeios de moto promovidos pelo líder fascista italiano Benito Mussolini em 1933 pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão).[104]

Candidatura a Governador de São Paulo em 2022

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Logomarca da Campanha de Tarcísio Gomes de Freitas ao Governo de São Paulo em 2022

Em março de 2022, filiou-se ao partido Republicanos para concorrer ao governo de São Paulo.[105] A partir do segundo semestre de 2021, Tarcísio intensificou sua agenda com vistas ao pleito de 2022.[106] O nome de Tarcísio de Freitas foi confirmado como candidato ao governo de São Paulo em 30 de julho de 2022 durante a convenção do partido Republicanos, tendo o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, como seu vice.[107] A coligação de Tarcísio para o pleito foi nomeada de "São Paulo pode mais", e contou com o apoio de seis partidos: Republicanos, PSD, PL, PTB, PSC e PMN. A convenção que oficializou o nome de Tarcísio de Freitas como candidato ao Governo de São Paulo contou com a presença do então Presidente da República, Jair Bolsonaro.[108] Bolsonaro desempenhou papel fundamental na campanha de Tarcísio, que até então era desconhecido no estado.

Plataforma e Campanha eleitoral

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Tarcísio, durante sua campanha eleitoral, destacou uma plataforma centrada na expansão de concessões e parcerias com o setor privado, fortalecimento da segurança pública e compromissos para reduzir ou revisar impostos estaduais, como IPVA e ICMS. Sua retórica de campanha buscou diferenciar sua agenda das gestões anteriores do PSDB, enfatizando forte alinhamento com a base política do ex-presidente Jair Bolsonaro.[109] Resumos midiáticos das propostas registradas no tribunal eleitoral apontaram menções amplas a investimentos privados e infraestrutura, com projetos específicos discutidos em debates e fóruns televisionados.

No primeiro turno, Tarcísio obteve 9.881.786 votos, 42,32% do total, avançando para o segundo turno contra Fernando Haddad (PT), o que fez com que o PSDB não chegasse ao segundo turno em São Paulo pela primeira vez em 28 anos.

Em 30 de outubro de 2022 foi eleito com 13 480 643 votos válidos,[110] 55,27% do total, derrotando o antigo prefeito paulistano Fernando Haddad (PT).[111]

Suposto atentado durante campanha eleitoral

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Enquanto candidato ao governo do Estado de São Paulo, Tarcísio afirmou ter sido alvo de um atentado na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, quando se preparava para a coletiva de imprensa. Um tiroteio aconteceu numa proximidade de 50 a 100 metros do local em que estava Tarcísio e sua equipe. Apesar da campanha e de aliados de Tarcísio terem classificado o ocorrido como "atentado",[112] a Polícia Militar do Estado de São Paulo afirmou não ter provas suficientes para sustentar essa classificação.[113]

Uma investigação do jornal Folha de S.Paulo revelou um áudio onde um integrante da campanha da Tarcísio ordena a um cinegrafista da Jovem Pan a exclusão das imagens que este havia filmado sobre o tiroteio.[114] Segundo reportagem do portal The Intercept, quatro testemunhas afirmaram que viram o mesmo integrante da campanha de Tarcísio atirando contra um morador da favela, que estava desarmado.[115] O fato levantou suspeitas e acusações de armação por parte da equipe de Fernando Haddad (PT), seu rival no segundo turno.[116]

Em outubro de 2023, a Polícia Federal do Brasil abriu um inquérito para investigar se a campanha de Tarcísio forjou um suposto atentado para favorecê-lo na eleição de 2022. De acordo com apuração, na portaria que originou o inquérito, o delegado Eduardo Hiroshi Yamanaka apontou para a possível violação do Código Eleitoral e “outras que porventura forem constatadas no curso da investigação”.[117][118][119] Secretários da gestão Tarcísio acusaram a PF de uso político da investigação.[120]

Apoio a Donald Trump

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No início de 2025, Tarcísio comemorou a vitória de Donald Trump em suas redes sociais, compartilhando um vídeo em que aparece com o boné de campanha Make America Great Again.[121] Mais tarde do mesmo ano, na ocasião das Tarifas alfandegárias no segundo governo Trump, afirmou que o governo do Brasil deveria "entregar alguma vitória" para os Estados Unidos no embate.[122] Já em 2026, quando o governo estadunidense passou a estudar a possibilidade de considerar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, foi um dos apoiadores da ideia, afirmando que se tratava de uma "oportunidade".[123]

Governo de São Paulo

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Em um dos primeiros anúncios de sua gestão, ainda durante a transição, Tarcísio de Freitas confirmou a extinção da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência 14 anos após sua criação, pretendendo integrá-la na estrutura de Justiça e Cidadania, que passaria a ser comandada pelo juiz federal Fábio Prieto.[124] Uma semana depois ele recuou da decisão frente a fortes críticas de grupos organizados em defesa dos direitos humanos.[125]

Tarcísio de Freitas tomou posse no cargo de governador em cerimônias na Assembleia Legislativa e no Palácio dos Bandeirantes, com discursos de pacificação, diálogo com o governo federal e gratidão ao ex-presidente e amigo Jair Bolsonaro. Tarcísio agradeceu a sua família, aos eleitores que lhe confiaram o voto e disse que apostou em “técnicos” para compor sua equipe, assim como em 2019, na gestão Bolsonaro. Tarcísio reconheceu a responsabilidade enorme de governar o Estado de São Paulo e afirmou que a motivação de fazer a diferença é ainda maior. O 64º governador de São Paulo assumiu depois de um ciclo de 28 anos do PSDB no poder.[126][127][128]

Tarcísio de Freitas é empossado Governador de São Paulo

Nomeações

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Desde o início de seu governo, Tarcísio de Freitas foi criticado e questionado por nomeações para diversos cargos, em especial de aliados ligados ao Bolsonarismo.[129][130][131] Houve uma polêmica considerável em torno da nomeação de Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, para o cargo de assessor especial do governo, bem como o marido da irmã de sua esposa, Mauricio Pozzobon Martins.[132][133] Esse último teve a nomeação cancelada 24 horas depois das polêmicas, fato que levou a uma manifestação do governador, dizendo que "achei que pudesse".[134][135] Posteriormente, ainda, o governador mudou o decreto sobre nepotismo e incluiu concunhados como "parentes por afinidade" e tendo nomeação vetada por padrão.[136] Mas, a nomeação do irmão de Michelle Bolsonaro foi mantida.

Ainda em janeiro de 2023, as trocas na Polícia Civil também receberam acusações de ingerência política por delegados,[137] e o governo Tarcísio nomeou o Coronel Sérgio de Souza Merlo, um dos PMs acusados pelo Massacre do Carandiru, para trabalhar na pasta que cuida de presídios.[138]

Em abril de 2023, e depois em setembro, o secretário-geral da Casa Civil do governo de Tarcísio de Freitas, Arthur Lima, indicou seu sócio, o advogado Carlos Augusto Duque Estrada, para 2 cargos em conselhos de administração de estatais paulistas. Lima ocupa o cargo no governo paulista desde janeiro de 2023. Questionada, a Casa Civil disse que as indicações ocorreram dentro da lei.[139]

Em fevereiro de 2024, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) afastou o major da reserva Angelo Martins Denicoli do cargo de assessor especial da Prodesp, empresa de tecnologia da gestão estadual. O militar foi um dos alvos da operação da Polícia Federal que mira suposta tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro (PL) na Presidência.[140]

São Sebastião

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O primeiro grande desafio da gestão Tarcísio de Freitas em São Paulo aconteceu em fevereiro, com um volume de chuvas jamais registrado pela Defesa Civil do Estado atingindo o Litoral Norte, em meio ao feriado de Carnaval de 2023. Ao todo, 65 pessoas morreram.[141]

Imediatamente na manhã seguinte ao temporal,[142] o governador já estava em São Sebastião para acompanhar de perto as ações envolvendo o resgate de vítimas, os locais mais afetados, os bloqueios das estradas da região em decorrência dos deslizamentos e as dificuldades de comunicação por conta da interrupção do fornecimento de alguns serviços.[143]

Reunião do Secretariado em São Sebastião, durante as fortes chuvas do Carnaval de 2023.

Ao todo, Tarcísio ficou cerca de 10 dias no Litoral Norte,[144] transferindo inclusive o seu gabinete para a região e reunindo todo o secretariado na busca por soluções para atender a quem necessitava.[145][146] O Exército, junto da Defesa Civil, e demais organizações também contribuíram diretamente no apoio. A população do Estado foi chamada a participar com doações e a iniciativa privada também reforçou o movimento com mantimentos e até mesmo equipamentos no enfrentamento da tragédia.[147]

O Governo de São Paulo atuou em inúmeras frentes em suporte aos empresários locais, donos de hotéis e pousadas, e na preocupação em acolher quem morava em áreas de riscos. Novas moradias, em locais seguros, estão sendo construídas e uma vila de passagem foi feita pelo Estado para abrigar emergencialmente quem aguarda por um local definitivo para viver daqui em diante.[148][149]

Contratos com empresa ligada a seu secretário

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Desde o início de seu governo, Tarcísio de Freitas foi criticado pela sua escolha de Renato Feder como secretário da Educação pelo fato de este ser acionista da principal fornecedora de equipamentos de informática da pasta que ele comanda, a Multilaser, por meio de uma offshore, a Dragon Gem.[150] Apesar da controvérisa, o governador afirmou não ver conflito de interesses no fato.[151]

O governo Tarcísio, através de Feder, procurou substituir os livros didáticos por materiais inteiramente digitais em escolas da rede pública, mas acabou impedido pela reação à medida – uma liminar da 4ª Vara da Fazenda Pública proibiu o Estado de dispensar os livros físicos distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Educação. Em seguida, o governo estadual cancelou a compra sem licitação por R$ 15 milhões de obras literárias em formato digital, que também podem ser fornecidas pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).[152][153][154][155]

A Multilaser firmou três contratos no valor de 243 mil reais com o governo estadual desde janeiro de 2023 em Pastas comandadas por colegas de Feder no governo. O maior deles, de R$ 226 mil, foi de venda de materiais hospitalares para o Instituto de Atenção Médica do Servidor Estadual (Iamspe). Ao se tornar titular da Educação paulista, Feder tornou-se ainda responsável por fiscalizar o cumprimento de três contratos de sua própria empresa com o governo, que somados chegam a R$ 200 milhões. O último deles foi assinado em 21 de dezembro de 2022, ainda no governo de Rodrigo Garcia (PSDB), dez dias antes de Feder tomar posse, mas depois de já ter sido anunciado como futuro titular da secretaria por Tarcísio. No valor de R$ 76 milhões, ele prevê o fornecimento de notebooks para alunos.[156][157]

A Multilaser deixou de cumprir o cronograma de entrega dos equipamentos — que deveria começar em fevereiro — e recebeu de Feder, ao lado de outras empresas, o direito de quitar sua obrigação até o próximo dia 31 sem que nenhuma sanção fosse aplicada. Pela mesma infração em contrato de venda de notebooks para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Multilaser foi punida e ficou de 1.º a 15 de agosto proibida de contratar com o poder público, entrando para o cadastro da Controladoria Geral da União (CGU). Tarcísio defendeu que os contratos foram feitos "dentro da regra do jogo", mas proibiu novas contratações com a empresa.[158]

Multas do período de pandemia de COVID-19

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Ficou para a gestão de Tarcísio de Freitas a necessidade de cobrança de certas multas do período da Pandemia de COVID-19. Ainda no começo de 2023, a gestão de Tarcísio cobrou R$113 mil de Eduardo Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia,[159] e eventualmente a Justiça determinou que pagasse a multa.[160]

Jair Bolsonaro também foi multado diversas vezes durante a gestão João Doria,[161] e em um primeiro momento do governo Tarcísio, a cobrança foi mantida.[162] Em novembro de 2023, porém, Tarcísio sancionou um projeto de lei que anistiou aqueles que receberam multas por descumprir regras sanitárias, perdoando mais de um milhão de reais em multas do ex-presidente.[163]

A decisão foi em seguida questionada por Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal, que enxergou inconstitucionalidade na lei.[164] O governador negou que tivesse qualquer desvio de finalidade, e afirmou que, não havendo mais a emergência da pandemia, gerariam mais ônus do que benefícios.[165] A Advocacia-Geral da União defendeu, em seguida, no âmbito de uma ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores, que o STF declarasse a lei inconstitucional.[166]

Em janeiro de 2024, Tarcísio de Freitas sancionou a lei que perdoou cerca de 10 mil autuações considerando o não uso de máscara e a proibição de aglomerações em estabelecimentos comerciais, estabelecimento informais, festas clandestinas, entre outros, e 579 transeuntes autuados pela não utilização de máscaras de proteção facial.[167] O total arrecadado incluiria pouco mais de R$72,1 milhões. A medida beneficiou também 7 políticos bolsonaristas,[168] incluindo Jair Bolsonaro[169][170] e Eduardo Bolsonaro.[171]

Em maio de 2024, o assunto voltou quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a derrubada da lei que anistia multas aplicadas em São Paulo durante a pandemia. O parecer foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação movida pelo PT.[172]

Privatização e leilão de empresas paulistas

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O governo Tarcísio de Freitas tem como principais feitos a privatização e leilões de empresas paulistas,[11][173] muitas vendidas abaixo do valor de mercado, causando, consequentemente, prejuizo aos cofres estaduais.[174]

"Tarcísio segue entregando o patrimônio público paulista, especialmente nos serviços essenciais como transporte, infraestrutura, água e saneamento, e agora na educação. Ao invés de investir na melhoria da educação pública, na construção de novas escolas, o governador se esquiva das suas responsabilidades, terceirizando essa tarefa para a iniciativa privada, que prioriza lucro, e não um bom serviço para a população".

— Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.[11]

Leilão do Rodoanel

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Em março de 2023, o governo de São Paulo promoveu o primeiro leilão da gestão de Tarcísio de Freitas: o do trecho norte do Rodoanel,[175] uma obra bastante aguardada para ser finalizada no Estado.[176] O fundo de investimento Via Appia Infraestrutura foi o vencedor do leilão.[177][178] Estavam previstos investimentos de 3,4 bilhões de reais para terminar o último segmento restante do Rodoanel, previsto para ser entregue em 2026.[179]

Em 9 de fevereiro daquele ano, Tarcísio havia feito uma série de vetos legislativos, barrando leis anteriormente aprovadas pela Assembleia: vetou a redução da alíquota do ITCMD, o imposto de heranças, uma lei que ampliava a distribuição pública de absorventes, e um projeto que dava validade indeterminada à laudos médicos atestando o transtorno do espectro autista.[180][181] No dia seguinte, o governo recuou do veto ao projeto de validade dos laudos.[182] Em Setembro de 2023, o Governador Tarcísio já havia se reunido com prefeitos dos municípios abastecidos pela SABESP em um Bloco para discutir a privatização, ocorrida no ano seguinte.[183]

Privatização da Sabesp abaixo do valor de mercado e aumento das tarifas

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Outra privatização feita pelo governo Tarcísio foi a da Sabesp. Em julho de 2023, Tarcísio anunciou que a empresa passará por uma oferta pública de ações no modelo de follow-on, atraindo acionistas de referência e mantendo o Estado com participação minoritária na empresa. Inicialmente, Tarcísio estimava que a operação permitiria a redução imediata da tarifa de água e esgoto, informação contestada por especialistas que afirmam que esse valor só poderá ser sustentado através de subsídios do governo.[184][185] O governo do estado afirmou, também, que além da suposta redução, a privatização asseguraria 66 bilhões de reais em novos investimentos para universalizar o acesso à água e esgoto coletado e tratado dentro dos 375 municípios atendidos pela companhia, incluindo áreas urbanas irregulares e rurais hoje não contempladas, atendendo cerca de 10 milhões de pessoas e contribuindo para a antecipação da meta de universalização do saneamento para 2029.[186][187][188][189] Posteriormente, Tarcísio admitiu que conta de água vai subir mesmo com privatização da Sabesp.[190]

Em abril de 2024, antes da privatização, o governo Tarcísio de Freitas anunciou que o desconto tarifário prometido com a privatização da Sabesp seria de 10%, direcionado para a população de baixa renda. Além da redução para os mais vulneráveis, a gestão previa ainda desconto de 1% da tarifa residencial para consumidores com renda acima de meio salário e a redução de 0,5% para comércios e indústrias.[191][192] No entanto, no meio do processo de privatização, houve uma votação cancelada e um aumento de tarifa.[193][194][195]

Em julho, a Sabesp foi vendida por 14,8 bilhões de reais, um preço de 22% abaixo do mercado, o que gerou um perdas de 4,5 bilhões de reais aos cofres do estado de São Paulo. As ações da empresa estavam avaliadas em 87 reais, porém Tarcísio as vendeu por 67 reais cada, abrindo mão de cerca de 8 bilhões de reais.[174][196] Posteriormente, a empresa rompeu contratos que previam descontos para grandes consumidores. A decisão atingiu hospitais, indústrias, supermercados, hotéis, shoppings e museus. Algumas empresas antecipam impacto de até 200% na conta de água para 2025.[197][198] A empresa também começou a cobrar tarifa de esgoto mesmo para imóveis que ainda não têm coleta no estado.[199] Justificando o aumento de tarifa Carlos Piani, CEO da Sabesp, afirmou:

A Sabesp tem 51 anos, ao longo desse período, por sua própria conta, ela dava desconto para alguns clientes. Fazia política pública, não era uma questão regulatória. A Sabesp não é mais controlada pelo Estado. Quem tem que fazer essa política pública é o Estado.[200]

Em dezembro de 2025, a empresa anunciou um aumento de 6,11% nas contas de água, sendo o aumento equivalente a correção da inflação nos últimos 16 meses, sem aumento real.[201]

Entrega de escolas públicas para a iniciativa privada

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Seguindo seu método de leiloar o "patrimônio público paulista", nas palavras de Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região,[11] Tarcísio começou a privatizar escolas estaduais. Em outubro de 2024, realizou um leilão para privatizar construção de 17 escolas estaduais em 14 cidades.[202] No mês seguinte, realizou o segundo leilão de novo lote.[203]

Em 2025, o Governo Tarcísio de Freitas autorizou início da privatização de mais 143 escolas estaduais.[204] O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu que as privatizações da educação "compromete o serviço público de educação" e determinou a anulação de dois leilões realizados por Tarcísio e suspendeu o processo de privatização das escolas públicas estaduais. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) comemorou a decisão.[205]

Leilão de linhas da CPTM

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Tarcísio visitando as obras da nova Linha 6 do Metrô de São Paulo em julho de 2025.

Em fevereiro de 2023, após sucessivas falhas nas operações da ViaMobilidade nas linhas 8 e 9 dos trens metropolitanos na Grande São Paulo, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pressionou Tarcísio para que houvesse o rompimento do contrato de concessão de ambas as linhas e a devolução das operações à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), devido às falhas e riscos aos quais os passageiros e ferroviários vêm sendo submetidos. No entanto, após uma reunião à portas fechadas com executivos da concessionária, o mesmo descartou rompê-los, recusando-se pessoalmente a cumprir com a decisão homologada pelo MP-SP.[206]

Em 2025, Tarcísio leiloou mais três linhas de trens da CPTM: as linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e a operação do Expresso Aeroporto, incluídos no chamado "Lote Alto Tietê".[207]

Segurança pública

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Tarcísio em visita ao BOPE-RJ e entrega da Medalha Mérito de Operações Especiais, ao lado de Jorginho Mello, Romeu Zema, Cláudio Castro, Eduardo Leite e Ratinho Júnior

Em seu primeiro ano de governo, 2023, houve um corte de ao menos 37,3 milhões de reais no programa de câmeras corporais nos policiais do Estado[208] e o número de pessoas mortas pela Polícia Militar aumentou em 34%.[209] A SSP registrou ainda número recorde de estupros e feminicídios no Estado, mas ainda assim gastou apenas 3% do valor previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para a implantação de Delegacias de Defesa da Mulher 24 horas (DDM).[210] Para 2024, Tarcísio congelou os investimentos de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. Os 5 milhões de reais do programa deveriam sair dos cofres da Secretaria de Políticas para a Mulher, mas a verba foi congelada por um decreto assinado pelo governador em 18 de janeiro.[211]

Também em 2024, com a Operação Escudo, Tarcísio foi denunciado formalmente à ONU devido à letalidade da operação. Ainda que o governo paulista já tenha sido denunciado anteriormente, foi a primeira vez que o governador foi implicado diretamente.[212] Tarcísio ironizou a denúncia, dizendo não estar "nem aí".[213]

Na noite do dia 6 de dezembro, Tarcísio afirmou durante um evento sobre os desafios da segurança pública no Brasil, que se arrepende da "postura reativa" que teve sobre o uso das câmeras corporais em policiais. A declaração ocorreu após vários casos de violência policial terem sido divulgados na imprensa.[214] Ainda em dezembro, mais de 60 organizações da sociedade civil, grupos de familiares e mães das vítimas da violência policial denunciaram nesta sexta-feira 20 à Organização dos Estados Americanos (OEA) o governador de São Paulo, Tarcísio e o secretário da segurança pública, Guilherme Derrite, pelo aumento da violência policial no estado. O documento pede também à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o acompanhamento dos casos e recomendações oficiais ao estado brasileiro para agir pela diminuição da violência policial em todo país. O texto foi protocolado ao secretário de Segurança Multidimensional da OEA, Ivan Marques. O texto conta com assinaturas de movimentos negros como UNEafro Brasil, MNU, Instituto de Referência Negra Peregum, Geledes – Instituto da Mulher Negra, Casa Sueli Carneiro e a Rede de Proteção Contra o Genocidio.[215]

Câmeras policiais

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Desde as eleições de 2022, Tarcísio adotou uma postura crítica quanto à utilização de câmeras policiais,[216][217] rendendo-lhe críticas,[218] além de limiares visando a manutenção do programa das câmeras, que acabaram suspensas.[219][220]

Apesar de por vezes ter defendido a manutenção do programa,[221][222][223] esse foi eventualmente congelado,[224] passando por cortes de verba diversos.[225][226][227][228][229] Um estudo feito pela Fundação Getulio Vargas a pedido do governo de São Paulo na gestão Rodrigo Garcia havia indicado melhora no desempenho de batalhões que usam câmeras, mas a continuidade do estudo foi também descartada pela gestão Tarcísio, afirmando que seu papel havia sido cumprido.[230] Já um levantamento da GloboNews apontou que câmeras corporais coibiriam crimes cometidos por policiais.[231] No fim de outubro de 2023, questionado sobre a compra de novas câmeras, frente ao aumento da letalidade policial no estado,[232] o governador afirmou que não o faria, por ter outras prioridades.[233][234]

Liminares que obrigavam o governo a instalar câmeras em todos os policiais militares do estado foram derrubadas pelo judiciário do estado,[219][235] uma durando apenas um dia.[220][236] Pedidos da Defensoria Pública foram igualmente negados pelo poder judiciário.[237][238] O deputado Emídio de Souza (PT) protocolou uma representação junto ao procurador-Geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, questionando o posicionamento do MPSP sobre as declarações de Tarcísio.[239]

A não renovação do contrato dos equipamentos foi criticada por algumas entidades como Conectas Direitos Humanos e Instituto Sou da Paz, além do Núcleo de Estudos da Violência da USP.[218] Em janeiro de 2024, o contrato das câmeras policiais havia sido renovado por apenas 6 meses.[240] Ainda no mesmo mês, poucos dias depois de questionar abertamente a eficácia das câmeras, o governador falou em uma possível ampliação do programa.[241][242]

Em março em 2024, o governador confirmou o lançamento de um edital até maio para a atualização de 3.125 das câmeras, sem ampliação do montante total.[243] Mais tarde, em maio, um novo edital aumentou o número total de câmeras de 10.000 para 12.000,[244] mas em vez de gravação contínua, o equipamento pode ser ativado ou desativado a critério do policial que estiver usando, gerando crítica de especialistas.[245][246] O governador defendeu a medida, afirmando que ela adiciona mais governança ao processo de filmagem,[247] e posteriormente que não quer um "policial vigiado". O STF deu 72 horas para que o governo de São Paulo se manifeste sobre as mudanças no programa de câmeras, previstas em novo edital para a contratação de 12 mil novos equipamentos.[248] O TCE chegou a acolher uma denúncia contra o edital aperto pelo governo do estado,[249] mas rejeitou o pedido de suspensão depois de esclarecimentos da gestão.[250] No dia 10 de junho, atendendo pedido feito pelo PGR,[251] o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, determinou que o Governo de São Paulo seguisse as diretrizes do governo Lula para a instalação de câmeras corporais na Polícia Militar do estado.[252]

Corte de recursos de combate ao crime organizado

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Em 2025, Tarcísio encaminhou a proposta orçamentária para 2026 que prevê a redução dos recursos destinados ao combate ao crime organizado num valor (325,8 milhões de reais) que corresponde menos da metade daquele reservado para 2025 (666,4 milhões de reais).[17]

Facilitação da grilagem de terras paulista a fazendeiros ilegais

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A regularização fundiária em São Paulo durante o governo de Tarcísio de Freitas ganhou destaque a partir da aplicação da Lei Estadual nº 17.557, de 2022, que regulamentou a venda de terras devolutas a ocupantes irregulares. A medida, proposta ainda no governo anterior, foi ampliada pela atual gestão e passou a ser alvo de controvérsias políticas, jurídicas e sociais. A norma permite a legalização da posse de áreas públicas ocupadas por grandes fazendeiros, especialmente no Pontal do Paranapanema, região marcada historicamente por disputas de terra entre latifundiários, comunidades tradicionais e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).[253][254]

Segundo dados divulgados pela imprensa, em 2023 foram protocolados ao menos dez processos de regularização envolvendo mais de 4 mil hectares de terras, com valor de mercado estimado em cerca de 64 milhões de reais, mas vendidos por aproximadamente 14 milhões de reais, em razão de descontos previstos em lei que podem chegar a 90%. O governo estadual argumenta que a regularização supostamente evitaria litígios, reduzia custos com indenizações e promoveria maior arrecadação e formalização de propriedades, ao mesmo tempo em que estabelece limites de até 2 500 hectares por beneficiário.[253][255]

A medida, no entanto, enfrenta contestação no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto a Advocacia-Geral da União quanto a Procuradoria-Geral da República manifestaram-se contrárias à lei, sustentando que a alienação de terras devolutas ocupadas irregularmente pode estimular a grilagem e comprometer princípios constitucionais ligados à indisponibilidade de bens públicos e à função social da terra. Críticos também apontam que o programa privilegia grandes proprietários rurais e reduz a possibilidade de destinação de áreas a projetos de reforma agrária, além de suscitar preocupações ambientais quanto ao uso de terras degradadas.[19][254][255][256]

Entre os beneficiários identificados em processos de regularização figuram fazendeiros e empresários, incluindo um advogado que realizou doações à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro, fato que gerou debates sobre potenciais favorecimentos políticos. A política de regularização, por sua vez, é defendida por autoridades estaduais como um instrumento para consolidar a propriedade privada e incentivar investimentos produtivos.[19]

O programa foi apelidado de "passar a boiada", expressão associada à aceleração de medidas de flexibilização ambiental e fundiária, e permanece em debate tanto no campo político quanto no jurídico. A decisão do STF sobre a constitucionalidade da lei deverá definir os limites da aplicação dessa política, que envolve questões de governança fundiária, justiça social, preservação ambiental e arrecadação pública.[19]

Da esquerda para a direita: Ronaldo Caiado, Benjamin Netanyahu e Tarcísio de Freitas

Viagem a Israel

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Durante o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas tem buscado manter o apoio de eleitores de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que tenta agradar opositores - enquanto declarava alinhamento ao bolsonarismo, apareceu ao lado de Lula e ministros, em particular em apoio à reforma tributária, rendendo-lhe atritos com bolsonaristas.[257] Na contramão do governo Lula, que condenou o genocídio promovidas por Israel na Faixa de Gaza,[258][259][260] Tarcísio assumiu uma postura de defesa do governo de Benjamin Netanyahu, o qual tem promovido uma aproximação deliberada com lideranças de oposição ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.[261][262]

Em 11 de março, o governador de São Paulo anunciou que faria uma viagem oficial de cinco dias a Israel, juntamente com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por convite expresso do primeiro-ministro israelense.[263] Em entrevista à CNN Brasil, Freitas declarou que

A gente tem uma excelente relação, estamos aceitando um convite e pronto. Sem ideologia e sem política.[263]

Ainda segundo o Portal do Governo paulista, a viagem teria como objetivo "além de estreitar as relações com o país", também "trocar experiências para o desenvolvimento de novas tecnologias no Estado", particularmente nos campos de aviação civil e militar, indústria eletrônica e tratamento de água e esgotos.[264]

A natureza oficial da viagem precisou ser confirmada pelo Palácio dos Bandeirantes, após a Embaixada de Israel no Brasil ter negado o que aparentava ser mais uma tentativa de associar o governo Natanyahu à lideranças bolsonaristas. Para que não restasse qualquer dúvida, em 13 de março o governo paulista divulgou o convite recebido dos israelenses e assinado pelo embaixador Yossi Shelley, o qual diz:[265]

É com grande honra e satisfação que o Governo de Israel convida V. Exa. para uma importante visita em Israel, na próxima semana. Durante a sua estadia, teremos o prazer de convidá-lo a reunir-se com o Primeiro Ministro, bem como a visitar empresas inovadoras, que podem proporcionar experiências enriquecedoras para promover o diálogo e a colaboração entre as nossas regiões sobre tecnologia, economia de Israel, segurança pública e recursos hídricos.[265]


A viagem foi encarada por setores à esquerda e à direita no espectro político brasileiro como uma provocação à política externa do governo Lula.[266][267][268]

PEC de flexibilização da verba de educação do estado

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Em 2024, Tarcísio apresentou a PEC 9/2023, que alteraria o texto constitucional estadual para permitir a flexibilização do investimento na educação pública. Segundo o texto da PEC, o percentual flexibilizado ainda poderá ser utilizado em ambas pastas. Pela legislação até então, o executivo paulista tinha a obrigação de investir, no mínimo, 30% da receita advinda de impostos para a manutenção e desenvolvimento do ensino público, desde o básico até o superior.[269]

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou a PEC em segunda e definitiva votação, do dia 27 de novembro de 2024, abrindo a possibilidade de o governo destinar parte dos recursos obrigatórios da educação para a saúde. O percentual da educação passou a ser de 25%, flexibilizando a destinação dos 5% restantes, que equivalem a cerca de R$ 11 bilhões por ano.[270][271]

Conflitos e corte de verba da Fundação Padre Anchieta

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Em 2024, se acirraram uma série de conflitos entre o governo do estado de São Paulo e a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rádio e TV Cultura, entre outras iniciativas. Em abril, o governo fez um contingenciamento de 13 milhões do orçamento, sob protestos da fundação.[272] No mesmo mês, a base do governador protocolou uma CPI para apurar eleição para o Conselho Curador e analisar gastos da Fundação, que foi vista pela direção como um ataque político.[273][274][275]

Os atritos seguiram por meses até que, em uma reunião em novembro, Tarcísio enfatizou que queria eficiência e que "não tem orçamento hoje" para aumentar a receita da fundação. O governador teria dito ainda que contava com a Fundação para obter recursos junto a terceiros, setor privado, Lei Rouanet e "outras coisas mais".[276][277]

No mesmo período, foram relatadas demissões e a suspensão de gravação de programas.[278] A oposição, especialmente frente à sugestão de busca de recursos externos, acusa Tarcísio de sucatear a empresa para privatizá-la.[279] Mesmo funcionários apresentaram oposição a essas medidas, argumentando que o orçamento do estado permitiria tais esforços.[280]

As tensões da relação entre o governo e a Fundação seguiram se acirrando. Em novembro, a Fundação passou a buscar apoio para mudar a proposta de orçamento sem custeio de Tarcísio.[281] Em dezembro, o deputado estadual bolsonarista Lucas Bove foi eleito nesta terça-feira para o conselho da Fundação Padre Anchieta, responsável por administrar a TV Cultura. O mandato é de dois anos. Ele foi escolhido pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, que tem direito a um assento na instância.[282]

Incêndios florestais e corte no combate às queimadas

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Em 2024, o estado de São Paulo teve 2 meses seguidos de recorde de focos de incêndios. Apesar disso, o governo Tarcísio previu para 2025 uma redução de verba do combate às queimadas. O orçamento foi entregue à Alesp no dia 30 de setembro, no mesmo período em que o estado completava dois meses consecutivos de recorde de focos de incêndio: foram 3 612 em agosto e 2 522 em setembro, os maiores valores para os respectivos meses desde 1998.[283]

Em dezembro do mesmo ano, o ministro Flávio Dino, do STF, deu 30 dias para que a Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo de Tarcísio de Freitas apresentar um relatório sobre investimentos da gestão paulista em programas de proteção ao meio ambiente nos anos de 2023 e 2024. Segundo o despacho desta quinta, o documento deverá detalhar, em especial, as causas da não execução de recursos em atividades que visam a prevenção de queimadas. Dino também enviou sua decisão ao Plenário Virtual do STF, para que os demais ministros analisem a questão. A liminar acatou pedido formulado numa ação apresentada pelo PSOL. O partido alega que, em um momento de emergência climática, o governo paulista estaria omitindo-se nos deveres de proteção ambiental. Entre outros pontos, o partido pede que seja determinado o aumento do valor previsto para combate a incêndios, que foram reduzidos no orçamento estadual, e que seja intensificada a proteção em áreas dos biomas Cerrado e Mata Atlântica.[284]

Fim do regime especial de ICMS para bares e restaurantes

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Em dezembro de 2024, o governo Tarcísio decretou o fim do regime especial com que reduz o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do setor de bares e restaurantes. Representantes do segmento se mostraram preocupados e criticaram abertamente a medida, estimando um aumento de 7% ou mais nos valores de refeições já em janeiro, afirmando que isso poderia comprometer diversos negócios.[285][286][287]

Intervenção na Favela do Moinho

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Em maio de 2025, o governo Tarcísio, em parceria com o Governo Federal, iniciou uma intervenção na Favela do Moinho, localizada nos Campos Elíseos da Capital Paulista.[288] A decisão de deslocar para outros lugares os residentes na favela é acompanhada pelo governo federal. A área, que pertence à União, está em processo de cessão para a administração de Tarcísio de Freitas. O governador quer utilizar o espaço como parte do projeto Parque do Moinho.[289]

Em maio de 2025, conflitos eclodiram na favela devido ao projeto da gestão Tarcísio de Freitas de deslocar definitivamente a favela para transformar o terreno em um parque. O Governo Federal, proprietário do terreno onde está localizada a favela, condicionou a transferência da propriedade, mediante garantia de reassentamento de todos os moradores de maneira pacífica, razão pela qual a cessão do terreno foi suspensa devido aos protestos de moradores contra a atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que passou a demolir casas e hostilizar moradores.[290]

Apesar dos conflitos, o governo estadual oferece um auxílio aluguel e um financiamento para a compra de novas residências para as famílias. O governo estadual e o federal chegaram a um acordo para uma transição mais suave e que deverá garantir moradias no valor de até 250 mil reais para os afetados.[291] As famílias também serão atendidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.[292]

Programa "SuperAção SP"

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Em maio de 2025, o governo Tarcísio lançou um programa de inclusão socioprodutiva. Batizado de SuperAção SP, o programa é voltado à superação da pobreza com foco na autonomia por meio da inclusão produtiva de famílias em situação de vulnerabilidade. A ideia do governo Tarcísio é integrar 29 políticas públicas setoriais, envolvendo diretamente nove secretarias, e adotar novas ações inspiradas em cerca de 60 programas mundo afora. A principal referência vem do Chile: o programa Puente, criado há duas décadas e considerado uma das mais bem-sucedidas ações de superação da pobreza. Com investimento inicial de R$ 500 milhões, o programa será executado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS).

Dentro do pacote de ações, estão medidas em áreas tradicionalmente ligadas às políticas de assistência social, como transferência de renda, educação e saúde, mas também medidas de outras pastas, como a de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e a de Desenvolvimento Econômico. Um exemplo é a criação de uma nova faixa de desconto na tarifa social da Sabesp, em núcleos urbanos informais que sejam passíveis de regularização. Neste caso, não será necessário, por exemplo, que a família esteja no Cadastro Único - ao viver numa área elegível, os moradores já serão contemplados. Essa medida, por exemplo, pode estender o desconto a 300 mil novas famílias, ou cerca de 1 milhão de pessoas.[293]

No dia 24 de junho de 2025, o programa foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Apesar da aprovação, deputados estaduais de oposição ao governo Tarcísio argumentaram que "não há detalhamento suficiente no texto para estabelecer continuidade ao programa", além de não terem sido apresentados "recursos financeiros suficientes".[294]

Programa Casa Paulista

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Em 2023, foi lançado o Programa Casa Paulista. Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), o programa tem como objetivo reduzir o déficit habitacional, estimado em 1,16 milhão de moradias, e promover o acesso à moradia digna para famílias de baixa renda.[295]

Política Estadual e Alianças municipais

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Tarcísio e Ricardo Nunes na cerimônia de Solenidade de Diplomação das Eleitas e Eleitos nos Pleitos de Outubro de 2024, 19 de dezembro de 2024.

Como governador, Tarcísio buscou consolidar uma coalizão estadual de centro-direita ancorada em seu partido, Republicanos, no Partido Social Democrático (PSD) de Gilberto Kassab e, onde os interesses convergiam, no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), enquanto mantinha um engajamento seletivo com o Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro. Análises do ciclo municipal de 2024 descreveram uma guinada à direita entre os eleitorados urbanos, sem uma adesão completa ao bolsonarismo mais radical, um padrão visto por comentaristas como vantajoso para o posicionamento pragmático de Tarcísio na direita brasileira.[296]

Tarcísio priorizou a construção partidária em torno do Republicanos, enquanto aproveitava a máquina municipal do PSD, frequentemente se apresentando como um cabo eleitoral para candidaturas favoráveis aos negócios e focadas em segurança. O arranjo produziu chapas cooperativas em várias cidades, mas também expôs rachas com candidatos apoiados pelo PL, com algumas disputas sendo enquadradas pela imprensa como confrontos indiretos entre a rede de Gilberto Kassab (PSD) e a de Bolsonaro. Em vários segundos turnos, o governador adotou neutralidade ou posturas discretas para evitar rupturas abertas na direita.[297][298]

Os resultados pós-eleitorais creditaram ao Republicanos ganhos significativos em prefeituras, enquanto observaram que candidatos alinhados ao PL, de linha mais dura, tiveram desempenho abaixo do esperado em vários grandes centros urbanos; esses resultados foram interpretados como um fortalecimento da posição de Tarcísio como articulador de coalizões no estado.[299][300]

Atuação na Campanha de Ricardo Nunes em São Paulo

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Tarcísio desempenhou um papel central na campanha de reeleição de Ricardo Nunes (MDB) na Eleição municipal de São Paulo em 2024, articulando uma coligação de 12 partidos, incluindo MDB, Republicanos e PL, que garantiu o maior tempo de propaganda eleitoral, e convencendo Jair Bolsonaro a apoiar Nunes com a escolha do Coronel Ricardo Mello Araújo (PL) como vice, enquanto desincentivava o apoio a Pablo Marçal (PRTB), o que fez ele enfrentar muitas críticas por parte de apoiadores de Marçal.[301][302] Participou ativamente de agendas públicas, como caminhadas no Mercado Municipal e no Capão Redondo, intensificando sua presença no primeiro turno, adiando um procedimento médico, e marcando eventos como a “Arrancada para a Vitória” com 8 mil apoiadores; foi figura central na propaganda de TV e rádio, sugerindo ajustes estratégicos, como a contratação do marqueteiro Pablo Nobel, e destacou obras conjuntas, como o Piscinão Casa Verde/Ponte Baixa e habitação no centro, reforçando a parceria estado-município; mediou tensões com bolsonaristas, atraindo parte desse eleitorado.[303]

Sua atuação foi decisiva para a vitória de Nunes com 59,87% dos votos no segundo turno, consolidando Tarcísio como um líder influente da centro-direita e projetando-o para 2026.[304][305]

Conflitos e coordenação com o PL

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As relações com candidatos do PL variaram por cidade. Em algumas disputas, candidatos do Republicanos e do PSD competiram diretamente contra figuras apoiadas pelo PL; em outros casos, Tarcísio apoiou ou posteriormente convergiu com campanhas do PL no segundo turno. Essa coordenação seletiva refletiu afinidades políticas em temas como segurança e infraestrutura, além de diferenças táticas em relação à identidade partidária e perfis dos candidatos.

Fora da cidade de São Paulo, candidatos alinhados com Tarcísio também obtiveram vitórias em municípios importantes. Em Campinas, Dário Saadi foi reeleito no primeiro turno; em Sorocaba, Rodrigo Manga também garantiu vitória no primeiro turno; e em Santos, Rogério Santos conquistou a reeleição no segundo turno. Todos os três candidatos pertenciam ao partido de Tarcísio, o Republicanos.[306][307][308]

Em São José dos Campos, Anderson Farias (PSD) derrotou seu adversário do PL no segundo turno; em Guarulhos, após a derrota do candidato do Republicanos, Tarcísio endossou Lucas Sanches (PL), que venceu o segundo turno.[309][310]

Acusações durante eleições municipais

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Na manhã do dia 27 de outubro de 2024, o governador Tarcísio de Freitas do Republicanos disse, sem apresentar provas, que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) orientou aos seus membros criminosos que votassem em Guilherme Boulos do PSOL para a prefeitura de São Paulo. Ele estava ao lado do candidato à reeleição Ricardo Nunes do MDB durante coletiva de imprensa no Morumbi, na Zona Sul da capital. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) afirmou que não recebeu relatório. Em coletiva de imprensa, Boulos afirmou que a fala de Tarcísio é "irresponsável", '"mentirosa" e "crime eleitoral".[311] Em resposta, a campanha de Boulos entrou com notícia-crime no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o governador de São Paulo e o seu adversário no segundo turno da capital paulista, Ricardo Nunes do MDB.[312] Em 7 de março de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) absolveu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes de crime eleitoral ligando PCC a Guilherme Boulos, no 2° turno da eleição de 2024.[313]

Conclusão parcial do Trecho Norte do Rodoanel

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Sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas, o primeiro segmento do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas (SP-021) foi entregue em 22 de dezembro de 2025, após cerca de 13 anos desde o início das obras em 2013. O segmento inaugurado compreende aproximadamente 24 km, conectando as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, e foi aberto ao tráfego em 23 de dezembro.[314]

As obras haviam enfrentado interrupções e permaneceram paralisadas por seis anos, de 2018 a abril de 2024. A retomada ocorreu em abril de 2024, por meio da concessionária Via Appia Infraestrutura, vencedora da licitação realizada em 2023, com a entrega antecipada em seis meses em relação ao cronograma contratual.[315]

O investimento total previsto para os 44 km do trecho norte é de R$ 3,4 bilhões. A conclusão do trecho restante (cerca de 20 km, até a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães) está prevista para o segundo semestre de 2026, quando o Trecho Norte ficará integralmente concluído, completando os 176 km do Rodoanel Mário Covas.

A cerimônia de inauguração foi marcada por uma troca de farpas entre Tarcísio de Freitas e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante (PT), presente ao evento. Mercadante criticou a ausência de menção ao financiamento do BNDES na placa inaugural, destacando que o banco contribuiu com cerca de um terço do investimento, e defendeu maior cooperação entre entes federativos. O governador reconheceu o papel técnico do BNDES, mas atribuiu os atrasos históricos a casos de corrupção em gestões anteriores.[316]

Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo

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Em 31 de março de 2026, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, o governo de São Paulo inaugurou a Linha 17-Ouro, monotrilho com 6,7 km de extensão e oito estações elevadas, que liga o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital. A linha conecta-se à Linha 5-Lilás, na estação Campo Belo, e à Linha 9-Esmeralda da ViaMobilidade na estação Morumbi, oferecendo a primeira integração direta por trilhos ao segundo maior aeroporto do país. A operação iniciou em regime transitório, com horários iniciais restritos e ampliação prevista para horário integral em etapas posteriores.[317]

A Linha 17-Ouro foi originalmente projetada como parte do legado de transportes para a Copa do Mundo FIFA de 2014, com previsão de entrega antes do evento. As obras enfrentaram sucessivos atrasos, paralisações e reduções de escopo ao longo de mais de uma década, tendo sido retomadas em 2023 pela administração estadual e concluídas em 2026. Durante a cerimônia de inauguração, o governador Tarcísio de Freitas autorizou o projeto executivo para a expansão da linha em mais 4,6 km, com quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis, que ampliarão a cobertura na Zona Sul e integrarão a segunda maior comunidade da capital ao sistema sobre trilhos.[318]

Essa entrega representa a primeira nova linha de metrô inaugurada na gestão, após anos sem expansões significativas no sistema metroviário paulista.

Revitalização do Centro da Capital (2023–presente)

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Durante seu governo, Tarcísio de Freitas tem priorizado a revitalização da região central de São Paulo por meio da estratégia de "reocupação funcional". O plano busca combinar a transferência de órgãos públicos estaduais para o centro, parcerias com a Prefeitura de São Paulo e o setor privado, estímulo ao comércio e ao turismo, expansão da habitação de interesse social e reforço da segurança pública, com o objetivo de reverter o esvaziamento residencial e comercial da área.[319][320]

As principais iniciativas incluem a criação do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos e o projeto "Boulevard São João", lançados em parceria com a Prefeitura de São Paulo, liderada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Novo Centro Administrativo Campos Elíseos

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O projeto mais estruturante é a transferência da sede do Governo do Estado do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para a região dos Campos Elíseos. Em 26 de fevereiro de 2026, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro sagrou-se vencedor do leilão da Parceria Público-Privada para a construção e operação do complexo administrativo.[319][321]

O projeto prevê investimentos totais estimados em cerca de R$ 6,1 bilhões, com a construção de sete edifícios e dez torres, além da restauração de imóveis históricos. O complexo deverá abrigar o gabinete do governador, as 28 secretarias de estado e cerca de 22 mil servidores públicos. Entre as intervenções previstas estão a realocação do Terminal Princesa Isabel e a integração com a Estação da Luz. O governo estima que a presença diária de milhares de servidores possa dinamizar o comércio local e gerar empregos.[322]

Boulevard São João

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Em 23 de abril de 2026, o governo estadual e a Prefeitura de São Paulo lançaram oficialmente o "Boulevard São João", projeto de requalificação urbana no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, um dos pontos mais icônicos do centro.[323][324]

Apelidado pela imprensa de "Times Square paulistana", a iniciativa prevê a instalação de grandes painéis de LED em quatro edifícios, sendo eles o Cine Paris, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. O projeto recebeu exceção parcial à Lei Cidade Limpa, com a determinação de que pelo menos 70% da programação seja de conteúdo cultural. A operação será conduzida pela iniciativa privada por meio de termo de cooperação de três anos, com operação prevista para iniciar entre agosto e setembro de 2026.[325]

Também está previsto o restauro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e da estátua da Mãe Preta.[326]

Medidas complementares

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Além dos dois projetos principais, o governo tem atuado em frentes de habitação e segurança. Na área habitacional, foram ampliadas as Parcerias Público-Privadas voltadas ao retrofit de edifícios antigos para moradia de famílias de baixa e média renda, integrando-se ao programa Casa Paulista.

Na segurança, a região é prioridade do programa Muralha Paulista, que utiliza cercamento digital, reconhecimento facial e ferramentas de inteligência artificial para monitoramento, com foco na redução de crimes patrimoniais e no controle da área conhecida como Cracolândia. Paralelamente, o Estado mantém o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas como parte da abordagem de atenção à dependência química.[327]

Reações e controvérsias

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As iniciativas de revitalização do centro têm gerado debates. O governo defende que as medidas são necessárias para recuperar economicamente uma região historicamente degradada, aumentar a arrecadação, gerar empregos e melhorar a segurança por meio da presença estatal e privada.

Por outro lado, associações de moradores, movimentos de moradia, urbanistas e entidades de direitos humanos criticam o risco de gentrificação, o modelo de desapropriações e a possível descaracterização do tecido social e histórico do bairro. Há também questionamentos sobre o equilíbrio entre intervenções de grande visibilidade e a preservação da memória cultural da região central.

Eleições de 2026

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Entre 2023 e o final de 2025, o nome de Tarcísio de Freitas foi recorrentemente mencionado em análises políticas e pesquisas de opinião como possível candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Desde o início de sua gestão no governo de São Paulo, o governador passou a figurar em cenários hipotéticos de primeiro e segundo turno elaborados por institutos de pesquisa e veículos de imprensa. Lideranças do Centrão e setores do mercado financeiro frequentemente o apontavam como uma das alternativas da centro-direita com potencial de atrair eleitores além da base bolsonarista tradicional.

Durante esse período, reportagens e analistas políticos destacavam fatores como a aprovação de sua administração no estado, índices de rejeição relativamente menores em comparação com outros nomes do campo conservador, alguns dos quais apresentavam patamares elevados de rejeição em pesquisas, e sua capacidade de articulação partidária. Setores do Centrão e interlocutores ligados ao PSD, incluindo o então secretário de Governo Gilberto Kassab, trabalhavam com a hipótese de uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio. A atuação do governador na campanha de reeleição de Ricardo Nunes (MDB) à Prefeitura de São Paulo, em 2024, também foi apontada por analistas como um fator que o fortaleceu politicamente e o projetou como um dos nomes de destaque da centro-direita.[328]

Parte das alas mais ideológicas do bolsonarismo, no entanto, recebia o nome de Tarcísio com desconfiança, questionando seu alinhamento e sua independência em relação ao núcleo familiar de Jair Bolsonaro. Entre julho e novembro de 2025, o deputado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente o governador em diversas ocasiões. Em julho, questionou a interlocução de Tarcísio com representantes dos Estados Unidos no contexto do tarifaço.[329] Em novembro, referiu-se a ele como “candidato do sistema” e afirmou que não o considerava adequado ao projeto político que defendia.[330] Tarcísio, por sua vez, evitou declarar formalmente pretensões presidenciais ao longo de 2023, 2024 e da maior parte de 2025, concentrando-se nas agendas estaduais.

A indicação de Flávio Bolsonaro por Jair Bolsonaro, anunciada em dezembro de 2025, alterou o quadro. A escolha do senador como candidato à presidência pelo ex-presidente, então em prisão domiciliar, provocou reações distintas no campo da direita e entre lideranças do Centrão. Parte dos interlocutores que vinham trabalhando com a hipótese de uma candidatura de Tarcísio expressaram frustração, enquanto outros passaram a defender a unidade em torno do nome indicado pela família Bolsonaro. Mesmo após o anúncio, o governador de São Paulo manteve por algumas semanas uma postura de não definição pública definitiva sobre seus planos eleitorais, o que manteve abertas as especulações sobre uma eventual candidatura presidencial.

Em janeiro de 2026, a primeira-dama Cristiane Freitas publicou um comentário em rede social no qual afirmava que o Brasil “precisa de um novo CEO, meu marido”, em resposta a um vídeo do governador que defendia a necessidade de um “novo CEO” para o país, com menções a redução do tamanho do Estado, privatizações e atração de investimentos. O episódio gerou repercussão na imprensa e nas redes sociais, sendo interpretado por parte de comentaristas e aliados bolsonaristas como um sinal de que Tarcísio ainda poderia cogitar disputar a Presidência.[331] A assessoria do governador afirmou que o comentário representava apenas concordância com o conteúdo do vídeo publicado.

Em 22 de janeiro de 2026, Tarcísio de Freitas declarou publicamente que seria candidato à reeleição ao governo de São Paulo e negou especulações sobre outros planos eleitorais. Nas semanas seguintes, reafirmou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador era “o nome natural do nosso grupo” e que contaria com seu “total apoio”. A partir de então, o governador passou a atuar internamente para que o Republicanos também endossasse a candidatura do senador, embora o posicionamento formal da legenda em âmbito nacional tenha permanecido em discussão nos meses seguintes.[332]

Candidatura à reeleição

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Em 1 de agosto de 2026, o Republicanos oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição ao governo de São Paulo durante convenção estadual realizada no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista. O evento contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e de lideranças de partidos aliados.[333]

A chapa majoritária ficou composta por Tarcísio de Freitas como candidato a governador e Felício Ramuth (MDB) como candidato a vice-governador. Foram também anunciados os nomes de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) como pré-candidatos ao Senado. A convenção reuniu representantes do Republicanos, MDB, PL, PP e União Brasil.[334]

Durante o evento, Tarcísio reafirmou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Flávio Bolsonaro discursou em solidariedade ao governador e pediu engajamento da militância nas campanhas estadual e nacional.[335]

Vida pessoal

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Nascido no Rio de Janeiro, filho de Amaury Vieira Freitas, que trabalhou no comércio e no Banco do Brasil, e Maria Alice Gomes Freitas, empregada doméstica. De origem humilde, mudou-se aos três anos com a família para Águas Claras, cidade-satélite de Brasília.[336]

Ele saiu de casa aos 19 anos para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas, e seguiu uma trajetória marcada por disciplina militar e dedicação acadêmica.

Tarcísio e Cristiane Freitas em março de 2025

Tarcísio é casado desde 1997 com Cristiane Freitas, natural de Parnamirim, Rio Grande do Norte. Eles se conheceram quando Tarcísio era aspirante do Exército em Natal, onde Cristiane trabalhava como vendedora e depois gerente de loja. O casal tem dois filhos, Matheus e Letícia. Tarcísio frequentemente destaca o papel de Cristiane como pilar de sua família, descrevendo-a como sua "fortaleza" em postagens públicas.

Antes de se estabelecer em São Paulo, a família viveu em diversas cidades, incluindo Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Jardim (PE), devido às demandas da carreira militar de Tarcísio.[337][338]

Religião

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Tarcísio é católico praticante e menciona sua fé como um guia em sua vida, creditando a Deus decisões importantes, como seu casamento. Nas redes sociais, Tarcísio têm fotos publicadas em missas, entre elas, as que participaram como autoridades, como a celebração da festa de São Paulo Apóstolo.[339]

Apesar de ser católico, Tarcísio mantém um bom trânsito entre todas as religiões. Como Governador de São Paulo, sancionou o projeto de lei que declara a Marcha para Jesus como patrimônio cultural imaterial de São Paulo.[340] Ele também é apoiador e participante do evento, organizado pelo apóstolo Estevam Hermandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Tarcísio também teve direito a discursar em todas as edições do evento na capital.

Tarcísio também foi um dos convidados da 55ª Conib (Convenção Anual da Confederação Israelita do Brasil), que ocorreu em novembro de 2024 na sede do clube A Hebraica, na capital paulista.[341]

Durante sua formação no Instituto Militar de Engenharia (IME), enfrentou um câncer testicular, diagnosticado precocemente e tratado com sucesso, o que ele considera uma "bênção". Ele e Cristiane compartilharam publicamente esse episódio, destacando a importância do tratamento rápido.

Em 2025, Tarcísio passou por um processo de emagrecimento, no qual perdeu mais de 22kg por meio de um tratamento com remédios para diabetes tipo 2 e mudanças nos hábitos alimentares e de exercícios físicos.[342]

Desempenho eleitoral

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Ano Eleição Cargo Partido Votos % Resultado Ref.
2022 Estaduais em São Paulo Governador Republicanos 9.881.786

(1º Turno)

42,32% Segundo Turno [343]
13.480.643

(2º Turno)

55,27% Eleito
2026 Estaduais em São Paulo Governador Republicanos

Referências

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